Dia: 27/03/2014

Ayreon – The Theory of Everything

42!

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O holandês Arjen Anthony Lucassen é daquelas figuras celebradas dentro do cenário do metal e do rock progressivo graças à dedicação que emprega em cada um de seus projetos, sempre com objetivos ambiciosos e resultados, na maioria das vezes, satisfatórios. Músico inquieto, multi-instrumentista (tecladista habilidoso que também se dedica à instrumentos de corda), Arjen tem o costume de bolar rock óperas complexas quando trabalha em seu projeto principal, o Ayreon.

Um dos principais motivos do renome do Ayreon no cenário ao qual se encaixa é o fato de Arjen sempre se rodear de grandes nomes do heavy metal atual para dar vida aos personagens que cria para suas histórias, além do fato de investir em músicas grandiosas, apoiadas por letras e tramas interessantes. Todos os fatores acima estão presentes em “The Theory of Everything”, seu último trabalho, que se consiste em uma história única dividida em quatro faixas contidas em um álbum duplo. Cada uma dessas faixas é subdividida em pedaços menores, de forma que, em teoria, “The Theory of Everything” tem um total de 42 músicas. E, não, a referência à “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams não é coincidência.

Como dito acima, “The Theory of Everything” é um álbum conceitual. Ao contrário dos primeiros álbuns do Ayreon, no entanto, a temática futurista e espacial foi substituída por algo mais pé no chão, ainda que os personagens sejam nomeados de acordo com o papel exercido nela, ao invés de serem propriamente batizados. De qualquer forma, aqui acompanhamos a história de um aluno brilhante (O Prodígio, interpretado por Tommy Karevik, do Kamelot), cujo elevado Q.I. atrai não só a admiração d’O Professor (JB, do Grand Magnus) mas também a inveja d’O Rival (Marco Hietala, do Nightwish), que se considera um gênio superior a’O Prodígio. Ambos disputam também a atenção pelo afeto d’A Garota (Sara Squadrani, Ancient Bards). A exemplo do gênio matemático de “Uma Mente Brilhante”, O Prodígio também apresenta grandes dificuldades de se adaptar ao mundo, e isso faz com que seus pais (interpretados, respectivamente por Michael Mills do Toehider e Cristina Scabbia, do Lacuna Coil) resolvam levá-lo a’O Psiquiatra (John Wetton, vocalista do Asia) para ajudá-lo com suas dificuldades, nem mesmo que isso signifique usá-lo como uma cobaia para uma droga que este vem desenvolvendo. ‘Tá, parece sinopse de filme da “Sessão da Tarde”, mas pode ter certeza que toda a trama é bem amarrada.

Se os vocais trazem grandes convidados, na parte instrumental a coisa caminha da mesma forma. Arjen cuida dos teclados principais, guitarra, mandolin e baixo, tendo seu parceiro de crime de longa data, Ed Warby, nas baquetas. Além da dupla, “The Theory of Everything” tem Troy Donockley (Nightwish), tocando flauta e apitos, Ben Mathot no violino, Maaike Peterse (Kingfisher Sky) no violoncello, Jeroen Goossens em uma diversidade de flautas, Siddharta Barnhoorn, cuidando das orquestrações e Michael Mills (Toehider) no bouzouki irlândes. Os grandes nomes, no entanto, fazem participações menores, ainda que significativas. Rick Wakeman (ex-Yes), Keith Emerson (ex-Emerson, Lake & Palmer) e Jordan Rudess (Dream Theater) contribuem com um solo de sintetizador cada um enquanto que Steve Hackett (ex-Genesis) dá um gostinho de sua guitarra em “The Parting”, quarta divisão da faixa de encerramento, “Phase IV: Unification”.

Com quatro músicas, ou “fases”, intituladas “Phase I: Singularity”, “Phase II: Symmetry”, “Phase III: Entanglement” e a supracitada “Phase IV: Unification”, “The Theory of Everything” é mais um bom álbum do Ayreon que, como a maioria de seus trabalhos anteriores, é extremamente recomendado para fãs e apreciadores de rock/metal progressivo em geral. Se não gosta de rock/metal elaborado, grandioso e, muitas vezes, esquisito, esse não é o tipo de álbum para você.

 

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