Slayer – Reign in Blood

Clássico do thrash metal completa um quarto de século

Por Marcelo Almeida.

Nem parece, mas faz 25 anos que um dos maiores clássicos da música extrema foi lançada.
O Slayer já tinha lançados dois álbuns de estúdio muito bons: “Show no Mercy” e “Hell Awaits”, além de um EP ao vivo, “Live Undead” pela Metal Blade Records.
Uma mudança para uma gravadora poderia sinalizar uma amenizada na sonoridade.

A banda não se fez de rogada e seguiu em frente. Escolha acertada.
Assinaram com a Def Jam. Grana no bolso.

Aqueles que esperavam por uma mudança sonora tiveram que constatar a mais pura realidade: o Slayer era o Slayer de sempre: agressivo, pesado e barulhento.

O terceiro petardo da banda, o ultra clássico, “Reign in Blood” é até hoje um dos álbuns mais respeitados pelos amantes do gênero e até mesmo por pessoas nem tão ligadas metal.

Para produção do álbum contaram com ninguém menos que o barbudão Rick Rubin.
E, na boa, isso fez toda a diferença.
No futuro, Rick Rubin ficaria famoso por extrair leite de pedra de vários artistas e se tornar um produtor renomado mundialmente.

Em Reign in Blood a produção é cristalina.
Pode até ser um paradoxo, mas Rubin deixou a barulheira desenfreada da banda ainda mais límpida. A qualidade de gravação e de produção é absurda.

Os instrumentos soam claros. Não se parece um balaio de gatos sonoro.
As guitarras nunca estiveram tão certeiras e cortantes. Os riffs são cavernosos.

“Angel of Death”, a faixa de abertura, é uma paulada na orelha. O grito que abre a música vem das profundezas do inferno mental da banda. Perfeito. Diabo em forma de grito.

O andamento da música é rápido, mas bem no meio existe um contratempo mais lento para despejar riffs e riffs sensacionais. Peso total. Os solos são barulho puro. Rápidos. Sujos.

Dave Lombardo prova porque é um baterista completo: pegada forte, técnica criativa e enorme versatilidade.

A letra versa sobre o monstro nazista Joseph Mengele, apelidado “carinhosamente” de
Anjo da Morte devido aos horrores praticados em experiências com os judeus.

A fúria da banda segue em “Piece by Piece” e “Necrophobic”.
“Altar of Sacrifice” é outro destaque do álbum. Bateria martelando rapidamente. Lembra um pouco o thrash germânico de Kreator, Sodom e Destruction.

“Jesus Saves” é um doce recado aos idiotas que buscam a salvação divina cegamente. O solo é um primor do barulho e tosqueira metálica.

“Criminally Insane” começa devagar. Riffs lentos que antecipariam uma tendência do Doom Metal. Peso puro. Depois o pau come e a velocidade vira novamente o cartão de visitas.

A faixa seguinte, “Reborn” tem em sua abertura um belo trabalho de riffs “para-continua”. Uma marcação tipicamente usada pelo metal com extrema competência nos anos 80.

Aí entram os riffs cavalgados de “Epidemic”. O massacre continua.
“Postmortem” tem um riff cavernoso. Épico. O andamento da música anteciparia algumas das idéias que o Slayer viria a usar em outros álbuns futuros. Excelente.

Pra fechar com chave de ouro, a climática “Raining Blood”. Antecedida com barulho de trovões e chuva. Um dos melhores riffs de metal de todos os tempos. Peso, maldade, crueza como convém a um álbum de metal. Um verdadeiro show de espancamento de peles por parte de Dave Lombardo.
Riffs grotescos de King e Hanneman. Berros dementes de Araya.

Caos.
O inferno se aproxima.

O trovão final dissipa o ódio numa chuva de sangue…
Em 29 minutos e 3 segundos o metal eternizava ali uma das suas maiores obras.
O primeiro disco de metal “extremo” que eu ouvi na vida (reparem nas aspas).
Bons tempos…

NOTA: 10/10

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