Pop Javali – The Game of Fate

CAPA CD 2

Confesso que, quando recebi o álbum “The Game of Fate” do Pop Javali para audição, fiquei com um pé atrás. Por algum motivo qualquer, minha mente desavisada associou o nome da banda a uma sonoridade totalmente diversa àquela por ela apresentada. Sinceramente eu esperava um álbum que fosse prioritariamente pop, para justificar o nome escolhido pelo grupo para si. Bastou colocar o CD para rodar para que essa impressão fosse desfeita. Afinal, apesar de ter “pop” no nome, o que o Pop Javali faz é um rock n’ roll de respeito.

Lançado no primeiro semestre do ano passado de maneira independente, “The Game of Fate” é o segundo trabalho do Pop Javali, banda de Americana (SP), formada por Marcelo Frizzo (vocal/baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmussen (bateria) em 1992 e que mantém sua formação desde então (o primeiro, “No Reason to be Lonely” foi lançado em 2011).

“The Game of Fate” foi produzido por Andria e Ivan Busic, que, para os mais desavisados, são, respectivamente, baixista e baterista do Dr. Sin, uma das mais longevas e respeitadas bandas do rock nacional. Isso pode ser um dos responsáveis pelo que se ouve no álbum, que, em termos de produção, está bem equilibrado. Todos os instrumentos são ouvidos de maneira balanceada, cada um tendo seu devido destaque no momento mais correto.

Uma dupla de produtores de respeito, no entanto, conta pouco quando o material com o qual precisam trabalhar não oferece muito. Felizmente, não é o caso aqui, já que o Pop Javali faz um rock n’ roll com influências dos anos 1970, com algumas pitadas de heavy metal e rock progressivo pra lá de competente e isso pode ser percebido desde a abertura do álbum, com “Lie to Me” que, em seus primeiros segundos, lembra um pouco a clássica “Rock and Roll All Night”, do Kiss. Só por isso já desperta a curiosidade do ouvinte mais desavisado que, como eu, foi apresentado ao som da banda por aqui.

A qualidade do álbum, no entanto, não para em sua abertura. Pelo contrário, ela permeia todas as onze faixas de “The Game of Fate”, que se apresenta um trabalho bastante equilibrado, alternando faixas mais pesadas com aquelas mais trabalhadas, e mesmo as baladas, de maneira bastante harmoniosa. Músicas como “Road to Nowhere”, “Free Men”, “A Friend I’ve Lost” e a faixa título são alguns dos destaques individuais do álbum, especialmente esta última, que tem um instrumental sensacional. Os solos de guitarra de “The Game of Fate” são algo digno de nota.

Em termos individuais, não há muito a ser dito. É bastante óbvio que os 23 anos de experiência contaram muito para o bom trabalho que o trio Marcelo, Jaéder e Loks faz aqui. O Pop Javali não se preocupa muito em usar de qualquer virtuose desnecessária, se focando em um rock n’ roll bastante orgânico, ainda que use de boa técnica e feeling onde apropriado, obtendo belos resultados.

Como dito lá em cima “The Game of Fate” foi lançado de maneira independente, mas vale muito à pena correr atrás dele, pois mostra aquela que tem todo o potencial para se tornar um dos grandes nomes do rock tupiniquim em um futuro próximo.

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