Cradle of Filth – Midnight in the Labyrinth

Caça-níqueis interessante, mas só deve atrair fãs.

O Cradle of Filth é uma banda inglesa que meio que liderou a segunda onda do black metal europeu – a primeira se iniciou no começo dos anos 1990 na Noruega e é cheia de polêmicas. A banda foi formada por Daniel Lloyd Davey (nome artístico: Dani Filth) em 1991, mas o primeiro álbum do grupo, “The Principle of Evil Made Flesh” foi lançado apenas em 1994 e era um black metal clássico: instrumentos em alta velocidade, bateria marcante, produção crua, quase “suja” e vocais ora gritados, ora guturais de Dani Filth. O álbum chamou a atenção e, como acontece com a maioria das bandas de metal mais extremo que duram, logo o CoF assinou com uma gravadora pequena e começou sua carreira. Em 1996 lançaram “Dusk and her Embrace” pela Music For Nations. O álbum já tinha a adição de teclados e uma produção mais limpa. Além disso, aqui o Cradle of Filth começava a se diferenciar das demais bandas do gênero especialmente pelo fato de Dani – um estudioso de poetas como Lord Byron e Edgar Allan Poe – se esmerar na construção das letras de suas músicas. O Cradle of Filth não se esquiva dos temas caros ao black metal, como o sobrenatural, o pós-vida, o oculto e histórias de terror. Mas o faz de forma bastante poética.

1998 viu o lançamento de um dos melhores álbuns da banda, “Cruelty and the Beast”, um trabalho temático baseado na vida e assassinatos de Elizabeth Bathory considerada, por muitos, como a primeira assassina serial da história. Com o lançamento de “Midian” em 2000, a banda resolveu dar um tempo e começou uma de suas mais queridas tradições: os caça-níqueis.

Talvez por ser uma banda de black metal – agora adicionando “simfônico” ao rótulo – e, consequentemente, produzir uma música menos digerível, vira e mexe o CoF lança álbuns cujo propósito – por mais que entendamos a necessidade dos caras produzirem rendimentos com seu trabalho entre uma turnê e outra – parece ser única e exclusivamente obter alguns cobres a mais de seus fãs. Entre 2001 e 2003, foram 2: “Bitter Suites to Succubi”, com sobras de estúdio e alguns remixes e a coletânea dupla “Lovecraft & Witch Hearts”, além do ao vivo “Live Bait for the Dead”. Coincidentemente, nessa mesma época o tipo de black metal que a banda faz(ia) parecia estar passando por uma popularidade nunca antes vista na Europa e, em 2003, o Cradle of Filth foi a primeira banda do gênero a fechar contrato com uma gravadora realmente grande. Estamos falando da Sony Music. Bastou a notícia sair para os mais radicais acusarem os caras de serem “vendidos” e o CoF entrar para o seleto hall das bandas que são ou amadas ou odiadas, sem áreas cinzas no meio.

Infelizmente, depois de apenas um ano e dois álbuns – fora os caça-níqueis – a banda rescindiu o contrato com a Sony e assinou com a Roadrunner, uma das maiores gravadoras especializadas em metal no mundo, se não A maior, onde ficou por quatro anos. Em 2010, assinaram com a Peaceville records, onde se encontram até hoje. Na Sony,  lançaram o bom “Damnation and a Day” (outro album conceitual, tendo a bíblia cristã como pano de fundo) e o ótimo “Nymphetamine”, que marcou definitivamente a entrada da banda no mercado mainstream, quando a faixa título recebeu uma indicação ao Grammy. Já pela Roadrunner foram laçnados “Thornography” (2006) e outro conceitual, “Godspeed on the Devil’s Thunder” (2008), baseado na vida e assassinatos de Gilles de Rais, um general francês que lutou ao lado de Joanna D’Arc e que foi preso e condenado por matar – muitas vezes, ritualmente – crianças. O último álbum em estúdio da banda foi “Darkly, Darkly, Venus Aversa” (2010), se descontarmos o caça-níqueis “Evermore Darkly” (2011) com remixes das faixas do trabalho de 2010 e duas inéditas.

“Midnight in Labyrinth”, portanto, é o ultimo caça-níqueis do Cradle of Filth. Não me entendam mal, eu gosto muito do trabalho que Dani Filth faz com sua banda (que no momento se completa com os guitarristas Paul Allender e James McIlroy, o baixista Dave Pybus, o baterista Martin Marthus Škaroupka e a tecladista Caroline Campbell) mas esse álbum é muito, mas muito safado. O disco é duplo e tem 19 faixas no total, sendo 10 no primeiro e 9 no segundo. A safadeza é que 9 das 10 faixas que estão no primeiro disco se repetem no segundo. São as mesmas músicas, mixadas de maneira diversa. A grande diferencial das versões presentes aqui se comparadas com as originais – se é que podemos chamar de “grande” – é que as músicas aqui são todas orquestradas. O CoF investiu em composições sinfônicas para essas músicas, deixando o vocal de Dani de lado em praticamente todas elas. São 19 músicas soturnas, de acompanhamento lento e algumas vezes arrastadas. Servem bem como música de fundo, pra ouvir enquanto se trabalha sem que a música interfira com sua produtividade ou concentração.

No geral, o trabalho ficou bastante legal e atraente, tornando as músicas muito diversas de suas versões originais, e é só por isso que ele vale à pena ser conferido. Desde que você seja fã de longa data. Se não, trabalhos como o supracitado “Lovecraft & Witch Hearts” e “Nymphetamine” são opções melhores para conhecer o – repito – bom som do Cradle of Filth.

Nota: 4/10

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