Áustria

Belphegor – Conjuring the Dead

Pouco mais de três anos depois do excelente “Blood Magik Necromance”, eis que a dupla Helmuth (vocais/guitarras) e Serpenth (baixo) voltam ao mercado com o seu décimo álbum de estúdio, “Conjuring the Dead”, trazendo o que de melhor o Belphegor tem a oferecer. Ou seja, nada muito diferente do que a banda vem fazendo em seus 19 anos de carreira.

Adeptos do que a indústria musical rotulou como “Blackened Death Metal” – basicamente, uma banda de death metal com influências black metal no que diz respeito à temática/letras – “Conjuring the Dead” é aquele tipo de álbum feito de maneira segura que, apesar de trazer um destaque aqui, outro ali – sendo o principal deles a faixa “Legions of Destruction”, pois traz as participações especiais de Glen Benton do Deicide e Attila do Mayhem nos vocais – não sai quase nada da zona de conforto da banda. Não há nenhum elemento novo, nenhuma inovação, apenas o instrumental acelerado e as letras blasfemas – recheadas de palavrões – características da banda e do estilo.

Uma coisa na qual bandas de black metal tem investido bastante é na produção. Se no começo quanto mais sujo o som fosse, melhor, hoje em dia – salvo exceções como o Burzum – tem se dado mais cuidado a esse aspecto dos álbuns o que torna a audição dos mesmos mais agradável (se é que essa é uma palavra adequada para um álbum desse gênero), já que é possível distinguir todos os instrumentos e os vocais de maneira mais clara (novamente, uma palavra que não define, nem de longe, os vocais de Helmuth).

Começando com a pesada “Gasmask Terror” e finalizando com “Pactum In Aeternun”, “Conjuring the Death” tem dez faixas que, à exceção do interlúdio “The Eyes”, são pancadaria de boa qualidade do início ao fim. Ideal pra relaxar depois de um dia estressante de trabalho.

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Belphegor – Blood Magik Necromance

Novo trabalho mostra porque da banda ser cada vez mais respeitada no cenário.

Depois de apenas dois anos desde o bom “Walpurgis Rites – Hexenwahn” eis que os austríacos do Belphegor retornam do estúdio com “Blood Magik Necromance”, seu nono álbum de estúdio. Atualmente, contando com Helmuth (vocais e guitarra – único membro que permanece na banda desde 1991, quando esta se formou sob a alcunha de “Betrayer”), Serpenth (baixo) e Martin “Marthyn” Jovanovic (bateria), o Belphegor vem, aos poucos, se consagrando como um dos mais respeitados e influentes nomes do black metal mundial

Blood Magik Necromance” traz uma evolução à sonoridade da banda, no sentido de que a produção do álbum parece ter tido toda uma atenção especial, no sentido de ser bastante limpa. Por incrível que possa parecer, apesar de toda a pancadaria sonora que caracteriza o som do Belphegor, em “Blood Magik Necromance” temos algumas passagens quase melodiosas, flertes como solos de guitarra aqui e ali, permeados, correndo o risco de parecer repetitivo, por uma produção onde todos os instrumentos são perfeitamente audíveis e não atropelam nem se misturam ao vocal de Helmuth. E isso – essa preocupação com a produção – parece ser uma preocupação quase universal de bandas de black/death metal atualmente, algo que contrasta, e muito, com o começo da cena há pouco mais de vinte anos. No final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, quando a cena black metal estourou – especialmente através de bandas vindas da Noruega – a produção era o fator que menos preocupava as bandas. Quanto mais tosco e confuso o som, melhor.

“Blood Magik Necromance” já começa a toda a velocidade com “In Blood – Devour This Sanctity”, sem introduçõezinhas climáticas nem nenhuma tentativa da ambientação que so tornou item quase obrigatório em álbuns de metal de praticamente todos os estilos. Esse power trio austríaco não parece dar atenção à essas coisas e já começa metendo o pé no acelerador. A banda produziu ainda um clipe para “Impaled Upon The Tongue Of Sathan”, que tem um climão todo “sexy-snuff-gore” que faz o delírio dos fãs e provoca certa repulsa do público em geral.

Apesar de momentos mais cadenciados, como em passagens da faixa título e de “Discipline Through Punishment”, o Belphegor investe mesmo é no peso e na velocidade, como dito acima. Os vocais de Helmut, ora guturais, ora urrados, encaixam perfeitamente na proposta da banda. Do início ao fim, “Blood Magik Necromance” se mostra um álbum bastante homogêneo, que vai agradar aos fãs tanto de Belphegor quanto de black metal em geral. O que torna esse álbum um item direcionado a um público deveras restrito.

Uma coisa legal a ser dita é que o Belphegor estará em turnê pelo Brasil no próximo mês. A banda acertou nada menos do que 10 datas no país, nas quais terá a companhia do Ragnarok e, nos dois últimos shows (em Belo Horizonte e São Paulo), da lenda do death metal Morbid Angel. A turnê conjunta faz parte do tradicional festival intinerante Setembro Negro que a cada ano ganha mais força no país.

Nota: 8/10