Mês: Junho 2014

Arch Enemy – War Eternal

Nova voz, mesma brutalidade

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 Em março de 2014, os fãs do dito metal extremo seriam pegos de surpresa com a notícia de que Angela Gossow, uma das mais respeitadas e admiradas vocalistas do gênero, estava deixando o Arch Enemy, banda à qual passou a integrar em 2000 e que ajudou a projetar. Afinal, Angela foi uma das pioneiras no estilo ao substituir os vocais gritados/guturais de Johan Liiva com maestria, tanto que é difícil para leigos acreditar que quem canta as músicas do Arch Enemy não é um homem.

Com Angela saindo dos holofotes após quatorze anos e indo atuar nos bastidores – ela continua como gerente da banda – Michael Amott (fundador, guitarrista, tecladista e principal compositor e letrista do Arch Enemy) não perdeu tempo e recrutou Alissa White-Gluz (até então responsável pelos vocais do The Agonist) para o posto. Como o álbum vindouro do Arch Enemy já estava em pré-produção quando da contratação de Alissa, não demorou muito para que ela se entrosasse com os demais membros da banda – o guitarrista Nick Cordle, o baixista Sharlee D’Angelo e o baterista Daniel Erlandsson – e o grupo liberasse seu 10º trabalho de estúdio no mercado. E, sinceramente? Nem parece que houve mudanças na banda, tamanha a consistência e qualidade de “War Eternal”.

O que se ouve em “War Eternal” é aquilo que todo fã do subgênero conhecido como technical death metal poderia querer. Um instrumental intenso e, como o próprio nome do gênero diz, técnico (é absurda a qualidade da dupla Amott/Cordle) e transbordando energia. Até mesmo os refrões grudentos, uma característica mais tipicamente associada com outros gêneros de heavy metal/rock ‘n roll, marcam presença.

“War Eternal” é praticamente porrada atrás de porrada. Apesar de começar com uma introdução que pode dar uma falsa impressão, “Tempore Nihil Sanat (Prelude in F minor)”, assim que se ouvem os primeiros acordes de “Never Forgive, Never Forgot”, as características descritas no parágrafo anterior predominam em 10 das 12 faixas restantes. Há uma desacelerada na curta instrumental “Graveyard of Dreams” (sétima música do álbum) para que o pescoço do ouvinte não se quebre do constante bater de cabeça, mas o ritmo é retomado em “Stolen Life” e mantém-se assim até a derradeira “Not Long For This World”, outra faixa instrumental que pisa um pouco no freio.

Como já dito várias vezes por aqui, há álbuns que são tão homogêneos e tão precisos no que se propõe que é difícil eleger destaques individuais. Isso acontece aqui. “War Eternal” é um trabalho onde a banda parece ter decidido que os fãs precisavam se certificar de que a saída de Angela não seria uma perda, apenas uma mudança. Isso deve ter estimulado a criatividade da banda, que ganhou bastante com a adição de Alissa, uma vocalista mais versátil do que a antecessora. Mesmo sendo bastante difícil, faixas como aquela que dá título ao álbum, “Never Forgive, Never Forgot”, “No More Regrets”, “You Will Know My Name” e “Down to Nothing” dão uma ideia geral do que pode se esperar do álbum. O clipe de “You Will Know My Name”, inclusive, você pode conferir aqui, caso esteja com preguiça de procurar por amostras do álbum no Youtube 🙂

 Estamos em junho apenas, mas “War Eternal” já entra na lista de destaques do ano, figurando bem perto do topo.

 

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Noturnall – Noturnall

Banda já nasce com porte de gigante

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Contando com Thiago Bianchi nos vocais, Léo Mancini na guitarra, Fernando Quesada no baixo e Junior Carelli no teclado, o Noturnall é, basicamente, a nova formação do Shaman – grupo fundado por André Matos (vocal), Hugo Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori ( bateria), todos egressos do Angra e, à exceção do baterista, não mais na banda – com Aquiles Priester (ex-Angra, Hangar), nas baquetas. O disco de estréia da banda, “Noturnall”, foi lançado em fevereiro e tem alcançado uma merecida repercussão, superando as expectativas até mesmo daqueles que já conheciam o trabalho dos músicos em suas supracitadas bandas.

Com 10 faixas e contando com a participação de Russel Allen (vocalista do Symphony X e do Adrenaline Mob) em “Nocturnal Human Side”, o álbum acerta em praticamente tudo o que se propõe e é um belo trabalho. Bastante homogêneo e com uma produção limpa, “Noturnall” mostra uma banda bastante entrosada, o que já era de se esperar, já que são caras que – à exceção de Aquiles – trabalham bastante tempo junto.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção em Noturnall é que, mesmo sendo composta por membros do Shaman, a banda não soa como eles. Aquele heavy metal “viajado”, meio “místico”, é deixado de lado aqui. O Noturnall optou por um som mais direto, sem abusar – mas tampouco sem abrir mão – da virtuose característica do estilo. Estão lá os riffs pesados, os solos, a cozinha competente (chamar Aquiles de “excelente” é chover no molhado), o teclado entrando nos momentos certos e, claro, os refrões grudentos que não podem fazer falta ao estilo. É legal também destacar o trabalho de Thiago, que segurou bem a onda e consegue transitar de vocais mais rasgados para tons mais agudos de maneira bastante fluída.

Como dito acima, “Noturnall” é bastante homogêneo, de forma a ficar difícil apontar destaques individuais. No entanto, faixas como “No Turn at All”, que abre o disco, “Zombies”, a quase glam metal “Sugar Pill”, a balada “Last Wish” e a pesada “Hate”, além da supracitada “Nocturnal Human Side” são músicas que se destacam no álbum.

O Noturnall é uma banda iniciante que já começa grande. Esperemos que continue assim em seus futuros lançamentos. O começo, como visto, é bastante promissor.

Edguy – Space Police – Defenders of the Crown

Divertido do começo ao fim

ImagemQualquer semelhança com “Blackout” não é mera coincidência.

O Edguy é uma das bandas mais fanfarronas – no melhor sentido do termo – do heavy metal atual, se não for “A” mais fanfarrona. O que Tobias Sammet (vocalista, tecladista e mente criativa por trás da banda), Jens Ludwig (guitarra), Dirk Sauer (guitarra), Tobias Exxel (baixo) e Felix Bohnke (bateria) aparentemente mais querem da vida é se divertir fazendo música e não tem nenhuma vergonha em deixar isso claro em cada um de seus lançamentos. Depois de começar como uma banda de Power metal tipicamente alemã com o álbum “Kingdom of Madness” em 1997, o Edguy passou por grandes mudanças (ainda que não estruturais) e hoje faz um heavy metal competente, mas que bebe bastante da influência do dito glam metal e do hard rock popularizado na década de 1980.

“Space Police – Defenders of the Crown” é o décimo trabalho em estúdio dos caras e é simplesmente um álbum delicioso de se ouvir. Sério, tente escutar “Love Tyger” e não abrir um sorriso de orelha a orelha (isso, claro, se você não estiver morto por dentro ou for um daqueles “trüe metalheads” que não sorriem nunca :-)) ou não entoar o refrão de “Sabre & Torch” faixa que abre os trabalhos, após escutá-la logo na primeira vez. E o que dizer do inusitado cover de “Rock Me Amadeus” do cantor australiano Falco?

Com doze faixas, que incluem as duas que dão título à bolachinha, “Space Police – Defenders of the Crown” é daqueles álbuns que não tem uma música sequer daquelas que você sente claramente que era sobra de estúdio e foi colocada ali só pra encher linguiça. É tudo muito bem equilibrado, variando músicas mais levadas pro heavy com outras com uma pegada predominantemente hard rock sem deixar de lado as características tipicamente edguynianas (se é que esse termo existe). Estão presentes os refrões grudentos, os agudos de Sammet, os solos bem encaixados de Ludwig, as baladas (com “Alone in Myself”) e mesmo as letras ora épicas (“Defenders of the Crown”, “The Realms of Baba Yaga”), ora escrachadas (“Love Tyger”, “Do Me Like a Caveman”). Há até mesmo uma homenagem ao Iron Maiden na semi-balada “England”, na qual Sammet declara que a Terra da Rainha é o melhor país do mundo simplesmente pelo fato de Steve Harris (baixista e principal letrista/compositor do Iron Maiden) ter nascido lá. Não tem como não simpatizar com algo assim – salvo, claro, se você for um dos “tr00 metalheads” citados acima. Se bem que, nesse caso, duvido que tenha chegado até esse ponto do texto :-).

Depois de dois álbuns recebidos de maneira relativamente morna pela crítica e público (“Tinnitus Sanctus” e “Age of the Joker”), o Edguy acerta o alvo novamente, talvez se aproveitando do fato de Tobias Sammet ter resolvido se dedicar inteiramente à sua banda principal nos últimos meses, após colocar seu projeto paralelo, o Avantasia, ao qual ele estava se dedicando bastante recentemente, em um hiato.

Não há muito mais o que dizer, exceto que “Space Police – Defenders of the Crown” já entra para a lista de concorrentes de melhor álbum do ano. O mais divertido, provavelmente, ele já é.