metal

Uganga – Opressor

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Eis que um ano após seu primeiro álbum ao vivo “Eurocaos”, os mineiros do Uganga voltam ao cenário com um novo trabalho em estúdio. “Opressor” é o quarto álbum do quinteto formado por Manu “Joker” (vocal), Christian Franco e Thiago Soraggi (guitarras), Raphael “Ras” Franco (baixo e vocal) e Marco Henriques (bateria e vocal) e mostra tudo aquilo pelo qual a banda é conhecida: letras fortes, vocal raivoso de Manu, um instrumental bem levado e enérgico, mesclando thrash metal e hardcore de maneira bastante harmoniosa.

“Opressor” é aberto com “Guerra”, faixa com um refrão forte e que dá ao ouvinte uma ideia do que está por vir, caso não seja familiarizado com o trabalho da banda. “O Campo”, inspirada pelos campos de concentração dos nazistas na Polônia (visitados pela banda durante sua turnê pelo continente europeu em 2010) é, de longe, o grande destaque do álbum, seja pelo instrumental, seja, principalmente, pelas letras e pela quebrada de ritmo ocasionada pelo coral no refrão, sendo uma das faixas mais cadenciadas do álbum. Além dessas, podemos apontar “Veredas”, “Moleque de Pedra”, que conta com participação especial de Juarez Tibanha (Scourge), a porrada “Who are the True?”, versão do Uganga para música gravada originalmente pela banda Vulcano, “Aos Pés da Grande Árvore” e “Guerreiro”, que fecha o petardo de maneira inusitada ao quebrar o ritmo frenético que marcou as músicas anteriores e envereda por ritmos mais cadenciados.

Com treze faixas no total, “Opressor” é outro trabalho feito com bastante esmero – foram dois anos entre composição e gravação das músicas – e mostra novamente o potencial do Uganga para se destacar no cenário do trash metal/hardcore nacional.

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Noturnall – First Night Live

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Depois de um bom álbum de estreia, que obteve repercussão bem positiva entre público e crítica, o Noturnall – banda formada por Thiago Bianchi (vocal), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Junior Carelli (teclado) e Aquiles Priester (bateria) – resolveu seguir o movimento que tem se tornado tendência entre bandas e artistas atuais e já lançar seu primeiro DVD ao vivo, antes mesmo de pensar em soltar um segundo registro em estúdio no mercado.

“First Night Live” foi gravado durante show de lançamento de seu álbum autointitulado, que aconteceu no Carioca Club, em São Paulo. O título do DVD é bastante apropriado já que esse foi o primeiro show da história da banda. Isso, no entanto, é quase que uma informação a título de curiosidade, já que a experiência de todos os músicos envolvidos e o calor do público não deixam transparecer isso em nenhum momento. Devido ao tempo de estrada de todos os músicos do Noturnall, esse tem todo o clima de show de encerramento de turnê, não de começo de uma.

Musicalmente não há muito a ser dito do DVD que não tenha sido falado quando da resenha do debut do Noturnall (que você pode relembrar aqui). Depois de uma introdução em vídeo estrelada pela zumbi que figura na capa do álbum de estreia da banda, o grupo entra no palco com “Not Turn At All”, seguida de “St. Trigger” e “Inferno Veil”, essa cover do Shaman. Há uma pausa onde Thiago interage pela primeira vez com o público, falando a respeito do câncer com o qual foi diagnosticado treze anos atrás que me parece mal editado, ficando meio perdido ali. A intenção dele era contar que, diagnosticado com a doença, ele teria prometido a si mesmo que, se vencesse a mesma, dali a treze anos faria algo a respeito para ajudar pessoas na mesma condição, daí a parceria do Noturnall com a Casa Hope, instituição que ajuda crianças com câncer e para o qual foram arrecadados mais de uma tonelada de comida, além de roupas e brinquedos na ocasião de “First Night Live”. Creio que deveria ter havido um cuidado maior por parte da direção do DVD na hora de captar esse momento, já que o discurso sofre um corte bem seco antes de o show continuar.

O show segue com “Zombies” (e aqui há alguns problemas dos quais falarei mais abaixo), “Master of Deception” e “Hate”, antes que toda a banda se retire para deixar Aquiles Priester mostrar toda a habilidade nas baquetas que o levou a ser considerado um dos melhores em seu ofício dentro do heavy metal. “Last Wish” é outro dos bons momentos do show, pois traz a participação especial do jovem violoncelista Luiz Fernando Venturelli, que também participa do cover para “Symphony of Destruction”, do Megadeth, creditado no DVD como “faixa surpresa”, ou seja, a frase acima pode ser considerada um spoiler. Com apenas 13 anos, o moleque detona usando seu instrumento para ocupar o lugar da segunda guitarra nessa música.

Após a despedida de Luiz Fernando, Léo Mancini toma o palco para um solo de guitarra diferente do convencional que traz algumas surpresas que só assistindo ao DVD para saber (já dei spoilers demais por aqui). A apresentação segue com “Fake Healers”, “Sugar Pill” e o grande momento da noite, “Nocturnal Human Side”, no qual a banda divide o palco com Russel Allen, vocalista do Symphony X e que foi um dos produtores do álbum de estreia do Noturnall. Russel ainda canta mais duas músicas com a banda antes do primeiro show do grupo ser encerrado.

Como material de bônus o DVD traz making of, onde Thiago e os demais explicam mais sobre a parceria com a Casa Hope e os motivos para tal, um vídeo sobre o equipamento usado pela Yamaha para gravar o show – que deve interessar apenas os envolvidos com essa parte técnica – e diversos outros, que incluem um excelente cover para “Woman in Chains”, do Tears for Fears, homenageando as mães dos integrantes do Noturnall.

Apesar de seu resultado extremamente positivo, “First Night Live” tem seus problemas. Além do que já foi dito lá em cima a respeito do discurso de Thiago Bianchi, algumas escolhas para a edição do DVD me pareceram meio infelizes. As letras do refrão de “Zombies” na tela não ficaram legais e, em alguns momentos, a imagem não apresentou a melhor qualidade, com cores estouradas. Já a iluminação de palco também lembra, em muitos momentos, o que se vê em shows de artistas sertanejos, o que pode causar certa estranheza. Essa opção se justifica se levarmos em conta que o diretor do DVD, Alex Batista, tem em seu currículo trabalhos com grandes nomes do estilo, tais como Luan Santana e Fernando & Sorocaba. Isso, no entanto, são apenas aspectos técnicos. No que realmente importa, ou seja, a captação de áudio e desempenho dos músicos e do público, “First Night Live” não deixa nada a desejar e é um excelente registro de uma banda que tem tudo para fazer história no heavy metal nacional.

Hammerfall – (r)Evolution

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Existem bandas que, cedo em sua carreira estabelecem algo que os conecte com os fãs. Seja uma afinação de guitarra, um estilo de se vestir, uma temática lírica, ou mesmo uma mascote, essa ligação é aquilo que faz com que a banda atraia e mantenha os fãs. No caso do heavy metal, isso é algo essencial, já que estamos falando de um público que, sejamos francos, não é muito afeito a mudanças. E isso, nem sempre, é ruim.

O Hammerfall utilizou-se de quase todos os itens acima desde suas estreia, o álbum “Glory to the Brave” de 1997. Ali já se encontravam elementos que marcariam a carreira da banda: músicas grandiosas, riffs e refrões “grudentos”, solos ora virtuosos, ora melodiosos, bumbos duplos, enfim, tudo o que um fã do Power Metal consagrado por bandas como Helloween, Gamma Ray e Blind Guardian, dentre outros, poderia esperar. A banda elegeu até mesmo um tema recorrente (as aventuras dos Cavaleiros Templários) e uma mascote (Hector) para figurar na maioria de suas músicas e capas de álbuns.

“(r)Evolution”, o nono álbum da banda (oitavo em estúdio), é quase uma volta às origens, depois que o grupo resolveu aproveitar a onda zumbi e explorar esse tema em seu trabalho de 2012, “Infected”, que teve uma recepção no máximo morna de fãs e crítica. Para o novo álbum, o quinteto formado por Joacim Cans (vocais), Oscar Dronjak e Pontus Norgren (guitarras), Fredrik Larsson (baixo) e Anders Johansson (bateria) resolveu deixar os mortos-vivos de lado e voltar às músicas com temática medieval, Hector e tudo o que trouxe o grupo ao patamar no qual hoje se encontra dentro do Power Metal. Tanto que o álbum é aberto de maneira perfeita com “Hector’s Hymm”, um tributo ao cavaleiro deixado de lado (inclusive fora da capa pela primeira vez) em “Infected”.

Fãs de Power Metal, a exemplo dos admiradores de grupos como o AC/DC, em geral gostam que suas bandas favoritas sejam previsíveis, de forma que podem comprar seus álbuns sem medo de colocá-los pra tocar e ouvir uma batida tribal ou um conjunto de foles (exceção feita ao Grave Digger) no lugar da dupla de guitarras. Em (r)Evolution o fã do Hammerfall encontrará exatamente o que espera, até porque ouviu músicas nesse mesmo estilo ao longo de todos os álbuns gravados pela banda até o momento. Até a indefectível balada se apresenta aqui em “Winter is Coming” que, sim, faz referência à Game of Thrones (ei, melhor uma banda conhecida por músicas envolvendo templários e dragões fazer uma música baseada em Game of Thrones do que em zumbis, certo? :p). “(R)evolution”, “Live Life Loud”, “Tainted Metal” e “Wildfire” são alguns dos demais destaques do trabalho que, repito, foi pensado para agradar em cheio aos fãs do Hammerfall. E, ouso dizer, alcançou seu objetivo com louvor.

Elvenking – The Pagan Manifesto

p18ihs02cm2gqc0v1lsg1anpmmj4Banda mostra que quer ser grande

O Elvenking foi fundado na Itália em 1997 e chamou a atenção da crítica especializada logo quando do lançamento de seu debut, “Heathenreel”, em 2001, que ocasionou que a banda excursionasse pela Europa dando suporte a grandes nomes do Power Metal atual, como Blind Guardian, Edguy e Gamma Ray.

Ao longo da década passada a banda lançou seis álbuns, alcançando resultados variados. Se, por um lado, alguns de seus trabalhos receberam diversos elogios de crítica e público (“The Winter Wake” “Wyrd” e “The Scythe”), outros (“”Red Silent Tides” e “Era”, coincidentemente os dois últimos) foram amplamente ignorados, simplesmente por não trazerem qualquer inovação ou sedimentação à sonoridade da banda. Isso fez com que o Elvenking ficasse meio estagnado: a banda nem consegue aumentar sua base de fãs, nem tampouco sofre uma perda muito grande. Combine isso com o fato do grupo fazer um som que combina características do Folk com o Power Metal e a coisa fica ainda mais complicada.

Eis que em 2014 o Elvenking lança “The Pagan Manifesto” com a intenção, aparentemente, de virar a mesa e conseguir seu lugar dentre os maiores nomes do gênero atual, lugar ocupado atualmente por bandas como Korpiklaani, Ensiferum e Enslaved. Se o intento será alcançado, só o tempo dirá. No entanto, podemos dizer com segurança que o grupo está no caminho certo, já que “The Pagan Manifesto” é o melhor álbum da carreira do Elvenking em muito tempo.

A exemplo de álbuns de power metal tradicionais, “The Pagan Manifesto” é aberto com “The Manifest”, uma introdução com pouco mais de dois minutos que desemboca em “King of the Elves”, a mais longa música já composta pelo Elvenking. Batendo na casa dos 13 minutos, “King of Elves” tem todo um clima épico, refrões grandiosos e contagiantes, bons riffs e todo aquele clima alegre que é indelével às canções folclóricas. Um começo bem auspicioso para um álbum que, como um todo, é bastante agradável.

Um dos trunfos do Elvenking em seu oitavo álbum é também a forma como as músicas foram dispostas ao longo de si. Se “King of Elves” é uma faixa longa e intrincada, “Elvenlegions” tem um ritmo mais tradicional, direta e bem mais curta; “The Druid Ritual of Oak” já remete aos trabalhos mais antigos da banda; enquanto “Towards the Shore” é a balada que pisa no freio da alegria folk, “Pagan Revolution” volta com o clima pra cima, abrindo espaço para a pesada (dentro da proposta da banda) “Grandier’s Funeral Pyre” que, por sua vez, prepara terreno para a tradicional “Twilight of Magic”, que precede a novamente alegre – e quase pop – “Black Roses for the Wicked One” – mantendo sempre o pique do álbum e o interesse do ouvinte. A exemplo de “The King of Elves” “The Pagan Manifesto” é fechado com chave de ouro com “Witches Gather”, outra faixa longa, dessa vez passando pouco dos oito minutos e meio de duração.

Com 12 faixas distribuídas de maneira bastante harmoniosa e um álbum que tem tudo pra figurar em diversas listas de melhores de 2014, o sexteto formado por Damna (vocais), Aydan e Rafahel (guitarras), Jakob (baixo), Symohn (bateria) e Lethien (violino) tem tudo para conseguir mais atenção do que aquela que vem recebendo até o momento. Desnecessário dizer que esse é um álbum que todo fã de folk/power metal deve, pelo menos, conferir.

Emperor – In the Nightside Eclipse

O começo da década de 1990 foi uma época bastante interessante para o rock and roll e o heavy metal. Se por um lado aqueles foram os anos de decadência do festivo Hard Rock produzido nos Estados Unidos, que aos poucos era substituído pelo supervalorizado Grunge de Seattle, por outro aquele início de década viu o surgimento de um movimento que aos poucos passaria a chamar a atenção na Europa, especialmente na Noruega, por fatores além da música: O Black Metal ou “Norwegian Black Metal”, como seria conhecido futuramente.

Dentre a safra de bandas surgidas naquela época, o Emperor talvez seja uma das mais relevantes, se não for A mais relevante. Formada em 1992 por Vegard Sverre “Ihsahn” Tveitan (vocais, guitarras, teclados) e Tomas “Samoth” Haugen (guitarras) seria apenas em 1994 que a banda, contando agora com o baterista Bård “Faust” Eithun e o baixista Terje “Tchort” Schei lançaria seu primeiro álbum de estúdio, “In the Nightside Eclipse”, que logo se tornaria uma referência para o gênero. Tanto que o mesmo foi relançado recentemente em uma edição especial, intitulada, adequadamente “In The Nightside Eclipse (20th Anniversary Edition)”, recheada de bônus.

Um dos motivos que faz “In the Nightside Eclipse” um álbum tão relevante é a inovação que trouxe então. Em 1994, a tendência das bandas de Black Metal norueguesas era fazer seus álbuns da maneira mais simples e primitiva possível. Bateria, guitarra e baixo na maior velocidade possível, vocal gritado/gutural (quanto mais ininteligível melhor) e uma produção bastante tosca, onde nada se destacasse. “In the Nightside Eclipse” tem tudo isso, mas traz ainda elementos sinfônicos – um dos poucos álbuns da época a ter a presença do teclado – e mesmo progressivos, ainda que de maneira bem discreta. Além disso, o fato de Ihsahn, Samoth, Faust e Tchort realmente saberem tocar seus instrumentos – e não apenas surrá-los – trouxe um elemento a mais ao seu trabalho. A geração de bandas de Black Metal que possui músicos de qualidade dentre seus membros – sendo a maior representante atual o Dimmu Borgir – deve muito à influência do primeiro álbum do Emperor. “In the Nightside of the Eclipse” mostrou a toda uma geração que pode-se fazer um som considerado “maléfico” e “profano” sem necessariamente ser completamente tosco. Isso tudo faz com que muitos o considerem um divisor de águas no cenário do Black Metal da época, daí sua relevância até os dias de hoje. Há ainda a onipresente referência ao trabalho de J. R. R. Tolkien na capa, que mostra um bando de Orcs em direção à Minas Morgul. Ou seja, tinha tudo para se tornar um clássico do underground. 🙂

“In The Nightside Eclipse (20th Anniversary Edition)” é um disco duplo. O primeiro CD traz o álbum originalmente lançado em 1994, enquanto que o segundo traz versões com diferentes mixagens para as mesmas músicas. Destaque para as duas versões de “The Burning Shadows of Silence” e “I am the Black Wizards”, essa última talvez a música mais reconhecida da carreira do Emperor, que desbandou em 2001 após apenas quatro álbuns, mas que de vez em quando faz um show aqui e ali.

Indispensável para fãs de Black Metal.

 

 

Belphegor – Conjuring the Dead

Pouco mais de três anos depois do excelente “Blood Magik Necromance”, eis que a dupla Helmuth (vocais/guitarras) e Serpenth (baixo) voltam ao mercado com o seu décimo álbum de estúdio, “Conjuring the Dead”, trazendo o que de melhor o Belphegor tem a oferecer. Ou seja, nada muito diferente do que a banda vem fazendo em seus 19 anos de carreira.

Adeptos do que a indústria musical rotulou como “Blackened Death Metal” – basicamente, uma banda de death metal com influências black metal no que diz respeito à temática/letras – “Conjuring the Dead” é aquele tipo de álbum feito de maneira segura que, apesar de trazer um destaque aqui, outro ali – sendo o principal deles a faixa “Legions of Destruction”, pois traz as participações especiais de Glen Benton do Deicide e Attila do Mayhem nos vocais – não sai quase nada da zona de conforto da banda. Não há nenhum elemento novo, nenhuma inovação, apenas o instrumental acelerado e as letras blasfemas – recheadas de palavrões – características da banda e do estilo.

Uma coisa na qual bandas de black metal tem investido bastante é na produção. Se no começo quanto mais sujo o som fosse, melhor, hoje em dia – salvo exceções como o Burzum – tem se dado mais cuidado a esse aspecto dos álbuns o que torna a audição dos mesmos mais agradável (se é que essa é uma palavra adequada para um álbum desse gênero), já que é possível distinguir todos os instrumentos e os vocais de maneira mais clara (novamente, uma palavra que não define, nem de longe, os vocais de Helmuth).

Começando com a pesada “Gasmask Terror” e finalizando com “Pactum In Aeternun”, “Conjuring the Death” tem dez faixas que, à exceção do interlúdio “The Eyes”, são pancadaria de boa qualidade do início ao fim. Ideal pra relaxar depois de um dia estressante de trabalho.

Grave Digger – Return of the Reaper

Com uma longa discografia da bagagem o Grave Digger é aquela típica banda que, raríssimas exceções, nunca decepciona seus fãs. Formada na Alemanha no começo dos anos 1980, quando o estilo germânico de metal que viria a ser conhecido como power metal dava seus primeiros passos, o grupo liderado pelo vocalista Chris Boltendahl, único remanescente da formação original, se apegou à fórmula e dificilmente se desvia dela.

“Return of the Reaper” é seu 17º álbum de estúdio e mostra o Grave Digger em plena forma, mesmo que repetindo a mesma fórmula de sempre. Com o baterista Stefan Arnold, o baixista Jens Becker, o tecladista Hans Peter “H.P.” Katzenburg (que normalmente se apresenta sob os trajes do mascote da banda) e o guitarrista Axel Ritt completando a formação, o que se ouve em “Return of the Ripper” é power metal puro e simples. Riffs bem colocados, solos virtuosos, coros, letras envolvendo o ceifador, guerra e morte e especialmente, refrões grudentos estão presentes por todo o álbum o que é, repito, aquilo que todo o fã de Grave Digger poderia esperar. Duvida? Então dá uma escutada em “Tattoed Rider”, “Road Rage Killer”, “Dia de Los Muertos” e “Death Smiles at All of Us” e comprove o que digo. Há até a indefectível balada em “Nothing to Believe”, para fechar o álbum.

Se a versão regular de “Return of the Reaper” já é interessante e atende aos desejos dos fãs, a edição limitada traz um segundo disco – aliás, coisa que vem se tornando usual nos lançamentos do Grave Digger – que é uma agradável surpresa. Afinal, além de duas faixas inéditas de bônus, ele vem ainda com oito faixas gravadas ao vivo em formato acústico. Não tem como não achar interessante – ou estranho, dependendo de seu gosto pessoal – escutar clássicos da banda como The “Dark of the Sun”, “Rebellion (the Clans are Marching) e “Heavy Metal Breakdown”, músicas conhecidas por dar dor no pescoço de headbangers ao redor do mundo, em uma roupagem que talvez agradasse até a seu pai fã de MPB.

Não dá pra dizer que “Return of the Reaper” é o melhor que o Grave Digger já fez mas, como sempre, é um esforço consciente da banda em atender aos fãs tradicionais e, no caso de sua edição limitada, trazer algo de novo para aqueles que gostariam de ver o grupo trilhar caminhos menos conhecidos. Vale à pena dar uma conferida, caso power metal seja um estilo musical que lhe agrade.