Dream Theater – Dream Theater

“Recomeço” promissor.

ImagemSó a capa é que ficou bem sem graça :-p

Em 2010 o Dream Theater perdeu seu principal letrista, compositor, porta-voz, responsável pelos setlists, mente criativa, fundador e baterista Mike Portnoy. Sua saída foi traumática para fãs e banda e os motivos para tal são de conhecimento público.

A saída de Portnoy fez com que muitos fãs declarassem que estava anunciado o fim do Dream Theater, tamanha sua importância para a banda. Rapidamente, o guitarrista John Petrucci e o tecladista Jordan Rudess assumiram as rédeas da situação e compuseram um novo álbum, “A Dramatic Turn of Events” antes mesmo de conseguir um substituto para Portnoy. Assim sendo, quando finalmente se escolheu Mike Mangini para a posição, ele acabou atuando quase como um músico de estúdio, basicamente gravando o que Rudess e Petrucci haviam programado. Como álbum de transição, o disco não fez feio. Na verdade, ele rendeu à banda sua primeira indicação ao Grammy com a faixa “On the Backs of Angels”. A expectativa, no entanto, era para saber como soaria um novo álbum do Dream Theater, dessa vez com Mangini participando ativamente na composição das músicas. O resultado é esse trabalho apropriadamente auto-intitulado, o décimo segundo da carreira do Dream Theater e que mostra que a ausência de Portnoy não só fora superada, como abre caminhos para o som do grupo que, provavelmente, não seriam trilhados caso ele ainda decidisse o que a banda faria.

“Dream Theater” é aberto com “False Awakening Suite”, uma introdução cinematográfica que é mais característica de bandas européias adeptas do (ah, os rótulos) Symphonic Metal do que do Dream Theater. Apesar de ser dividida em três partes (“Sleep Paralysis”, “Night Terrors” e “Lucid Dream”), ela tem pouco menos de três minutos e apenas prepara o clima para o que vem a seguir. Podemos dizer que o álbum começa mesmo com “The Enemy Inside”, que já abre com um belo riff de Petrucci e Mangini marcando presença. É interessante notar que o teclado de Rudess, sempre onipresente, aqui fique em segundo plano. (O vocalista) James LaBrie mostra mais uma vez que superou há tempos a fase em que só gritava e novamente apresenta uma interpretação vocal condizente com o clima e letra da canção.

“The Looking Glass” é a faixa mais comercial do álbum, por assim dizer. Tem menos de cinco minutos e uma levada cadenciada, quase pop, que a colocaria sem maiores problemas em uma rádio rock ou na MTV. Isso, caso rádios rock ou a MTV ainda existissem. Já “Enigma Machine” é a primeira faixa instrumental do Dream Theater (se descontarmos “False Awakening Suite”) a ser gravada desde o álbum “Train of Thought”, de 2003. Aqui, como não poderia deixar de ser, o destaque vai para a dupla Petrucci/Rudess. No entanto, é bom citar que aqui temos uma das poucas músicas do Dream Theater onde o baixo de John Myung recebe algum destaque.

“The Bigger Picture” traz de volta, em termos, o clima radiofônico, apesar de ser uma faixa que, devido à sua duração – quase 8 minutos – não vejo sendo tocada em rádios. Ela faz a vez de power balad em “Dream Theater”, algo que não é muito comum na banda. Normalmente o Dream Theater prefere investir em baladas mais descaradas, como “The Spirit Carries on”, do álbum “Metropolis Part II: Scenes from a Memory”.

Uma introdução bastante climática, com um quê de psicodélico marca o começo de “Behind the Veil”. Essa é uma faixa bem típica do Dream Theater, com seu refrão pegajoso e suas características mudança de ritmo e tempos quebrados que são o arroz com feijão do rock/metal progressivo. Um dos destaques individuais do álbum, na opinião desse humilde escriba.

“Surrender to Reason” vem a seguir e traz de volta o clima cinematgráfico/majestoso de “False Awakening Suite”, para logo dar lugar apenas ao violão de Petrucci e a voz de LaBrie. Esse interlúdio, no entanto, não dura muito e logo a música engrena novamente, se mostrando um produto típico do Dream Theater. Novamente, aqui, há um refrão grandioso e Myung colocando as manguinhas de fora. Destaque também para a variação de ritmos que acontece especialmente do meio da música em diante.

Penúltima música do álbum, “Along for the Ride” já segue mais o esquemão do Dream Theater no que diz respeito à composição de baladas. É uma música interessante, tem tudo para ser bem recebida especialmente ao vivo – o refrão é bem legal – mas, no geral, não tem nada demais.

Finalmente, é chegada a hora mais esperada pelos fãs mais radicais da banda, com a épica “Illumination Theory” e seus mais de 22 minutos, divididos em cinco segmentos: “Paradoxe de la Lumière Noire”, “Live, Die, Kill”, “The Embracing Circle”, “The Pursuit of Truth” e “Surrender, Trust & Passion”.  Com quase quatro minutos de introdução, “Illumination Theory” traz todos aqueles elementos que consagraram o Dream Theater como o melhor no que faz: peso, velocidade, técnica em nome do progresso da canção e não apenas virtuosismo vazio, quebradas de tempo, uma bela parte orquestrada, solos bem encaixados e algumas surpresas que só ouvindo pra saber. Uma faixa que fecha com chave de ouro um excelente esforço do Dream Theater em mostrar que a banda ainda tem muito a mostrar na era pós-Portnoy.

Isso, pelo menos, até a (quase) inevitável reunião daqui a alguns anos. 🙂

 

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