Mês: Maio 2012

Iced Earth – Dystopia

Novo vocalista mostra a que veio

Fundado em 1985, sob a alcunha de “Purgatory”, pelo guitarrista Jon Schaffer, o Iced Earth foi rebatizado em 1989 e, no ano seguinte, lançou seu primeiro álbum, auto-intitulado. Começaria aí a história de uma das melhores e mais subestimadas bandas de metal surgida na terra do Tio Sam.

Em seus quase 30 anos de história, o Iced Earth foi uma das bandas que mais sofreu – ou se aproveitou, talvez – com as constantes mudanças em sua formação. Dificilmente a banda repetia a mesma formação em dois álbuns. Muitas vezes, o quinteto que gravava o álbum não era o mesmo que saia na turnê para divulga-lo. Desde 1991, ano de lançamento de seu auto-intitulado debut até esse “Dystopia”, dá pra perder a conta de quantas formações a banda teve. A coisa era tão incostante que em cada um de seus primeiros 3 álbuns (“Iced Earth”, “Night of the Stormrider” e “Burnt Offerings”) o Iced Earth teve um vocalista diferente, até que o terceiro, Matt Barlow veio para ficar.

Em 1996 o Iced Earth apareceu para o mundo nerd quando do lançamento de “Dark Saga”, álbum conceitual (o segundo desse tipo em sua história de, até então, 4 álbuns) baseado no personagem Spawn, de Todd McFarlane, bastante em voga na época. Comparada muitas vezes com grandes nomes do estilo como Metallica e Iron Maiden, o Iced Earth passou a construir uma discografia sólida, muito provavelmente devido ao entrosamento de Barlow e Schaffer.

Em 2003, a parceria foi quebrada. Afetado pelos ataques terroristas ao World Trade Center – que inspiraram o álbum lançado naquele ano “The Glorious Burden”, um tributo ao “espírito de luta” do povo estadunidense – Barlow decidiu que deveria fazer algo para contribuir com o “mundo real” e deixou a banda para se tornar um oficial de polícia na cidade de Georgetown, Delaware. Para seu lugar, Schaffer recrutou Tim “Ripper” Owens, ex-vocalista do Judas Priest. Após dois álbuns (“The Glorious Burden” e “Framing Armageddon: Something Wicked Part 1”, a continuação da história iniciada em “Something Wicked This Way Comes”, de 1998), no entanto, Owens foi demitido da banda, para que Barlow retornasse. Seu álbum de re-estreia foi lançado em 2008 e fechava a “Something Wicked Trilogy”, com “The Crucible of Man: Something Wicked Part 2”. Três anos depois, em 2011, Barlow anunciava através do site oficial da banda que estava saindo de novo, dessa vez para se aposentar da música e dedicar mais tempo à sua família. O desconhecido Stu Block assumiria os vocais para o próximo álbum.

Lançado em outubro passado, “Dystopia” é o décimo álbum em estúdio do Iced Earth e parece que, depois de dois álbuns muito esperados e pouco marcantes, Jon Schaffer – principal letrista, compositor e praticamente dono da banda – retomou as rédeas de sua música. “Dystopia” tem tudo aquilo que marcou a carreira do Iced Earth, com músicas pesadas, power-ballads cativantes e os típicos refrões grudentos característicos do estilo. O novato Stu já mostra ao que veio na faixa título, que abre o disco. De cara a música mostra toda a versatilidade de sua voz, passando sem maiores problemas de vocais mais roucos para agudos gritados, com uma competência quase comparável à de seu predecessor. “Anthem” – a famosa “música de trabalho”, cujo vídeo pode ser visto no Youtube – “Anguish of Youth” e “V”, baseada na obra “V for Vendetta” (“V de Vingança”) de Alan Moore são alguns dos destaques do álbum, que traz 10 faixas. A versão nacional traz três bouns: “Soylent Green”, “Iron Will” e uma versão alternativa de “Anthem”.

Um álbum sólido, bastante homogêneo e quase uma volta ao passado do Iced Earth, “Dystopia” tem tudo para ser um dos marcos altos da trajetória da banda.

 

Nota: 9/10

Cradle of Filth – Midnight in the Labyrinth

Caça-níqueis interessante, mas só deve atrair fãs.

O Cradle of Filth é uma banda inglesa que meio que liderou a segunda onda do black metal europeu – a primeira se iniciou no começo dos anos 1990 na Noruega e é cheia de polêmicas. A banda foi formada por Daniel Lloyd Davey (nome artístico: Dani Filth) em 1991, mas o primeiro álbum do grupo, “The Principle of Evil Made Flesh” foi lançado apenas em 1994 e era um black metal clássico: instrumentos em alta velocidade, bateria marcante, produção crua, quase “suja” e vocais ora gritados, ora guturais de Dani Filth. O álbum chamou a atenção e, como acontece com a maioria das bandas de metal mais extremo que duram, logo o CoF assinou com uma gravadora pequena e começou sua carreira. Em 1996 lançaram “Dusk and her Embrace” pela Music For Nations. O álbum já tinha a adição de teclados e uma produção mais limpa. Além disso, aqui o Cradle of Filth começava a se diferenciar das demais bandas do gênero especialmente pelo fato de Dani – um estudioso de poetas como Lord Byron e Edgar Allan Poe – se esmerar na construção das letras de suas músicas. O Cradle of Filth não se esquiva dos temas caros ao black metal, como o sobrenatural, o pós-vida, o oculto e histórias de terror. Mas o faz de forma bastante poética.

1998 viu o lançamento de um dos melhores álbuns da banda, “Cruelty and the Beast”, um trabalho temático baseado na vida e assassinatos de Elizabeth Bathory considerada, por muitos, como a primeira assassina serial da história. Com o lançamento de “Midian” em 2000, a banda resolveu dar um tempo e começou uma de suas mais queridas tradições: os caça-níqueis.

Talvez por ser uma banda de black metal – agora adicionando “simfônico” ao rótulo – e, consequentemente, produzir uma música menos digerível, vira e mexe o CoF lança álbuns cujo propósito – por mais que entendamos a necessidade dos caras produzirem rendimentos com seu trabalho entre uma turnê e outra – parece ser única e exclusivamente obter alguns cobres a mais de seus fãs. Entre 2001 e 2003, foram 2: “Bitter Suites to Succubi”, com sobras de estúdio e alguns remixes e a coletânea dupla “Lovecraft & Witch Hearts”, além do ao vivo “Live Bait for the Dead”. Coincidentemente, nessa mesma época o tipo de black metal que a banda faz(ia) parecia estar passando por uma popularidade nunca antes vista na Europa e, em 2003, o Cradle of Filth foi a primeira banda do gênero a fechar contrato com uma gravadora realmente grande. Estamos falando da Sony Music. Bastou a notícia sair para os mais radicais acusarem os caras de serem “vendidos” e o CoF entrar para o seleto hall das bandas que são ou amadas ou odiadas, sem áreas cinzas no meio.

Infelizmente, depois de apenas um ano e dois álbuns – fora os caça-níqueis – a banda rescindiu o contrato com a Sony e assinou com a Roadrunner, uma das maiores gravadoras especializadas em metal no mundo, se não A maior, onde ficou por quatro anos. Em 2010, assinaram com a Peaceville records, onde se encontram até hoje. Na Sony,  lançaram o bom “Damnation and a Day” (outro album conceitual, tendo a bíblia cristã como pano de fundo) e o ótimo “Nymphetamine”, que marcou definitivamente a entrada da banda no mercado mainstream, quando a faixa título recebeu uma indicação ao Grammy. Já pela Roadrunner foram laçnados “Thornography” (2006) e outro conceitual, “Godspeed on the Devil’s Thunder” (2008), baseado na vida e assassinatos de Gilles de Rais, um general francês que lutou ao lado de Joanna D’Arc e que foi preso e condenado por matar – muitas vezes, ritualmente – crianças. O último álbum em estúdio da banda foi “Darkly, Darkly, Venus Aversa” (2010), se descontarmos o caça-níqueis “Evermore Darkly” (2011) com remixes das faixas do trabalho de 2010 e duas inéditas.

“Midnight in Labyrinth”, portanto, é o ultimo caça-níqueis do Cradle of Filth. Não me entendam mal, eu gosto muito do trabalho que Dani Filth faz com sua banda (que no momento se completa com os guitarristas Paul Allender e James McIlroy, o baixista Dave Pybus, o baterista Martin Marthus Škaroupka e a tecladista Caroline Campbell) mas esse álbum é muito, mas muito safado. O disco é duplo e tem 19 faixas no total, sendo 10 no primeiro e 9 no segundo. A safadeza é que 9 das 10 faixas que estão no primeiro disco se repetem no segundo. São as mesmas músicas, mixadas de maneira diversa. A grande diferencial das versões presentes aqui se comparadas com as originais – se é que podemos chamar de “grande” – é que as músicas aqui são todas orquestradas. O CoF investiu em composições sinfônicas para essas músicas, deixando o vocal de Dani de lado em praticamente todas elas. São 19 músicas soturnas, de acompanhamento lento e algumas vezes arrastadas. Servem bem como música de fundo, pra ouvir enquanto se trabalha sem que a música interfira com sua produtividade ou concentração.

No geral, o trabalho ficou bastante legal e atraente, tornando as músicas muito diversas de suas versões originais, e é só por isso que ele vale à pena ser conferido. Desde que você seja fã de longa data. Se não, trabalhos como o supracitado “Lovecraft & Witch Hearts” e “Nymphetamine” são opções melhores para conhecer o – repito – bom som do Cradle of Filth.

Nota: 4/10

Iron Maiden – En Vivo!

Mais do mesmo, só para fãs.

Desde que o Iron Maiden lançou o álbum “Brave New World”, em 2000 e que marcou a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao grupo, a banda inaugurou uma tradição de lançar um álbum ao vivo no ano seguinte ao trabalho de estúdio, cobrindo algum show de divulgação da turnê do mesmo. Assim sendo, logo após o supracitado álbum, chegou ao mercado “Iron Maiden – Rock in Rio”, álbum que registrou a passagem do grupo pela cidade maravilhosa; Em 2003 a banda lançou “Dance of Death” e, no ano seguinte, “Death on the Road”, um álbum duplo que foi alvo de críticas por parte do público, que dizia que o Iron Maiden sempre tocava as mesmas músicas clássicas, entremeadas com as novas em suas turnês e álbuns ao vivo. Se a banda ouviu as críticas ou não é difícil de saber. O fato é que na turnê de divulgação de seu trabalho seguinte, “A Matter of Life and Death”, o grupo decidiu inovar e executar aquele álbum inteiro em alguns de seus shows, dando menos espaço para as tais “mesmas músicas clássicas”. Recebeu a mesma chuva de críticas, dessa vez justamente por não tocar os clássicos. Estranhamente, não houve um álbum ao vivo cobrindo essa turnê.

Logo depois de findado o trabalho de divulgação de “AMOLAD”, a banda partiu em uma turnê nostálgica, chamada “Somewhere Back in Time”, que se tratava de shows focados apenas nos álbuns lançados entre 1981 e 1987 – a única exceção sendo a faixa título do álbum “Fear of the Dark”, de 1992. A turnê teve duas partes, uma em 2008 e outra em 2009 (ambas passaram pelo Brasil). A primeira parte da turnê foi filmada e lançada em 2009 em formato de documentário, intitulado “Flight 666”. Um álbum duplo com as canções executadas na turnê também foi lançado em 2009.

Eis que chega 2010 e o Iron Maiden lança “The Final Frontier”, seu décimo quarto álbum de estúdio. E, como não era de ser surpresa, dois anos depois a banda lança um registro ao vivo da turnê. “En Vivo” foi gravado no Chile em 2011 e marca o segundo álbum do Iron Maiden gravado na América do Sul, já que a performance no primeiro “Rock in Rio”, de 1985, foi registrado apenas emDVD.

“En Vivo” é o oitavo álbum ao vivo oficial do Iron Maiden (já que o “Maiden England” saiu em alguns lugares e em outros não e há alguns bootlegs oficiais que saíram em números bem limitados) e é mais do mesmo. Em álbuns cobrindo uma turnê de divulgação de um trabalho novo, a maioria das músicas executadas é dedicada à ele. Em “En Vivo” não é diferente e 6 das 17 músicas do álbum duplo cobrem esse novo lançamento. Esse é o único diferencial de “En Vivo” para os demais álbuns ao vivo do Iron Maiden. No mais, todas as músicas clássicas e exaustivamente tocadas pela banda – as mesmas que os fãs reclamam estarem cansados de ouvir, mas também reclamam quando estão ausentes, o que prova que fãs do Iron Maiden compartilham com fãs de quadrinhos a mania de reclamar de tudo – estão lá, tais quais “The Number of the Beast”, “Iron Maiden”, “Fear of the Dark” e “2 Minutes to Midnight”. A ausência aqui fica por conta de “Run to the Hills” e “Aces High”. Em compensação estão lá “Satellite 15”, “The Final Frontier”, “El Dorado”, “The Talisman”, “Coming Home” e “When the Wild Wind Blows”, todas provenientes do ultimo álbum de estúdio da Donzela de Ferro e que funcionaram muito bem ao vivo. “The Final Frontier” e “El Dorado”, inclusive, tem tudo para se tornarem clássicos do grupo e logo serem alvo das reclamações dos fãs mais xiitas.

No fim das contas, mais um registro ao vivo do Iron Maiden que deve agradar a maior parte dos fãs da banda. O álbum é muito bem produzido e há pouco a se falar do desempenho do Iron Maiden em cima do palco. Quem já viu a algum show da banda sabe bem o que esperar deles e o fato de atenderem exatamente às perspectivas dos fãs não é algo que eu consideraria como um demérito.

Nota: 8/10

Unisonic – Unisonic

Michael Kiske e Kai Hansen juntos depois de 23 anos: precisa dizer mais?

 

Tem alguns lançamentos – seja nos quadrinhos, no cinema, na literatura ou na música – que colocam um sorriso em nossos lábios antes mesmo de eles se tornarem reais. Muitas vezes esse sorriso se desbota ou mesmo se apaga quando o tão esperado lançamento nos chega em mãos, pois a expectativa criada ao redor dele foi muito além da realidade proporcionada pelo mesmo. Em outras vezes, esse sorriso se mantém ou – mais raramente ainda – se alarga ao percebemos que o produto ao qual tanto esperávamos era ainda melhor do que poderíamos suspeitar. Felizmente, esse é o caso do álbum de estreia do Unisonic, que aterrissou recentemente em terras brasileiras via Hellion Records. Antes de falar sobre ele, no entanto, um pouco de contexto é necessário para aqueles que não acompanham a cena do heavy metal de maneira mais próxima.

Na primeira metade dos anos 1980, poucos anos após o NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal ou a “nova onda do metal inglês”) ter tomado o mundo da dita “música pesada” de assalto, era a Alemanha quem, timidamente, começava a reinventar o metal como todos os conheciam. Na verdade, a palavra “reinvenção” pode não refletir exatamente o que acontecia, já que, de fato, as bandas alemãs estavam para liderar a criação de um novo sub-gênero de heavy metal conhecida por “power metal” ou, de maneira mais genérica, “metal melódico”.

Formada em Hamburgo, em 1984, o Helloween seria um dos principais nomes desse novo gênero de heavy metal, que combinava a velocidade e o peso do metal tradicional com melodias mais virtuosas e harmoniozas. A formação original da banda contava com Kai Hansen (vocais e guitarra), Michael Weikath (guitarras), Markus Grosskopf (baixo) e Ingo Schwichtenberg (na bateria). Depois de dois álbuns com essa formação, o Helloween adicionou o vocalista Michael Kiske à banda (Kai optara por desempenhar apenas a função de guitarrista). Dotado de um alcance vocal absurdo e uma voz feita sob medida para aquele estilo musical, os dois álbuns lançados pelo Helloween nos anos seguintes, intitulados “Keeper of the Seven Keys part I” e “Keeper of the Seven Keys part II” provaram ao mundo que o heavy metal europeu tinha muito a mostrar. Kiske, principalmente, foi logo alçado a “Metal God” e comparado à vocalistas consagrados como Rob Halford (Judas Priest) Ian Gillan (Deep Purple) e Bruce Dickinson (Iron Maiden). Parecia que o céu era o limite para o Helloween. Aí o caldo desandou.

Brigas internas fizeram com que Kai deixasse a banda e o Helloween perdesse muito de seu apelo, já que Hansen era uma tremenda força criativa dentro da banda. Hansen foi, então, desenvolver seu projeto solo, que logo se tornaria uma banda em tempo integral, o Gamma Ray, além de trabalhar em projetos dos outros – como o Iron Savior – e ajudar bandas novatas, como o Blind Guardian. Sem Kai, o Helloween gravou dois de seus piores álbuns: “Pink Bubbles Go Ape” e o quase pop “Chameleon”. As tensões dentro da banda ficaram tão grandes que ela quase acabou. No fim, tudo se resumiu à um grande conflito entre Michael Weikath e Michael Kiske. No fim, Kiske acabou por deixar o Helloween.

Pulando partes mais tediosas, chegamos à 2010. O Helloween continuou sua carreira e aos poucos recuperou o respeito dos fãs; Kai Hansen transformou seu Gamma Ray em uma das maiores bandas do gênero e Michael Kiske meio que sumiu, gravando álbuns solo aqui e ali e participando de projetos como o (muito bom) Place Vendome e o (interessante) Supared. Kiske estava sendo mais lembrado por seu passado do que pelo presente… Salvo pelas participações importantes nos álbuns do Avantasia, projeto paralelo da mente por trás do Edguy, o vocalista Tobias Sammet. Kai Hansen também havia participado de alguns dos álbuns do Avantasia e  a turnê da banda naquele ano recolocou os dois no mesmo palco. O entrosamento de Helloween logo foi retomado, a ideia de fazer algo juntos nasceu e Kiske, após recusar o convite de se unir ao Gamma Ray por achar o som da banda muito “pesado”, convidou Hansen para que ele se juntasse ao seu novo projeto, o Unisonic. O resultado dessa ideia é justamente o debut auto-intitulado da banda que além dos exaustivamente supracitados Kiske e Hansen conta também com o guitarrista Mandy Meyer (Asia, Gotthard), o baixista Dennis Ward (Pink Cream 69, Place Vendome) e o baterista Kostas Zafiriou (Pink Cream 69).

Unisonic traz tudo aquilo que um fã de hard rock e heavy metal pode querer. Músicas para cima, com letras bem alto astral, instrumental ora cadenciado, ora virtuoso, riffs de guitarra e refrões grudentos e, claro, o vocal de Michael Kiske dando um diferencial tremendo para a coisa. É impressionante como o cara consegue, apesar de já ter passado dos 40, manter seu timbre vocal e a qualidade de seu gogó lá no alto. Isso pode se dever também, em parte, pelo fato de Kai Hansen e Dennis Ward – os principais compositores da banda – saberem exatamente o que tem em mãos e escreverem linhas vocais feitas sob medida para o careca. Com 12 faixas e já começando chutando a porta da sala com a música título, “Unisonic”, repito, mantém o nível lá em cima, com faixas variando do hard rock para o metal melódico e transitando tranquilamente por ambos os gêneros sem perder cadência ou qualidade. Músicas como “My Sanctuary”, “Renegade” e “Never Too Late”, além das baladas “Star Rider” e  “No One Ever Sees Me” são provas inegáveis do talento dos músicos envolvidos. Não houvessem banalizado o termo, o Unisonic teria todos os quesitos necessários para ser chamado de “supergrupo”. Mais até do que muito “supergrupo” que tem por aí.

Nota: 10/10 

Amaranthe – Amaranthe

Um álbum de estreia competente

Uma das coisas mais interessantes – e talvez uma das maiores responsáveis pela longevidade – do heavy metal é a forma como o estilo não mantém muitas amarras aos seus clichês. Pelo fato de ser um estilo pouco comercialmente acessível, as bandas que optam por esse sub-gênero musical não se furtam em experimentar e adicionar elementos advindos de outras tendências musicais em seu som. Aqueles que conhecem álbuns de Yingwie J. Malmsteen, Epica, Dimmu Borgir, Therion ou mesmo o mais popular “S&M”, do Metallica sabe exatamente como essa tendência funciona.

Sem tentar reinventar o gênero, o Amaranthe apareceu para o mundo no ano passado, depois de dois anos em atividade, com seu álbum de estreia auto-intitulado, trazendo uma mistura estranha mas que funciona: a mistura de elementos de death e power metal com teclados claramente influenciados pela música pop, além de uma combinação de vocais quase característica de bandas mais voltadas para o gothic metal. O Amaranthe tem nada menos do que três vocalistas: a bela Elize Ryd (cuja experiência anterior se limita à uma excursão como backing vocal dos estadunidenses do Kamelot), Jake E (Dream Evil), responsável pela voz masculina limpa e Andreas Solveström (Cipher System), que cuida dos vocais guturais/gritados. Completam a formação o guitarrista/tecladista Olof Mörck (Dragonland, Nightrage) o baixista Johan Andreassen (da banda sueca de metal industrial Engel), e o baterista Morten Løwe Sørensen (Mercenary).

Musicalmente falando, “Amaranthe” traz basicamente um apanhado de tudo o que foi dito acima: elementos de power e death metal com uma pegada bastante pop, mas sem descambar para os principais clichês de quaisquer um desses sub-gêneros. O álbum contém 12 músicas que são bastante homogêneas entre si, e não deixa de trazer faixas com refrões grudentos  como em “Hunger” e “Automatic”, músicas pesadas como “Rain” e a indefectível balada, aqui representada por “Amaranthine”. Uma coisa bem legal nesse álbum de estreia do Amaranthe foi o fato de a banda conseguir combinar elementos tão díspares de forma que funcionassem harmoniozamente em um trabalho bastante homogêneo e bem feito. É aquele tipo de álbum que pode ser escutado uma vez após a outra sem ser cansativo. Vale a pena dar uma conferida.

“Amaranthe” foi lançado no Brasil no começo do ano via Hellion Records.

Nota: 8/10