Resenha

Blind Guardian – Beyond the Red Mirror

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Em 1995 o Blind Guardian lançou um álbum que seria seminal em sua longa carreira. “Imaginations from the Other Side” marcava uma guinada na sonoridade da banda, que tirava um pouco o pé do acelerador do thrash/speed metal que lhe caracterizara até então e adicionava elementos sinfônicos de maneira mais presente em sua música. Não só isso, “Imaginations…” foi o primeiro álbum conceitual do Blind Guardian e o último no qual o vocalista Hansi Kürsch acumulou a função de baixista.

Fazer referências à “Imaginations…” aqui é importante, pois o novo álbum do Blind Guardian, “Beyond the Red Mirror” é uma continuação direta da história contada então, principalmente aquela das músicas “Bright Eyes” and “The Story Ends”. De acordo com Hansi (que é o principal letrista da banda), em “Beyond the Red Mirror” temos “uma história entre ficção científica e fantasia. A história começa com o nosso álbum de 1995, ‘Imaginations from the Other Side’. Os dois mundos lá descritos mudaram drasticamente para pior desde então. Enquanto costumava haver várias passagens entre os mundos, resta apenas uma porta agora: The Red Mirror. E ele tem que ser encontrado a qualquer custo.” A partir daí o ouvinte passeará por um mundo recheado de deuses, tiranos e até mesmo o Santo Graal em letras muito bem escritas por Hansi.

Musicalmente, no entanto, é onde o Blind Guardian se supera, provando a seus fãs que a espera de quatro anos e meio entre seu último álbum e esse valeu a pena. O que temos aqui são dez faixas que beiram à perfeição em todos os sentidos, sejam individualmente, seja em seu conjunto. Até mesmo no que diz respeito à ordem das músicas o Blind Guardian acertou, alternando suas composições mais sinfônicas com as mais pesadas e as baladas de maneira harmoniosa. Mesmo naquelas versões do álbum que trazem faixas bônus, essa fórmula funcionou, tanto que uma delas “Distant Memories” é, na opinião deste que vos escreve, uma das melhores baladas já compostas pela banda em seus trinta anos de estrada.

“Beyond the Red Mirror” é iniciado com a épica “The Ninth Wave” que traz todos aqueles elementos já consagrados pelo Blind Guardian, mas executados com um nível de qualidade um pouco acima do usual em seus mais de 9 minutos de duração. A ela se segue um conjunto de possíveis clássicos: “Twilight of the Gods” (primeiro single do álbum), as cadenciadas “Prophecies” e “At the Edge of Time”, essa apresentando partes sinfônicas onde o som das guitarras de Andre Olbrich e Marcus Siepen chegam a ficar em segundo plano e traz um refrão grandioso; a pesada e quase tradicional “Ashes of Eternity”, “Holy Grail” e seu refrão para levantar estádios, “The Throne”, “Sacred Mind”, a balada “Miracle Machine” e se encerra com a épica “Grand Parade” que, coincidentemente ou não, tem exatamente a mesma duração de “ The Ninth Wave”, que abre o álbum, ambas com 9:29 mins de duração.

No que diz respeito às atuações individuais, não há muito a ser dito. Hansi Kürsch mostra aqui o porquê ser considerado um dos melhores gogós do heavy metal atual, mesmo que sua voz em alguns momentos se perca em meio às demais – corais de Budapeste, Praga e Boston fizeram parte das gravações; Andre Olbrich e Marcus Siepen se complementam como uma das melhores duplas de guitarristas do heavy metal já há bastante tempo e o baterista Frederik Emkhe se mostra cada vez mais à vontade na banda. Dentre os músicos convidados, é bom destacar o baixista Barend Corubois e as orquestras de Budapeste e Praga. O mérito maior, no entanto, vai para Andre Olbrich, um dos guitarristas mais subestimados do heavy metal atual. Ao contrário de guitarristas como Dave Mustaine (Megadeth), James Hetfield e Kirk Hammet (Metallica) e John Petrucci (Dream Theater), só para citar os mais notáveis, Andre se preocupa menos em mostrar que consegue tocar milhares de notas por minuto e mais em usar seu talento como compositor em prol da banda como um todo, às vezes até colocando sua guitarra em segundo plano, de forma que, se o Blind Guardian consegue se destacar em um nicho de mercado tão saturado quanto o do power metal nos dias de hoje, isso é muito – mas não só – graças a ele.

Lançado mês passado no Brasil, a versão nacional de “Beyond the Red Mirror” traz como bônus versões ao vivo para as clássicas “The Bard’s Song: In the Forest” e “Time Stands Still (at the Iron Hill”). Particularmente, preferia que “Distant Memories” também constasse nela. Isso, no entanto, não torna o lançamento menos essencial para qualquer fã do Blind Guardian ou desse tipo de heavy metal épico/bombástico/grandioso em geral.

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The Leprechaun – Long Road

CD Digipak (4 Panel One Pocket) [CDDG4T1-004]Formada por Fabiana Santos (vocais), Bruno Stankevicius e Paulo Sampaio (violões), Eric Fontes (baixo), Rafael Schardosim (banjo), Andrew Nathanael (violino) e Fernando Zornoff (bateria), o The Leprechaun tem uma história, no mínimo, inusitada. Formada em 2009 a proposta inicial do grupo era enveredar pelo punk. Três anos depois, apenas Eric, Fernando e Rafael – que na fase punk da banda era responsável pela guitarra – restavam na banda e o trio decidiu partir por outro caminho totalmente diverso e seguir pela estrada da música folk, ainda que suas composições tenham um quê da pegada punk, com músicas diretas e, muitas vezes, cheias de energia de outrora.

Naquele mesmo ano a banda estreou com “The Years Are Just Packed” e, dois anos depois, lançou no mercado esse “Long Road”, através da gravadora Hearts Bleed Blue. Honestamente , após escutar o disco diversas vezes é seguro dizer que, por mais estranha que a mistura de folk e punk possa parecer, ela funciona direitinho no trabalho do The Leprechaun.

“Long Road” tem doze faixas e a banda soube equilibrar bem o material, que é todo acústico, ao longo do álbum, alternando bem músicas mais calmas com aquelas com uma pegada mais agitada. “Culprits and Victims”, que abre a bolachinha, a bela “Blood Puddles”, a contagiante “They Won’t Control Our Freedom (For a Day)” e “Lemon Trees” são alguns dos destaques do álbum. Apostando em seu próprio potencial, a banda chegou a gravar um vídeo para “Hold the World”, que pode lhe dar uma ideia do que o grupo tem a oferecer.

Vale à pena dar uma chance ao som dos caras – e da garota – especialmente se folk rock é sua praia.

Arch Enemy – War Eternal

Nova voz, mesma brutalidade

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 Em março de 2014, os fãs do dito metal extremo seriam pegos de surpresa com a notícia de que Angela Gossow, uma das mais respeitadas e admiradas vocalistas do gênero, estava deixando o Arch Enemy, banda à qual passou a integrar em 2000 e que ajudou a projetar. Afinal, Angela foi uma das pioneiras no estilo ao substituir os vocais gritados/guturais de Johan Liiva com maestria, tanto que é difícil para leigos acreditar que quem canta as músicas do Arch Enemy não é um homem.

Com Angela saindo dos holofotes após quatorze anos e indo atuar nos bastidores – ela continua como gerente da banda – Michael Amott (fundador, guitarrista, tecladista e principal compositor e letrista do Arch Enemy) não perdeu tempo e recrutou Alissa White-Gluz (até então responsável pelos vocais do The Agonist) para o posto. Como o álbum vindouro do Arch Enemy já estava em pré-produção quando da contratação de Alissa, não demorou muito para que ela se entrosasse com os demais membros da banda – o guitarrista Nick Cordle, o baixista Sharlee D’Angelo e o baterista Daniel Erlandsson – e o grupo liberasse seu 10º trabalho de estúdio no mercado. E, sinceramente? Nem parece que houve mudanças na banda, tamanha a consistência e qualidade de “War Eternal”.

O que se ouve em “War Eternal” é aquilo que todo fã do subgênero conhecido como technical death metal poderia querer. Um instrumental intenso e, como o próprio nome do gênero diz, técnico (é absurda a qualidade da dupla Amott/Cordle) e transbordando energia. Até mesmo os refrões grudentos, uma característica mais tipicamente associada com outros gêneros de heavy metal/rock ‘n roll, marcam presença.

“War Eternal” é praticamente porrada atrás de porrada. Apesar de começar com uma introdução que pode dar uma falsa impressão, “Tempore Nihil Sanat (Prelude in F minor)”, assim que se ouvem os primeiros acordes de “Never Forgive, Never Forgot”, as características descritas no parágrafo anterior predominam em 10 das 12 faixas restantes. Há uma desacelerada na curta instrumental “Graveyard of Dreams” (sétima música do álbum) para que o pescoço do ouvinte não se quebre do constante bater de cabeça, mas o ritmo é retomado em “Stolen Life” e mantém-se assim até a derradeira “Not Long For This World”, outra faixa instrumental que pisa um pouco no freio.

Como já dito várias vezes por aqui, há álbuns que são tão homogêneos e tão precisos no que se propõe que é difícil eleger destaques individuais. Isso acontece aqui. “War Eternal” é um trabalho onde a banda parece ter decidido que os fãs precisavam se certificar de que a saída de Angela não seria uma perda, apenas uma mudança. Isso deve ter estimulado a criatividade da banda, que ganhou bastante com a adição de Alissa, uma vocalista mais versátil do que a antecessora. Mesmo sendo bastante difícil, faixas como aquela que dá título ao álbum, “Never Forgive, Never Forgot”, “No More Regrets”, “You Will Know My Name” e “Down to Nothing” dão uma ideia geral do que pode se esperar do álbum. O clipe de “You Will Know My Name”, inclusive, você pode conferir aqui, caso esteja com preguiça de procurar por amostras do álbum no Youtube 🙂

 Estamos em junho apenas, mas “War Eternal” já entra na lista de destaques do ano, figurando bem perto do topo.

 

Sinbreed – Shadows

Power metal de primeira qualidade

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O Sinbreed foi formado na Alemanha em 2005, tendo seu primeiro álbum, “When Worlds Collide”, em 2010, chamado uma certa atenção na mídia especializada especialmente pelo fato de ter, dentre seus membros, a presença do baterista Frederik Ehmke, na época já responsável pelas baquetas do Blind Guardian.

Pouco depois do lançamento de “When Worlds Collide” Marcus Siepen, guitarrista base do Blind Guardian e talvez um dos mais subestimados músicos do heavy metal atual, passou a fazer parte da banda, inicialmente como membro de estúdio apenas e, no fim de 2012, como parte integral do grupo. (O fato de o Blind Guardian lançar álbuns apenas a cada quatro anos dá bastante tempo livre para seus integrantes e me causa até espanto que eles não se envolvam em mais projetos paralelos.)

Com Marcus completando a banda – que já contava com o vocalista Herbie Langhans, o guitarrista/tecladista Flo Laurin e o baixista Alexander Schulz – o Sinbreed lançou no final de março seu segundo álbum, “Shadows” e pode-se dizer com segurança que a bolachinha é candidata fortíssima às listas de melhores lançamentos de 2014.

“Shadows” é quase tudo o que se espera de um álbum de Power metal, à exceção da (quase) indefectível introdução instrumental. Dando o pontapé inicial com “Bleed”, ele é, sem sombras de dúvidas, um esforço abençoado por Odin. O quarteto formado por “Bleed”, “Shadows”, “Call to Arms” e “Reborn” traz tudo o que de melhor se faz no Power metal atual. Riffs matadores, bateria marcante recheada de bumbos duplos, baixo discreto, solos virtuosos, mas sem exageros, um vocalista que consegue segurar bem a onda nos tons mais altos e, claro, os refrões grudentos que fazem a festa dos fãs do estilo e ficam sensacionais quando executados em um estádio.

Com um total de 10 faixas, “Shadows” não tem sequer um ponto fraco, nem uma música que soe como algo que seria deixado de lado, mas acabou entrando no álbum pra encher lingüiça. São 50 minutos do mais puro e empolgante Power metal que vai colocar um sorriso de orelha a orelha naqueles que tiverem a oportunidade de colocar as mãos no álbum.

Duvida? Então tenta escutar “Call to Arms” sem querer começar a cantar o refrão da mesma já na segunda vez em que ele aparece. 🙂