Mês: Setembro 2014

Republica – Point of No Return

Formada em 1991, a banda paulista Republica já tem uma boa história dentro do metal nacional, tendo participado de festivais importantes como o Planeta Atlântica, o Festival de Verão de Salvador, o Planeta Terra e o Rock in Rio, tocando no palco Sunset, em 2013. Ao longo desse trajeto, o grupo lançou três álbuns: “Republica”, de 1996, “There’s no Fucking Electronic Loop”, de 2008 e esse Point of No Return, no final do ano passado e que se revela o melhor que a banda apresentou até agora.

Com dez faixas, “Point of No Return” é um belo trabalho do quinteto formado por Leo Belling (vocal), Luiz Fernando Vieira e Jorge Marinhas (guitarras), Marco Vieira (baixo) e Gabriel Triani (bateria) e traz um heavy metal clássico que, em alguns momentos, lembra o que bandas como o Chrome Division vem fazendo. Ao contrário de muitas bandas brasileiras, que investem na fórmula heavy metal + ritmos regionais consagrada pelo Angra, o Republica se aventura pela vertente mais clássica do gênero, por assim dizer.

Falando do álbum em si, “Point of no Return” é um trabalho sólido, que alterna faixas mais pesadas e diretas (“Time to Pay”, que abre a bolacha”), com outras mais climáticas (“Life Goes On”) sem perder a qualidade. O trabalho é tão bom e uniforme – no sentido positivo da palavra – que é difícil eleger destaques individuais. Se tivesse que fazê-lo, no entanto, além das acima citadas, merecem menções “Change My Way”, “Goodbye Asshole”, que conta com a participação especial do guitarrista Roy Z (que trabalhou por um bom tempo ao lado de Bruce Dickinson em seus álbuns solo) e a pesada “Fuck Liars”, a melhor do álbum.

Em termos de performances individuais, o destaque vai para o vocalista Leo Belling, com um vocal agressivo que lembra, em muitos momentos, o trabalho de Matt Barlow (ex-Iced Earth, atual Ashes of Ares), que é uma das grandes referências do gênero. A balada “No Mercy” mostra que Leo também consegue apresentar linhas vocais mais contidas quando necessário, o que mostra sua versatilidade.

Com uma banda entrosada, belos riffs de guitarra, um vocalista competente, uma cozinha que segura muito bem a onda e músicas muito bem compostas – espere encontrar diversas delas com refrões tipicamente grudentos – o Republica gravou um daqueles álbuns que tem tudo para figurar na lista de “melhores do ano” de muita gente, ainda que sua data oficial de lançamento seja 2013. Valeu muito a pena dar uma chance aos caras.

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Neal Morse – Songs from November

Neal Morse é um dos mais respeitados e prolíficos músicos do cenário do rock progressivo da atualidade. Membro fundador do Spock’s Beard e do Transatlantic (nessa última, ao lado do baterista Mike Portnoy, ex-Dream Theater), Morse construiu uma bela carreira dentro do estilo, até que, em 2002, convertido ao cristianismo, decidiu deixar de lado por um tempo a música secular e seguir em carreira solo, tocando prioritariamente música cristã.

Desde então, Morse tem dividido sua carreira em duas: por um lado se dedica aos álbuns solos, sejam eles do gênero progressivo, sejam eles mais voltados à música pop, todos com uma forte temática cristã; por outro, ainda se dedica à música secular tanto ao lado do Transatlantic quanto do Flying Colors, outra banda na qual divide o palco com Portnoy. “Songs from November”, seu mais recente álbum solo, caminha pela segunda linha, ou seja, faz parte de seu catálogo pop – ainda que tenha ecos de rock progressivo aqui e ali – mas, nem por isso, é uma peça menor na discografia do tecladista/guitarrista/vocalista. Muito antes pelo contrário, “Songs from November” mostra que, além de um tremendo virtuoso, Morse é bastante versátil e sabe deixar toda a técnica elaborada que permeia todos os seus trabalhos de lado para se dedicar a um tipo de música de mais fácil digestão (para não dizer “comercial”).

O pontapé inicial de “Songs from November” é “Whatever Days”, uma daquelas música pop com uma melodia bem animada – e um belo solo de saxofone, cortesia de Jim Hoke – e que já dá vontade de escutar o resto do álbum, sendo uma música daquelas bem pra cima, uma excelente escolha para se iniciar um trabalho desse estilo.

“Heaven Smiled” já dá uma guinada na direção oposta, trazendo uma melodia mais calma e um coral gospel que combina com a temática da mesma; uma batida pop – meio clichê, é verdade – dá o tom de “Flowers in a Vase”, que traz um refrão excelente, ainda que intimista. Daí até a também animada – e que retoma o clima da primeira faixa do álbum – “The Way of Love” – o CD não tem muitas variações, o que é, em essência, o propósito da maioria dos álbuns do estilo. Vale destacar também as baladas “Tell me Annabelle” e “Daddy’s Daughter”, essa uma bela homenagem de Morse para sua filha.

Com um total de 11 faixas, “Songs from November” é um álbum que sai um pouco do padrão do que Neal Morse tem feito ultimamente, mas, como dito acima, não pode ser considerada uma obra menor na carreira do músico. Muito antes pelo contrário, é daqueles álbuns deliciosos de se ouvir, especialmente quando se quer escutar algo mais calmo.