Mês: Março 2014

Sinbreed – Shadows

Power metal de primeira qualidade

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O Sinbreed foi formado na Alemanha em 2005, tendo seu primeiro álbum, “When Worlds Collide”, em 2010, chamado uma certa atenção na mídia especializada especialmente pelo fato de ter, dentre seus membros, a presença do baterista Frederik Ehmke, na época já responsável pelas baquetas do Blind Guardian.

Pouco depois do lançamento de “When Worlds Collide” Marcus Siepen, guitarrista base do Blind Guardian e talvez um dos mais subestimados músicos do heavy metal atual, passou a fazer parte da banda, inicialmente como membro de estúdio apenas e, no fim de 2012, como parte integral do grupo. (O fato de o Blind Guardian lançar álbuns apenas a cada quatro anos dá bastante tempo livre para seus integrantes e me causa até espanto que eles não se envolvam em mais projetos paralelos.)

Com Marcus completando a banda – que já contava com o vocalista Herbie Langhans, o guitarrista/tecladista Flo Laurin e o baixista Alexander Schulz – o Sinbreed lançou no final de março seu segundo álbum, “Shadows” e pode-se dizer com segurança que a bolachinha é candidata fortíssima às listas de melhores lançamentos de 2014.

“Shadows” é quase tudo o que se espera de um álbum de Power metal, à exceção da (quase) indefectível introdução instrumental. Dando o pontapé inicial com “Bleed”, ele é, sem sombras de dúvidas, um esforço abençoado por Odin. O quarteto formado por “Bleed”, “Shadows”, “Call to Arms” e “Reborn” traz tudo o que de melhor se faz no Power metal atual. Riffs matadores, bateria marcante recheada de bumbos duplos, baixo discreto, solos virtuosos, mas sem exageros, um vocalista que consegue segurar bem a onda nos tons mais altos e, claro, os refrões grudentos que fazem a festa dos fãs do estilo e ficam sensacionais quando executados em um estádio.

Com um total de 10 faixas, “Shadows” não tem sequer um ponto fraco, nem uma música que soe como algo que seria deixado de lado, mas acabou entrando no álbum pra encher lingüiça. São 50 minutos do mais puro e empolgante Power metal que vai colocar um sorriso de orelha a orelha naqueles que tiverem a oportunidade de colocar as mãos no álbum.

Duvida? Então tenta escutar “Call to Arms” sem querer começar a cantar o refrão da mesma já na segunda vez em que ele aparece. 🙂

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Ayreon – The Theory of Everything

42!

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O holandês Arjen Anthony Lucassen é daquelas figuras celebradas dentro do cenário do metal e do rock progressivo graças à dedicação que emprega em cada um de seus projetos, sempre com objetivos ambiciosos e resultados, na maioria das vezes, satisfatórios. Músico inquieto, multi-instrumentista (tecladista habilidoso que também se dedica à instrumentos de corda), Arjen tem o costume de bolar rock óperas complexas quando trabalha em seu projeto principal, o Ayreon.

Um dos principais motivos do renome do Ayreon no cenário ao qual se encaixa é o fato de Arjen sempre se rodear de grandes nomes do heavy metal atual para dar vida aos personagens que cria para suas histórias, além do fato de investir em músicas grandiosas, apoiadas por letras e tramas interessantes. Todos os fatores acima estão presentes em “The Theory of Everything”, seu último trabalho, que se consiste em uma história única dividida em quatro faixas contidas em um álbum duplo. Cada uma dessas faixas é subdividida em pedaços menores, de forma que, em teoria, “The Theory of Everything” tem um total de 42 músicas. E, não, a referência à “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams não é coincidência.

Como dito acima, “The Theory of Everything” é um álbum conceitual. Ao contrário dos primeiros álbuns do Ayreon, no entanto, a temática futurista e espacial foi substituída por algo mais pé no chão, ainda que os personagens sejam nomeados de acordo com o papel exercido nela, ao invés de serem propriamente batizados. De qualquer forma, aqui acompanhamos a história de um aluno brilhante (O Prodígio, interpretado por Tommy Karevik, do Kamelot), cujo elevado Q.I. atrai não só a admiração d’O Professor (JB, do Grand Magnus) mas também a inveja d’O Rival (Marco Hietala, do Nightwish), que se considera um gênio superior a’O Prodígio. Ambos disputam também a atenção pelo afeto d’A Garota (Sara Squadrani, Ancient Bards). A exemplo do gênio matemático de “Uma Mente Brilhante”, O Prodígio também apresenta grandes dificuldades de se adaptar ao mundo, e isso faz com que seus pais (interpretados, respectivamente por Michael Mills do Toehider e Cristina Scabbia, do Lacuna Coil) resolvam levá-lo a’O Psiquiatra (John Wetton, vocalista do Asia) para ajudá-lo com suas dificuldades, nem mesmo que isso signifique usá-lo como uma cobaia para uma droga que este vem desenvolvendo. ‘Tá, parece sinopse de filme da “Sessão da Tarde”, mas pode ter certeza que toda a trama é bem amarrada.

Se os vocais trazem grandes convidados, na parte instrumental a coisa caminha da mesma forma. Arjen cuida dos teclados principais, guitarra, mandolin e baixo, tendo seu parceiro de crime de longa data, Ed Warby, nas baquetas. Além da dupla, “The Theory of Everything” tem Troy Donockley (Nightwish), tocando flauta e apitos, Ben Mathot no violino, Maaike Peterse (Kingfisher Sky) no violoncello, Jeroen Goossens em uma diversidade de flautas, Siddharta Barnhoorn, cuidando das orquestrações e Michael Mills (Toehider) no bouzouki irlândes. Os grandes nomes, no entanto, fazem participações menores, ainda que significativas. Rick Wakeman (ex-Yes), Keith Emerson (ex-Emerson, Lake & Palmer) e Jordan Rudess (Dream Theater) contribuem com um solo de sintetizador cada um enquanto que Steve Hackett (ex-Genesis) dá um gostinho de sua guitarra em “The Parting”, quarta divisão da faixa de encerramento, “Phase IV: Unification”.

Com quatro músicas, ou “fases”, intituladas “Phase I: Singularity”, “Phase II: Symmetry”, “Phase III: Entanglement” e a supracitada “Phase IV: Unification”, “The Theory of Everything” é mais um bom álbum do Ayreon que, como a maioria de seus trabalhos anteriores, é extremamente recomendado para fãs e apreciadores de rock/metal progressivo em geral. Se não gosta de rock/metal elaborado, grandioso e, muitas vezes, esquisito, esse não é o tipo de álbum para você.

 

Iron Savior – Rise of the Hero

Inovar pra quê?

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O Iron Savior foi fundado em 1996 quando o multi-instrumentista/vocalista Piet Sielck se juntou ao guitarrista/vocalista Kai Hansen (ex-Helloween, atual Gamma Ray e Unisonic) e ao baterista Thomas “Thomen” Stauch (ex-Blind Guardian, atual Savage Circus) para um novo projeto. Intitulado Iron Savior, a ideia era que o trio criasse Power metal tradicional com temática futurista naqueles períodos em que as bandas principais de Kai e Thomas estivessem paradas. O nome da banda, inclusive, seria o mesmo da nave sentiente que estrela as músicas de seus primeiros álbuns e que tem uma relação com a cidade perdida de Atlantis. Ou seja, algo um tanto quanto diferente da temática usual do Power metal, mais focado em histórias que envolvam fantasia medieval.

De qualquer forma, logo Thomas (em 1998) e Kai (em 2001) abandonaram a nave – pra continuar no tema da ficção científica – e o que era um projeto paralelo, especialmente de Kai, se tornou uma “banda de verdade”, com Piet assumindo a guitarra principal e 100% dos vocais. De 1996 para cá, a banda manteve-se fiel às suas raízes, sempre investindo em um Power Metal tradicionalmente alemão, sem se preocupar em inovar ou trazer novos elementos à sua sonoridade que é meio que um híbrido entre o Accept e o Helloween.

“Rise of the Hero” é o oitavo álbum do Iron Savior e traz mais do mesmo. Fica até difícil encontrar palavras para descrevê-lo sem repetir o que já foi dito aqui mesmo em diversas resenhas de álbuns de Power metal. Estão lá as guitarras velozes e virtuosas (mas não muito), a bateria precisa, o baixo discreto, os refrões grandiosos e grudentos… Tudo como sempre. Até as letras são clichezentas e não posso dizer que isso seja um demérito. Para bandas como o Iron Savior, o ditado que diz que “em time que está ganhando não se mexe” é bastante verdadeiro. Isso, claro, no que diz respeito à sua temática e sonoridade, já que a formação da banda mudou tanto ao longo de sua história que apenas Piet permanece como remanescente do grupo original. Atualmente o Iron Savior é composto por, além de Piet, Joachim “Piesel” Küstner (guitarra), Jan-Sören Eckert (baixo) e Thomas Nack (bateria).

Com músicas pesadas e melodiosas, nas quais se destacam o quarteto inicial formado por “Last Hero”, “Revenge of the Bride” (uma homenagem à noiva do Kill Bill de Tarantino), “From Far Beyond Time” e “Burning Heart” e aquela que fecha o álbum, “Fistraiser”, que é a típica música prestando homenagem ao Heavy metal e aos seus seguidores, o único ponto fora da curva nesse “Rise of the Hero” é “Dance with Somebody”, cover para um sucesso – na Escandinávia – da banda sueca Mando Diao. Eu, particularmente, até gostei da música, mas, nota-se que ela, obviamente, nunca poderia ter sido um produto de Piet & Cia.

No fim das contas, seria injusto dizer que esse “Rise of a Hero” é um álbum genérico. Tem seus bons momentos e algumas melodias com certeza vão grudar na cabeça do ouvinte por dias. Isso, no entanto, nada mais é do que uma característica típica do gênero. Poderia se dizer, portanto, que “Rise of a Hero” é recomendado apenas para fãs de Power metal e Metal alemão em geral.

 

Behemoth – The Satanist

Trio polonês volta à ativa

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O Behemoth surgiu na Polônia no começo dos anos 1990 e foi uma das principais bandas a ajudar a estabelecer o cenário do metal extremo em seu país de origem. Caminhando paralelamente ao movimento do Black metal iniciado – ou “mais bem difundido”, como queira – na Noruega naquela época, o trio logo chamou a atenção de crítica e fãs fazendo um Death metal bem agressivo com letras geralmente voltadas à temática pagã. Ao final daquela década, com o lançamento de seu quarto álbum, “Satanica”, o Behemoth assumiu com mais proeminência um lugar dentro do cenário do Black metal, dada a mudança na temática de suas letras.

Depois de cinco anos de hiato, muito devido ao fato do guitarrista/vocalista Nergal (Adam Darski) ter lutado uma batalha complicada contra uma leucemia avançada, o Behemoth volta ao mercado com seu décimo álbum de estúdio, “The Satanist” e mostra que a banda (cuja formação se completa com o baixista Tomasz “Orion” Wróblewski e o baterista Zbigniew “Inferno” Promiński) continua relevante no cenário.

“The Satanist” é meio que uma prova de fogo para Nergal. Sem querer entrar no discurso melodramático de que esse álbum seria uma resposta do vocalista a todos aqueles que duvidavam de sua plena recuperação – sem contar aqueles que torciam para que ele encontrasse a Dona Morte, já que o sujeito se declara abertamente satanista convicto (ou seja, é contra todo tipo de religião organizada) e chegou a enfrentar um processo legal na Polônia após ter rasgado uma bíblia em cima do palco – o fato é que os vocais de Nergal estão melhores aqui do que em muito tempo. A energia que ele coloca em seus gritos e grunhidos é quase inédita em toda a carreira da banda. Basta escutar a faixa de abertura do álbum, “Blow your Trumpets Gabriel”, para o ouvinte já ter uma ideia do que lhe aguarda ao longo dos 44 minutos da bolachinha. Interessantemente, por mais furiosa que esteja a voz de Nergal aqui, seus gritos e grunhidos não são totalmente ininteligíveis e em diversos momentos é possível se distinguir muito claramente o que ele está cantando sem a necessidade de ter as letras das músicas à mão, desde que se tenha um ouvido treinado para tal.

Instrumentalmente, o Behemoth continua o mesmo de sempre. Nergal encaixa alguns solos interessantes aqui e ali – especialmente em “O Father O Satan O Sun!”, que fecha o álbum – e há até um saxofone em “In the Absence Ov Light”, o que não deixa de ser inusitado em se tratando de um álbum de metal extremo. “Amen” e “Ora Pro Nobis Lucifer” são outros bons destaques desse “The Satanist”.

Independentemente se pertencente ao cenário do Death ou do Black, fato é que o Behemoth tem lançado álbum consistente atrás de álbum consistente, justificando o papel de destaque atribuído ao grupo tanto por crítica quanto por fãs. “The Satanist” é apenas mais um registro da competência desse trio polonês. 

 

  

Sonata Arctica em Belo Horizonte

10 anos de espera compensados.

Nos idos de 2004, este que vos escreve estava fascinado pela cena heavy metal escandinava, especialmente devido ao trabalho de pioneiros como Stratovarius e Nightwish. Assim sendo, quando a notícia de que os finlandeses do Sonata Arctica desembarcariam na cidade naquele ano durante a turnê de divulgação de seu terceiro álbum, “Winterheart’s Guild”, nenhum tempo foi perdido no sentido de conhecer o trabalho da banda. Infelizmente, apesar da curiosidade satisfeita e do material apreciado, o show não aconteceu.

Dez anos depois da primeira tentativa, no entanto, o Sonata Arctica desembarcou por aqui para uma apresentação memorável que rolou ontem no Music Hall. “Nós finalmente estamos aqui”, inclusive, foi a frase que o carismático – pra um finlandês – vocalista Tony Kakko usou para saudar o entusiasmado público que ocupou bastante do espaço da casa de shows, em uma audiência estimada entre 800 e 900 pessoas. Pode parecer pouco, mas, em se tratando de Belo Horizonte e do público “metaleiro” da capital, que reclama quando produtores não trazem suas bandas favoritas à cidade e, quando isso acontece, preferem não comparecer aos eventos alegando desde ser um dia impróprio para shows (“é domingo/segunda/terça, acordo cedo no dia seguinte”), passando por “o ingresso está caro” até “nesse dia não dá, tem jogo do Cruzeiro/Galo”, somando isso ao fato do Sonata não ser pertencente à dita “elite do metal”, pode se comemorar que tanta gente tenha comparecido ao evento.

Divagações a parte, a noite começou com a apresentação dos mineiros do Thunderwrath. A banda de Sabará (MG), que ainda está trabalhando na gravação de seu primeiro álbum, ganhou o direito de abrir a noite através de uma votação feita na página da produtora do evento no Facebook. O quarteto pratica um power metal tradicional, com bastante energia e um bom nível de técnica, com destaque para o guitarrista Silas Rodrigues. Hector Clark, (vocal), Renato Arantes (baixo) e Karson Gutemberg (bateria), completam a formação da banda que apresentou um trabalho autoral decente e cumpriu com competência a tarefa de aquecer o público, que respondeu bem ao show especialmente quando a banda executou “Eagles Fly Free”, do Helloween e fechou sua apresentação com mix entre “Paranoid” e “Heaven and Hell”, do Black Sabbath.

Imagem Thunderwrath

Com o público já no clima e graças aos 10 anos de espera, o Sonata Arctica não demorou a subir ao palco ao som de “The Wolves Die Young”, primeiro single de “Pariah’s Child”, álbum mais recente da banda que será lançado no próximo dia 28 de março. Ela, de maneira até compreensível, foi a única música nova do Sonata (cuja formação se completa com o guitarrista Elias Viljanen, o baterista Tommy Portimo, o tecladista Henrik Klingenberg e o recém-contratado baixista Pasi Kauppinen) a ser executada na turnê, que também serve para comemorar seus 15 anos de atividade. Daí pra frente a noite foi recheada de clássicos, cobrindo toda sua carreira, indo desde o álbum de estréia, “Eclíptica”, de 1999, até “Stones Grow Her Name”, lançado em 2012.

O fato de ter bastante tempo de estrada é algo que se nota bem quando o Sonata Arctica está no palco. A banda tem uma boa presença ao vivo, incluindo o tecladista Henrik, que usa bastante um teclado guitarra de forma que possa se movimentar bastante pelo palco. Outro exemplo de como a experiência de estrada salta aos olhos se dá pela escolha das músicas a serem executadas no show, no qual a banda não só privilegiou um setlist variado, mas também soube dosá-lo bem, variando músicas mais agitadas com aquelas mais calmas. Um exemplo disso é a sucessão “Flag in the ground”, “Tallulah”, “Fullmoon” e “White Pearl, Black Oceans” onde se vê claramente essa disposição.

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Sonata Arctica

Devido ao setlist variado e à disposição do público com relação à banda, é difícil escolher os momentos mais marcantes da apresentação, já que praticamente todas as músicas foram cantadas em uníssono, em alguns momentos a audiência superando em volume a voz de Tony Kakko. O vocalista, inclusive mostrou um grande exemplo de profissionalismo, já que fora acometido por um mal estar horas antes da apresentação, mas não deixou com que isso afetasse seu desempenho em cima do palco. 

Foram praticamente duas horas de apresentação, encerrada com a divertida “Vodca” e que deixou quase todos os ali presentes satisfeitos. Claro que um ou outro reclamou da falta dessa ou daquela música no setlist – a principal delas, de acordo com algumas pessoas com quem conversei no local, sendo “San Sebastian”, do álbum “Silence” – mas nada que traga algum demérito ao evento que, do ponto de visa da esmagadora maioria dos que compareceram ao Music Hall, foi bastante satisfatório.

Valeu a espera.

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Kappa Crucis – Rocks

Clima setentista total

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Formado em Apiaí, sul de São Paulo, nos anos 1990, o Kappa Crucis lançou seu primeiro álbum, “Jewel Box”, em 2009, mostrando que a sonoridade da banda seria extremamente calcada no rock and roll dos anos 1970, misturando com competência influências de progressivo, hard e stoner rock.

Cinco anos se passaram desde então e o quarteto formado por G. Fischer (guitarra, vocal), R. Tramontin (baixo), A. Stefanovitch (teclados) e F. Dória (bateria, vocal de harmonia) retorna ao mercado lançando “Rocks”, novamente de maneira independente e que, apesar de trazer uma pequena evolução na sonoridade do grupo, não diverge de seu antecessor.

A exemplo de “Jewel Box”, “Rocks” é totalmente calcado na sonoridade dos anos 1970, agregando aqui, aos elementos citados acima, uma boa dose do rock sulista com uma pitada do psicodelismo praticado por diversas bandas norte-americanas naquela década. Esse traço mais psicodélico, ainda que presente, se nota apenas aqui e ali, com a sonoridade do rock sulista e do stoner rock sendo proeminentes. A segunda faixa do álbum, “Mechatronic” é um exemplo onde todas essas influências se mesclam de maneira interessante.

Outro aspecto interessante de se notar ao longo de “Rocks” é que fica claro que os membros do Kappa Crucis não se mantém distantes do que acontece na indústria musical atual e também incorporam influências mais recentes à sua sonoridade. Ao longo de todo o álbum, especialmente em faixas como “Strange Souls” e “Flags and Lies” há momentos em que a influência dos suecos do Ghost é bastante sentida. E isso pode ser um ponto positivo para um reconhecimento maior da banda, haja vista a babação de ovo de grande parte da imprensa especializada em cima dos suecos.

Independente disso, “Rocks” é um álbum bastante homogêneo e sólido (piada proposital) e deve agradar bastante aos roqueiros mais nostálgicos que gostam desse tipo de proposta sonora.