Folk

The Leprechaun – Long Road

CD Digipak (4 Panel One Pocket) [CDDG4T1-004]Formada por Fabiana Santos (vocais), Bruno Stankevicius e Paulo Sampaio (violões), Eric Fontes (baixo), Rafael Schardosim (banjo), Andrew Nathanael (violino) e Fernando Zornoff (bateria), o The Leprechaun tem uma história, no mínimo, inusitada. Formada em 2009 a proposta inicial do grupo era enveredar pelo punk. Três anos depois, apenas Eric, Fernando e Rafael – que na fase punk da banda era responsável pela guitarra – restavam na banda e o trio decidiu partir por outro caminho totalmente diverso e seguir pela estrada da música folk, ainda que suas composições tenham um quê da pegada punk, com músicas diretas e, muitas vezes, cheias de energia de outrora.

Naquele mesmo ano a banda estreou com “The Years Are Just Packed” e, dois anos depois, lançou no mercado esse “Long Road”, através da gravadora Hearts Bleed Blue. Honestamente , após escutar o disco diversas vezes é seguro dizer que, por mais estranha que a mistura de folk e punk possa parecer, ela funciona direitinho no trabalho do The Leprechaun.

“Long Road” tem doze faixas e a banda soube equilibrar bem o material, que é todo acústico, ao longo do álbum, alternando bem músicas mais calmas com aquelas com uma pegada mais agitada. “Culprits and Victims”, que abre a bolachinha, a bela “Blood Puddles”, a contagiante “They Won’t Control Our Freedom (For a Day)” e “Lemon Trees” são alguns dos destaques do álbum. Apostando em seu próprio potencial, a banda chegou a gravar um vídeo para “Hold the World”, que pode lhe dar uma ideia do que o grupo tem a oferecer.

Vale à pena dar uma chance ao som dos caras – e da garota – especialmente se folk rock é sua praia.

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Elvenking – The Pagan Manifesto

p18ihs02cm2gqc0v1lsg1anpmmj4Banda mostra que quer ser grande

O Elvenking foi fundado na Itália em 1997 e chamou a atenção da crítica especializada logo quando do lançamento de seu debut, “Heathenreel”, em 2001, que ocasionou que a banda excursionasse pela Europa dando suporte a grandes nomes do Power Metal atual, como Blind Guardian, Edguy e Gamma Ray.

Ao longo da década passada a banda lançou seis álbuns, alcançando resultados variados. Se, por um lado, alguns de seus trabalhos receberam diversos elogios de crítica e público (“The Winter Wake” “Wyrd” e “The Scythe”), outros (“”Red Silent Tides” e “Era”, coincidentemente os dois últimos) foram amplamente ignorados, simplesmente por não trazerem qualquer inovação ou sedimentação à sonoridade da banda. Isso fez com que o Elvenking ficasse meio estagnado: a banda nem consegue aumentar sua base de fãs, nem tampouco sofre uma perda muito grande. Combine isso com o fato do grupo fazer um som que combina características do Folk com o Power Metal e a coisa fica ainda mais complicada.

Eis que em 2014 o Elvenking lança “The Pagan Manifesto” com a intenção, aparentemente, de virar a mesa e conseguir seu lugar dentre os maiores nomes do gênero atual, lugar ocupado atualmente por bandas como Korpiklaani, Ensiferum e Enslaved. Se o intento será alcançado, só o tempo dirá. No entanto, podemos dizer com segurança que o grupo está no caminho certo, já que “The Pagan Manifesto” é o melhor álbum da carreira do Elvenking em muito tempo.

A exemplo de álbuns de power metal tradicionais, “The Pagan Manifesto” é aberto com “The Manifest”, uma introdução com pouco mais de dois minutos que desemboca em “King of the Elves”, a mais longa música já composta pelo Elvenking. Batendo na casa dos 13 minutos, “King of Elves” tem todo um clima épico, refrões grandiosos e contagiantes, bons riffs e todo aquele clima alegre que é indelével às canções folclóricas. Um começo bem auspicioso para um álbum que, como um todo, é bastante agradável.

Um dos trunfos do Elvenking em seu oitavo álbum é também a forma como as músicas foram dispostas ao longo de si. Se “King of Elves” é uma faixa longa e intrincada, “Elvenlegions” tem um ritmo mais tradicional, direta e bem mais curta; “The Druid Ritual of Oak” já remete aos trabalhos mais antigos da banda; enquanto “Towards the Shore” é a balada que pisa no freio da alegria folk, “Pagan Revolution” volta com o clima pra cima, abrindo espaço para a pesada (dentro da proposta da banda) “Grandier’s Funeral Pyre” que, por sua vez, prepara terreno para a tradicional “Twilight of Magic”, que precede a novamente alegre – e quase pop – “Black Roses for the Wicked One” – mantendo sempre o pique do álbum e o interesse do ouvinte. A exemplo de “The King of Elves” “The Pagan Manifesto” é fechado com chave de ouro com “Witches Gather”, outra faixa longa, dessa vez passando pouco dos oito minutos e meio de duração.

Com 12 faixas distribuídas de maneira bastante harmoniosa e um álbum que tem tudo pra figurar em diversas listas de melhores de 2014, o sexteto formado por Damna (vocais), Aydan e Rafahel (guitarras), Jakob (baixo), Symohn (bateria) e Lethien (violino) tem tudo para conseguir mais atenção do que aquela que vem recebendo até o momento. Desnecessário dizer que esse é um álbum que todo fã de folk/power metal deve, pelo menos, conferir.