Neal Morse – Songs from November

Neal Morse é um dos mais respeitados e prolíficos músicos do cenário do rock progressivo da atualidade. Membro fundador do Spock’s Beard e do Transatlantic (nessa última, ao lado do baterista Mike Portnoy, ex-Dream Theater), Morse construiu uma bela carreira dentro do estilo, até que, em 2002, convertido ao cristianismo, decidiu deixar de lado por um tempo a música secular e seguir em carreira solo, tocando prioritariamente música cristã.

Desde então, Morse tem dividido sua carreira em duas: por um lado se dedica aos álbuns solos, sejam eles do gênero progressivo, sejam eles mais voltados à música pop, todos com uma forte temática cristã; por outro, ainda se dedica à música secular tanto ao lado do Transatlantic quanto do Flying Colors, outra banda na qual divide o palco com Portnoy. “Songs from November”, seu mais recente álbum solo, caminha pela segunda linha, ou seja, faz parte de seu catálogo pop – ainda que tenha ecos de rock progressivo aqui e ali – mas, nem por isso, é uma peça menor na discografia do tecladista/guitarrista/vocalista. Muito antes pelo contrário, “Songs from November” mostra que, além de um tremendo virtuoso, Morse é bastante versátil e sabe deixar toda a técnica elaborada que permeia todos os seus trabalhos de lado para se dedicar a um tipo de música de mais fácil digestão (para não dizer “comercial”).

O pontapé inicial de “Songs from November” é “Whatever Days”, uma daquelas música pop com uma melodia bem animada – e um belo solo de saxofone, cortesia de Jim Hoke – e que já dá vontade de escutar o resto do álbum, sendo uma música daquelas bem pra cima, uma excelente escolha para se iniciar um trabalho desse estilo.

“Heaven Smiled” já dá uma guinada na direção oposta, trazendo uma melodia mais calma e um coral gospel que combina com a temática da mesma; uma batida pop – meio clichê, é verdade – dá o tom de “Flowers in a Vase”, que traz um refrão excelente, ainda que intimista. Daí até a também animada – e que retoma o clima da primeira faixa do álbum – “The Way of Love” – o CD não tem muitas variações, o que é, em essência, o propósito da maioria dos álbuns do estilo. Vale destacar também as baladas “Tell me Annabelle” e “Daddy’s Daughter”, essa uma bela homenagem de Morse para sua filha.

Com um total de 11 faixas, “Songs from November” é um álbum que sai um pouco do padrão do que Neal Morse tem feito ultimamente, mas, como dito acima, não pode ser considerada uma obra menor na carreira do músico. Muito antes pelo contrário, é daqueles álbuns deliciosos de se ouvir, especialmente quando se quer escutar algo mais calmo.

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