Power Metal

Sinbreed – Shadows

Power metal de primeira qualidade

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O Sinbreed foi formado na Alemanha em 2005, tendo seu primeiro álbum, “When Worlds Collide”, em 2010, chamado uma certa atenção na mídia especializada especialmente pelo fato de ter, dentre seus membros, a presença do baterista Frederik Ehmke, na época já responsável pelas baquetas do Blind Guardian.

Pouco depois do lançamento de “When Worlds Collide” Marcus Siepen, guitarrista base do Blind Guardian e talvez um dos mais subestimados músicos do heavy metal atual, passou a fazer parte da banda, inicialmente como membro de estúdio apenas e, no fim de 2012, como parte integral do grupo. (O fato de o Blind Guardian lançar álbuns apenas a cada quatro anos dá bastante tempo livre para seus integrantes e me causa até espanto que eles não se envolvam em mais projetos paralelos.)

Com Marcus completando a banda – que já contava com o vocalista Herbie Langhans, o guitarrista/tecladista Flo Laurin e o baixista Alexander Schulz – o Sinbreed lançou no final de março seu segundo álbum, “Shadows” e pode-se dizer com segurança que a bolachinha é candidata fortíssima às listas de melhores lançamentos de 2014.

“Shadows” é quase tudo o que se espera de um álbum de Power metal, à exceção da (quase) indefectível introdução instrumental. Dando o pontapé inicial com “Bleed”, ele é, sem sombras de dúvidas, um esforço abençoado por Odin. O quarteto formado por “Bleed”, “Shadows”, “Call to Arms” e “Reborn” traz tudo o que de melhor se faz no Power metal atual. Riffs matadores, bateria marcante recheada de bumbos duplos, baixo discreto, solos virtuosos, mas sem exageros, um vocalista que consegue segurar bem a onda nos tons mais altos e, claro, os refrões grudentos que fazem a festa dos fãs do estilo e ficam sensacionais quando executados em um estádio.

Com um total de 10 faixas, “Shadows” não tem sequer um ponto fraco, nem uma música que soe como algo que seria deixado de lado, mas acabou entrando no álbum pra encher lingüiça. São 50 minutos do mais puro e empolgante Power metal que vai colocar um sorriso de orelha a orelha naqueles que tiverem a oportunidade de colocar as mãos no álbum.

Duvida? Então tenta escutar “Call to Arms” sem querer começar a cantar o refrão da mesma já na segunda vez em que ele aparece. 🙂

Iron Savior – Rise of the Hero

Inovar pra quê?

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O Iron Savior foi fundado em 1996 quando o multi-instrumentista/vocalista Piet Sielck se juntou ao guitarrista/vocalista Kai Hansen (ex-Helloween, atual Gamma Ray e Unisonic) e ao baterista Thomas “Thomen” Stauch (ex-Blind Guardian, atual Savage Circus) para um novo projeto. Intitulado Iron Savior, a ideia era que o trio criasse Power metal tradicional com temática futurista naqueles períodos em que as bandas principais de Kai e Thomas estivessem paradas. O nome da banda, inclusive, seria o mesmo da nave sentiente que estrela as músicas de seus primeiros álbuns e que tem uma relação com a cidade perdida de Atlantis. Ou seja, algo um tanto quanto diferente da temática usual do Power metal, mais focado em histórias que envolvam fantasia medieval.

De qualquer forma, logo Thomas (em 1998) e Kai (em 2001) abandonaram a nave – pra continuar no tema da ficção científica – e o que era um projeto paralelo, especialmente de Kai, se tornou uma “banda de verdade”, com Piet assumindo a guitarra principal e 100% dos vocais. De 1996 para cá, a banda manteve-se fiel às suas raízes, sempre investindo em um Power Metal tradicionalmente alemão, sem se preocupar em inovar ou trazer novos elementos à sua sonoridade que é meio que um híbrido entre o Accept e o Helloween.

“Rise of the Hero” é o oitavo álbum do Iron Savior e traz mais do mesmo. Fica até difícil encontrar palavras para descrevê-lo sem repetir o que já foi dito aqui mesmo em diversas resenhas de álbuns de Power metal. Estão lá as guitarras velozes e virtuosas (mas não muito), a bateria precisa, o baixo discreto, os refrões grandiosos e grudentos… Tudo como sempre. Até as letras são clichezentas e não posso dizer que isso seja um demérito. Para bandas como o Iron Savior, o ditado que diz que “em time que está ganhando não se mexe” é bastante verdadeiro. Isso, claro, no que diz respeito à sua temática e sonoridade, já que a formação da banda mudou tanto ao longo de sua história que apenas Piet permanece como remanescente do grupo original. Atualmente o Iron Savior é composto por, além de Piet, Joachim “Piesel” Küstner (guitarra), Jan-Sören Eckert (baixo) e Thomas Nack (bateria).

Com músicas pesadas e melodiosas, nas quais se destacam o quarteto inicial formado por “Last Hero”, “Revenge of the Bride” (uma homenagem à noiva do Kill Bill de Tarantino), “From Far Beyond Time” e “Burning Heart” e aquela que fecha o álbum, “Fistraiser”, que é a típica música prestando homenagem ao Heavy metal e aos seus seguidores, o único ponto fora da curva nesse “Rise of the Hero” é “Dance with Somebody”, cover para um sucesso – na Escandinávia – da banda sueca Mando Diao. Eu, particularmente, até gostei da música, mas, nota-se que ela, obviamente, nunca poderia ter sido um produto de Piet & Cia.

No fim das contas, seria injusto dizer que esse “Rise of a Hero” é um álbum genérico. Tem seus bons momentos e algumas melodias com certeza vão grudar na cabeça do ouvinte por dias. Isso, no entanto, nada mais é do que uma característica típica do gênero. Poderia se dizer, portanto, que “Rise of a Hero” é recomendado apenas para fãs de Power metal e Metal alemão em geral.

 

Evertale – Of Dragons and Elves

Alemães fazem boa estréia, mas nada extraordinário.

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Um dos estilos mais recheados de clichês do heavy metal é power metal. Para aqueles não familiarizados com o mesmo, esse subgênero do heavy metal surgiu na Alemanha da década de 1980 e se apóia em pilares como guitarras rápidas e técnicas, bateria marcante e precisa com notáveis bumbos duplos, um vocalista que seja capaz de alcançar notas bem agudas, refrões grandiosos e, sempre que possível, a companhia de orquestrações. Outra característica que diferencia o power metal de seus semelhantes é a escolha da temática que, quase invariavelmente, gira em torno de histórias fantasiosas, geralmente envolvendo guerreiros medievais, templários e, mais comumente, dragões, elfos, orcs, hobbits e por aí vai. J. R. R. Tolkien costuma ser a principal inspiração para as letras de 90% das bandas de power metal que vemos por aí, daí muitos de seus detratores referirem-se ao gênero como nerd metal.

Nas últimas três décadas o power metal se expandiu e, por muito tempo, foi o subgênero mais popular do heavy metal, especialmente na Europa. Blind Guardian, Helloween, Gamma Ray, Manowar, Hammerfall e Rhapsody of Fire são apenas alguns exemplos de bandas dedicadas ao gênero. Desnecessário dizer que isso trouxe uma saturação ao mercado e uma homogenia ao cenário. Bastava uma banda novata lançar um álbum com temática power metal para críticos e público erguerem sobrancelhas e um “putz, outra cópia do (inserir o nome de sua banda de power metal favorita aqui)” ser dito.

E foi com essa reação acima que o debut do Evertale “Of Dragons and Elves” foi recebido pela maioria daqueles que tiveram a oportunidade de colocar suas mãos (ainda que apenas virtualmente, já que o álbum foi lançado de maneira independente) nele. Basta uma olhada para a capa do álbum acima para saber exatamente a que estilo de heavy metal ele pertence. Estão lá os dragões se digladiando no que parece ser uma cadeia montanhosa européia, montados por guerreiros carregando espada e lança, o nome da banda escrito como se gravado em ouro e o título que parece remeter a um apêndice escondido de “O Senhor dos Anéis” que Peter Jackson poderia usar pra encher linguiça no terceiro capítulo de seu “O Hobbit”.

Quando se passa pela capa e procuramos um pouco mais a respeito de “Of Dragons and Elves”, a coisa só se sedimenta. Trata-se de um álbum conceitual baseado no livro “Dragões da Noite de Inverno” e escrito pela dupla Margaret Weis e Tracy Hickman, segundo volume da trilogia Dragonlance. Mais clichê impossível. No entanto, se depois de tudo isso a pessoa decidir se arriscar e colocar o álbum pra tocar, perceberá que nem tudo que rodeia o Evertale é uma coleção de clichês.

Tudo bem que o álbum começa com a indefectível introdução instrumental. No entanto, quando o minuto e meio de “Paladine’s Embrace” dá lugar à primeira música efetiva do álbum “In the Sign of the Valiant Warrior”, o que se escuta é um power metal muito, mas muito bem feito. O que o quarteto formado por Matthias Graf (vocal, guitarra), Matthias “Woody” Holzapfel (guitarra), Marco Bächle (baixo) e Martin Schumacher (bateria) apresenta é um álbum de estréia bastante redondinho, com uma produção impecável e uma banda que parece ter anos de estrada dentro do cenário e não que está lançando seu primeiro álbum. “Evertale” tem 14 faixas que beiram os 80 minutos de duração no total e variam faixas épicas como “Tales of Everman” e “The Last Knight”, com outras mais contidas a exemplo da música título a qual alguns críticos – exageradamente – andam comparando a “The Bard’s Song”, do Blind Guardian. Já “Brothers in War (Forever Damned)” tem a participação especial de Ralph Scheepers, vocalista do Primal Fear.

A maioria dos críticos que escreveram sobre a estréia do Evertale o colocou entre os melhores álbuns lançados em 2013, ainda que fosse um lançamento tardio (o álbum foi lançado em 21 de dezembro). Particularmente creio que isso seja um exagero. É fato que o Evertale apesenta uma estréia muito acima do que se espera de uma banda iniciante e seu power metal traz elementos que o diferenciam da grande maioria de seus pares. No entanto, dizer que a banda pode ser colocada no mesmo patamar dos grandes do gênero é, na minha humilde opinião, colocar o carro na frente dos bois. Uma estréia acima da média não é, em si, suficiente para colocar uma banda no mesmo nível daquelas que lançam álbuns consistentes um atrás do outro em carreiras que duram décadas.

No fim das contas, “Of Dragons and Elves” vale muito a pena de ser ouvido pelos fãs do gênero pela sua excelência e o Evertale é aquele tipo de banda que, inicialmente, é interessante de se prestar atenção. Se essa excelência e todo o oba-oba em cima da banda se justificarão isso só o tempo vai dizer.

Majesty – Banners High

Metal na melhor tradição alemã

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Alguém dá uma camisa pra ele, faz favor?

Surgido na Alemanha no final da década de 1990, o Majesty é daquelas bandas que não se furta em beber da mesma fonte de diversos de seus compatriotas e investe em um metal puramente calcado na sonoridade dos anos 1980, com guitarras pesadas e virtuosas, bateria marcante, teclado presente, (ainda que muito discreto), refrões grudentos e melodias cativantes. Seguindo outra tradição tipicamente alemã, a banda opta por enveredar pelos caminhos do chamado power metal, ou seja, dragões, batalhas campais, luta contra um rei opressor, histórias de cavalaria, magos e feiticeiras abundam em suas letras. Ou seja, tudo aquilo que fãs de Tolkien e/ou jogadores de RPG apreciam.

Atualmente formada por Tarek Maghary (vocais, teclados), Tristan Visser (guitarra), Freddy Schartl (baixo) e Jan Raddatz (bateria), o Majesty tem uma história relativamente interessante. Depois de chamar a atenção do cenário com o bom “Keep It True” (um álbum que você poderia pensar seriamente que se trata de obra do Manowar graças ao seu título), e lançar os consistentes “Sword & Sorcery” (2002), “Reign In Glory” (2003), o ao vivo “Metal Law” (2004) e Hellforces (2006), por algum motivo qualquer os caras anunciaram o fim da banda. Detalhe: os membros continuariam tocando e excursionando juntos, só que deixariam de usar o nome “Majesty” e passariam a ser conhecidos por um nome muito mais fodão. Surgiria, então, o Metalforce que lançaria seu álbum de estréia, auto-intitulado, em 2009. Dois anos depois e com apenas um álbum auto-intitulado em seu catálogo, no entanto, o Metalforce voltaria a ser Majesty e soltaria seu “álbum de retorno”, “Own the Crown”.

Pra compensar o tempo perdido, eis que 2013 o Majesty retorna com dois álbuns. “Thunder Rider” lançado em janeiro e esse “Banners High”, lançado há exatamente uma semana.

Depois de tudo o que foi dito acima, não há muito a se acrescentar. “Banners High” traz tudo aquilo que agrega valor (pra usar uma expressão em moda no Brasil de hoje) ao power metal: refrões grudentos, corais grandiosos, peso, velocidade… Tem até a baladinha indefectível, aqui representada por “Take Me Home”, que aparece em duas versões, sendo uma delas acústica e incluída como material bônus. Outros destaques do álbum vão para as grudentas “Time for Revolution” e “All We Want, All We Need” e “United by Freedom” com suas ambições épicas.

Em resumo, “Banners High” é mais do mesmo. Um álbum de uma banda que não quer saber de inventar moda nem reinventar um estilo musical, apenas se divertir fazendo música para um público que, por incrível que pareça, sempre se renova, talvez justamente por se sentir confortável sabendo o que esperar do trabalho de determinadas bandas ou artistas. O Majesty não dá nenhum passo fora de sua zona de conforto e entrega aos fãs exatamente o que se espera deles em seu sétimo álbum. Para quem os conhece e aprecia seu trabalho, nenhuma novidade; para quem não é iniciado, “Banners High” não deixa de ser um bom começo… Assim como qualquer outro álbum dos caras. Sério.