Opeth – Pale Communion

O Opeth deve ser um dos grupos mais ousados do rock atual. A banda surgiu no começo dos anos 1990 na Suécia e, após diversas mudanças de formação, já capitaneada pelo vocalista/guitarrista Mikael Åkerfeldt, teve seu primeiro álbum, “Orchid” lançado em 1995. Ao longo daquela década e dos primeiros 10 anos do século XXI, o Opeth se tornaria uma das bandas mais respeitadas do cenário, graças à combinação única das influências de heavy metal, death metal e rock progressivo em sua música. Em seus primeiros álbuns o trabalho da banda se caracterizava por longas músicas onde as “viagens” do rock progressivo se casavam de maneira harmoniosa com a “pancadaria” do heavy metal e os vocais grunhidos/gritados característicos do death metal.

Uma das coisas que faz o Opeth ser classificado como um grupo ousado é o fato de Åkerfeldt não se preocupar em agradar à sua audiência e, assim, não se restringir em adicionar elementos que possam soar estranhos ou mesmo alienar os fãs mais antigos de seus trabalhos. As provas disso são seus dois últimos álbums, “Heritage” (2011) e esse “Pale Communion” que parecem qualquer coisa, menos um trabalho do Opeth.

Em “Pale Communion” Mikael Åkerfeldt parece ter cortado – mesmo que, esperamos, temporariamente – de maneira ainda mais radical todos os laços que manteve até o consagrado álbum “Watershed” (2008) com o passado do Opeth, trilhando um caminho que começara a ser pavimentado com o supracitado “Heritage”, de tal forma que, tivesse ele lançado esse trabalho como uma iniciativa solo ou sob outro nome, as pessoas jamais o ligariam com sua banda principal. O que se ouve em “Pale Communion” não é um álbum do “death/progressive metal” que um fã do Opeth esperaria. Não, esqueça isso. O que se tem aqui é um álbum de rock progressivo, com raízes puramente fincadas nos anos de 1970, ainda que elementos modernos aqui e ali o denunciem como um produto contemporâneo.

Com oito faixas e apenas uma – “Moon Above, Sun Below” – ultrapassando a marca dos 10 minutos (outra característica da banda), “Pale Communion” começa com “Eternal Rains Will Come” e ela já dá uma ideia do que o ouvinte pode esperar: longas passagens instrumentais levadas com bastante competência por Fredrik Åkesson (guitarra), Martín Méndez (baixo), Joakim Svalberg (teclados) e Martin “Axe” Axenrot (bateria), mudanças de andamento e clima e os vocais ora limpos, ora dobrados – mas nunca guturais – de Åkerfeldt. Ou seja, tudo aquilo que um fã do rock progressivo, especialmente dos anos 1970, poderia esperar de um bom álbum do gênero. E, mesmo saindo de sua área de especialidade, impressiona o resultado obtido pelo Opeth com esse álbum.

“Pale Communion” é representa um belo risco para o Opeth. Afinal, ao se livrar de algumas das principais características de sua música, a banda flerta com a possibilidade de perder parte de sua audiência – especialmente aquela que foi atraída pelo seu trabalho justamente por causa da sonoridade death metal inicial – em prol de continuar sendo um dos nomes mais criativos e imprevisíveis do cenário atual. Para onde isso os levará, só o tempo vai dizer.

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