Mês: Janeiro 2014

Iced Earth – Plagues of Babylon

Banda lança um bom álbum

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 A capa ficou meio tosquinha…

O Iced Earth – um dos favoritos da casa – passou por sete anos bastante conturbados entre 2004 e 2011 e isso refletiu em sua discografia, com a banda lançando dois álbuns (“Framing Armageddon: Something Wicked Part 1” e “The Crucible of Man: Something Wicked Part 2”) que, se não eram ruins, também não faziam juz à sua discografia. O fato do vocalista Matt Barlow ter abandonado a banda em 2003, retornado em 2008 e abandonado-a novamente em 2010 pode ter contribuído para essa instabilidade, já que ele era o único membro fixo do Iced Earth à exceção do fundador John Schaffer.

Em 2011, com a adição do vocalista Stu Block ao time, o Iced Earth parecia ter retomado o caminho que levou a banda ao seu status de “gigante do heavy metal norte-americano” com “Dystopia”, talvez seu melhor álbum desde o clássico “Something Wicked This Way Comes” de 1998. Um álbum ao vivo depois (“Live in Ancient Kourion”) e o Iced Earth lança no mercado “Plagues of Babylon”, um trabalho que, apesar de abaixo de seu antecessor, mostra que Schaffer & Cia ainda tem bastante lenha para queimar.

“Plagues of Babylon” é aquele tipo de álbum que não traz muitas novidades para aqueles já iniciados. Assim como na maioria dos trabalhos da banda, o que se ouve aqui são as guitarras formando belas paredes sonoras (cortesia de Schaffer e Troy Seele), uma cozinha pesada e precisa (a cargo do baixista Luke Appleton e do baterista brasileiro Raphael Saini) e um vocalista que consegue variar vocais agressivos e mais contidos com bastante competência. Em seu terceiro trabalho com a banda, Stu apresenta seu melhor desempenho até o momento quase nos fazendo esquecer de Barlow (que está para o Iced Earth como Bruce Dickinson está para o Iron Maiden, guardadas as devidas proporções).    

Se tivesse que nomear destaques individuais de “Plagues of Babylon”, creio que a faixa título, “Among the Living Dead”, “Peacemaker” e a balada “If I Could See You Now” são exemplos que dão uma ideia geral de como o álbum soa.

Outro ponto positivo em “Plagues of Babylon” são as participações especiais. Retomando a parceria responsável pelo Demons & Wizards, o vocalista do Blind Guardian, Hansi Kürsch, empresta sua voz para seis das treze faixas do álbum, seja como parte do coral em “Plagues Of Babylon”, “Democide”, “Resistance” e “If I Could See You”, seja dividindo o vocal principal em “Among the Living Dead,” e “Highwayman”, música originalmente gravada por Willie Nelson, Johnny Cash, Waylon Jennings e Kris Kristofferson, aqui reproduzida nas vozes de Stu, Hansi, Michael Poulsen (Volbeat) e Russel Allen (Symphony X).

O aspecto negativo – ou, pelo menos, estranho – de “Plagues of Babylon” está no fato de ele trazer duas covers que soam desnecessárias. A supracitada “Highwayman” é até interessante, mas dispensável; já “Spirit othe Times”, ainda que também interessante, é uma regravação do Sons of Liberty, banda que foi concebida pelo próprio Jon Schaffer como um projeto paralelo. Ou seja, ele usa sua banda principal para gravar um cover de seu projeto paralelo. Meio esquizofrênico isso…

De qualquer forma, como dito lá em cima, “Plagues of Babylon” escreve mais uma página positiva na discografia do Iced Earth, ainda que não traga nada de novo e deve agradar seus fãs. Não é um “Dystopia”, mas não faz feio.

13º Stone Metal Festival

Blaze Bayley foi atração em evento

ImagemNo último domingo, dia 26/01, aconteceu no Stonehenge, em Belo Horizonte, o 13º Stone Metal Festival, evento que procura promover bandas autorais locais acompanhadas – quando possível – de uma atração internacional. A versão 2014 do evento apresentou os mineiros do Exordium e do Silvercrow, abrindo para Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden que esteve à frente da banda durante boa parte dos anos 1990, gravando com ela os álbuns “The X-Factor” e “Virtual XI”.

Infelizmente o festival, a exemplo de outros eventos direcionados para o público headbanger em Belo Horizonte, foi atrapalhado por problemas de organização. Inicialmente o evento estava marcado para ter início às 15:00 hs, de acordo com o que estava impresso na parte de trás dos ingressos do primeiro e segundo lotes. Já a informação na publicidade do evento – e na parte de trás dos ingressos do terceiro lote – diziam que o mesmo começaria às 16 hs e não às 15 hs. De qualquer forma, às 16:30 hs ainda havia gente – eu, inclusive – na fila para adentrar a casa, que admitia todos em um ritmo bem lento (o que se compreende, já que o Stonehenge é um bar que trabalha com o esquema de cartela individual e todas precisam ter o nome e RG do freguês) e não se ouvia qualquer som vindo lá de dentro. Finalmente, pesquisando para essa resenha, me deparei com a programação oficial, que dizia que a casa abriria às 16 hs e o festival em si começaria às 17 hs. Meio bagunçado…

De qualquer forma, por volta das 17:30 hs o Exordium subiu ao palco tocando sua versão para “Watching Over Me”, do Iced Earth. “Beleza, começou o festival”, pensei. Mas estava errado. Ao fim da música, o vocalista da banda diz que aquilo era apenas uma passagem de som e por cerca de vinte minutos o Exordium ficou em cima do palco à toa, esperando o som ser acertado. Quando finalmente começaram a tocar seu metal com letras de protesto e cantado em português, eram quase 18:00 hs.

O atraso do começo refletiu em todo o evento. O Silvercrow, que toca um power metal com toda a virtuosidade exigida pelo estilo, entrou pouco depois – entre 15 e 30 minutos – após o Exordium, mas precisou interromper seu setlist antes do que estava aparentemente programado pela banda por, segundo seu vocalista, “ter acabado seu tempo”. Em ambos os shows houve momentos em que ocorreram microfonias aqui e ali.

Blaze Bayley, a atração principal, deveria ter entrado no palco as 19:30 hs, que foi mais ou menos quando o Silvercrow começava sua apresentação. Houve uma longa espera, por volta de uma hora, até que o palco fosse preparado – o que se resumiu, basicamente, a acertos no sistema de som – até que o guitarrista Thomas Zwijsen finalmente adentrasse o palco para dar início à parte acústica do show, onde tocou em seu violão versões para “Aces High”, “Run to the Hills”, “Fear of the Dark” e “Blood Brothers”, todas músicas do Iron Maiden entoadas em uníssono pelos presentes. Apenas ao fim de sua apresentação a atração principal, o vocalista Blaze Bayley, entraria no palco já com o público ganho para executar “Lord of the Flies”, faixa de “The X-Factor”, primeiro disco que ele gravou com a Donzela.

Assistir a um show de Blaze Bayley é quase como ver uma apresentação de Paul Di’Anno (também ex-vocalista do Iron Maiden). Fica aquela sensação de “banda cover de luxo do Iron Maiden”. A diferença aqui é que Blaze intercala bem mais músicas próprias com as de sua ex-banda. Do total de 17 músicas executadas por Blaze e sua banda de apoio (formada por Chris Appleton, guitarra, Dan Bate, baixo e Martin McNee, bateria, todos integrantes de um grupo cover do Iron Maiden, salvo pelo guitarrista Zwijsen), sete são da carreira solo do vocalista – seja como artista solo, seja na banda “Blaze”. Além disso, Blaze é um cara bem carismático, que interage bastante com o público e quer sempre deixar transparecer a sensação de que aquele show é o melhor que ele está fazendo e que está muito satisfeito por ter a oportunidade de estar ali, naquela hora, tocando para aquele público – mesmo que ele não passe de algo entre quatrocentas e quinhentas almas. Humilde, ele agradece a todo o momento a oportunidade de poder tocar sua música mesmo sem ter o apoio de gravadoras e agentes e não se incomoda por ter que pedir desculpas quando erra alguma letra, como no caso de “Man on the Edge”.

Músicas como “Futureal”, “The Clansman” e “The Sign of the Cross”, clássicas do Iron Maiden na fase Blaze, intercaladas com faixas pesadas como “The Brave”, “King of Metal” e “The Launch”, tornaram a apresentação bastante pesada e, ao mesmo tempo, equilibrada, que deve ter agradado tanto a aqueles que queriam escutar apenas o ex-vocalista do Iron Maiden quanto aos interessados no material autoral do inglês.

Infelizmente, a exemplo dos shows anteriores, houve problemas de microfonia e no microfone de Blaze, que, em alguns momentos falhou, tanto ficando muito baixo ou muito alto.

Ao final de duas horas de apresentação, fechada com “The Angel and the Gambler”, Blaze promoveu um “meet and greet” bem descontraído atendendo a todos aqueles que queriam uma foto ou um autógrafo, mesmo com o avançar da hora. O show acabou por volta das 22:30 hs.

No fim das contas, podemos dizer que o saldo do 13º Stone Metal Festival foi positivo, mas por pouco. As bandas que lá se apresentaram o fizeram com bastante garra e mereciam uma atenção maior da organização, especialmente no que diz respeito ao sistema de som do Stonehenge. Esperamos que nos eventos futuros esses pequenos problemas não ocorram. E que a tradição de atrasar o horário de início dos shows de metal em Belo Horizonte – um “privilégio” que, infelizmente, não é só do Stonehenge, mas de todas as casas de show da cidade – se torne uma coisa do passado.

 Imagem   Blaze no meio da galera

Caladan Brood – Echoes of Battle

Summoning genérico vindo dos EUA

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Originário de Salt Lake City, o Caladan Brood é uma dupla composta por Shield Anvil e Mortal Sword (sim, esses são os “nomes” dos integrantes) cuja proposta é fazer um Black Metal Atmosférico bastante inspirado pelo trabalho dos austríacos do Summoning, com a diferença de que, enquanto os originais baseiam suas letras na obra de J. R. R. Tolkien, os americanos ficam mais perto de casa. O nome da banda e as letras de suas poucas – e longas – músicas são inspirados pela série “Malazan Book of the Fallen”, do escritor canadense Steven Erikson, inédita no Brasil.

 Se você está se perguntando, Black Metal Atmosférico é um sub-gênero do heavy metal que combina os vocais guturais/gritados do black metal com elementos da new age tipo “sons da natureza”, “como relaxar escutando as ondas”, “o canto das baleias” e etc. Ou seja, dependendo do seu humor, é o tipo de música para usar como som de fundo enquanto trabalha ou cochila, apesar de que eu não recomendaria nenhuma das bandas aqui citadas para a realização dessa última atividade. Colocar o álbum pra tocar em um quarto escuro, no sentido de “viajar” e absorver mais a atmosfera que ele tenta passar, no entanto, é uma experiência legal.

 “Echoes of Battle” é o primeiro trabalho do Caladan Brood e chamou a atenção na mídia especializada quando de seu lançamento no começo de 2013 justamente pela comparação com o Summoning – considerada uma das pioneiras e mais inovadoras bandas desse sub-gênero (ou sub-sub-gênero, como queira) de metal. Assim sendo, o grande demérito do álbum acaba sendo o fato da banda ser, como descrito acima, uma versão meio genérica dos austríacos; por outro lado, é notório que o Caladan Brood fez um trabalho esforçado em sua estréia, com uma notável vontade em fazer com que suas composições soem bem, com uma produção limpa e cuidada. Há até mesmo belos solos de guitarra encaixados aqui e ali, especialmente em “Wild Autumn Wind”, destaque individual do álbum.

 O principal aspecto do álbum que entra na categoria “ame ou odeie” diz respeito à duração das faixas. Com apenas seis músicas, “Echoes of Battle” bate na marca dos 71 minutos, com suas durações variando entre os 9:22 e os 14:55 mins. É o tipo de álbum que exige uma certa dedicação do ouvinte.

 No fim das contas “Echoes of Battle” é recomendado quase que exclusivamente para aqueles que são realmente entusiastas do gênero. Versões sem vocais com certeza agradariam fãs de trilhas sonoras, já que todo o trabalho instrumental é bem feito e as músicas não ficariam deslocadas se presentes em algum filme com temática fantástica, na linha de “O Senhor dos Anéis” e similares. As mesmas com vocais, repito, só para os iniciados.

 

    

Chrome Division – Infernal Rock Eternal

Rock and roll fanfarrão de primeira qualidade.

ImagemFormado no final da década de 1990, o Chrome Division é um projeto paralelo do vocalista do Dimmu Borgir, Shagrat, que, chegando ao seu quarto álbum, cada dia mais assume os contornos de uma “banda de verdade”, ainda que seu idealizador deixe sempre claro que seu grupo de origem será sempre prioridade em sua agenda.

Ao contrário de muitos músicos que se aventuram por projetos paralelos que acabam sendo apenas trabalho derivativo de sua banda principal, Shagrat e seus comparsas de Chrome Division resolveram optar por um caminho diverso e enveredar por uma sonoridade completamente diferente daquela praticada por suas bandas principais. Prova disso é que no Chrome Division Shagrat é responsável pela guitarra, deixando os vocais ao cargo de Shady Blue (substituto do vocalista original, Eddie Guz). Já a sonoridade da banda caminha muito longe do “Black metal sinfônico” do Dimmu e investe em um rock and roll sujo e pesado, caminhando na fronteira que separa o heavy metal do dito “rock pesado”. O Chrome Division investe em um som mais direto, quase cru, com temas caros a fãs de motos e bebida, bem na linha de Black Label Society e, principalmente, Motörhead. Até os vocais roucos tanto de Eddie quanto Shady contribuem para essa semelhança.

Como dito no primeiro parágrafo, “Infernal Rock Eternal” é o quarto álbum do Chrome Division, sucedendo “Doomsday Rock ‘n Roll” (2006), “Booze, Broads and Beelzebub” (2008) e “Third Round Knockout” (2011). Pra quem já conhece a banda, não há novidades aqui. A produção dos álbuns vem melhorando constantemente, mas a sonoridade da banda (que conta ainda com Kjell Aage Karlsen na guitarra solo, Åge Trøite no baixo e Tony White na bateria), mesmo que com novos elementos sutilmente introduzidos aqui e ali, continua a mesma de sempre: rock and roll sujo, cru, bem tocado – mas longe de virtuoso – e bastante energético. Refrões grudentos não fazem parte da fórmula, ainda que um ou outro possam ficar na cabeça devido ao número de repetições.

Com 13 faixas de qualidade bastante homogênea, “Infernal Rock Eternal” é bastante recomendado para fãs de Lemmy e sua trupe.      

Dream Theater – Happy Holidays

Banda libera presente de Natal para os fãs.

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Aqueles que acompanham o cenário do metal mais de perto sabem que o Dream Theater sempre elogia a fidelidade de seus fãs, classificando-os como “os mais fiéis do mundo”. Essa fidelidade costumava ser recompensada anualmente, ainda que de maneira parcial, na forma de lançamentos direcionados exclusivamente para os membros de seu fã clube oficial. Por quantias praticamente simbólicas, era possível adquirir um álbum especial de fim do ano, geralmente recheado de material descartado de estúdio, faixas demo, versões instrumentais, material ao vivo raro e mesmo os chamados “bootlegs oficiais”, registros não-oficiais de shows que, depois de disponibilizados online, a banda “adotava”. Com o tempo, no entanto, essa mamata acabou e os lançamentos especiais de fim de ano deram uma sumida.

No fim de 2013, no entanto – um ano bastante ocupado para a banda, que lançou um álbum auto-intitulado cuja resenha você pode ler no post anterior e ainda um DVD ao vivo – o Dream Theater voltou a dar uma de Papai Noel e disponibilizou um álbum especial de final de ano para os fãs. Ao contrário da prática anterior, no entanto, esse lançamento não ficou restrito aos fãs “oficiais”. Basta ter acesso a softwares que baixam arquivos torrent e uma conexão de banda larga – já que o arquivo tem quase 1 Gb – e voilá.

Intitulado simplesmente de “Happy Holidays”, o lançamento é composto do que seria um cd duplo, cujas faixas foram gravadas durante a turnê de “A Dramatic Turn of Events”, realizada entre 2011 e 2012, e que não se encontram no supracitado DVD ao vivo “Live at the Luna Park”.  São treze faixas que cobrem basicamente toda a carreira da banda (à exceção de “Octavarium”) e servem para mostrar, mais uma vez, que a saída do membro fundador Mike Portnoy (bateria) foi rapidamente superada graças à chegada de Mike Mangini para substituí-lo.

Não há muito a acrescentar a essa resenha, exceto ressaltar o fato de que o Dream Theater deu mais uma bola dentro. Afinal, antes que alguns fãs começassem a reclamar de músicas consideradas clássicas que foram deixadas de lado no setlist de “Live at Luna Park”, “Happy Holidays” cumpre justamente esse papel complementando o lançamento anterior trazendo músicas como “Under a Glass Mooon”, “Another Day”, “Learning to Live”, “As I Am” e “Through My Words/Fatal Tragedy” apenas para mencionar as mais conhecidas, mas sem esquecer pérolas como a instrumental “Ytse Jam e a épica “The Count of Tuscanny”, com seus mais de 21 minutos de duração.

“Happy Holidays” em formato FLAC pode ser baixado aqui. Já a versão em MP3, com qualidade de 320 kpbs pode ser encontrada aqui.