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Noturnall – First Night Live

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Depois de um bom álbum de estreia, que obteve repercussão bem positiva entre público e crítica, o Noturnall – banda formada por Thiago Bianchi (vocal), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Junior Carelli (teclado) e Aquiles Priester (bateria) – resolveu seguir o movimento que tem se tornado tendência entre bandas e artistas atuais e já lançar seu primeiro DVD ao vivo, antes mesmo de pensar em soltar um segundo registro em estúdio no mercado.

“First Night Live” foi gravado durante show de lançamento de seu álbum autointitulado, que aconteceu no Carioca Club, em São Paulo. O título do DVD é bastante apropriado já que esse foi o primeiro show da história da banda. Isso, no entanto, é quase que uma informação a título de curiosidade, já que a experiência de todos os músicos envolvidos e o calor do público não deixam transparecer isso em nenhum momento. Devido ao tempo de estrada de todos os músicos do Noturnall, esse tem todo o clima de show de encerramento de turnê, não de começo de uma.

Musicalmente não há muito a ser dito do DVD que não tenha sido falado quando da resenha do debut do Noturnall (que você pode relembrar aqui). Depois de uma introdução em vídeo estrelada pela zumbi que figura na capa do álbum de estreia da banda, o grupo entra no palco com “Not Turn At All”, seguida de “St. Trigger” e “Inferno Veil”, essa cover do Shaman. Há uma pausa onde Thiago interage pela primeira vez com o público, falando a respeito do câncer com o qual foi diagnosticado treze anos atrás que me parece mal editado, ficando meio perdido ali. A intenção dele era contar que, diagnosticado com a doença, ele teria prometido a si mesmo que, se vencesse a mesma, dali a treze anos faria algo a respeito para ajudar pessoas na mesma condição, daí a parceria do Noturnall com a Casa Hope, instituição que ajuda crianças com câncer e para o qual foram arrecadados mais de uma tonelada de comida, além de roupas e brinquedos na ocasião de “First Night Live”. Creio que deveria ter havido um cuidado maior por parte da direção do DVD na hora de captar esse momento, já que o discurso sofre um corte bem seco antes de o show continuar.

O show segue com “Zombies” (e aqui há alguns problemas dos quais falarei mais abaixo), “Master of Deception” e “Hate”, antes que toda a banda se retire para deixar Aquiles Priester mostrar toda a habilidade nas baquetas que o levou a ser considerado um dos melhores em seu ofício dentro do heavy metal. “Last Wish” é outro dos bons momentos do show, pois traz a participação especial do jovem violoncelista Luiz Fernando Venturelli, que também participa do cover para “Symphony of Destruction”, do Megadeth, creditado no DVD como “faixa surpresa”, ou seja, a frase acima pode ser considerada um spoiler. Com apenas 13 anos, o moleque detona usando seu instrumento para ocupar o lugar da segunda guitarra nessa música.

Após a despedida de Luiz Fernando, Léo Mancini toma o palco para um solo de guitarra diferente do convencional que traz algumas surpresas que só assistindo ao DVD para saber (já dei spoilers demais por aqui). A apresentação segue com “Fake Healers”, “Sugar Pill” e o grande momento da noite, “Nocturnal Human Side”, no qual a banda divide o palco com Russel Allen, vocalista do Symphony X e que foi um dos produtores do álbum de estreia do Noturnall. Russel ainda canta mais duas músicas com a banda antes do primeiro show do grupo ser encerrado.

Como material de bônus o DVD traz making of, onde Thiago e os demais explicam mais sobre a parceria com a Casa Hope e os motivos para tal, um vídeo sobre o equipamento usado pela Yamaha para gravar o show – que deve interessar apenas os envolvidos com essa parte técnica – e diversos outros, que incluem um excelente cover para “Woman in Chains”, do Tears for Fears, homenageando as mães dos integrantes do Noturnall.

Apesar de seu resultado extremamente positivo, “First Night Live” tem seus problemas. Além do que já foi dito lá em cima a respeito do discurso de Thiago Bianchi, algumas escolhas para a edição do DVD me pareceram meio infelizes. As letras do refrão de “Zombies” na tela não ficaram legais e, em alguns momentos, a imagem não apresentou a melhor qualidade, com cores estouradas. Já a iluminação de palco também lembra, em muitos momentos, o que se vê em shows de artistas sertanejos, o que pode causar certa estranheza. Essa opção se justifica se levarmos em conta que o diretor do DVD, Alex Batista, tem em seu currículo trabalhos com grandes nomes do estilo, tais como Luan Santana e Fernando & Sorocaba. Isso, no entanto, são apenas aspectos técnicos. No que realmente importa, ou seja, a captação de áudio e desempenho dos músicos e do público, “First Night Live” não deixa nada a desejar e é um excelente registro de uma banda que tem tudo para fazer história no heavy metal nacional.

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Hammerfall – (r)Evolution

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Existem bandas que, cedo em sua carreira estabelecem algo que os conecte com os fãs. Seja uma afinação de guitarra, um estilo de se vestir, uma temática lírica, ou mesmo uma mascote, essa ligação é aquilo que faz com que a banda atraia e mantenha os fãs. No caso do heavy metal, isso é algo essencial, já que estamos falando de um público que, sejamos francos, não é muito afeito a mudanças. E isso, nem sempre, é ruim.

O Hammerfall utilizou-se de quase todos os itens acima desde suas estreia, o álbum “Glory to the Brave” de 1997. Ali já se encontravam elementos que marcariam a carreira da banda: músicas grandiosas, riffs e refrões “grudentos”, solos ora virtuosos, ora melodiosos, bumbos duplos, enfim, tudo o que um fã do Power Metal consagrado por bandas como Helloween, Gamma Ray e Blind Guardian, dentre outros, poderia esperar. A banda elegeu até mesmo um tema recorrente (as aventuras dos Cavaleiros Templários) e uma mascote (Hector) para figurar na maioria de suas músicas e capas de álbuns.

“(r)Evolution”, o nono álbum da banda (oitavo em estúdio), é quase uma volta às origens, depois que o grupo resolveu aproveitar a onda zumbi e explorar esse tema em seu trabalho de 2012, “Infected”, que teve uma recepção no máximo morna de fãs e crítica. Para o novo álbum, o quinteto formado por Joacim Cans (vocais), Oscar Dronjak e Pontus Norgren (guitarras), Fredrik Larsson (baixo) e Anders Johansson (bateria) resolveu deixar os mortos-vivos de lado e voltar às músicas com temática medieval, Hector e tudo o que trouxe o grupo ao patamar no qual hoje se encontra dentro do Power Metal. Tanto que o álbum é aberto de maneira perfeita com “Hector’s Hymm”, um tributo ao cavaleiro deixado de lado (inclusive fora da capa pela primeira vez) em “Infected”.

Fãs de Power Metal, a exemplo dos admiradores de grupos como o AC/DC, em geral gostam que suas bandas favoritas sejam previsíveis, de forma que podem comprar seus álbuns sem medo de colocá-los pra tocar e ouvir uma batida tribal ou um conjunto de foles (exceção feita ao Grave Digger) no lugar da dupla de guitarras. Em (r)Evolution o fã do Hammerfall encontrará exatamente o que espera, até porque ouviu músicas nesse mesmo estilo ao longo de todos os álbuns gravados pela banda até o momento. Até a indefectível balada se apresenta aqui em “Winter is Coming” que, sim, faz referência à Game of Thrones (ei, melhor uma banda conhecida por músicas envolvendo templários e dragões fazer uma música baseada em Game of Thrones do que em zumbis, certo? :p). “(R)evolution”, “Live Life Loud”, “Tainted Metal” e “Wildfire” são alguns dos demais destaques do trabalho que, repito, foi pensado para agradar em cheio aos fãs do Hammerfall. E, ouso dizer, alcançou seu objetivo com louvor.

Elvenking – The Pagan Manifesto

p18ihs02cm2gqc0v1lsg1anpmmj4Banda mostra que quer ser grande

O Elvenking foi fundado na Itália em 1997 e chamou a atenção da crítica especializada logo quando do lançamento de seu debut, “Heathenreel”, em 2001, que ocasionou que a banda excursionasse pela Europa dando suporte a grandes nomes do Power Metal atual, como Blind Guardian, Edguy e Gamma Ray.

Ao longo da década passada a banda lançou seis álbuns, alcançando resultados variados. Se, por um lado, alguns de seus trabalhos receberam diversos elogios de crítica e público (“The Winter Wake” “Wyrd” e “The Scythe”), outros (“”Red Silent Tides” e “Era”, coincidentemente os dois últimos) foram amplamente ignorados, simplesmente por não trazerem qualquer inovação ou sedimentação à sonoridade da banda. Isso fez com que o Elvenking ficasse meio estagnado: a banda nem consegue aumentar sua base de fãs, nem tampouco sofre uma perda muito grande. Combine isso com o fato do grupo fazer um som que combina características do Folk com o Power Metal e a coisa fica ainda mais complicada.

Eis que em 2014 o Elvenking lança “The Pagan Manifesto” com a intenção, aparentemente, de virar a mesa e conseguir seu lugar dentre os maiores nomes do gênero atual, lugar ocupado atualmente por bandas como Korpiklaani, Ensiferum e Enslaved. Se o intento será alcançado, só o tempo dirá. No entanto, podemos dizer com segurança que o grupo está no caminho certo, já que “The Pagan Manifesto” é o melhor álbum da carreira do Elvenking em muito tempo.

A exemplo de álbuns de power metal tradicionais, “The Pagan Manifesto” é aberto com “The Manifest”, uma introdução com pouco mais de dois minutos que desemboca em “King of the Elves”, a mais longa música já composta pelo Elvenking. Batendo na casa dos 13 minutos, “King of Elves” tem todo um clima épico, refrões grandiosos e contagiantes, bons riffs e todo aquele clima alegre que é indelével às canções folclóricas. Um começo bem auspicioso para um álbum que, como um todo, é bastante agradável.

Um dos trunfos do Elvenking em seu oitavo álbum é também a forma como as músicas foram dispostas ao longo de si. Se “King of Elves” é uma faixa longa e intrincada, “Elvenlegions” tem um ritmo mais tradicional, direta e bem mais curta; “The Druid Ritual of Oak” já remete aos trabalhos mais antigos da banda; enquanto “Towards the Shore” é a balada que pisa no freio da alegria folk, “Pagan Revolution” volta com o clima pra cima, abrindo espaço para a pesada (dentro da proposta da banda) “Grandier’s Funeral Pyre” que, por sua vez, prepara terreno para a tradicional “Twilight of Magic”, que precede a novamente alegre – e quase pop – “Black Roses for the Wicked One” – mantendo sempre o pique do álbum e o interesse do ouvinte. A exemplo de “The King of Elves” “The Pagan Manifesto” é fechado com chave de ouro com “Witches Gather”, outra faixa longa, dessa vez passando pouco dos oito minutos e meio de duração.

Com 12 faixas distribuídas de maneira bastante harmoniosa e um álbum que tem tudo pra figurar em diversas listas de melhores de 2014, o sexteto formado por Damna (vocais), Aydan e Rafahel (guitarras), Jakob (baixo), Symohn (bateria) e Lethien (violino) tem tudo para conseguir mais atenção do que aquela que vem recebendo até o momento. Desnecessário dizer que esse é um álbum que todo fã de folk/power metal deve, pelo menos, conferir.

Grave Digger – Return of the Reaper

Com uma longa discografia da bagagem o Grave Digger é aquela típica banda que, raríssimas exceções, nunca decepciona seus fãs. Formada na Alemanha no começo dos anos 1980, quando o estilo germânico de metal que viria a ser conhecido como power metal dava seus primeiros passos, o grupo liderado pelo vocalista Chris Boltendahl, único remanescente da formação original, se apegou à fórmula e dificilmente se desvia dela.

“Return of the Reaper” é seu 17º álbum de estúdio e mostra o Grave Digger em plena forma, mesmo que repetindo a mesma fórmula de sempre. Com o baterista Stefan Arnold, o baixista Jens Becker, o tecladista Hans Peter “H.P.” Katzenburg (que normalmente se apresenta sob os trajes do mascote da banda) e o guitarrista Axel Ritt completando a formação, o que se ouve em “Return of the Ripper” é power metal puro e simples. Riffs bem colocados, solos virtuosos, coros, letras envolvendo o ceifador, guerra e morte e especialmente, refrões grudentos estão presentes por todo o álbum o que é, repito, aquilo que todo o fã de Grave Digger poderia esperar. Duvida? Então dá uma escutada em “Tattoed Rider”, “Road Rage Killer”, “Dia de Los Muertos” e “Death Smiles at All of Us” e comprove o que digo. Há até a indefectível balada em “Nothing to Believe”, para fechar o álbum.

Se a versão regular de “Return of the Reaper” já é interessante e atende aos desejos dos fãs, a edição limitada traz um segundo disco – aliás, coisa que vem se tornando usual nos lançamentos do Grave Digger – que é uma agradável surpresa. Afinal, além de duas faixas inéditas de bônus, ele vem ainda com oito faixas gravadas ao vivo em formato acústico. Não tem como não achar interessante – ou estranho, dependendo de seu gosto pessoal – escutar clássicos da banda como The “Dark of the Sun”, “Rebellion (the Clans are Marching) e “Heavy Metal Breakdown”, músicas conhecidas por dar dor no pescoço de headbangers ao redor do mundo, em uma roupagem que talvez agradasse até a seu pai fã de MPB.

Não dá pra dizer que “Return of the Reaper” é o melhor que o Grave Digger já fez mas, como sempre, é um esforço consciente da banda em atender aos fãs tradicionais e, no caso de sua edição limitada, trazer algo de novo para aqueles que gostariam de ver o grupo trilhar caminhos menos conhecidos. Vale à pena dar uma conferida, caso power metal seja um estilo musical que lhe agrade.

Iced Earth – Dystopia

Novo vocalista mostra a que veio

Fundado em 1985, sob a alcunha de “Purgatory”, pelo guitarrista Jon Schaffer, o Iced Earth foi rebatizado em 1989 e, no ano seguinte, lançou seu primeiro álbum, auto-intitulado. Começaria aí a história de uma das melhores e mais subestimadas bandas de metal surgida na terra do Tio Sam.

Em seus quase 30 anos de história, o Iced Earth foi uma das bandas que mais sofreu – ou se aproveitou, talvez – com as constantes mudanças em sua formação. Dificilmente a banda repetia a mesma formação em dois álbuns. Muitas vezes, o quinteto que gravava o álbum não era o mesmo que saia na turnê para divulga-lo. Desde 1991, ano de lançamento de seu auto-intitulado debut até esse “Dystopia”, dá pra perder a conta de quantas formações a banda teve. A coisa era tão incostante que em cada um de seus primeiros 3 álbuns (“Iced Earth”, “Night of the Stormrider” e “Burnt Offerings”) o Iced Earth teve um vocalista diferente, até que o terceiro, Matt Barlow veio para ficar.

Em 1996 o Iced Earth apareceu para o mundo nerd quando do lançamento de “Dark Saga”, álbum conceitual (o segundo desse tipo em sua história de, até então, 4 álbuns) baseado no personagem Spawn, de Todd McFarlane, bastante em voga na época. Comparada muitas vezes com grandes nomes do estilo como Metallica e Iron Maiden, o Iced Earth passou a construir uma discografia sólida, muito provavelmente devido ao entrosamento de Barlow e Schaffer.

Em 2003, a parceria foi quebrada. Afetado pelos ataques terroristas ao World Trade Center – que inspiraram o álbum lançado naquele ano “The Glorious Burden”, um tributo ao “espírito de luta” do povo estadunidense – Barlow decidiu que deveria fazer algo para contribuir com o “mundo real” e deixou a banda para se tornar um oficial de polícia na cidade de Georgetown, Delaware. Para seu lugar, Schaffer recrutou Tim “Ripper” Owens, ex-vocalista do Judas Priest. Após dois álbuns (“The Glorious Burden” e “Framing Armageddon: Something Wicked Part 1”, a continuação da história iniciada em “Something Wicked This Way Comes”, de 1998), no entanto, Owens foi demitido da banda, para que Barlow retornasse. Seu álbum de re-estreia foi lançado em 2008 e fechava a “Something Wicked Trilogy”, com “The Crucible of Man: Something Wicked Part 2”. Três anos depois, em 2011, Barlow anunciava através do site oficial da banda que estava saindo de novo, dessa vez para se aposentar da música e dedicar mais tempo à sua família. O desconhecido Stu Block assumiria os vocais para o próximo álbum.

Lançado em outubro passado, “Dystopia” é o décimo álbum em estúdio do Iced Earth e parece que, depois de dois álbuns muito esperados e pouco marcantes, Jon Schaffer – principal letrista, compositor e praticamente dono da banda – retomou as rédeas de sua música. “Dystopia” tem tudo aquilo que marcou a carreira do Iced Earth, com músicas pesadas, power-ballads cativantes e os típicos refrões grudentos característicos do estilo. O novato Stu já mostra ao que veio na faixa título, que abre o disco. De cara a música mostra toda a versatilidade de sua voz, passando sem maiores problemas de vocais mais roucos para agudos gritados, com uma competência quase comparável à de seu predecessor. “Anthem” – a famosa “música de trabalho”, cujo vídeo pode ser visto no Youtube – “Anguish of Youth” e “V”, baseada na obra “V for Vendetta” (“V de Vingança”) de Alan Moore são alguns dos destaques do álbum, que traz 10 faixas. A versão nacional traz três bouns: “Soylent Green”, “Iron Will” e uma versão alternativa de “Anthem”.

Um álbum sólido, bastante homogêneo e quase uma volta ao passado do Iced Earth, “Dystopia” tem tudo para ser um dos marcos altos da trajetória da banda.

 

Nota: 9/10

Amaranthe – Amaranthe

Um álbum de estreia competente

Uma das coisas mais interessantes – e talvez uma das maiores responsáveis pela longevidade – do heavy metal é a forma como o estilo não mantém muitas amarras aos seus clichês. Pelo fato de ser um estilo pouco comercialmente acessível, as bandas que optam por esse sub-gênero musical não se furtam em experimentar e adicionar elementos advindos de outras tendências musicais em seu som. Aqueles que conhecem álbuns de Yingwie J. Malmsteen, Epica, Dimmu Borgir, Therion ou mesmo o mais popular “S&M”, do Metallica sabe exatamente como essa tendência funciona.

Sem tentar reinventar o gênero, o Amaranthe apareceu para o mundo no ano passado, depois de dois anos em atividade, com seu álbum de estreia auto-intitulado, trazendo uma mistura estranha mas que funciona: a mistura de elementos de death e power metal com teclados claramente influenciados pela música pop, além de uma combinação de vocais quase característica de bandas mais voltadas para o gothic metal. O Amaranthe tem nada menos do que três vocalistas: a bela Elize Ryd (cuja experiência anterior se limita à uma excursão como backing vocal dos estadunidenses do Kamelot), Jake E (Dream Evil), responsável pela voz masculina limpa e Andreas Solveström (Cipher System), que cuida dos vocais guturais/gritados. Completam a formação o guitarrista/tecladista Olof Mörck (Dragonland, Nightrage) o baixista Johan Andreassen (da banda sueca de metal industrial Engel), e o baterista Morten Løwe Sørensen (Mercenary).

Musicalmente falando, “Amaranthe” traz basicamente um apanhado de tudo o que foi dito acima: elementos de power e death metal com uma pegada bastante pop, mas sem descambar para os principais clichês de quaisquer um desses sub-gêneros. O álbum contém 12 músicas que são bastante homogêneas entre si, e não deixa de trazer faixas com refrões grudentos  como em “Hunger” e “Automatic”, músicas pesadas como “Rain” e a indefectível balada, aqui representada por “Amaranthine”. Uma coisa bem legal nesse álbum de estreia do Amaranthe foi o fato de a banda conseguir combinar elementos tão díspares de forma que funcionassem harmoniozamente em um trabalho bastante homogêneo e bem feito. É aquele tipo de álbum que pode ser escutado uma vez após a outra sem ser cansativo. Vale a pena dar uma conferida.

“Amaranthe” foi lançado no Brasil no começo do ano via Hellion Records.

Nota: 8/10   

Blind Guardian – Memories of a Time to Come

Caça níqueis de alto nível

 Surgida na pequena cidade cidade de Krefeld, Alemanha, na segunda metade da década de 1980, o Blind Guardian se tornou uma das bandas mais bem sucedidas no sub-gênero do heavy metal conhecido como “power metal”. No caso do Blind Guardian, a banda também poderia ser considerada “symphonic metal” ou mesmo “speed metal”, dependendo do álbuma ser analisado.

Inicialmente uma banda mais direta e rápida, ao longo de seus mais de 25 anos de estrada, o Blind Guardian mostrou uma evolução constante em sua sonoridade. Uma das razões para isso pode ser o esmero com que a banda trata seus álbuns, o que faz que sua produção seja bem lenta. Desde o lançamento de “Battalions of Fear” em 1988 até “At the Edge of Time”, em 2010, contam-se apenas nove álbuns na discografia do grupo – adicionada de dois trabalhos ao vivo, uma coletâna de “b-sides” e umDVDao vivo.

E é toda a história do Blind Guardian que é abordada em “Memories of a Time to Come”, praticamente a primeira coletânea já lançada pela banda, já que “Forgotten Tales”, de 1998, como dito acima, era um apanhado de b-sides e singles.

Coletâneas são álbuns muitas vezes difíceis de analisar sem que lhe demos a pecha de caça-níqueis. Muitas vezes elas trazem exatamente isso: um conjunto de músicas escolhidas pela banda ou pela gravadora para extrair alguns cobres dos bolsos dos colecionadores e, adicionalmente, tentar apresentar o trabalho – ou parte dele – para novos possíveis fãs. “Memories of a Time to Come” faz isso e cumpre bem seu papel, já que, salvo uma música, doze foram remixadas e três totalmente regravadas.

Com esmero, banda e gravadora preocuparam-se não apenas em incluir pelo menos uma faixa de cada um de seus álbuns à coletânea, como também trazer nele o que a maioria de seus fãs considera o que o Blind Guardian fez de melhor ao longo de sua carreira. “Imaginations from the other Side”, “Majesty”, a longa “And Then There Was Silence” e as unanimidades, “Mirror Mirror”, “Valhalla” – regravada e com a presença de Kai Hansen (Gamma Ray, Unisonic) que emprestara sua voz à primeira versão – e “The Bards Song (In The Forest)”, em uma nova roupagem, são alguns dos pontos altos do lançamento.

O álbum foi lançado em duas versões: disco duplo por aqui e triplo no Japão e Europa, no qual conta com ainda com revisões das primeiras músicas da banda, quando ainda se chamava Lucifer’s Heritage. Um caça níqueis? Claro. Mas um daqueles bem legais, que satisfaz o fã e cumpre muito bem o papel de apresentar o que de melhor uma das mais criativas bandas do metal atual tem a mostrar aos novatos.

Nota: 9/10