Resenha

Kiss faz show histórico em Belo Horizonte

Foi longa a espera. 32 anos depois de sua primeira passagem por Belo Horizonte – em um show que despertou polêmicas à época devido aos protestos de organizações religiosas contra a presença da banda em terras mineiras – o Kiss voltou à capital mineira para um show realizado no Mineirinho no último dia 23 de abril.

Marcado inicialmente para o estádio do Independência, o show foi transferido para o Mineirinho – casa conhecida pela péssima acústica – por motivos ainda não esclarecidos de maneira satisfatória. Enquanto a organização alega que isso se deu devido a um jogo da Taça Libertadores programado para a véspera no estádio, o que inviabilizaria a preparação da estrutura para o evento, fontes não oficiais atribuem a mudança à baixa procura de ingressos, motivada, em parte pelos altos preços praticados e por falhas na divulgação do evento. O fato de pouco mais de sete mil pessoas terem comparecido ao Mineirinho, no entanto, faz com que a segunda teoria faça mais sentido.

Steel Panther

IMG_0433Independente disso, o fato é que a noite de rock and roll começou com um pouco de atraso – como em praticamente todo show de rock/metal que acontece por aqui. Marcado para as 19:00 hs, passava pouco das 19:30 hs quando os californianos do Steel Panther adentraram o palco para realizar o show de abertura. O quarteto formado por Satchel (guitarra), Michael Star (vocal), Lexxi Foxx (baixo) e Stix Zadinia (bateria) veio ao Brasil pela primeira vez para divulgar seu quarto álbum, “All You Can Eat”, de 2014. Sinceramente, não há muito o que se dizer do Steel Panther. A banda faz um hard rock competente, descendente direto das bandas de glam rock dos anos 1980, especialmente Poison e Motley Crüe, com bastante interação com o público – o guitarrista Satchel fala pra caramba entre uma música e outra – e letras que tem tudo para agradar garotos de 12 anos na plateia, já que giram prioritariamente em torno de sexo. Houve inclusive um pedido do guitarrista para que as senhoritas na plateia lhe mostrassem seus seios e suas partes baixas, com algum sucesso. Com cerca de uma hora de apresentação, o Steel Panther apresentou 11 músicas. Destaques aí vão para “Eyes of a Panther”, “Party All Day (Fuck All Night)” e “Death To All But Metal”, que fechou uma apresentação que, apesar da dedicação do quarteto em cima do palco, não se revelou nada memorável. Nem se pode dizer que cumpriu o papel de esquentar a audiência para a atração principal, dado o aparente desinteresse do público pela banda.

Kiss

IMG_0462

Não demorou muito após o encerramento do show do Steel Panther para que o sistema de som do Mineirinho anunciasse a entrada da atração principal com o tradicional “you wanted the best, you got the best. The hottest band in the world: Kiss”, descendo a cortina para que Gene Simmons (vocal, baixo), Paul Stanley (vocal, guitarra), Thommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (vocal, bateria) tomassem o palco de assalto com seu show de luzes, explosões e, claro, a clássica “Detroit Rock City”, a primeira da série de músicas clássicas que seriam executadas naquela noite. “Creatures Of The Night” a relativamente recente “Psycho Circus” e “Love It Loud”, talvez a música mais famosa na carreira de uma banda que coleciona músicas famosas, foram executadas em seguir antes de que Paul Stanley interagisse com a plateia pela primeira vez naquela noite. Daí em diante, a cada nova faixa, Paul se dedicaria a falar um pouco com seu público.

Um show do Kiss é bastante planejado, bem executado e reserva poucas surpresas. Para quem já comparecera em algum deles, não houve muitas novidades. Para os novatos, no entanto, a experiência de ver uma das maiores lendas vivas do rock no palco é algo único. Afinal, estava tudo lá: a pirotecnia, Gene cuspindo fogo em “War Machine”, Tommy Thayer soltando faíscas de sua guitarra em seu solo de guitarra, Gene novamente sendo a estrela ao cuspir sangue, ser elevado aos ares e cantar “God of Thunder” de uma plataforma bem acima do palco e Paul usar um cabo para ir a uma plataforma no meio do público em “Love Gun” e, logo após, ceder os holofotes a Eric Singer quando o mesmo assume os vocais de “Black Diamond”. Tudo feito de maneira bem profissional e ensaiada, visando extrair as melhores reações possíveis do público e conseguindo fazê-lo com sucesso. O imprevisto talvez tenha se dado apenas quando, em uma ação de marketing promovida pelo Clube Atlético Mineiro, Paul Stanley se enrolou em uma bandeira do time e tomou uma vaia tão grande que abafou o que ele queria dizer ao público naquele momento, sendo necessário que a descartasse para que fosse ouvido. Nada demais, no entanto.

Foram quase duas horas de clássicos como “Deuce”, “Calling Doctor Love”, “Lick It Up” e apenas uma música do mais recente álbum da banda, “Monster”, representado aqui por “Hell or Hallelujah”, o que deve ter agradado à audiência que, quando vai em shows de bandas com tanto tempo de estrada e com tantos sucessos em seu acervo, se preocupa mais com os clássicos e menos com as músicas novas. E, se tem algo que o Kiss sabe fazer como poucos, é agradar seu público. Algo que vem fazendo com sucesso há quarenta anos e deve continuar fazendo por mais algum tempo. A apresentação foi encerrada, como não podia deixar de ser, com “Rock And Roll All Nite”.

Uma última observação deve ser feita a respeito do público “roqueiro” de Belo Horizonte que, mais uma vez, decepcionou. É tradição que o público de BH reclame que as grandes bandas toquem em Rio, São Paulo e Porto Alegre, vindo pouco à capital mineira. No entanto, quando algum promotor efetivamente traz as bandas para Belo Horizonte, o público não comparece. É o ingresso que está caro, é o horário, é o dia da semana, é o fato de ter jogo do Cruzeiro/Atlético no mesmo dia… As desculpas são inúmeras, mas o resultado sempre é o mesmo: um público final que não estimula que produtores tragam essas bandas novamente à cidade. Em 2009 o Iron Maiden tocou em Belo Horizonte no mesmo Mineirinho e aquele foi o menor público da turnê em terras tupiniquins. Esse ano foi o Kiss que tocou para pouco mais de sete mil pessoas – que fizeram seu papel aplaudindo, cantando e gritando o tempo todo – na cidade. Como ouvi uma pessoa dizendo ao fim do show, “quem viu, viu. Quem não viu, nunca mais”. Que se contentem com shows de alguma das bandas cover dedicadas a homenagear o grupo e que tem espaço cativo nas mais diversas casas de show da cidade. Só não reclamem de não terem a chance de verem os originais.

IMG_0481

Uganga – Opressor

Featured image

Eis que um ano após seu primeiro álbum ao vivo “Eurocaos”, os mineiros do Uganga voltam ao cenário com um novo trabalho em estúdio. “Opressor” é o quarto álbum do quinteto formado por Manu “Joker” (vocal), Christian Franco e Thiago Soraggi (guitarras), Raphael “Ras” Franco (baixo e vocal) e Marco Henriques (bateria e vocal) e mostra tudo aquilo pelo qual a banda é conhecida: letras fortes, vocal raivoso de Manu, um instrumental bem levado e enérgico, mesclando thrash metal e hardcore de maneira bastante harmoniosa.

“Opressor” é aberto com “Guerra”, faixa com um refrão forte e que dá ao ouvinte uma ideia do que está por vir, caso não seja familiarizado com o trabalho da banda. “O Campo”, inspirada pelos campos de concentração dos nazistas na Polônia (visitados pela banda durante sua turnê pelo continente europeu em 2010) é, de longe, o grande destaque do álbum, seja pelo instrumental, seja, principalmente, pelas letras e pela quebrada de ritmo ocasionada pelo coral no refrão, sendo uma das faixas mais cadenciadas do álbum. Além dessas, podemos apontar “Veredas”, “Moleque de Pedra”, que conta com participação especial de Juarez Tibanha (Scourge), a porrada “Who are the True?”, versão do Uganga para música gravada originalmente pela banda Vulcano, “Aos Pés da Grande Árvore” e “Guerreiro”, que fecha o petardo de maneira inusitada ao quebrar o ritmo frenético que marcou as músicas anteriores e envereda por ritmos mais cadenciados.

Com treze faixas no total, “Opressor” é outro trabalho feito com bastante esmero – foram dois anos entre composição e gravação das músicas – e mostra novamente o potencial do Uganga para se destacar no cenário do trash metal/hardcore nacional.

Noturnall – First Night Live

Noturnall_Capa_First-Night-Live_Low

Depois de um bom álbum de estreia, que obteve repercussão bem positiva entre público e crítica, o Noturnall – banda formada por Thiago Bianchi (vocal), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Junior Carelli (teclado) e Aquiles Priester (bateria) – resolveu seguir o movimento que tem se tornado tendência entre bandas e artistas atuais e já lançar seu primeiro DVD ao vivo, antes mesmo de pensar em soltar um segundo registro em estúdio no mercado.

“First Night Live” foi gravado durante show de lançamento de seu álbum autointitulado, que aconteceu no Carioca Club, em São Paulo. O título do DVD é bastante apropriado já que esse foi o primeiro show da história da banda. Isso, no entanto, é quase que uma informação a título de curiosidade, já que a experiência de todos os músicos envolvidos e o calor do público não deixam transparecer isso em nenhum momento. Devido ao tempo de estrada de todos os músicos do Noturnall, esse tem todo o clima de show de encerramento de turnê, não de começo de uma.

Musicalmente não há muito a ser dito do DVD que não tenha sido falado quando da resenha do debut do Noturnall (que você pode relembrar aqui). Depois de uma introdução em vídeo estrelada pela zumbi que figura na capa do álbum de estreia da banda, o grupo entra no palco com “Not Turn At All”, seguida de “St. Trigger” e “Inferno Veil”, essa cover do Shaman. Há uma pausa onde Thiago interage pela primeira vez com o público, falando a respeito do câncer com o qual foi diagnosticado treze anos atrás que me parece mal editado, ficando meio perdido ali. A intenção dele era contar que, diagnosticado com a doença, ele teria prometido a si mesmo que, se vencesse a mesma, dali a treze anos faria algo a respeito para ajudar pessoas na mesma condição, daí a parceria do Noturnall com a Casa Hope, instituição que ajuda crianças com câncer e para o qual foram arrecadados mais de uma tonelada de comida, além de roupas e brinquedos na ocasião de “First Night Live”. Creio que deveria ter havido um cuidado maior por parte da direção do DVD na hora de captar esse momento, já que o discurso sofre um corte bem seco antes de o show continuar.

O show segue com “Zombies” (e aqui há alguns problemas dos quais falarei mais abaixo), “Master of Deception” e “Hate”, antes que toda a banda se retire para deixar Aquiles Priester mostrar toda a habilidade nas baquetas que o levou a ser considerado um dos melhores em seu ofício dentro do heavy metal. “Last Wish” é outro dos bons momentos do show, pois traz a participação especial do jovem violoncelista Luiz Fernando Venturelli, que também participa do cover para “Symphony of Destruction”, do Megadeth, creditado no DVD como “faixa surpresa”, ou seja, a frase acima pode ser considerada um spoiler. Com apenas 13 anos, o moleque detona usando seu instrumento para ocupar o lugar da segunda guitarra nessa música.

Após a despedida de Luiz Fernando, Léo Mancini toma o palco para um solo de guitarra diferente do convencional que traz algumas surpresas que só assistindo ao DVD para saber (já dei spoilers demais por aqui). A apresentação segue com “Fake Healers”, “Sugar Pill” e o grande momento da noite, “Nocturnal Human Side”, no qual a banda divide o palco com Russel Allen, vocalista do Symphony X e que foi um dos produtores do álbum de estreia do Noturnall. Russel ainda canta mais duas músicas com a banda antes do primeiro show do grupo ser encerrado.

Como material de bônus o DVD traz making of, onde Thiago e os demais explicam mais sobre a parceria com a Casa Hope e os motivos para tal, um vídeo sobre o equipamento usado pela Yamaha para gravar o show – que deve interessar apenas os envolvidos com essa parte técnica – e diversos outros, que incluem um excelente cover para “Woman in Chains”, do Tears for Fears, homenageando as mães dos integrantes do Noturnall.

Apesar de seu resultado extremamente positivo, “First Night Live” tem seus problemas. Além do que já foi dito lá em cima a respeito do discurso de Thiago Bianchi, algumas escolhas para a edição do DVD me pareceram meio infelizes. As letras do refrão de “Zombies” na tela não ficaram legais e, em alguns momentos, a imagem não apresentou a melhor qualidade, com cores estouradas. Já a iluminação de palco também lembra, em muitos momentos, o que se vê em shows de artistas sertanejos, o que pode causar certa estranheza. Essa opção se justifica se levarmos em conta que o diretor do DVD, Alex Batista, tem em seu currículo trabalhos com grandes nomes do estilo, tais como Luan Santana e Fernando & Sorocaba. Isso, no entanto, são apenas aspectos técnicos. No que realmente importa, ou seja, a captação de áudio e desempenho dos músicos e do público, “First Night Live” não deixa nada a desejar e é um excelente registro de uma banda que tem tudo para fazer história no heavy metal nacional.

Powerwolf – History of Heresy I & II

Powerwolf_-_The_History_Of_Heresy

 

O Powerwolf é o tipo de banda que engana à primeira vista. Seu nome leva a crer que é um grupo de power metal alemão, já que “Powerwolf” combina tão bem com o estilo quanto Blind Guardian, Rhapsody of Fire ou Gamma Ray. Já seu visual – com o uso de corpse paint -, as capas de seus álbuns e as letras de suas músicas remetem ao black metal norueguês dada a quantidade de “heresia” contida nelas. No entanto, a banda não é nem uma coisa nem outra. O que temos aqui é uma banda de heavy metal que flerta tanto com power metal quanto com o heavy rock clássico, com letras que, apesar de tocar em temas polêmicos, não devem ser nunca levadas a sério.

“History of Heresy” I & II são duas coletâneas lançadas pelo quinteto formado por Attila Dorn (vocais), Matthew Greywolf (guitarra), Charles Greywolf (baixo, guitarra), Falk Maria Schlegel (teclados) e Roel van Helden (bateria) que abrange praticamente toda a carreira da banda. E digo isso literalmente, já que cada um dos álbuns (um duplo e um triplo) reedita os primeiros quatro trabalhos da banda. E se consiste em uma ótima pedida para aqueles que desconhecem o Powerwolf se familiarizarem com o trabalho da banda.

O Powerwolf faz um heavy metal de bastante competência, com letras que remetem ao folclore da Europa e um grande número de músicas dedicadas a atacar a religião, especialmente a Igreja Católica. Ao contrário de bandas como Venom, no entanto, o Powerwolf lida com isso de maneira bastante caricata, com letras que não tem qualquer objetivo de serem levadas a sério por qualquer pessoa com meio cérebro funcional.

“History of Heresy I” traz a reedição dos dois primeiros álbuns da banda, “Return in Bloodred” e “Lupus Dei”. Nele os destaques vão para “Kiss of the Kobra King” e seu refrão grudento, “The Evil Made Me Do It” e “Lúcifer in Starlight”, todas oriundas de “Return in Bloodred”. Já na reedição de “Lupus Dei”, “Saturday Satan”, “In Blood We Trust” e “Mother Mary is a Bird of Prey” são as faixas que merecem maior atenção. Para não dizer que não há qualquer diferença entre a coletânea e os álbuns originais, cada um deles traz, respectivamente, três e seis faixas bônus, todas versões gravadas ao vivo durante as turnês de divulgação dos álbuns abordados na coletânea.

Já “History of Heresy II” abrange o trabalho que a banda realizou em “Bible of the Beast” e “Blood of the Saints” e mostra uma boa evolução na sonoridade do grupo, haja o número de músicas que merecem serem apreciadas. “Bible of the Beast” conta com algumas das músicas que tem potencial para se tornarem clássicos na carreira da banda, como “Raise your Fist Evangelist”, a divertida “Panic in the Pentagram”, “Seven Deadly Sins”, a nonsense “Resurrection by Erection”, “Saint Satan” e a quase balada “Wolves Against the World”. Além do tracklist original, há ainda duas faixas bônus: “Testament in Black” e “Riding the Storm”, essa um cover dos suecos do Running Wild.

“Blood of Saints” responde pelo segundo disco e traz aquela que, para mim, é a melhor música da carreira do Powerwolf: “Sanctified with Dynamite”. “We Drink your Blood”, “Murder at Midnight”, “All We Need is Blood”, “Night of the Werewolves” e “Die Die Crucified” também são faixas que merecem menção. “History of Heresy II” traz ainda um terceiro disco que se consiste de apenas cinco faixas que trazem versões orquestradas para músicas presentes em “Blood of Saints”. Esse é um material interessante, mas não tanto quanto o resto do lançamento.

Pra quem gosta de um heavy metal bem tocado e letras divertidas, o Powerwolf (cuja discografia em estúdio se completa com “Preachers Of The Night”, lançado em 2013) é uma ótima opção. Infelizmente, devido à sua aparente falta de apelo, apesar de ter alcançado um bom número de fãs no Brasil via Facebook, nenhuma gravadora nacional se animou a lançar qualquer álbum dos Lobos Alemães por aqui. Daí só há duas maneiras de se obter material dos caras por aqui: importando ou pedindo pro seu amigo que vai pra Europa ou EUA lhe trazer seus álbuns (aposto que você pensou que eu diria “importando ou baixando via torrent”, né?) 🙂

powerwolfband2013_638 Parece Black Metal, mas não é.

 

Hammerfall – (r)Evolution

Featured image

Existem bandas que, cedo em sua carreira estabelecem algo que os conecte com os fãs. Seja uma afinação de guitarra, um estilo de se vestir, uma temática lírica, ou mesmo uma mascote, essa ligação é aquilo que faz com que a banda atraia e mantenha os fãs. No caso do heavy metal, isso é algo essencial, já que estamos falando de um público que, sejamos francos, não é muito afeito a mudanças. E isso, nem sempre, é ruim.

O Hammerfall utilizou-se de quase todos os itens acima desde suas estreia, o álbum “Glory to the Brave” de 1997. Ali já se encontravam elementos que marcariam a carreira da banda: músicas grandiosas, riffs e refrões “grudentos”, solos ora virtuosos, ora melodiosos, bumbos duplos, enfim, tudo o que um fã do Power Metal consagrado por bandas como Helloween, Gamma Ray e Blind Guardian, dentre outros, poderia esperar. A banda elegeu até mesmo um tema recorrente (as aventuras dos Cavaleiros Templários) e uma mascote (Hector) para figurar na maioria de suas músicas e capas de álbuns.

“(r)Evolution”, o nono álbum da banda (oitavo em estúdio), é quase uma volta às origens, depois que o grupo resolveu aproveitar a onda zumbi e explorar esse tema em seu trabalho de 2012, “Infected”, que teve uma recepção no máximo morna de fãs e crítica. Para o novo álbum, o quinteto formado por Joacim Cans (vocais), Oscar Dronjak e Pontus Norgren (guitarras), Fredrik Larsson (baixo) e Anders Johansson (bateria) resolveu deixar os mortos-vivos de lado e voltar às músicas com temática medieval, Hector e tudo o que trouxe o grupo ao patamar no qual hoje se encontra dentro do Power Metal. Tanto que o álbum é aberto de maneira perfeita com “Hector’s Hymm”, um tributo ao cavaleiro deixado de lado (inclusive fora da capa pela primeira vez) em “Infected”.

Fãs de Power Metal, a exemplo dos admiradores de grupos como o AC/DC, em geral gostam que suas bandas favoritas sejam previsíveis, de forma que podem comprar seus álbuns sem medo de colocá-los pra tocar e ouvir uma batida tribal ou um conjunto de foles (exceção feita ao Grave Digger) no lugar da dupla de guitarras. Em (r)Evolution o fã do Hammerfall encontrará exatamente o que espera, até porque ouviu músicas nesse mesmo estilo ao longo de todos os álbuns gravados pela banda até o momento. Até a indefectível balada se apresenta aqui em “Winter is Coming” que, sim, faz referência à Game of Thrones (ei, melhor uma banda conhecida por músicas envolvendo templários e dragões fazer uma música baseada em Game of Thrones do que em zumbis, certo? :p). “(R)evolution”, “Live Life Loud”, “Tainted Metal” e “Wildfire” são alguns dos demais destaques do trabalho que, repito, foi pensado para agradar em cheio aos fãs do Hammerfall. E, ouso dizer, alcançou seu objetivo com louvor.

The Winery Dogs – Unleashed in Japan 2013

Unleashed-In-Japen_0

O The Winery Dogs é outra daquelas bandas que a imprensa especializada rotulou como um “supergrupo”, já que reúne o baterista Mike Portnoy (ex-Dream Theater, Flying Colors), o baixista Billy Sheehan (Mr. Big, ex-Steve Vai) e o guitarrista/vocalista Ritchie Kozen (ex-Mr. Big, ex-Poison), todo com extensas carreiras e grande reconhecimento de público e crítica.

Depois de um excelente álbum debut autointitulado, o The Winery Dogs resolveu fazer o que hoje se tornou algo costumeiro dentre diversas bandas e, já de cara, investir na gravação de um DVD/CD ao vivo. O resultado disso é esse “Unleashed in Japan” que traz dez músicas sendo sete do álbum de estreia da banda e as demais versões para outros grupos.

Quem viu o trio se apresentar ao vivo na turnê de divulgação de seu álbum de estreia, que passou pelo Brasil, sabe muito bem o que esperar do grupo. Ao contrário do que poderia se pensar, dado à fama de virtuose de seus membros, o The Winery Dogs faz um som bem azeitado, com uma preocupação muito maior em fazer um rock and roll oitentista com influências dos anos 1970 de qualidade e menos em mostrar o quão fodões são em seus respectivos instrumentos. Claro que nos shows sempre há aqueles minutos em que um dos membros da banda toma o palco sozinho e realiza um solo justamente para exercer esse virtuosismo mas, pelo menos no que diz respeito à versão em CD simples de “Unleashed in Japan”, que é objeto dessa resenha, isso foi deixado de lado. O que temos aqui são 49 minutos do mais puro rock n’ roll, contagiante, energético e, obviamente, muito bem executado.

Com destaque para as músicas “Elevate”, que abre o álbum, a balada “I’m no Angel”, “Shine”, versão para a faixa gravada originalmente pelo Mr. Big e “Desire”, que fecha a bolachinha, “The Winery Dogs – Unleashed in Japan” é um excelente registro ao vivo e é uma ótima alternativa para aqueles não familiarizados com o trabalho da banda passarem a conhecê-la. Agora é torcer para que um álbum de inéditas seja lançado antes de Portnoy resolver abandonar o barco, como fez com o Adrenaline Mob…

Elvenking – The Pagan Manifesto

p18ihs02cm2gqc0v1lsg1anpmmj4Banda mostra que quer ser grande

O Elvenking foi fundado na Itália em 1997 e chamou a atenção da crítica especializada logo quando do lançamento de seu debut, “Heathenreel”, em 2001, que ocasionou que a banda excursionasse pela Europa dando suporte a grandes nomes do Power Metal atual, como Blind Guardian, Edguy e Gamma Ray.

Ao longo da década passada a banda lançou seis álbuns, alcançando resultados variados. Se, por um lado, alguns de seus trabalhos receberam diversos elogios de crítica e público (“The Winter Wake” “Wyrd” e “The Scythe”), outros (“”Red Silent Tides” e “Era”, coincidentemente os dois últimos) foram amplamente ignorados, simplesmente por não trazerem qualquer inovação ou sedimentação à sonoridade da banda. Isso fez com que o Elvenking ficasse meio estagnado: a banda nem consegue aumentar sua base de fãs, nem tampouco sofre uma perda muito grande. Combine isso com o fato do grupo fazer um som que combina características do Folk com o Power Metal e a coisa fica ainda mais complicada.

Eis que em 2014 o Elvenking lança “The Pagan Manifesto” com a intenção, aparentemente, de virar a mesa e conseguir seu lugar dentre os maiores nomes do gênero atual, lugar ocupado atualmente por bandas como Korpiklaani, Ensiferum e Enslaved. Se o intento será alcançado, só o tempo dirá. No entanto, podemos dizer com segurança que o grupo está no caminho certo, já que “The Pagan Manifesto” é o melhor álbum da carreira do Elvenking em muito tempo.

A exemplo de álbuns de power metal tradicionais, “The Pagan Manifesto” é aberto com “The Manifest”, uma introdução com pouco mais de dois minutos que desemboca em “King of the Elves”, a mais longa música já composta pelo Elvenking. Batendo na casa dos 13 minutos, “King of Elves” tem todo um clima épico, refrões grandiosos e contagiantes, bons riffs e todo aquele clima alegre que é indelével às canções folclóricas. Um começo bem auspicioso para um álbum que, como um todo, é bastante agradável.

Um dos trunfos do Elvenking em seu oitavo álbum é também a forma como as músicas foram dispostas ao longo de si. Se “King of Elves” é uma faixa longa e intrincada, “Elvenlegions” tem um ritmo mais tradicional, direta e bem mais curta; “The Druid Ritual of Oak” já remete aos trabalhos mais antigos da banda; enquanto “Towards the Shore” é a balada que pisa no freio da alegria folk, “Pagan Revolution” volta com o clima pra cima, abrindo espaço para a pesada (dentro da proposta da banda) “Grandier’s Funeral Pyre” que, por sua vez, prepara terreno para a tradicional “Twilight of Magic”, que precede a novamente alegre – e quase pop – “Black Roses for the Wicked One” – mantendo sempre o pique do álbum e o interesse do ouvinte. A exemplo de “The King of Elves” “The Pagan Manifesto” é fechado com chave de ouro com “Witches Gather”, outra faixa longa, dessa vez passando pouco dos oito minutos e meio de duração.

Com 12 faixas distribuídas de maneira bastante harmoniosa e um álbum que tem tudo pra figurar em diversas listas de melhores de 2014, o sexteto formado por Damna (vocais), Aydan e Rafahel (guitarras), Jakob (baixo), Symohn (bateria) e Lethien (violino) tem tudo para conseguir mais atenção do que aquela que vem recebendo até o momento. Desnecessário dizer que esse é um álbum que todo fã de folk/power metal deve, pelo menos, conferir.