Angra

Noturnall – Noturnall

Banda já nasce com porte de gigante

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Contando com Thiago Bianchi nos vocais, Léo Mancini na guitarra, Fernando Quesada no baixo e Junior Carelli no teclado, o Noturnall é, basicamente, a nova formação do Shaman – grupo fundado por André Matos (vocal), Hugo Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori ( bateria), todos egressos do Angra e, à exceção do baterista, não mais na banda – com Aquiles Priester (ex-Angra, Hangar), nas baquetas. O disco de estréia da banda, “Noturnall”, foi lançado em fevereiro e tem alcançado uma merecida repercussão, superando as expectativas até mesmo daqueles que já conheciam o trabalho dos músicos em suas supracitadas bandas.

Com 10 faixas e contando com a participação de Russel Allen (vocalista do Symphony X e do Adrenaline Mob) em “Nocturnal Human Side”, o álbum acerta em praticamente tudo o que se propõe e é um belo trabalho. Bastante homogêneo e com uma produção limpa, “Noturnall” mostra uma banda bastante entrosada, o que já era de se esperar, já que são caras que – à exceção de Aquiles – trabalham bastante tempo junto.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção em Noturnall é que, mesmo sendo composta por membros do Shaman, a banda não soa como eles. Aquele heavy metal “viajado”, meio “místico”, é deixado de lado aqui. O Noturnall optou por um som mais direto, sem abusar – mas tampouco sem abrir mão – da virtuose característica do estilo. Estão lá os riffs pesados, os solos, a cozinha competente (chamar Aquiles de “excelente” é chover no molhado), o teclado entrando nos momentos certos e, claro, os refrões grudentos que não podem fazer falta ao estilo. É legal também destacar o trabalho de Thiago, que segurou bem a onda e consegue transitar de vocais mais rasgados para tons mais agudos de maneira bastante fluída.

Como dito acima, “Noturnall” é bastante homogêneo, de forma a ficar difícil apontar destaques individuais. No entanto, faixas como “No Turn at All”, que abre o disco, “Zombies”, a quase glam metal “Sugar Pill”, a balada “Last Wish” e a pesada “Hate”, além da supracitada “Nocturnal Human Side” são músicas que se destacam no álbum.

O Noturnall é uma banda iniciante que já começa grande. Esperemos que continue assim em seus futuros lançamentos. O começo, como visto, é bastante promissor.

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Angra – Angel’s Cry 20th Anniversary Tour

Aos trancos e barrancos, banda completa sua segunda década ativa

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O Angra tem o mérito de ser uma das mais reconhecidas bandas de metal tupiniquim fora do país. Com uma história tão conturbada, é impressionante ver que os caras chegaram ao vigésimo ano de carreira em boa forma e, para comemorar o feito, acabaram de lançar no mercado esse “Angels Cry: 20th Anniversary Tour”, um pacote composto de um DVD e um CD ao vivo, captando o registro de um show na capital paulista. O que será analisado aqui é o conteúdo do CD.

Não é segredo para ninguém que acompanha a cena de perto que o Angra passou por pelo menos dois baques gigantescos nessas duas décadas. O primeiro aconteceu no meio do ano 2000 quando, no auge da popularidade, disputas internas fizeram com que 3/5s da banda – o vocalista André Matos, o baixista Luiz Mariutti e o baterista Ricardo Confessori – simplesmente abandonassem o barco em uma separação bastante ruidosa. Muito se especulou na época que o Angra, cuja imagem estava muito ligada à figura de Matos, estava irremediavelmente acabado. No entanto, os membros remanescentes, a dupla de guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro, resolveram que não era bem assim e, depois de um longo processo, selecionaram Edu Falaschi, Felipe Andreoli e Aquiles Priester para ocupar as respectivas vagas em aberto.

Com uma nova formação, o Angra iniciou a década passada mostrando que estava vivo lançando um álbum consistente atrás do outro. Os pontos fora da curva acabam sendo o excelente “Temple of Shadows” de 2004 e o esquecível “Aurora Consurgens”, de 2006. Tudo parecia correr bem após o lançamento de “Aqua”, de 2010. Parecia.

Pouco depois do lançamento do álbum, Aquiles Priester resolve encerrar sua história na banda de maneira deveras ruidosa. Dessa vez a procura foi menor e o filho pródigo Ricardo Confessori a casa torna. As coisas, no entanto, pioram quando, após uma apresentação desastrosa no Rock in Rio de 2011, o vocalista Edu Falaschi abandona o barco. Com uma agenda cheia e sem muito tempo para selecionar uma nova pessoa para a posição, o Angra resolve improvisar e Rafael e Kiko entram em contato com o vocalista italiano Fábio Lione e oferecem a ele o emprego temporário. Já tendo seu tempo dividido entre o Rhapsody of Fire e o Vision Divine, Fábio aceitou a oferta e passou a excursionar com a banda. O resultado dessa parceria pode ser visto – e ouvido – nesse lançamento.

Apesar de ser um trabalho que comemora o 20º aniversário do lançamento do primeiro álbum, ao contrário do que André Matos vem fazendo em sua turnê, aqui o Angra não toca “Angels Cry” na íntegra e prefere fazer um apanhado de toda a sua carreira. O resultado não poderia ser melhor. Clássicos como “Nothing to Say”, “Carry on”, “Angels Cry” e “Rebirth” marcam presença e são alguns dos pontos altos do álbum, assim como “Reaching Horizons”, faixa acústica que é cantada por Rafael e executada apenas por ele e Kiko.

No quesito participações especiais, o Angra foi certeiro na lista de convidados: a vocalista Tarja Turunen (ex-Nightwish) dá a voz – e que voz! – da graça em “Stand Away”, na qual executa um belo dueto com Lione e em Wuthering Heights, cover de Kate Bush no qual tem a companhia ilustre ex-guitarrista dos Scorpions, Uli Jon Roth e da Família Lima. A última participação fica por conta do baterista Amílcar Christófaro, do Torture Squad, em “Evil Warning”. Essa, no entanto, ficou de fora do cd.

O ponto negativo do lançamento é justamente o fato de áudio e vídeo terem materiais diferentes. Enquanto o CD conta com 15 faixas, o DVD traz as 19 músicas que representam a totalidade do show. Mesmo com ambos sendo comercializados no mesmo pacote, talvez um lançamento contendo o DVD mais CD duplo com a íntegra do espetáculo fosse algo mais interessante, a exemplo do que fez o Edguy com seu “Fucking with Fire”, álbum ao vivo também gravado em São Paulo em 2006 e lançado em 2009, o qual trazia DVD simples e CD duplo no mesmo produto.   

De qualquer forma, esse é apenas um detalhe, já que “Angels Cry: 20th Anniversary Tour” é um excelente apanhado das duas décadas de carreira do Angra e mostra que Rafael e Kiko acertaram em cheio ao convidar Fábio Lione para assumir os vocais da banda mesmo que apenas temporariamente (ainda que esse “temporariamente” cada dia mais caminhe para um “permanentemente”). O cara é um monstro e consegue muito bem cantar tanto as músicas da primeira (com André Matos) quanto da segunda (com Edu Falaschi) fase da banda de maneira bastante competente, trazendo até mais qualidade a algumas delas. É bem legal também ver como ele se entrosou rapidamente com os demais integrantes da banda, de forma que a química em cima do palco funciona muito bem. Quem teve a oportunidade de ver algum show dessa turnê do Angra ao vivo sabe bem do que estou falando.