Mês: Abril 2015

Whorion – The Reign of the 7th Sector

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Uma das coisas que às vezes me impressiona na Finlândia é o fato de um país relativamente tão pequeno (são pouco mais de 5 milhões de habitantes) gerar tantas bandas de metal boas e nos mais diferentes gêneros, indo do power metal do Stratovarius ao technical death metal do Children of Bodom e do Whorion, objeto dessa resenha.

Formada em 2009 e com a formação recentemente estabilizada com Ari Nieminen (vocal), Ep MKN (vocal/guitarra), Antti Lauri (guitarra), Dorian Logue (baixo) e Hikki Saari (bateria), “The Reign of the 7th Sector” é o primeiro álbum completo do quinteto finlandês e mostra uma banda com bastante potencial, ainda que não apresente nada de extraordinário. São oito faixas que tem tudo para agradar ao fã desse sub-gênero do death metal, com uma cozinha bem competente, guitarras técnicas e o vocal urrado de Nieminen além, é claro, de algumas partes orquestradas aqui e ali que contribuem para enriquecer a sonoridade do Whorion.

Com oito faixas, incluindo a instrumental “Gates of Time”, “The Reign of the 7th Sector” tem pouco mais de 35 minutos de duração. Os grandes destaques do álbum vão para “Flesh of Gods”, a pancada “Immaculate”, que traz um solo de guitarra que tem tudo para agradar os fãs do death/thrash old school e “Arrival of Coloss”, que fecha o petardo com o melhor riff de guitarra de todo o álbum.

“The Reign of the 7th Sector” foi lançado no dia 27 de abril e é um álbum interessante para os fãs do dito technical death metal finlandês. É um álbum que deve ser escutado mais de uma vez para que não soe apenas como mais uma banda de death metal reciclando velhas fórmulas.

* Matéria realizada em conjunto com o site metal clube.

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Kiss faz show histórico em Belo Horizonte

Foi longa a espera. 32 anos depois de sua primeira passagem por Belo Horizonte – em um show que despertou polêmicas à época devido aos protestos de organizações religiosas contra a presença da banda em terras mineiras – o Kiss voltou à capital mineira para um show realizado no Mineirinho no último dia 23 de abril.

Marcado inicialmente para o estádio do Independência, o show foi transferido para o Mineirinho – casa conhecida pela péssima acústica – por motivos ainda não esclarecidos de maneira satisfatória. Enquanto a organização alega que isso se deu devido a um jogo da Taça Libertadores programado para a véspera no estádio, o que inviabilizaria a preparação da estrutura para o evento, fontes não oficiais atribuem a mudança à baixa procura de ingressos, motivada, em parte pelos altos preços praticados e por falhas na divulgação do evento. O fato de pouco mais de sete mil pessoas terem comparecido ao Mineirinho, no entanto, faz com que a segunda teoria faça mais sentido.

Steel Panther

IMG_0433Independente disso, o fato é que a noite de rock and roll começou com um pouco de atraso – como em praticamente todo show de rock/metal que acontece por aqui. Marcado para as 19:00 hs, passava pouco das 19:30 hs quando os californianos do Steel Panther adentraram o palco para realizar o show de abertura. O quarteto formado por Satchel (guitarra), Michael Star (vocal), Lexxi Foxx (baixo) e Stix Zadinia (bateria) veio ao Brasil pela primeira vez para divulgar seu quarto álbum, “All You Can Eat”, de 2014. Sinceramente, não há muito o que se dizer do Steel Panther. A banda faz um hard rock competente, descendente direto das bandas de glam rock dos anos 1980, especialmente Poison e Motley Crüe, com bastante interação com o público – o guitarrista Satchel fala pra caramba entre uma música e outra – e letras que tem tudo para agradar garotos de 12 anos na plateia, já que giram prioritariamente em torno de sexo. Houve inclusive um pedido do guitarrista para que as senhoritas na plateia lhe mostrassem seus seios e suas partes baixas, com algum sucesso. Com cerca de uma hora de apresentação, o Steel Panther apresentou 11 músicas. Destaques aí vão para “Eyes of a Panther”, “Party All Day (Fuck All Night)” e “Death To All But Metal”, que fechou uma apresentação que, apesar da dedicação do quarteto em cima do palco, não se revelou nada memorável. Nem se pode dizer que cumpriu o papel de esquentar a audiência para a atração principal, dado o aparente desinteresse do público pela banda.

Kiss

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Não demorou muito após o encerramento do show do Steel Panther para que o sistema de som do Mineirinho anunciasse a entrada da atração principal com o tradicional “you wanted the best, you got the best. The hottest band in the world: Kiss”, descendo a cortina para que Gene Simmons (vocal, baixo), Paul Stanley (vocal, guitarra), Thommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (vocal, bateria) tomassem o palco de assalto com seu show de luzes, explosões e, claro, a clássica “Detroit Rock City”, a primeira da série de músicas clássicas que seriam executadas naquela noite. “Creatures Of The Night” a relativamente recente “Psycho Circus” e “Love It Loud”, talvez a música mais famosa na carreira de uma banda que coleciona músicas famosas, foram executadas em seguir antes de que Paul Stanley interagisse com a plateia pela primeira vez naquela noite. Daí em diante, a cada nova faixa, Paul se dedicaria a falar um pouco com seu público.

Um show do Kiss é bastante planejado, bem executado e reserva poucas surpresas. Para quem já comparecera em algum deles, não houve muitas novidades. Para os novatos, no entanto, a experiência de ver uma das maiores lendas vivas do rock no palco é algo único. Afinal, estava tudo lá: a pirotecnia, Gene cuspindo fogo em “War Machine”, Tommy Thayer soltando faíscas de sua guitarra em seu solo de guitarra, Gene novamente sendo a estrela ao cuspir sangue, ser elevado aos ares e cantar “God of Thunder” de uma plataforma bem acima do palco e Paul usar um cabo para ir a uma plataforma no meio do público em “Love Gun” e, logo após, ceder os holofotes a Eric Singer quando o mesmo assume os vocais de “Black Diamond”. Tudo feito de maneira bem profissional e ensaiada, visando extrair as melhores reações possíveis do público e conseguindo fazê-lo com sucesso. O imprevisto talvez tenha se dado apenas quando, em uma ação de marketing promovida pelo Clube Atlético Mineiro, Paul Stanley se enrolou em uma bandeira do time e tomou uma vaia tão grande que abafou o que ele queria dizer ao público naquele momento, sendo necessário que a descartasse para que fosse ouvido. Nada demais, no entanto.

Foram quase duas horas de clássicos como “Deuce”, “Calling Doctor Love”, “Lick It Up” e apenas uma música do mais recente álbum da banda, “Monster”, representado aqui por “Hell or Hallelujah”, o que deve ter agradado à audiência que, quando vai em shows de bandas com tanto tempo de estrada e com tantos sucessos em seu acervo, se preocupa mais com os clássicos e menos com as músicas novas. E, se tem algo que o Kiss sabe fazer como poucos, é agradar seu público. Algo que vem fazendo com sucesso há quarenta anos e deve continuar fazendo por mais algum tempo. A apresentação foi encerrada, como não podia deixar de ser, com “Rock And Roll All Nite”.

Uma última observação deve ser feita a respeito do público “roqueiro” de Belo Horizonte que, mais uma vez, decepcionou. É tradição que o público de BH reclame que as grandes bandas toquem em Rio, São Paulo e Porto Alegre, vindo pouco à capital mineira. No entanto, quando algum promotor efetivamente traz as bandas para Belo Horizonte, o público não comparece. É o ingresso que está caro, é o horário, é o dia da semana, é o fato de ter jogo do Cruzeiro/Atlético no mesmo dia… As desculpas são inúmeras, mas o resultado sempre é o mesmo: um público final que não estimula que produtores tragam essas bandas novamente à cidade. Em 2009 o Iron Maiden tocou em Belo Horizonte no mesmo Mineirinho e aquele foi o menor público da turnê em terras tupiniquins. Esse ano foi o Kiss que tocou para pouco mais de sete mil pessoas – que fizeram seu papel aplaudindo, cantando e gritando o tempo todo – na cidade. Como ouvi uma pessoa dizendo ao fim do show, “quem viu, viu. Quem não viu, nunca mais”. Que se contentem com shows de alguma das bandas cover dedicadas a homenagear o grupo e que tem espaço cativo nas mais diversas casas de show da cidade. Só não reclamem de não terem a chance de verem os originais.

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Seu Juvenal – Rock Errado

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Formada em 1997 em Uberaba – MG e hoje estabelecida na histórica cidade de Ouro Preto, o Seu Juvenal é uma banda que segue a cartilha de grupos como o Faith No More no que diz respeito à definição de sua sonoridade. Após três lançamentos, não dá pra encaixar o som do quarteto formado por Bruno Bastos (vocal), Edson Zacca (guitarra/violão), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zaca (bateria) em qualquer categoria específica. Seu terceiro álbum, “Rock Errado”, segue essa mesma cartilha. Nele se encontram influências advindas das mais diversas fontes e pode se perceber ora elementos do punk, ora do metal, ora do rock clássico e mesmo do chamado “indie rock” aqui e ali. A mistura, no entanto, funciona bem para o ouvinte que não tem muitos preconceitos de como uma banda de rock nacional deve soar.

“Rock Errado” tem dez faixas e mostra uma banda que procura ousar sem tentar reinventar a roda. O Seu Juvenal faz um som bastante correto e digo isso como um elogio, já que podemos perceber que todas as composições, por mais variadas entre si, foram bastante bem trabalhadas, assim como as letras, que vão do psicodelismo à exploração de temas mais caros à banda, tais como “(…) A crise do homem moderno perante o mundo digital, as guerras que nunca cessam, a solidão urbana, as crianças abandonadas, o politicamente correto e suas consequências, além, é claro, do assunto mais mal cantado do planeta: o amor”, como define o guitarrista Edson Zacca. A produção soa bastante limpa, mesmo nas faixas com uma pegada mais punk, como aquela que dá nome ao álbum, graças ao trabalho competente de Ronaldo Gini, também guitarrista da banda mineira Virna Lisi.

Dentre os destaques em “Rock Errado” podemos destacar a faixa que abre o trabalho, “Homem Analógico”, a quase balada/psicodélica “Asfalto”, a instrumental “Louva a Deus”, a pesada “Rock Errado” com a bela participação de Manu Joker (Uganga) e “Burca” que fecha o petardo (e cujo vídeo pode ser conferido aqui), sendo a mais longa música desse trabalho do Seu Juvenal.

Se há um porém com relação à “Rock Errado” é o fato dele ter sido lançado exclusivamente em vinil, o que limita bastante o alcance que a música do Seu Juvenal poderia alcançar nesses tempos de CDs e, principalmente, MP3. É uma banda, no entanto, que vale a pena ser conferida por qualquer um que procure alguma coisa no rock nacional que fuja dos NXZeros da vida. É rock honesto, bem feito e quase sem rótulos ainda que cheio de referências facilmente identificáveis.