Anvil – Monument of Metal

Uma boa coletânea de introdução à uma banda desconhecida e velha de estrada.

A história dos canadenses do Anvil tem os elementos ideais para um filme. O roteiro é básico: banda que teve seus 15 minutos de fama, aproveitou-os enquanto pode, sumiu e quase 30 anos depois, ressurgiu das cinzas como uma fênix do heavy metal para provar às pessoas que o grupo ainda estava vivo. Na verdade, a história do Anvil se tornou um filme – na verdade, um documentário – que, aclamado por crítica e público, cumpriu exatamente o papel secundário que lhe fora atribuído: mostrar ao mundo que o grupo ainda estava vivo. E chutando bundas. No entanto, comecemos pelo princípio.

O embrião do que seria o Anvil começa em 1973, quando o vocalista/guitarrista Steve “Lips” Kudlow e o baterista Rob Reinner se conhecem na escola e começam uma amizade que se mantém forte até hoje. Anos se passam e em 1981 a dupla, complementada por Dave “Squirrely” Allison (guitarra) e Ian “Dix” Dickson (baixo) lança seu debut, “Hard N’ Heavy”, de forma independente. Donos de uma sonoridade crua, direta e cheia de energia, o Anvil chama bastante atenção na cena da época. Tanto que seu segundo álbum, “Metal on Metal” tem uma produção melhor, a cargo de Chris Tsangarides, produtor que trabalhara com nomes como Judas Priest, Gary Moore e Thin Lizzy, só para citar os mais notáveis. “Metal on Metal” e seu sucessor “Forged in Fire”, abriram diversas portas para o Anvil, sendo o ápice uma apresentação no Japão tocando ao lado de bandas como Scorpions e Bon Jovi.

Infelizmente, os “15 minutos de fama” do Anvil acabaram por aí. Nos praticamente 26 anos seguintes, o Anvil conheceu o pior lado da indústria musical. Reconhecidamente criadores de toda uma tendência, tidos como influência por bandas como Metallica, Slayer, Anthrax e mesmo Guns And Roses, o Anvil caiu na obscuridade total. Continuaram lançando álbuns – foram mais 10 nesse período – mas Lips e Reinner nunca conseguiram ganhar um tostão com a banda – mal conseguiam bancar a produção de seus álbuns, em sua grande maioria lançados de maneira independente. Aos poucos, o sonho de ser famoso com o Anvil se tornava cada vez mais um sonho irrealizável, na medida em que Lips, Reinner e qualquer um que se envolvia com a banda precisava ter empregos “de verdade” para poder ter algum dinheiro para investir no grupo.

Foi essa situação precária e de determinação irrefreável – Lips nunca deixou de acreditar que um dia o Anvil teria o reconhecimento que merecia – que o direto Sascha Gervais capturou no documentário “Anvil! Story of Anvil”. Lançado em 2008 e exibido em festivais específicos e independentes ao redor do mundo, o filme fez com que diversos olhos importantes tivessem ciência da história de vida de de Lips e Reinner, seu amor pelo heavy metal e sua determinação de nunca desistir até que sua missão fosse cumprida, seja ela qual fosse. Depois de quase 30 anos, o Anvil conseguiu estender seus 15 minutos de fama. Desde então, a banda tem sido convidada para tocar em festivais, abrir para bandas maiores e mesmo excursionar por países onde nunca havia tocado antes – como o Brasil.

“Monument of Metal”, lançado em setembro de 2011, é a terceira compilação do que é considerado o que de melhor o Anvil produziu em sua carreira. Com 19 faixas, o álbum faz um apanhado interessante de toda a carreira do Anvil, desde seus primórdios até “This is Thirteen”, seu penúltimo álbum de inéditas, lançado de maneira independente em 2006, durante o período em que Gervais acompanhou a banda com sua câmera.

Com destaques óbvios como “Metal on Metal”, “Thimb Hang” e “666”, “Monument of Metal” é um álbum daqueles que servem como um belo cartão de visita para aqueles que não conhecem o Anvil e gostariam de entender um pouco mais sobre o porque do burburinho criado em torno dela. Há de se dizer que, além de Lipps e Reinner, a atual formação do Anvil conta com o baixista Glenn Five.

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