Epica – Retrospect

Banda comemora 10 anos de existência em grande estilo

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Com dez anos de estrada, cinco álbuns de estúdio e dois ao vivo na bagagem e consagrada como um dos maiores nomes do dito metal sinfônico (aquele subgênero de heavy metal que combina elementos de música clássica com o peso do metal) da atualidade, os holandeses do Epica resolveram celebrar a data em grande estilo em uma apresentação em Eindhoven, Holanda. O show, recheado de elementos grandiosos e convidados especiais, foi registrado em DVD duplo e CD triplo que chegaram recentemente ao mercado tupiniquim. E de cara já se pode afirmar que é um dos melhores trabalhos do gênero já registrados.

Uma das características do metal sinfônico, como dito acima, é a mescla de música clássica e elementos operísticos com guitarras distorcidas, vocais guturais e o pedal duplo da bateria, fatores tão queridos dos fãs do heavy metal. Desde o começo de sua carreira, o Epica se utilizou desses elementos, mesmo que não pudesse contar com uma orquestra inteira em estúdio. A primeira experiência da banda se apresentando com uma orquestra de verdade se deu em um show no famoso festival de Miskolc (Hungria), que rendeu o álbum “Classical Conspiracy”. Para esse “Retrospect” a banda não poupou despesas e trouxe ao palco a Extended Remenyi Ede Chamber Orchestra e o Choir of Miskolc National Theatre. Orquestra, coral e banda se mostraram tão entrosados que há a impressão de que sempre foram uma entidade só. Méritos não só para todos os envolvidos como também para o tecladista do Epica, Coen Janseen, responsável pela direção musical de todo o espetáculo.

Falando do show em si, ao longo de suas três horas Epica e orquestra e coral se esforçaram bastante para entregar uma performance impecável ao público presente e o fizeram com maestria. A apresentação começa com “Introspect”, música composta especialmente para a ocasião por Coen e executada somente por orquestra e coral. Quando a banda entra no palco, liderada pela vocalista Simone Simons e acompanhada dos guitarristas/vocalistas Mark Jansen e Isaac Delahaye, do baixista Rob van der Loo e do baterista Ariën van Weesenbeek, além do supracitado Coen, o jogo já está ganho e o que se vê é um desfile por toda a sua discografia.

Em um show de aproximadamente três horas há muito o que se cobrir, então, para que esse texto não se torne excessivamente elogioso e um tanto quanto longo além da conta, vou me restringir a alguns dos destaques do mesmo e dividi-los entre os aspectos musicais e técnicos da apresentação.

Um dos primeiros destaques de “Retrospect” aparece em “Chasing the Dragon”, na qual um par de acrobatas surge no palco, subindo e descendo ao longo de duas longas peças de tecido que estão presas no alto do palco e sincronizam seus movimentos com as variações da música, que começa como uma balada leve antes de descambar para um quase thrash metal de respeito, com os grunhidos de Mark dominando-a. Logo a seguir vemos um duelo muito legal de violino e guitarra quando um dos violinistas da orquestra se posiciona a frente do palco e se “digladia” com Isaac na versão do Epica para “Presto” de Vivaldi; não se passa muito e a primeira presença especial da noite aparece no palco, na figura da vocalista Floor Jansen (atualmente no Nightwish). Floor trabalhou com Mark no After Forever, banda hoje extinta, da qual ele saiu devido às famosas “diferenças criativas” para fundar o Epica. Floor e Simone dividem as vozes em “Stabrat Matter Dolorosa” do compositor clássico italiano Giovanni Battista Pergolesi. Floor voltaria à cena para dividir os vocais com Simone novamente mais à frente na apresentação em “Sancta Terra”.

Diferentemente de shows como o “S&M” do Metallica, onde a orquestra é apenas coadjuvante, aqui ela assume o papel principal em diversos momentos, como no segmento da apresentação intitulado simplesmente “Orchestral Medley”, no qual trechos das músicas “Feint”, “Fools of Damnation”, “Mother of Light”, “Kingdom of Heaven”, “Run for a Fall” e “Deep Water Horizon” adquirem uma roupagem clássica; “Retrospect”, faixa que dá nome ao lançamento é apresentada pela primeira vez aqui e, segundo Simone, fora composta especialmente para a ocasião; a orquestra voltaria a ficar no foco das atenções quando a banda se retira do palco para a execução de “Battle of Heroes”, mas volta quando o ritmo muda e todos se juntam para o clássico de John Williams “Imperial March” (ou “Darth Vader’s theme”, como queira).

“Quietus”, música do segundo álbum do Epica, “Consign to Oblivion”, traz mais surpresas, na medida em que Isaac, Rob e Ariën são substituídos, respectivamente por Ad Sluijter, Yves Huts e Jeroen Simons, membros fundadores do Epica e que saíram da banda em momentos diferentes de sua trajetória, mas, aparentemente, ainda mantém boas relações com os demais. “The Phantom Agony”, música que dá nome ao primeiro álbum do Epica fecha a primeira parte do show, dividindo opiniões, já que a banda optou por um arranjo quase “Techno” para seu refrão.

A segunda parte da apresentação começa com “Cry for the Moon”, outra faixa retirada do primeiro álbum da banda e termina com “Consign to Oblivion”, uma das mais pesadas músicas do Epica em uma apresentação, como dita acima, irrepreensível. É bem legal ver uma banda como o Epica se preocupar em usar realmente de todos os recursos a seu dispor e tratar orquestra e coral não como meros coadjuvantes contratados, mas quase como se fizessem parte do grupo e isso acaba contribuindo para que tudo funcione de maneira bastante harmoniosa.

Tecnicamente, a produção do material também ficou impecável. A produção é bem limpa e consegue-se ouvir claramente tanto os elementos da orquestra e coral quanto da banda nitidamente. Os efeitos pirotécnicos funcionam bem e, se há uma crítica a ser feita, é o fato da iluminação de palco causar uma certa estranheza em um primeiro momento. Parece que o Épica quis levar uma iluminação mais adequada a um estádio para um lugar fechado e há momentos em que a iluminação prejudica a visibilidade. Esse incômodo, no entanto, passa rapidamente.

Finalmente, além da apresentação acima explorada, o DVD de “Retrospect” traz como material de bônus cenas de bastidores do show e uma série de entrevistas com membros presentes e passados da banda discorrendo sobre suas trajetórias dentro e fora dela. Infelizmente, apesar de ter feito um trabalho excelente na embalagem do produto, a Hellion Records, responsável por distribuir o material em terras tupiniquins não se preocupou em providenciar legendas em português para esses bônus, o que deve frustrar aqueles que não são fluentes em inglês.

Independente disso, “Retrospect” é um excelente registro e é indispensável para os fãs do Epica. E também funciona muito bem como material de iniciação pra quem não conhece bem o trabalho da banda.     

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