Evertale – Of Dragons and Elves

Alemães fazem boa estréia, mas nada extraordinário.

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Um dos estilos mais recheados de clichês do heavy metal é power metal. Para aqueles não familiarizados com o mesmo, esse subgênero do heavy metal surgiu na Alemanha da década de 1980 e se apóia em pilares como guitarras rápidas e técnicas, bateria marcante e precisa com notáveis bumbos duplos, um vocalista que seja capaz de alcançar notas bem agudas, refrões grandiosos e, sempre que possível, a companhia de orquestrações. Outra característica que diferencia o power metal de seus semelhantes é a escolha da temática que, quase invariavelmente, gira em torno de histórias fantasiosas, geralmente envolvendo guerreiros medievais, templários e, mais comumente, dragões, elfos, orcs, hobbits e por aí vai. J. R. R. Tolkien costuma ser a principal inspiração para as letras de 90% das bandas de power metal que vemos por aí, daí muitos de seus detratores referirem-se ao gênero como nerd metal.

Nas últimas três décadas o power metal se expandiu e, por muito tempo, foi o subgênero mais popular do heavy metal, especialmente na Europa. Blind Guardian, Helloween, Gamma Ray, Manowar, Hammerfall e Rhapsody of Fire são apenas alguns exemplos de bandas dedicadas ao gênero. Desnecessário dizer que isso trouxe uma saturação ao mercado e uma homogenia ao cenário. Bastava uma banda novata lançar um álbum com temática power metal para críticos e público erguerem sobrancelhas e um “putz, outra cópia do (inserir o nome de sua banda de power metal favorita aqui)” ser dito.

E foi com essa reação acima que o debut do Evertale “Of Dragons and Elves” foi recebido pela maioria daqueles que tiveram a oportunidade de colocar suas mãos (ainda que apenas virtualmente, já que o álbum foi lançado de maneira independente) nele. Basta uma olhada para a capa do álbum acima para saber exatamente a que estilo de heavy metal ele pertence. Estão lá os dragões se digladiando no que parece ser uma cadeia montanhosa européia, montados por guerreiros carregando espada e lança, o nome da banda escrito como se gravado em ouro e o título que parece remeter a um apêndice escondido de “O Senhor dos Anéis” que Peter Jackson poderia usar pra encher linguiça no terceiro capítulo de seu “O Hobbit”.

Quando se passa pela capa e procuramos um pouco mais a respeito de “Of Dragons and Elves”, a coisa só se sedimenta. Trata-se de um álbum conceitual baseado no livro “Dragões da Noite de Inverno” e escrito pela dupla Margaret Weis e Tracy Hickman, segundo volume da trilogia Dragonlance. Mais clichê impossível. No entanto, se depois de tudo isso a pessoa decidir se arriscar e colocar o álbum pra tocar, perceberá que nem tudo que rodeia o Evertale é uma coleção de clichês.

Tudo bem que o álbum começa com a indefectível introdução instrumental. No entanto, quando o minuto e meio de “Paladine’s Embrace” dá lugar à primeira música efetiva do álbum “In the Sign of the Valiant Warrior”, o que se escuta é um power metal muito, mas muito bem feito. O que o quarteto formado por Matthias Graf (vocal, guitarra), Matthias “Woody” Holzapfel (guitarra), Marco Bächle (baixo) e Martin Schumacher (bateria) apresenta é um álbum de estréia bastante redondinho, com uma produção impecável e uma banda que parece ter anos de estrada dentro do cenário e não que está lançando seu primeiro álbum. “Evertale” tem 14 faixas que beiram os 80 minutos de duração no total e variam faixas épicas como “Tales of Everman” e “The Last Knight”, com outras mais contidas a exemplo da música título a qual alguns críticos – exageradamente – andam comparando a “The Bard’s Song”, do Blind Guardian. Já “Brothers in War (Forever Damned)” tem a participação especial de Ralph Scheepers, vocalista do Primal Fear.

A maioria dos críticos que escreveram sobre a estréia do Evertale o colocou entre os melhores álbuns lançados em 2013, ainda que fosse um lançamento tardio (o álbum foi lançado em 21 de dezembro). Particularmente creio que isso seja um exagero. É fato que o Evertale apesenta uma estréia muito acima do que se espera de uma banda iniciante e seu power metal traz elementos que o diferenciam da grande maioria de seus pares. No entanto, dizer que a banda pode ser colocada no mesmo patamar dos grandes do gênero é, na minha humilde opinião, colocar o carro na frente dos bois. Uma estréia acima da média não é, em si, suficiente para colocar uma banda no mesmo nível daquelas que lançam álbuns consistentes um atrás do outro em carreiras que duram décadas.

No fim das contas, “Of Dragons and Elves” vale muito a pena de ser ouvido pelos fãs do gênero pela sua excelência e o Evertale é aquele tipo de banda que, inicialmente, é interessante de se prestar atenção. Se essa excelência e todo o oba-oba em cima da banda se justificarão isso só o tempo vai dizer.

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2 comments

  1. Realmente não há como comparar uma banda iniciante com as veteranas, porém eles conseguiram trazer uma música acima da média. Não ou muito bom com o inglês, mas pelos refrões puder imaginar letras fortes. Minha curiosidade agora é por um segundo álbum para ter a certeza que não foi apenas sorte de principiantes. Se possível, poderias publicar a letra da música Of Dragons and Elves? Achei demais a música e queria me aprofundar mais na letra.

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