Uganga – Eurocaos ao Vivo

Mais metal mineiro nível exportação

Image

 

Com vinte anos de carreira, os mineiros do Uganga realizaram sua primeira turnê européia em 2010, para a divulgação de seu terceiro trabalho de estúdio, o álbum “Vol 3: Caos Carma Conceito”. Com dezoito shows em sete países, a banda resolveu que a apresentação do dia 18 de setembro no Razorblade Festival em Datteln, Alemanha merecia ser registrada para a posteridade. Daí resultou esse “Eurocaos ao Vivo”, um trabalho bastante competente que serve tanto para os fãs de longa data da banda quanto para aqueles que, como eu, conheciam muito pouco o trabalho do quinteto.

O Uganga é formado por Manu “Joker”, figura conhecida no metal mineiro graças à sua história como baterista do Sarcófago entre os anos de 1988 e 1990 e que aqui cuida dos vocais, Christian Franco e Thiago Soraggi (guitarra), Raphael “Ras” Franco (baixo e vocal) e Marco Henriques (bateria e vocal) e faz um thrash metal com influências de hardcore bastante agressivo e energético. O detalhe que separa o Uganga da maioria das bandas do gênero originárias no Brasil é o fato de suas letras serem em português. O que traz mais mérito ainda para a banda, já que a maioria dos países pelos quais excursionaram não domina a bela – e difícil – língua de Camões. A título de curiosidade, a turnê passou por Alemanha, Bélgica, Suíça, Polônia, República Tcheca, Espanha e Portugal.

Apesar de causar certa estranheza em um primeiro momento, logo que Manu começa a urrar “Asas Negras”, essa sensação é esquecida e o ouvinte se rende à qualidade da banda, cujas letras, como não poderia deixar de ser, tem uma temática forte de protesto e “contra o sistema”. Guardadas as devidas proporções e diferenças de proposta, o som do Uganga lembra alguns de seus contemporâneos, especialmente o Ratos de Porão.

Com 13 faixas, sendo 9 ao vivo, três em estúdio e uma vinheta chamada “van”, onde os integrantes da banda simplesmente falam a respeito do veículo que os transporta através da Europa, os destaques da apresentação no Razorblade – que foi captada totalmente ao vivo, sem retoques na pós-produção – vão para “Meus Velhos Olhos de Enxergar o Mal (2 Lobos)”, “Zona Árida” e as releituras de “Troops of Doom” do Sepultura e uma versão encurtada de “Nightmare”, do Sarcófago, na qual Manu assume sua velha função nas baquetas por alguns minutos. Já o material em estúdio é composto por “Não Desista”, cover do Stress e “Desespero”, versão para faixa originalmente gravada pela banda Pastel de Miolos e se encerra com uma Jam session que vai totalmente na contra-mão de tudo que fora feito antes, indo para um som mais ambiente, com grande predominância de baixo e bateria intitulada, apropriadamente, “Antwerpen Dub”. 

Uma outra característica positiva desde “Eurocaos ao Vivo” é o cuidado investido em sua pós-produção. Além do material de áudio, o cd traz um documentário de aproximadamente meia hora sobre a da urtnê. Não só isso, o CD, embalado em slipcase, traz um diário da turnê escrito por Manu e com depoimentos dos demais membros da banda, além do encarte em si, recheado de fotos. Pra ganhar mais pontos, só se o Uganga tivesse encaixado as letras de suas músicas nesse encarte, algo que pouquíssimas bandas se dão ao trabalho de fazer em seus lançamentos ao vivo.

Mas isso é um ínfimo detalhe em um trabalho bastante cuidadoso e que revela todo o esmero do Uganga para seu primeiro álbum ao vivo. 

Anúncios

2 comments

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s