Mês: Junho 2015

Pop Javali – The Game of Fate

CAPA CD 2

Confesso que, quando recebi o álbum “The Game of Fate” do Pop Javali para audição, fiquei com um pé atrás. Por algum motivo qualquer, minha mente desavisada associou o nome da banda a uma sonoridade totalmente diversa àquela por ela apresentada. Sinceramente eu esperava um álbum que fosse prioritariamente pop, para justificar o nome escolhido pelo grupo para si. Bastou colocar o CD para rodar para que essa impressão fosse desfeita. Afinal, apesar de ter “pop” no nome, o que o Pop Javali faz é um rock n’ roll de respeito.

Lançado no primeiro semestre do ano passado de maneira independente, “The Game of Fate” é o segundo trabalho do Pop Javali, banda de Americana (SP), formada por Marcelo Frizzo (vocal/baixo), Jaéder Menossi (guitarra) e Loks Rasmussen (bateria) em 1992 e que mantém sua formação desde então (o primeiro, “No Reason to be Lonely” foi lançado em 2011).

“The Game of Fate” foi produzido por Andria e Ivan Busic, que, para os mais desavisados, são, respectivamente, baixista e baterista do Dr. Sin, uma das mais longevas e respeitadas bandas do rock nacional. Isso pode ser um dos responsáveis pelo que se ouve no álbum, que, em termos de produção, está bem equilibrado. Todos os instrumentos são ouvidos de maneira balanceada, cada um tendo seu devido destaque no momento mais correto.

Uma dupla de produtores de respeito, no entanto, conta pouco quando o material com o qual precisam trabalhar não oferece muito. Felizmente, não é o caso aqui, já que o Pop Javali faz um rock n’ roll com influências dos anos 1970, com algumas pitadas de heavy metal e rock progressivo pra lá de competente e isso pode ser percebido desde a abertura do álbum, com “Lie to Me” que, em seus primeiros segundos, lembra um pouco a clássica “Rock and Roll All Night”, do Kiss. Só por isso já desperta a curiosidade do ouvinte mais desavisado que, como eu, foi apresentado ao som da banda por aqui.

A qualidade do álbum, no entanto, não para em sua abertura. Pelo contrário, ela permeia todas as onze faixas de “The Game of Fate”, que se apresenta um trabalho bastante equilibrado, alternando faixas mais pesadas com aquelas mais trabalhadas, e mesmo as baladas, de maneira bastante harmoniosa. Músicas como “Road to Nowhere”, “Free Men”, “A Friend I’ve Lost” e a faixa título são alguns dos destaques individuais do álbum, especialmente esta última, que tem um instrumental sensacional. Os solos de guitarra de “The Game of Fate” são algo digno de nota.

Em termos individuais, não há muito a ser dito. É bastante óbvio que os 23 anos de experiência contaram muito para o bom trabalho que o trio Marcelo, Jaéder e Loks faz aqui. O Pop Javali não se preocupa muito em usar de qualquer virtuose desnecessária, se focando em um rock n’ roll bastante orgânico, ainda que use de boa técnica e feeling onde apropriado, obtendo belos resultados.

Como dito lá em cima “The Game of Fate” foi lançado de maneira independente, mas vale muito à pena correr atrás dele, pois mostra aquela que tem todo o potencial para se tornar um dos grandes nomes do rock tupiniquim em um futuro próximo.

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Primator – Involution

primator 2 3 e 4Com seis anos na estrada e uma relativa fama no underground da capital paulista, o Primator, banda formada por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié e Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Alexandre Birão (bateria) lança finalmente no mercado seu primeiro álbum, “Involution”, que tem tudo para agradar aos fãs do heavy metal clássico praticado principalmente nos anos 1980 por grandes nomes do gênero.

Com dez faixas, “Involution” é daqueles álbuns que não guarda muitos segredos ou surpresas e basta apenas uma audição para que as influências da banda – principalmente Iron Maiden e o metal alemão, especialmente nos vocais de Rodrigo – fiquem escancaradas para o ouvinte. E isso é bom, já que não leva muito tempo para que o ouvinte decida-se se gosta ou não do que lhe chega aos ouvidos (algo que tem me acontecido muito com trabalhos de bandas como o Blind Guardian, por exemplo, tamanha a complexidade das composições mais recentes dos caras). Isso não quer dizer, no entanto, que o som do Primator não seja bem trabalhado. “Involution” é um daqueles raros álbuns que mantém o mesmo nível em sua totalidade, ainda que não seja um trabalho homogêneo. Explicando melhor: apesar de cada faixa ter sua individualidade, o álbum como um todo foi muito bem pensado na hora em que o tracklist foi montado. Assim, uma faixa pesada se alterna com uma com refrão grudento , seguida por uma mais cadenciada, uma balada e uma nova faixa mais rápida/pesada. Esse resultado acaba se tornando bem harmonioso e não cansa o ouvinte. Faixas como “Deadland”, “Black Tormentor”, a balada “Let me Live Again”, “Face the Death” e “Involution” são alguns dos destaques individuais do trabalho que exemplificam o que foi dito na frase acima.

Liricamente, “Involution” , como a capa indica, é bastante influenciado pela Teoria da Evolução de Charles Darwin, como explica o vocalista Rodrigo Sinopoli (responsável por todas as letras e pela arte de capa do CD) no press-release do álbum. Em suas palavras, “Involution” é uma “observação da atual condição humana. “Sempre protegido por sua certeza, o ser humano precisa destruir para construir e subjugar os mais fracos para obter sucesso. Nós, então, traçamos um paralelo entre o que realmente é a evolução, a posição da raça humana na escala evolutiva e a percepção de que a busca pelas coisas mais simples pode ser o segredo para a felicidade. Nossa ideia é que precisamos dar um passo atrás e repensar novamente nosso caminho”.

Com um instrumental bem afinado e uma produção cuidadosa, o Primator marca de maneira positiva sua estreia no mercado. Para quem é fã de metal nacional, essa é uma banda que cujo trabalho vale a pena ser conferido.