Sonata Arctica em Belo Horizonte

10 anos de espera compensados.

Nos idos de 2004, este que vos escreve estava fascinado pela cena heavy metal escandinava, especialmente devido ao trabalho de pioneiros como Stratovarius e Nightwish. Assim sendo, quando a notícia de que os finlandeses do Sonata Arctica desembarcariam na cidade naquele ano durante a turnê de divulgação de seu terceiro álbum, “Winterheart’s Guild”, nenhum tempo foi perdido no sentido de conhecer o trabalho da banda. Infelizmente, apesar da curiosidade satisfeita e do material apreciado, o show não aconteceu.

Dez anos depois da primeira tentativa, no entanto, o Sonata Arctica desembarcou por aqui para uma apresentação memorável que rolou ontem no Music Hall. “Nós finalmente estamos aqui”, inclusive, foi a frase que o carismático – pra um finlandês – vocalista Tony Kakko usou para saudar o entusiasmado público que ocupou bastante do espaço da casa de shows, em uma audiência estimada entre 800 e 900 pessoas. Pode parecer pouco, mas, em se tratando de Belo Horizonte e do público “metaleiro” da capital, que reclama quando produtores não trazem suas bandas favoritas à cidade e, quando isso acontece, preferem não comparecer aos eventos alegando desde ser um dia impróprio para shows (“é domingo/segunda/terça, acordo cedo no dia seguinte”), passando por “o ingresso está caro” até “nesse dia não dá, tem jogo do Cruzeiro/Galo”, somando isso ao fato do Sonata não ser pertencente à dita “elite do metal”, pode se comemorar que tanta gente tenha comparecido ao evento.

Divagações a parte, a noite começou com a apresentação dos mineiros do Thunderwrath. A banda de Sabará (MG), que ainda está trabalhando na gravação de seu primeiro álbum, ganhou o direito de abrir a noite através de uma votação feita na página da produtora do evento no Facebook. O quarteto pratica um power metal tradicional, com bastante energia e um bom nível de técnica, com destaque para o guitarrista Silas Rodrigues. Hector Clark, (vocal), Renato Arantes (baixo) e Karson Gutemberg (bateria), completam a formação da banda que apresentou um trabalho autoral decente e cumpriu com competência a tarefa de aquecer o público, que respondeu bem ao show especialmente quando a banda executou “Eagles Fly Free”, do Helloween e fechou sua apresentação com mix entre “Paranoid” e “Heaven and Hell”, do Black Sabbath.

Imagem Thunderwrath

Com o público já no clima e graças aos 10 anos de espera, o Sonata Arctica não demorou a subir ao palco ao som de “The Wolves Die Young”, primeiro single de “Pariah’s Child”, álbum mais recente da banda que será lançado no próximo dia 28 de março. Ela, de maneira até compreensível, foi a única música nova do Sonata (cuja formação se completa com o guitarrista Elias Viljanen, o baterista Tommy Portimo, o tecladista Henrik Klingenberg e o recém-contratado baixista Pasi Kauppinen) a ser executada na turnê, que também serve para comemorar seus 15 anos de atividade. Daí pra frente a noite foi recheada de clássicos, cobrindo toda sua carreira, indo desde o álbum de estréia, “Eclíptica”, de 1999, até “Stones Grow Her Name”, lançado em 2012.

O fato de ter bastante tempo de estrada é algo que se nota bem quando o Sonata Arctica está no palco. A banda tem uma boa presença ao vivo, incluindo o tecladista Henrik, que usa bastante um teclado guitarra de forma que possa se movimentar bastante pelo palco. Outro exemplo de como a experiência de estrada salta aos olhos se dá pela escolha das músicas a serem executadas no show, no qual a banda não só privilegiou um setlist variado, mas também soube dosá-lo bem, variando músicas mais agitadas com aquelas mais calmas. Um exemplo disso é a sucessão “Flag in the ground”, “Tallulah”, “Fullmoon” e “White Pearl, Black Oceans” onde se vê claramente essa disposição.

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Sonata Arctica

Devido ao setlist variado e à disposição do público com relação à banda, é difícil escolher os momentos mais marcantes da apresentação, já que praticamente todas as músicas foram cantadas em uníssono, em alguns momentos a audiência superando em volume a voz de Tony Kakko. O vocalista, inclusive mostrou um grande exemplo de profissionalismo, já que fora acometido por um mal estar horas antes da apresentação, mas não deixou com que isso afetasse seu desempenho em cima do palco. 

Foram praticamente duas horas de apresentação, encerrada com a divertida “Vodca” e que deixou quase todos os ali presentes satisfeitos. Claro que um ou outro reclamou da falta dessa ou daquela música no setlist – a principal delas, de acordo com algumas pessoas com quem conversei no local, sendo “San Sebastian”, do álbum “Silence” – mas nada que traga algum demérito ao evento que, do ponto de visa da esmagadora maioria dos que compareceram ao Music Hall, foi bastante satisfatório.

Valeu a espera.

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