Death metal

Belphegor – Conjuring the Dead

Pouco mais de três anos depois do excelente “Blood Magik Necromance”, eis que a dupla Helmuth (vocais/guitarras) e Serpenth (baixo) voltam ao mercado com o seu décimo álbum de estúdio, “Conjuring the Dead”, trazendo o que de melhor o Belphegor tem a oferecer. Ou seja, nada muito diferente do que a banda vem fazendo em seus 19 anos de carreira.

Adeptos do que a indústria musical rotulou como “Blackened Death Metal” – basicamente, uma banda de death metal com influências black metal no que diz respeito à temática/letras – “Conjuring the Dead” é aquele tipo de álbum feito de maneira segura que, apesar de trazer um destaque aqui, outro ali – sendo o principal deles a faixa “Legions of Destruction”, pois traz as participações especiais de Glen Benton do Deicide e Attila do Mayhem nos vocais – não sai quase nada da zona de conforto da banda. Não há nenhum elemento novo, nenhuma inovação, apenas o instrumental acelerado e as letras blasfemas – recheadas de palavrões – características da banda e do estilo.

Uma coisa na qual bandas de black metal tem investido bastante é na produção. Se no começo quanto mais sujo o som fosse, melhor, hoje em dia – salvo exceções como o Burzum – tem se dado mais cuidado a esse aspecto dos álbuns o que torna a audição dos mesmos mais agradável (se é que essa é uma palavra adequada para um álbum desse gênero), já que é possível distinguir todos os instrumentos e os vocais de maneira mais clara (novamente, uma palavra que não define, nem de longe, os vocais de Helmuth).

Começando com a pesada “Gasmask Terror” e finalizando com “Pactum In Aeternun”, “Conjuring the Death” tem dez faixas que, à exceção do interlúdio “The Eyes”, são pancadaria de boa qualidade do início ao fim. Ideal pra relaxar depois de um dia estressante de trabalho.

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Amaranthe – Amaranthe

Um álbum de estreia competente

Uma das coisas mais interessantes – e talvez uma das maiores responsáveis pela longevidade – do heavy metal é a forma como o estilo não mantém muitas amarras aos seus clichês. Pelo fato de ser um estilo pouco comercialmente acessível, as bandas que optam por esse sub-gênero musical não se furtam em experimentar e adicionar elementos advindos de outras tendências musicais em seu som. Aqueles que conhecem álbuns de Yingwie J. Malmsteen, Epica, Dimmu Borgir, Therion ou mesmo o mais popular “S&M”, do Metallica sabe exatamente como essa tendência funciona.

Sem tentar reinventar o gênero, o Amaranthe apareceu para o mundo no ano passado, depois de dois anos em atividade, com seu álbum de estreia auto-intitulado, trazendo uma mistura estranha mas que funciona: a mistura de elementos de death e power metal com teclados claramente influenciados pela música pop, além de uma combinação de vocais quase característica de bandas mais voltadas para o gothic metal. O Amaranthe tem nada menos do que três vocalistas: a bela Elize Ryd (cuja experiência anterior se limita à uma excursão como backing vocal dos estadunidenses do Kamelot), Jake E (Dream Evil), responsável pela voz masculina limpa e Andreas Solveström (Cipher System), que cuida dos vocais guturais/gritados. Completam a formação o guitarrista/tecladista Olof Mörck (Dragonland, Nightrage) o baixista Johan Andreassen (da banda sueca de metal industrial Engel), e o baterista Morten Løwe Sørensen (Mercenary).

Musicalmente falando, “Amaranthe” traz basicamente um apanhado de tudo o que foi dito acima: elementos de power e death metal com uma pegada bastante pop, mas sem descambar para os principais clichês de quaisquer um desses sub-gêneros. O álbum contém 12 músicas que são bastante homogêneas entre si, e não deixa de trazer faixas com refrões grudentos  como em “Hunger” e “Automatic”, músicas pesadas como “Rain” e a indefectível balada, aqui representada por “Amaranthine”. Uma coisa bem legal nesse álbum de estreia do Amaranthe foi o fato de a banda conseguir combinar elementos tão díspares de forma que funcionassem harmoniozamente em um trabalho bastante homogêneo e bem feito. É aquele tipo de álbum que pode ser escutado uma vez após a outra sem ser cansativo. Vale a pena dar uma conferida.

“Amaranthe” foi lançado no Brasil no começo do ano via Hellion Records.

Nota: 8/10   

Psychotic Eyes – I Only Smile Behind the Mask

Segundo álbum de uma das promessas do death metal nacional

Formada em 1999, o Psychotic Eyes começou sua carreira como toda banda que não é o Restart: lançando demos. Duas delas foram lançadas antes que, em 2007, a banda, na época contando com Dimitri Brandi (vocal/guitarra), Alexandre Tamarossi (bateria), Valdemar Ferrari (guitarras) e Leandro Araújo (baixo), partisse para seu primeiro álbum, auto-intitulado. O trabalho chamou alguma atenção e garantiu à banda algumas apresentações ao vivo, enquanto se preocupavam com as composições do seu sucessor.

Eis que, em 2011 o Psychotic Eyes, transformado em um trio, com Dimitri e Tamarossi sendo os únicos remanescentes da formação original, adicionados do baixista Rodrigo Nunes (ex- Drowned e Eminence), entra em estúdio para seu segundo álbum, esse “I Only Smile Behind the Mask”. Após a gravação, Rodrigo deixou o barco, sendo substituído por Douglas Gatuso (Side Effectz)

Lançado exclusivamente para download no site da banda, “I Only Smile Behind the Mask” traz sete faixas do mais puro death metal. Um death metal bastante calcado na sonoridade daquele praticado nos primórdios dos anos 1980, mas também trazendo diversas influências progressivas, adicionando elementos advindos de estilos mais facilmente “digeríveis”, como heavy metal e thrash, combinados de forma a trazer um produto final bastante coeso e interessante. Um outro ponto a favor do Psychotic Eyes é o fato de a banda fugir das temáticas comumente exploradas nas letras do estilo e investir em temas mais pessoais e mesmo singelos – bom, tão singelos quanto uma banda de death metal pode ser. Provas disso são a faixa título, “Throwing Into Chaos”, escrita por Adriano Villa, a mente por trás de todas as letras do projeto Hamlet – álbum que reuniu diversas bandas tupiniquins reinterpretando a obra de William Sheakspeare – e “Dying Grief”, na qual Dimitri expressa o tornado de emoções pelo qual passou quando da morte de seu pai.

O álbum ainda guarda surpresas, em “Life”, uma quase balada – novamente, dentro do que bandas de death metal podem fazer – e em “The Girl”, uma faixa com andamento mais cadenciado que se trata de uma releitura bastante pessoal de “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque de Hollanda.

No final das contas, “I Only Smile Behind the Mask” é mais um passo na evolução musical do Psychotic Eyes, que impressiona por sua técnica e peso, especialmente por ser um power trio. Vale uma conferida.