Mês: Abril 2016

Accept em Belo Horizonte

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Foram décadas de espera, mas, finalmente, o Accept, uma das mais tradicionais bandas do heavy metal alemão, desembarcou em Belo Horizonte no último dia 10 de abril para uma apresentação memorável. O show aconteceu no Music Hall, tradicional casa de shows da capital mineira e apresentou um bom público, surpreendente até, se levarmos em conta o horário do show (21h), incomum para um domingo, mas que provou ser uma boa escolha.

De qualquer forma, passava pouco do horário marcado quando o quinteto formado por Wolf Hoffmann e Uwe Lulis (guitarras), Peter Baltes (baixo), Mark Tornillo (vocais) e Christopher Williams (bateria) adentrou o palco já mandando bala com “Stampede” e colocando o público no clima ideal para a noite. Sem interagir muito com o público, a banda emendou petardo atrás de petardo initerruptamente antes de, finalmente, Mark tirar alguns segundos para conversar com a galera. Agradeceu a presença, disse que estava feliz em estar ali, o discurso padrão de sempre antes de continuar com a longa apresentação.

Em praticamente duas horas de show o Accept fez um belo apanhado de sua carreira durante a apresentação, tocando todos os seus clássicos e ainda as principais músicas de “Blind Rage”, álbum que está sendo divulgado nessa turnê. Músicas como “Stalingrad”, “Dying Breed”, “Pandemic” e “Fast as a Shark” foram os destaques da primeira parte do show, cujo bis teve seus pontos altos com “Metal Heart” e a indefectível “Balls to the Wall”, que fez o público cantar com toda a força que ainda restava em seus pulmões e fechou a noite.

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Se no começo do show o Accept não interagiu muito com o público, ao longo da apresentação isso mudou, com Tornillo se dirigindo e comandando a galera por mais de uma vez. Com uma boa presença de palco e uma voz potente, Tornillo faz com que poucos sintam falta do lendário Udo Dirkschneider, vocalista que por mais tempo ocupou a função na banda. Destaque também para a dupla fundadora, Hoffman e Baltes, sempre à frente do palco, andando para todos os lados, pedindo palmas e incentivando o público a cantar e gritar o máximo possível. Mais discretos, mas nem um pouco menos participativos, Lulis e Williams também tiveram seu destaque mostrando aquela característica típica das bandas de metal alemã que preferem mostrar que estão realmente se divertindo ali em cima do palco do que manter uma postura mais fria e sorumbática que alguns acreditam ser a mais coerente com o estilo. Uma tremenda bobagem. Quanto mais os membros de uma banda mostram que estão se divertindo em cima do palco, mais essa energia será transmitida para a audiência, o que torna a experiência melhor como um todo. Claro, isso não vale pra bandas com estilos mais sombrios, mas como esse não é o caso, não abordaremos esse aspecto.

Vale lembrar também o bom trabalho das produtoras MS BHz e EV7 Live que, mesmo com o cenário econômico desestimulante, vem trazendo boas bandas de metal de maneira consistente para se apresentarem na cidade. O público belorizontino, pelo menos aquele que se esforça para comparecer aos eventos, agradece.

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Maestrick – The Trick Side of Some Songs

 

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O Maestrick, trio de rock progressivo formado por Fábio Caldeira (vocal e piano), Renato “Montanha” Somera (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão), apareceu para o mercado especializado em 2011, com “Unpuzzle!”, um trabalho que recebeu uma boa quantidade de elogios da mídia especializada por aqui. Lançado dois anos depois nos EUA, na Europa e na Ásia em 2013, os elogios não pararam, com alguns críticos cravando o álbum como algo “fascinante” e “único”, dentre outros adjetivos.

Findada a turnê de divulgação, que contou com participações em festivais tradicionais tanto dentro quanto fora do Brasil, com destaque para o Roça ‘N’ Roll de Varginha e o ProgFest II peruano, a banda começou os trabalhos para o sucessor de “Unpuzzle!”, que já foi definido como uma obra conceitual dividida em dois álbuns, totalizando 24 faixas. Enquanto ele não sai – o álbum tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2016 – o Maestrick não ficou parado e lançou, no começo desse ano, “The Trick Side of Some Songs”, EP com oito faixas, todas versões de músicas de bandas que influenciaram o grupo, para saciar a sede dos fãs que, desde 2011, espera escutar algo novo do trio. Ou, nesse caso, quarteto, já que o guitarrista Rubinho Silva participou da gravação do álbum.

Como dito no parágrafo acima, em “The Trick Side of Some Songs”, o Maestrick pretente prestar homenagem às bandas que os influenciaram, mas não se limitaram apenas a regravar essas músicas, preferindo alterá-las dentro do possível, de forma a colocar também um pouco da personalidade da banda em cada uma delas. A versão da banda para “My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, por exemplo, soa mesmo melhor do que a original, enquanto que “Yes It’s a Medley!”, traz diversas músicas do Yes dentro de um único medley que ficou bem harmonioso e traz pedaços de Soon”, “Close To The Edge”, “Roundabout”, “Changes” e “Give Love Each Day”. A versão de “Aqualung”, do Jethro Tull também merece menção, ainda que, para este que vos escreve, o grande destaque do EP é justamente a canção bônus, “Rainbow Eyes”, gravada quando da ocasião do quinto aniversário da morte de Ronnie James Dio.

Com um trabalho competente de todos os seus integrantes, “The Trick Side of Some Songs” tem tudo para agradar os fãs do rock progressivo, especialmente aquele do fim dos anos 1960 e de toda a década de 1970. O mais legal de tudo isso é que o Maestrick disponibilizou o álbum para download gratuito em seu site oficial (http://www.maestrick.com.br/). Uma versão física, limitadíssima, também está disponível.