Steve Vai – Belo Horizonte

Guitarrista faz grande show na capital mineira

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No último dia 09 de dezembro, a capital mineira recebeu mais um grande show para os admiradores do bom e velho – mas ainda em forma 🙂 – rock and roll. Steve Vai, um dos mais talentosos guitarristas de sua geração, desembarcou em Belo Horizonte para mais um show de divulgação de seu último álbum, “Story of Light”. E o que se viu no Chevrolet Hall foi exatamente isso: não apenas um concerto de música, mas um tremendo show, que mudou a imagem que muitos – inclusive eu – tinham do guitarrista. Afinal, Vai é conhecido por sua técnica apurada e virtuosismo que muitos consideram exagerado. Já seu carisma, humildade e domínio de público, isso só estando em um show do cara pra ver.

Marcado para as 21:30 h, o show começou exatamente no horário, com Vai e sua trupe (formada pelo guitarrista Dave Weiner, o baixista Phill Bynoe e o baterista Jeremy Colson) adentrou o palco sob uma cortina de fumaça de gelo seco já detonando “Racing the World”, emendada por “Velorum”, ambas de seu novo álbum. Ao final das duas, já se percebe que Vai não é daquelas estrelas que chegam, tocam, tocam, tocam e vão embora. Nada. Steve se mostrou um verdadeiro showman durante toda sua apresentação e a primeira amostra disso se deu aqui, quando ele se dirigiu ao público pela primeira vez na noite. Além de cumprimentar a todos, ele tentou dançar no palco ao som da bateria de Colson, que fazia algo que parecia samba. Só parecia. “Toda vez que venho ao Brasil, quero dançar. Devem ser essas calças”, disse, apontando para as calças cuja estampa lembrava uma camisa havaiana. Ainda nessa toada, pediu a câmera de um fotógrafo emprestada, alegando que iria ensiná-lo como se bater uma foto. Tirou duas fotos de costas para o público e uma de sua virilha antes de devolvê-la ao profissional dizendo: “Quero ver como vai explicar à sua namorada essa foto”. E em falsete: “porque diabos você tirou uma foto das bolas de Steve Vai?”, levando o público às gargalhadas… Pelo menos aquela parte do público que entendeu o que ele disse.

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Após a brincadeira, foi a vez da parte musical do show recomeçar com três pauladas em sequência: “Building the Church”, “Tender Surrender” e “Gravity Storm”, antes que Steve, Bynoe e Colson abandonassem o palco e deixassem o guitarrista Weiner sozinho. Com um violão, Weiner entreteu o público com “The Trillium’s Launch”, música própria presente em seu álbum solo “A Collection of Short Stories: Vol. 1”, que o chefe fez questão de divulgar e elogiar. Com o trio de volta, o show continuou com a emotiva “Weeping China Doll”, seguida pelas agitadas “Answers” e “The Animal”, a balada “Whispering a Prayer” e “The Audience Is Listening”, essa última uma das mais conhecidas músicas de Vai.

Partiu-se então para parte acústica do show. Aqui, enquanto Vai se preparava, foi a vez de Phill Bynoe ficar sob os holofotes e demonstrar em um curto solo de baixo o porque de estar dando suporte novamente à Vai. Inicialmente sozinho no palco, Vai mandou a dupla “The Moon and I / Rescue Me or Bury Me”, únicas músicas cantadas de todo o show. A parte acústica seguiu com “Sisters”, “Salamanders in the Sun” e “Treasure Island”. Ao fim dessa, Vai propõe tocar algo mais rápido, começa a canção e para. “Cadê o baterista?”, pergunta. “Nunca confie em um baterista”, ele diz apenas para ver Colson retornando ao palco com um instrumento formado por bongôs, panelas, cones de trânsito e etc, alegando que havia catado aquilo tudo em um lixo atrás do ginásio e mostraria que conseguia tocar aquilo (tudo encenado, é verdade, mas não deixa de ser engraçado). O show segue com “Pusa Road”, onde Jeremy continua com seu show particular, batucando no chão do palco rodeando o banco onde Vai tocava e com direito a uma batidinha na cabeça do chefe. Novamente Vai deixa o palco, seguido de Jeremy e Dave e Jeremy domina a cena, primeiro solando em sua bateria improvisada e depois em seu instrumento propriamente dito.

ImagemO terceiro e último ato começa com um Steve Vai entrando no palco novamente sob uma nuvem de gelo seco e vestido em um traje com diversas lâmpadas de led, incluindo um capacete medieval-futurista, tocando “The Ultra Zone”. “Frank” viria a seguir, depois do guitarrista novamente se dirigir ao público dizendo que tocariam por “apenas mais quatro horas”. Daí outro grande momento da noite, quando ele escolhe duas pessoas da platéia – acabam sendo três, já que Vai chama a namorada de um dos sortudos para se juntar a eles – e diz que o trio os ajudará a escrever uma música ali, naquele momento. Ele pede que os convidados simulem bateria, baixo e guitarra vocalmente e a banda tentaria reproduzir aqueles sons. Nesse meio tempo, ele faz piadas com o significado do próprio sobrenome em português e brinca com banda, público e o trio de sortudos. Ao fim do “processo de composição”, a banda emenda “Build Me a Song”, com os dois rapazes e a garota da platéia convidados a assistir o resto do show do palco.

ImagemO último grande momento de uma noite recheada deles viria a seguir, quando “For the Love of God”, talvez a música mais conhecida e venerada da carreira de Vai é tocada de maneira soberba. Ao fim dela a banda sai do palco, apenas para voltar minutos depois e encerrar uma apresentação de quase três horas de duração com “Taurus Bulba”.

O que mais surpreende em Steve Vai é, como dito no primeiro parágrafo, sua humildade. Músico consagrado, ele teria todos os motivos para se comportar como diversos dos ditos rockstars que vemos por aí a todo o tempo e que têm um legado musical bem menor do que o dele. No entanto, o que se vê em cima do palco é uma pessoa generosa, já que, mesmo sabendo ser a estrela principal e o motivo do público estar ali, faz questão de deixar todos os demais integrantes de sua banda brilhar e valoriza bastante a presença daqueles que ali comparecendo fazendo, em suas próprias palavras “o melhor show que pudermos”.

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