Mês: Dezembro 2014

Noturnall – First Night Live

Noturnall_Capa_First-Night-Live_Low

Depois de um bom álbum de estreia, que obteve repercussão bem positiva entre público e crítica, o Noturnall – banda formada por Thiago Bianchi (vocal), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Junior Carelli (teclado) e Aquiles Priester (bateria) – resolveu seguir o movimento que tem se tornado tendência entre bandas e artistas atuais e já lançar seu primeiro DVD ao vivo, antes mesmo de pensar em soltar um segundo registro em estúdio no mercado.

“First Night Live” foi gravado durante show de lançamento de seu álbum autointitulado, que aconteceu no Carioca Club, em São Paulo. O título do DVD é bastante apropriado já que esse foi o primeiro show da história da banda. Isso, no entanto, é quase que uma informação a título de curiosidade, já que a experiência de todos os músicos envolvidos e o calor do público não deixam transparecer isso em nenhum momento. Devido ao tempo de estrada de todos os músicos do Noturnall, esse tem todo o clima de show de encerramento de turnê, não de começo de uma.

Musicalmente não há muito a ser dito do DVD que não tenha sido falado quando da resenha do debut do Noturnall (que você pode relembrar aqui). Depois de uma introdução em vídeo estrelada pela zumbi que figura na capa do álbum de estreia da banda, o grupo entra no palco com “Not Turn At All”, seguida de “St. Trigger” e “Inferno Veil”, essa cover do Shaman. Há uma pausa onde Thiago interage pela primeira vez com o público, falando a respeito do câncer com o qual foi diagnosticado treze anos atrás que me parece mal editado, ficando meio perdido ali. A intenção dele era contar que, diagnosticado com a doença, ele teria prometido a si mesmo que, se vencesse a mesma, dali a treze anos faria algo a respeito para ajudar pessoas na mesma condição, daí a parceria do Noturnall com a Casa Hope, instituição que ajuda crianças com câncer e para o qual foram arrecadados mais de uma tonelada de comida, além de roupas e brinquedos na ocasião de “First Night Live”. Creio que deveria ter havido um cuidado maior por parte da direção do DVD na hora de captar esse momento, já que o discurso sofre um corte bem seco antes de o show continuar.

O show segue com “Zombies” (e aqui há alguns problemas dos quais falarei mais abaixo), “Master of Deception” e “Hate”, antes que toda a banda se retire para deixar Aquiles Priester mostrar toda a habilidade nas baquetas que o levou a ser considerado um dos melhores em seu ofício dentro do heavy metal. “Last Wish” é outro dos bons momentos do show, pois traz a participação especial do jovem violoncelista Luiz Fernando Venturelli, que também participa do cover para “Symphony of Destruction”, do Megadeth, creditado no DVD como “faixa surpresa”, ou seja, a frase acima pode ser considerada um spoiler. Com apenas 13 anos, o moleque detona usando seu instrumento para ocupar o lugar da segunda guitarra nessa música.

Após a despedida de Luiz Fernando, Léo Mancini toma o palco para um solo de guitarra diferente do convencional que traz algumas surpresas que só assistindo ao DVD para saber (já dei spoilers demais por aqui). A apresentação segue com “Fake Healers”, “Sugar Pill” e o grande momento da noite, “Nocturnal Human Side”, no qual a banda divide o palco com Russel Allen, vocalista do Symphony X e que foi um dos produtores do álbum de estreia do Noturnall. Russel ainda canta mais duas músicas com a banda antes do primeiro show do grupo ser encerrado.

Como material de bônus o DVD traz making of, onde Thiago e os demais explicam mais sobre a parceria com a Casa Hope e os motivos para tal, um vídeo sobre o equipamento usado pela Yamaha para gravar o show – que deve interessar apenas os envolvidos com essa parte técnica – e diversos outros, que incluem um excelente cover para “Woman in Chains”, do Tears for Fears, homenageando as mães dos integrantes do Noturnall.

Apesar de seu resultado extremamente positivo, “First Night Live” tem seus problemas. Além do que já foi dito lá em cima a respeito do discurso de Thiago Bianchi, algumas escolhas para a edição do DVD me pareceram meio infelizes. As letras do refrão de “Zombies” na tela não ficaram legais e, em alguns momentos, a imagem não apresentou a melhor qualidade, com cores estouradas. Já a iluminação de palco também lembra, em muitos momentos, o que se vê em shows de artistas sertanejos, o que pode causar certa estranheza. Essa opção se justifica se levarmos em conta que o diretor do DVD, Alex Batista, tem em seu currículo trabalhos com grandes nomes do estilo, tais como Luan Santana e Fernando & Sorocaba. Isso, no entanto, são apenas aspectos técnicos. No que realmente importa, ou seja, a captação de áudio e desempenho dos músicos e do público, “First Night Live” não deixa nada a desejar e é um excelente registro de uma banda que tem tudo para fazer história no heavy metal nacional.

Anúncios

AC/DC – Rock or Bust

10703995_10152761215532930_1090147185692117753_n

Todo mundo que viaja muito a trabalho diz que não há sensação melhor do que voltar para casa, pois, por melhor que seja estar na estrada, ali é onde a pessoa se sente mais confortável. Tudo é familiar, conhecido, não há tantas surpresas ou coisas novas com as quais se acostumar, não há aquele sentimento de desconforto que muitas vezes encaramos perante novidades.

Com o AC/DC é a mesma coisa. Mesmo que tenha se passado mais de meia década – ou, mais precisamente, seis anos – entre “Black Ice” (2008) e esse “Rock or Bust” e independente da fase turbulenta pela qual a banda está passando – a internação do guitarrista Malcolm Young, diagnosticado com demência e a acusação de tentativa de homicídio pela qual o baterista Phil Rudd está respondendo, o que afastou ambos do grupo – basta escutar os primeiros cinco segundos da faixa título que abre o novo trabalho do AC/DC para nos sentirmos em casa. “Rock or Bust” pode ser o 15º álbum na carreira do AC/DC, mas soa tão bem quanto todos os 14 trabalhos anteriores.

Repetir-se, inclusive, é uma marca indelével do AC/DC. Desde bem cedo em sua carreira os irmãos Young (Malcolm e Angus) traçaram uma fórmula no que diz respeito às composições das músicas de sua banda e se mantém nela desde então. Ora, se algo dá certo há literalmente quarenta anos, não há porque mudar, certo? Para banda e fãs, isso é excelente. Já para quem tenta analisar o álbum, nem tanto. Afinal, não há muito que se dizer sobre “Rock or Bust” que não foi dito antes sobre qualquer álbum do AC/DC. Riffs matadores de Angus (apoiado pelo novo guitarrista, Steve Young)? Confere. A voz rouca de Brian Jonhson? Presente. Refrões grudentos? Sim. Letras alto astral prestando homenagem ao Rock and Roll? Com certeza.

Com onze faixas, “Rock or Bust” traz mais do mesmo de uma banda que se especializou em fazer mais do mesmo com bastante competência e não deixa de ser mais um bom álbum na carreira do AC/DC. Se não traz novidades, também não corre o risco de desapontar os fãs de longa data. Pode ouvir sem receios.

 

Powerwolf – History of Heresy I & II

Powerwolf_-_The_History_Of_Heresy

 

O Powerwolf é o tipo de banda que engana à primeira vista. Seu nome leva a crer que é um grupo de power metal alemão, já que “Powerwolf” combina tão bem com o estilo quanto Blind Guardian, Rhapsody of Fire ou Gamma Ray. Já seu visual – com o uso de corpse paint -, as capas de seus álbuns e as letras de suas músicas remetem ao black metal norueguês dada a quantidade de “heresia” contida nelas. No entanto, a banda não é nem uma coisa nem outra. O que temos aqui é uma banda de heavy metal que flerta tanto com power metal quanto com o heavy rock clássico, com letras que, apesar de tocar em temas polêmicos, não devem ser nunca levadas a sério.

“History of Heresy” I & II são duas coletâneas lançadas pelo quinteto formado por Attila Dorn (vocais), Matthew Greywolf (guitarra), Charles Greywolf (baixo, guitarra), Falk Maria Schlegel (teclados) e Roel van Helden (bateria) que abrange praticamente toda a carreira da banda. E digo isso literalmente, já que cada um dos álbuns (um duplo e um triplo) reedita os primeiros quatro trabalhos da banda. E se consiste em uma ótima pedida para aqueles que desconhecem o Powerwolf se familiarizarem com o trabalho da banda.

O Powerwolf faz um heavy metal de bastante competência, com letras que remetem ao folclore da Europa e um grande número de músicas dedicadas a atacar a religião, especialmente a Igreja Católica. Ao contrário de bandas como Venom, no entanto, o Powerwolf lida com isso de maneira bastante caricata, com letras que não tem qualquer objetivo de serem levadas a sério por qualquer pessoa com meio cérebro funcional.

“History of Heresy I” traz a reedição dos dois primeiros álbuns da banda, “Return in Bloodred” e “Lupus Dei”. Nele os destaques vão para “Kiss of the Kobra King” e seu refrão grudento, “The Evil Made Me Do It” e “Lúcifer in Starlight”, todas oriundas de “Return in Bloodred”. Já na reedição de “Lupus Dei”, “Saturday Satan”, “In Blood We Trust” e “Mother Mary is a Bird of Prey” são as faixas que merecem maior atenção. Para não dizer que não há qualquer diferença entre a coletânea e os álbuns originais, cada um deles traz, respectivamente, três e seis faixas bônus, todas versões gravadas ao vivo durante as turnês de divulgação dos álbuns abordados na coletânea.

Já “History of Heresy II” abrange o trabalho que a banda realizou em “Bible of the Beast” e “Blood of the Saints” e mostra uma boa evolução na sonoridade do grupo, haja o número de músicas que merecem serem apreciadas. “Bible of the Beast” conta com algumas das músicas que tem potencial para se tornarem clássicos na carreira da banda, como “Raise your Fist Evangelist”, a divertida “Panic in the Pentagram”, “Seven Deadly Sins”, a nonsense “Resurrection by Erection”, “Saint Satan” e a quase balada “Wolves Against the World”. Além do tracklist original, há ainda duas faixas bônus: “Testament in Black” e “Riding the Storm”, essa um cover dos suecos do Running Wild.

“Blood of Saints” responde pelo segundo disco e traz aquela que, para mim, é a melhor música da carreira do Powerwolf: “Sanctified with Dynamite”. “We Drink your Blood”, “Murder at Midnight”, “All We Need is Blood”, “Night of the Werewolves” e “Die Die Crucified” também são faixas que merecem menção. “History of Heresy II” traz ainda um terceiro disco que se consiste de apenas cinco faixas que trazem versões orquestradas para músicas presentes em “Blood of Saints”. Esse é um material interessante, mas não tanto quanto o resto do lançamento.

Pra quem gosta de um heavy metal bem tocado e letras divertidas, o Powerwolf (cuja discografia em estúdio se completa com “Preachers Of The Night”, lançado em 2013) é uma ótima opção. Infelizmente, devido à sua aparente falta de apelo, apesar de ter alcançado um bom número de fãs no Brasil via Facebook, nenhuma gravadora nacional se animou a lançar qualquer álbum dos Lobos Alemães por aqui. Daí só há duas maneiras de se obter material dos caras por aqui: importando ou pedindo pro seu amigo que vai pra Europa ou EUA lhe trazer seus álbuns (aposto que você pensou que eu diria “importando ou baixando via torrent”, né?) 🙂

powerwolfband2013_638 Parece Black Metal, mas não é.

 

Higher – Higher

Capa_Higher

Em qualquer área do entretenimento, há trabalhos (sejam filmes, quadrinhos, livros, músicas) que basta você ler/assistir/ouvir uma única vez para entender do que se trata e sacar todas as referências ali contidas (dependendo do seu conhecimento na área ou de sua bagagem cultural, claro). Há alguns, no entanto, que não são tão facilmente assimiláveis, demandando pelo menos uma segunda conferida para que todo o escopo da obra seja compreendido. Geralmente, esses são aqueles que resistirão ao teste do tempo e, pelo menos no que diz respeito a esse que vos escreve, é o caso de “Higher”, trabalho de estreia da banda de mesmo nome, lançado recentemente de maneira independente.

Concebida por Cezar Girardi (vocal) e Gustavo Scaranelo (guitarra), dois músicos com um passado (e presente) bastante ligado ao jazz e à música instrumental (Gustavo é professor de Jazz na Escola de Música & Tecnologia em São Paulo), a proposta do Higher é fazer heavy metal, puro e simples. Ao contrário do que se poderia esperar devido ao currículo de seus membros, a banda, que inclui também o baixista Andrés Zúñiga (ex-professor da EM&T), Pedro Rezende (bateria) e o jovem guitarrista Felipe Martins, que não participou das gravações do álbum, não se utiliza de influências das áreas nas quais são especialistas quando da composição das músicas de “Higher”. O que se escuta aqui é um heavy metal bem direto, bem tocado, mas longe de apresentar um virtuosismo de um Dream Theater ou um Symphony X, por exemplo.

Essa impressão se dá logo de cara, com “Lie”, música que abre o álbum e mostra ao que o Higher veio. Uma música pesada, nervosa e extremamente bem levada, que deixa o ouvinte confortável para o que vem a seguir. A primeira metade do álbum, aliás, é quase irrepreensível. “Illusion”, a empolgante “Keep me High” (com uma introdução de responsa, destacando-se bateria e baixo), “Climb the Hill” e “Like the Wind” formam um quinteto bem energético, pra headbanger nenhum botar defeito. Esse ritmo é quebrado com a power ballad “Break the Wall”, onde o destaque vai para os belos solos de guitarra de Gustavo. “Time to Change” volta ao ritmo anterior, ainda que seja uma faixa mais cadenciada que termina de maneira abrupta e mantém o nível do trabalho lá no alto com “Make it Worth” e “The Sign”, que fecha a bolachinha. São nove músicas que valem cada audição, até porque escutá-las uma única vez não é o suficiente para absorver tudo o que tem a passar.

No fim das contas, podemos dizer que “Higher” é um belo esforço de todos os envolvidos, incluindo o produtor Thiago Bianchi (Noturnall, Shaman), que fez todos os elementos soarem de maneira clara e bem encaixada. Agora é torcer pros caras manterem o mesmo pique – e qualidade sonora – nos futuros lançamentos.

Blind Guardian – Twilight of the Gods

400x400

Eis que depois de quatro anos sem apresentar nada de novo o Blind Guardian dá um gostinho do que está por vir aos fãs com “Twilight of the Gods”, single com três músicas, duas gravadas ao vivo, que antecede “Beyond the Red Mirror”, trabalho com lançamento previsto para janeiro de 2015.

Como os fãs do Blind Guardian já estão acostumados com os longos períodos entre álbuns (de 1998 para cá a banda lançou apenas quatro trabalhos em estúdio e um ao vivo), a pergunta que se faz não é porque o álbum demorou tanto e sim se a espera valeu à pena. Se a resposta depender apenas do que pôde ser ouvido nesse “Twilight of the Gods”, a resposta é um sonoro “sim”.

“Twilight of the Gods” traz tudo o que consagrou o Blind Guardian como uma das bandas de Power Metal mais conceituadas – se não A mais conceituada – da atualidade. Vocais energéticos, corais grandiosos, um refrão empolgante, riffs e solos de guitarra bem colocados, bateria marcante e a adição de elementos modernos (algo que sempre marca os trabalhos da banda) estão contidos nos quase cinco minutos que dura a canção.

Completando o single, temos versões para “Time Stands Still (At the Iron Hill)” e a favorita dos fãs “The Bard’s Song: In the Forest”, ambas gravadas durante a apresentação da banda no festival Wacken Open Air de 2011.

Que venha janeiro.

W.E.T. – One Live in Stockholm

cover_WET

O W.E.T. é o tipo de banda que, fossem seus integrantes membros de grupos famosos, seria chamado de “supergrupo”. Afinal de contas, W.E.T é uma sigla que faz referência ao Work of Art, banda do baterista Robban Bäck, ao Eclipse do guitarrista/baixista Erik Mårtensson e ao Talisman, de onde saiu o vocalista Jeff Scott Soto. Os três se uniram no final da década passada por sugestão do presidente da gravadora Frontiers Records, Serafino Perugino, especializada em hard rock, rock clássico e, especialmente, AOR (ou “Adult Oriented Rock”).

Contando com o falecido Marcel Jacob no baixo, o W.E.T. lançou um álbum auto-intitulado em 2009, seguido por “Rise Up” em 2013 (esse já sem Jacob). Nesse mesmo ano a banda realizou um grande show em Stockholm, que originou o CD objeto dessa resenha, contando com o apoio de Robert Säll (teclados, guitarra) e Magnus Henriksson (guitarra).

Mesmo que os ingredientes possam ter se juntado de maneira bastante artificial, o fato é que a receita deu certo e o W.E.T. funciona muito bem em cima do palco. O que a banda produz é um rock clássico cheio de ritmo e com o virtuosismo na dose certa, tipicamente característico das grandes bandas do rock de arena dos anos 1980 e que tem tudo para agradar fãs de grupos como Rainbow na fase John Lynn Turner, Whitesnake e Journey além, claro, daquelas que formam a sigla que dá origem ao nome do W.E.T.

Com um show que bate nos 99 minutos, “One Live in Stockholm” abrange quase que completamente os dois álbuns do W.E.T e ainda tem espaço para versões de músicas do Work of Art, Eclipse e Talisman. Aqui os destaques vão especialmente para “I’ll Be Waiting” e Mysterious, ambas do Talisman. Já no que diz respeito ao material original da banda, é difícil apontar um único destaque, pois o W.E.T. consegue manter um nível de qualidade musical lá no alto, com cada um de seus membros entregando uma performance memorável. Músicas como “Invincible”, “Love Heals”, “Unbroken”, “Shot” e “One Love” são alguns daqueles exemplos que é sempre bom mencionar para aqueles que se interessem em conhecer mais sobre o trabalho da banda.

Lançado no começo de 2014 na Europa “One Live in Stockholm” é um daqueles álbuns que agrada em cheio os fãs do bom e velho rock and roll. É, de longe, um dos melhores álbuns ao vivo do ano e que, com toda certeza, deve ficar abaixo do radar de boa parte de seu público alvo devido a pouca popularidade das pessoas envolvidas e do AOR como um todo. O que é, francamente, uma pena.

Além ds 19 faixas ao vivo, “One Live in Stockholm” ainda tem como bônus “Poison (Numbing The Pain)” e “Bigger Than Both Of Us”, ambas gravadas em estúdio.

Hammerfall – (r)Evolution

Featured image

Existem bandas que, cedo em sua carreira estabelecem algo que os conecte com os fãs. Seja uma afinação de guitarra, um estilo de se vestir, uma temática lírica, ou mesmo uma mascote, essa ligação é aquilo que faz com que a banda atraia e mantenha os fãs. No caso do heavy metal, isso é algo essencial, já que estamos falando de um público que, sejamos francos, não é muito afeito a mudanças. E isso, nem sempre, é ruim.

O Hammerfall utilizou-se de quase todos os itens acima desde suas estreia, o álbum “Glory to the Brave” de 1997. Ali já se encontravam elementos que marcariam a carreira da banda: músicas grandiosas, riffs e refrões “grudentos”, solos ora virtuosos, ora melodiosos, bumbos duplos, enfim, tudo o que um fã do Power Metal consagrado por bandas como Helloween, Gamma Ray e Blind Guardian, dentre outros, poderia esperar. A banda elegeu até mesmo um tema recorrente (as aventuras dos Cavaleiros Templários) e uma mascote (Hector) para figurar na maioria de suas músicas e capas de álbuns.

“(r)Evolution”, o nono álbum da banda (oitavo em estúdio), é quase uma volta às origens, depois que o grupo resolveu aproveitar a onda zumbi e explorar esse tema em seu trabalho de 2012, “Infected”, que teve uma recepção no máximo morna de fãs e crítica. Para o novo álbum, o quinteto formado por Joacim Cans (vocais), Oscar Dronjak e Pontus Norgren (guitarras), Fredrik Larsson (baixo) e Anders Johansson (bateria) resolveu deixar os mortos-vivos de lado e voltar às músicas com temática medieval, Hector e tudo o que trouxe o grupo ao patamar no qual hoje se encontra dentro do Power Metal. Tanto que o álbum é aberto de maneira perfeita com “Hector’s Hymm”, um tributo ao cavaleiro deixado de lado (inclusive fora da capa pela primeira vez) em “Infected”.

Fãs de Power Metal, a exemplo dos admiradores de grupos como o AC/DC, em geral gostam que suas bandas favoritas sejam previsíveis, de forma que podem comprar seus álbuns sem medo de colocá-los pra tocar e ouvir uma batida tribal ou um conjunto de foles (exceção feita ao Grave Digger) no lugar da dupla de guitarras. Em (r)Evolution o fã do Hammerfall encontrará exatamente o que espera, até porque ouviu músicas nesse mesmo estilo ao longo de todos os álbuns gravados pela banda até o momento. Até a indefectível balada se apresenta aqui em “Winter is Coming” que, sim, faz referência à Game of Thrones (ei, melhor uma banda conhecida por músicas envolvendo templários e dragões fazer uma música baseada em Game of Thrones do que em zumbis, certo? :p). “(R)evolution”, “Live Life Loud”, “Tainted Metal” e “Wildfire” são alguns dos demais destaques do trabalho que, repito, foi pensado para agradar em cheio aos fãs do Hammerfall. E, ouso dizer, alcançou seu objetivo com louvor.