Hugh Laurie – Live on the Queen Mary

Ator faz transição decente para a música.

ImagemSempre que escuto que um(a) ator/atriz decidiu seguir a carreira musical, ou que um(a) cantor(a) resolveu que tem talento para atuar, torço o nariz. O fato é que, com raras exceções, em ambos os casos o resultado obtido na segunda carreira costuma ser, no máximo, medíocre. Madonna, Jennifer Lopez e 50 Cent estão aí pra não me deixar mentir. Atores/atrizes e cantores(as) resolvendo cantar ou atuar pra mim parece, muitas vezes, apenas uma tentativa de ter seus já massageados egos ainda mais inflados.

Assim sendo, quando Hugh Laurie – por oito anos protagonista de “House” – anunciou que investiria na carreira musical, meu sentimento de “isso vai dar merda” foi instintivo. No entanto, movido por uma curiosidade mórbida, resolvi dar uma chance a “Let Them Talk”, álbum de estréia de Laurie. E me surpreendi com o resultado. Ao contrário de muitos de seus pares, Laurie é um pianista e guitarrista competente e resolveu investir em releituras de jazz e blues, acompanhado por uma excelente banda de apoio, a Copper Bottom Band. A “Let Them Talk” se seguiu “Didn’t It Rain”, lançado esse ano e, a seguir, o primeiro DVD da nova carreira de Laurie, “Live on the Queen Mary”.

Lembrem-se o que eu disse acima sobre atores fazendo a transição para música como uma forma de obter mais uma massagem em seus egos? Esqueça isso aqui, porque Laurie sabe bem de suas qualidades e pontos fracos e, muitas vezes, permanece em segundo plano para que os demais membros da banda – que incluem as cantoras ‘Sista’ Jean McClain e Gabby Moreno – tenham seu lugar sob os holofotes e eles o fazem muito bem. Claro que o carisma de Laurie contribuí – e muito – para a apresentação ser um verdadeiro show, já que ele sabe bastante bem como entreter uma platéia, contando anedotas entre uma música e outra e não se furtando a fazer papel de bobo com uma dancinha deveras constrangedora em determinado momento.

Sobre o setlist em si, Hugh e sua Copper Bottom Band, que além de Jean e Gabby conta ainda com Vincent Henry (trompete), Elizabeth Lea (trombone), Herman Matthews (bateria), Kevin Breit (guitarra), e Patrick Warren (teclados), desfilam por clássicos do jazz e do blues norte-americano, fazendo releituras que, se não superam, pelo menos não deixam nada a dever às composições originais. Há até mesmo um tango escondido ali no meio, onde Hugh e Gabby fazem um dueto bem interessante.

No fim das contas, os álbuns de Hugh Laurie, ainda que não tragam composições originais, são muito bem feitos, com produção impecável e uma banda bem competente além de um cantor que, apesar de ter seu nome em caixa alta nas capas dos mesmos, não se refuta em assumir um papel de coadjuvante. E o mais legal disso tudo é que Hugh Laurie e sua banda desembarcam no Brasil em março para apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. Vale a pena dar uma conferida.

P.S. Eu sei que a grande maioria das resenhas de “Sounds of Asgard” trata de álbuns de rock e metal. No entanto, variar de vez em quando faz bem 🙂

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