Sepultura – The Mediator Between Head and Hand Must Be the Heart

Uma quase volta às raízes

 

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Desde 1996 o Sepultura tem, a cada lançamento, que se provar ainda relevante no cenário do thrash metal, especialmente porque uma porcentagem dos fãs da banda até hoje não se conforma com o fato de o vocalista/guitarrista Max Cavalera ter deixado o grupo naquele ano para ser substituído pelo norte-americano Derrick Green. O guitarrista Andreas Kisser assumiu como principal compositor do grupo, que passou pela famosa fase de transição que qualquer grupo enfrenta quando um de seus membros mais influentes abandona o barco. Depois de três álbuns recebidos de maneira bastante morna (“Against”, “Nation” e “Roorback”), para dizer o mínimo, o Sepultura voltaria a chamar a atenção e conseguir boas críticas com o temático “Dante XXI”.

Quando a coisa parecia que voltaria aos trilhos, o baterista Igor Cavalera deixou a banda e o lançamento seguinte do grupo, “A-lex”, apesar das boas críticas, seria novamente taxado pelas viúvas de Max como um álbum que não era do Sepultura. O próprio Max viria à imprensa dizer que Andreas e Cia não deveriam usar o nome “Sepultura”, já que nenhum dos membros fundadores da banda faz parte de sua formação atual. O fato de ele se “esquecer” de que o baixista Paulo Jr. gravou todos os álbuns do Sepultura desde a estréia com “Morbid Visions”, de 1986, parece não tê-lo incomodado.

Independente da opinião de Max, 2011 viu o lançamento do temático “Kairos”, com o mineiro Jean Dolabella nas baquetas e uma boa recepção geral. Mas, como não poderia deixar de ser, logo o baterista deixaria o posto alegando vontade de se dedicar a outros projetos. Assim sendo, Eloy Casagrande fora recrutado para o posto e é com essa formação que o Sepultura lançou esse “The Mediator Between Head and Hand Must Be the Heart”, álbum que recebeu diversas críticas antes mesmo de qualquer música do mesmo ter sido divulgada, principalmente de Max e suas viúvas. O motivo? O título “muito longo”.

O fato, no entanto, é que “The Mediator Between Head and Hand Must Be the Heart” é, de longe, um dos melhores trabalhos do Sepultura nos últimos 17 anos. Ao contrário dos três lançamentos anteriores, “The Mediator…” é um álbum mais convencional no sentido de não ser conceitual ou temático. Suas músicas são independentes entre si e não querem contar uma história mais longa. Uma outra mudança com relação aos anteriores foi que dessa vez a banda optou por uma mixagem mais crua, quase suja, lembrando bastante os tempos do supracitado “Morbid Visions” e de seu sucessor, “Bestial Devastation”. O instrumental também segue nessa linha, com andamentos retos e com poucas quebradas, com Derrick gritando o máximo que seus pulmões permitem para seguir a rapidez e fúria que Andreas e Eloy descarregam em seus instrumentos.  

Claro, há momentos menos velozes, como na introdução de “The Vatican” com seus sinos e violinos e em “The Bliss of the Ignorants”, onde pode se ouvir as batidas tribais que se tornaram uma marca registrada da banda desde “Roots”. “Grief” traz uma das introduções mais singulares da carreira do grupo e mostra como soa a voz de Derrick quando ele resolve declamar de maneira calma ao invés de gritar furiosamente as letras de uma música.

Um álbum bastante homogêneo, “The Mediator Between Head and Hand Must Be the Heart” ainda traz a participação de Dave Lombardo (ex-baterista do Slayer) fazendo uma bela dobradinha com Eloy em “Obsessed” e fecha com chave de ouro com a versão thrash metal de “Da Lama ao Caos”, música originalmente gravada por Chico Science & Nação Zumbi em seu álbum homônimo, de 1994.

No geral, um álbum forte do Sepultura que prova mais uma vez, para o desgosto de Max e suas viúvas, que a banda ainda é bastante relevante para o cenário no qual se encaixa.

  

 

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