Black Metal

Behemoth – The Satanist

Trio polonês volta à ativa

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O Behemoth surgiu na Polônia no começo dos anos 1990 e foi uma das principais bandas a ajudar a estabelecer o cenário do metal extremo em seu país de origem. Caminhando paralelamente ao movimento do Black metal iniciado – ou “mais bem difundido”, como queira – na Noruega naquela época, o trio logo chamou a atenção de crítica e fãs fazendo um Death metal bem agressivo com letras geralmente voltadas à temática pagã. Ao final daquela década, com o lançamento de seu quarto álbum, “Satanica”, o Behemoth assumiu com mais proeminência um lugar dentro do cenário do Black metal, dada a mudança na temática de suas letras.

Depois de cinco anos de hiato, muito devido ao fato do guitarrista/vocalista Nergal (Adam Darski) ter lutado uma batalha complicada contra uma leucemia avançada, o Behemoth volta ao mercado com seu décimo álbum de estúdio, “The Satanist” e mostra que a banda (cuja formação se completa com o baixista Tomasz “Orion” Wróblewski e o baterista Zbigniew “Inferno” Promiński) continua relevante no cenário.

“The Satanist” é meio que uma prova de fogo para Nergal. Sem querer entrar no discurso melodramático de que esse álbum seria uma resposta do vocalista a todos aqueles que duvidavam de sua plena recuperação – sem contar aqueles que torciam para que ele encontrasse a Dona Morte, já que o sujeito se declara abertamente satanista convicto (ou seja, é contra todo tipo de religião organizada) e chegou a enfrentar um processo legal na Polônia após ter rasgado uma bíblia em cima do palco – o fato é que os vocais de Nergal estão melhores aqui do que em muito tempo. A energia que ele coloca em seus gritos e grunhidos é quase inédita em toda a carreira da banda. Basta escutar a faixa de abertura do álbum, “Blow your Trumpets Gabriel”, para o ouvinte já ter uma ideia do que lhe aguarda ao longo dos 44 minutos da bolachinha. Interessantemente, por mais furiosa que esteja a voz de Nergal aqui, seus gritos e grunhidos não são totalmente ininteligíveis e em diversos momentos é possível se distinguir muito claramente o que ele está cantando sem a necessidade de ter as letras das músicas à mão, desde que se tenha um ouvido treinado para tal.

Instrumentalmente, o Behemoth continua o mesmo de sempre. Nergal encaixa alguns solos interessantes aqui e ali – especialmente em “O Father O Satan O Sun!”, que fecha o álbum – e há até um saxofone em “In the Absence Ov Light”, o que não deixa de ser inusitado em se tratando de um álbum de metal extremo. “Amen” e “Ora Pro Nobis Lucifer” são outros bons destaques desse “The Satanist”.

Independentemente se pertencente ao cenário do Death ou do Black, fato é que o Behemoth tem lançado álbum consistente atrás de álbum consistente, justificando o papel de destaque atribuído ao grupo tanto por crítica quanto por fãs. “The Satanist” é apenas mais um registro da competência desse trio polonês. 

 

  

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Caladan Brood – Echoes of Battle

Summoning genérico vindo dos EUA

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Originário de Salt Lake City, o Caladan Brood é uma dupla composta por Shield Anvil e Mortal Sword (sim, esses são os “nomes” dos integrantes) cuja proposta é fazer um Black Metal Atmosférico bastante inspirado pelo trabalho dos austríacos do Summoning, com a diferença de que, enquanto os originais baseiam suas letras na obra de J. R. R. Tolkien, os americanos ficam mais perto de casa. O nome da banda e as letras de suas poucas – e longas – músicas são inspirados pela série “Malazan Book of the Fallen”, do escritor canadense Steven Erikson, inédita no Brasil.

 Se você está se perguntando, Black Metal Atmosférico é um sub-gênero do heavy metal que combina os vocais guturais/gritados do black metal com elementos da new age tipo “sons da natureza”, “como relaxar escutando as ondas”, “o canto das baleias” e etc. Ou seja, dependendo do seu humor, é o tipo de música para usar como som de fundo enquanto trabalha ou cochila, apesar de que eu não recomendaria nenhuma das bandas aqui citadas para a realização dessa última atividade. Colocar o álbum pra tocar em um quarto escuro, no sentido de “viajar” e absorver mais a atmosfera que ele tenta passar, no entanto, é uma experiência legal.

 “Echoes of Battle” é o primeiro trabalho do Caladan Brood e chamou a atenção na mídia especializada quando de seu lançamento no começo de 2013 justamente pela comparação com o Summoning – considerada uma das pioneiras e mais inovadoras bandas desse sub-gênero (ou sub-sub-gênero, como queira) de metal. Assim sendo, o grande demérito do álbum acaba sendo o fato da banda ser, como descrito acima, uma versão meio genérica dos austríacos; por outro lado, é notório que o Caladan Brood fez um trabalho esforçado em sua estréia, com uma notável vontade em fazer com que suas composições soem bem, com uma produção limpa e cuidada. Há até mesmo belos solos de guitarra encaixados aqui e ali, especialmente em “Wild Autumn Wind”, destaque individual do álbum.

 O principal aspecto do álbum que entra na categoria “ame ou odeie” diz respeito à duração das faixas. Com apenas seis músicas, “Echoes of Battle” bate na marca dos 71 minutos, com suas durações variando entre os 9:22 e os 14:55 mins. É o tipo de álbum que exige uma certa dedicação do ouvinte.

 No fim das contas “Echoes of Battle” é recomendado quase que exclusivamente para aqueles que são realmente entusiastas do gênero. Versões sem vocais com certeza agradariam fãs de trilhas sonoras, já que todo o trabalho instrumental é bem feito e as músicas não ficariam deslocadas se presentes em algum filme com temática fantástica, na linha de “O Senhor dos Anéis” e similares. As mesmas com vocais, repito, só para os iniciados.