Soulfly – Savages

Max Cavalera deveria falar menos e trabalhar mais.

ImagemHá algumas situações que são praticamente inevitáveis quando se faz uma análise de qualquer trabalho do Soulfly, especialmente pelo fato de seu fundador, letrista, principal compositor, vocalista e guitarrista base Max Cavalera, sempre que possível, mencionar sua ex-banda, o Sepultura, em entrevistas, invariavelmente descendo o sarrafo em qualquer coisa feita por Andreas (Kisser), Paulo Jr. e Cia. Os fatos de ambas as bandas terem lançado álbuns recentemente e estarem na mesma gravadora (a Nuclear Blast) também desperta nas pessoas a necessidade de comparar os trabalhos e deixar sua suposta imparcialidade jornalística de lado ao analisá-los. Esse tipo de posicionamento não me agrada, portanto, não espere que essa resenha sirva para contrapor o novo trabalho do Soulfly com o novo do Sepultura (cuja resenha pode ser lida aqui).

Fato é que, depois do elogiado “Enslaved”, lançado no ano passado, criou-se uma expectativa muito grande ao redor desse novo álbum do Soulfly. E expectativas são sempre perigosas já que, quanto maiores, mais difíceis de serem satisfeitas. E é isso o que acontece com esse “Savages”, que, apesar de ser um trabalho razoável do Soulfly, fica bem aquém de seu predecessor.

Para a gravação de “Savages” Max optou por colocar seu filho Zyon a cargo das baquetas e isso é um dos pontos fracos do álbum. Nada contra o moleque, mas um trabalho do Soulfly mereceria alguém mais tarimbado, como David Kinkade, que tocou no álbum anterior e, logo após da turnê do mesmo, se retirou do cenário musical. Por outro lado, Marc Rizzo mantém o mesmo bom trabalho nas guitarras que vem realizando na banda desde “Prophecy” (2004), enquanto o baixista Tony Campos segura bem a onda na função. Dentre as participações especiais que recheiam o álbum se destaca Mitch Harris, do Napalm Death, na faixa “K.C.S.”.

No geral, “Savages” me parece pouco inspirado e vem com mais do mesmo. Max Cavalera sempre foi um monstro nos vocais dentro do estilo no qual atua e isso é algo que permanece. No entanto, ao contrário de “Enslaved”, esse “Savages” não é um álbum que traga grandes destaques. Há músicas legais, como a abertura “Bloodshed”, “Ayatollah of Rock ‘n’ Rolla” e “El Comegente”, mas isso não mascara o fato de que todo o trabalho pareça ter sido feito às pressas e com muito pouca inspiração.

Talvez se Max se focasse mais em suas composições e menos em falar mal de sua ex-banda a todo o momento, esse álbum fosse melhor do que o produto final que chegou no início de outubro às lojas…

 

 

 

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