Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos Inúteis – Trazendo Luzes Eternas

Formada nos idos de 1994 em Recife, o Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos Inúteis (ao qual, daqui em diante, me referirei apenas como Jorge Cabeleira) obteve um certo sucesso naquela década, especialmente graças ao seu primeiro álbum, homônimo, que trazia participação de Zé Ramalho em uma faixa (“Os Segredos de Sumé”) e à releitura de “Cheiro de Carolina” (ou, simplesmente, “Carolina”), de Alceu Valença, que ganhou uma roupagem mais rock and roll e chegou a ter seu clipe veiculado na MTV em uma época em que a emissora ainda era relevante.

Adepto do mesmo movimento manguebeat que revelou para o Brasil a Nação Zumbi, na época ainda capitaneada pelo saudoso Chico Science, o som do Jorge Cabeleira se caracteriza por uma mistura de rock and roll e blues aos ritmos típicos da capital pernambucana, especialmente o forró e o baião, com letras que exploram bastante os temas locais.

Em 2001, a banda lançou “Alugam-se Asas para o Carnaval”, mas a década não se mostrou tão receptiva à salada musical do grupo como a anterior e, pouco depois, o Jorge Cabeleira se dispersou, com seus membros indo explorar novos horizontes. Em 2012 a banda resolveu se reunir, preparando-se para o aniversário de 20 anos que traria um novo álbum…. Mais ou menos. “Trazendo Luzes Eternas” é uma coletânea com vinte músicas, sendo duas inéditas e as demais um apanhado do que o grupo fez de melhor em seus dois primeiros álbuns.

“Trazendo Luzes Eternas” é excelente. O álbum apresenta um material que resistiu ao tempo e se mostra bastante relevante, ainda que letras e composições já tenham uma certa idade. Músicas como “Canudos”, “Psicobaião”, “O Dia em que Conceição Subiu a Serra”, “Nervoso na Beira do Mar”, “Silepse”, “Jabatá e o Diabo”, “A História de Zé Pedrinho” e “12 Badaladas”, só para citar algumas, são provas cabais do talento da banda, que consegue alcançar um resultado harmonioso ainda que misturando ritmos tão distintos como o forró e o rock. É o tipo de material que todos aqueles que dizem que não há bandas relevantes no rock nacional, que cantem em português e sejam criativas, deveriam escutar. Destaque positivo também para as letras, que refletem diversos temas caros ao nordestino.

E o mais legal de tudo isso é que a banda disponibilizou a coletânea tanto para a venda através do iTunes quanto para download via Dropbox. O álbum físico pode ainda ser adquirido com a própria banda, através de sua página no Facebook.

Vale a pena dar uma conferida.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s