Tori Amos – Unrepentant Geraldines

UnrepentantGeraldines

Nos idos de 1998 eu comecei o que viria a ser uma longa relação com os trabalhos de Neil Gaiman, um dos mais celebrados escritores dos quadrinhos das últimas três décadas, responsável pela criação de Sandman, personagem que rendeu a ele e ao selo Vertigo da DC Comics uma série de prêmios.

Lendo diversas entrevistas de Gaiman na época, não era raro encontrar menções a respeito da influência que a cantora/pianista americana Tori Amos tinha em seu trabalho, sendo ela uma das inspirações para o visual de Delírio, a irmã mais insana – no sentido literal da palavra – do Rei dos Sonhos. Some-se isso ao fato de a obra da mulher ter, então, em seu escopo, músicas com títulos como “Me and a Gun”, “Father Lucifer” e “Blood Roses” e, por mais que o headbanger em mim lutasse contra, decidi dar uma chance à ruiva. Afinal, não é porque é música pop que algo deve ser necessariamente ruim, correto?

Dezesseis anos depois e eis me aqui com “Unrepentant Geraldines”, 14º álbum de Tori e um dos poucos a serem lançados em território nacional (salvo engano, apenas cinco deles, incluindo aí uma coletânea e um álbum ao vivo, foram lançados por aqui) e que aponta para uma retomada a sonoridade mais clássica da cantora, algo deixado um pouco de lado em seus dois últimos trabalhos, “Night of Hunters” e “Gold Dust”.

A sonoridade de Tori Amos nesse trabalho é bastante interessante, já que ela toma caminhos mais ortodoxos para sua música, tornando-a menos inacessível do que em seus álbuns mais recentes. Por outro lado, ainda é um pop mais classudo, que foge das fórmulas tradicionais – até porque aqui o som é todo focado no piano e as letras são bastante pessoais, muitas vezes focadas nas dificuldades que as mulheres enfrentam na vida e no campo profissional na medida em que envelhecem – o que a afasta das rádios.

Músicas como “Trouble’s Lament”, “Promise” (na qual Tori faz um dueto com sua filha Natashya Hawley), a alegrinha “Giant’s Rolling Pin” e as autobiográficas “Wild Way” e “16 Shades of Blue” são alguns dos pontos altos do álbum.

No resumo da ópera, “Unrepentant Geraldines” é mais um bom trabalho na carreira de Tori Amos. Longe da Tori que compôs álbuns como “Little Earthquakes”, “Boys for Pele” e “From the Choirgirl Hotel”, mas, ainda assim, um ponto alto em sua discografia.

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