Mês: Setembro 2011

Symphony X – Iconoclast

Banda mostra sua força em um dos melhores lançamentos do ano


O Symphony X é uma daquelas bandas que vem constantemente lançando bons álbuns. Depois do ótimo “Paradise Lost” de 2007, a banda ficou quatro anos ausente de estúdio, o que possibilitou que divulgasse bastante esse trabalho e ainda desse liberdade para que seus membros se envolvessem em projetos paralelos, solos ou realizassem participações especiais nos álbuns de outras bandas/artistas. Um desses projetos, inclusive, envolve o vocalista Russel Allen com o ex-baterista do Dream Theater, Mike Portnoy. Mas esse é um assunto para um post futuro.

Fato é que esses quatro anos fizeram muito bem para o quinteto – que, além de Russel, conta com Michael Romeo (guitarra e principal compositor), Michael LePond (baixo), Michael Pinnella (teclados) e Jason Rullo (bateria) – e a prova disso é esse “Iconoclast”, um álbum que combina com maestria as principais características do Symphony X, ou seja, a virtuose do rock progressivo com o peso do heavy metal. Não é à toa que a banda é considerada um dos maiores nomes do estilo nos Estados Unidos, perdendo, apenas, para o Dream Theater em notoriedade.

Seguindo a tendência do que bandas como o Nightwish fizeram recentemente, “Iconoclast” é aberta com sua música mais longa e, coincidentemente, a faixa título. Beirando os 11 minutos, ela tem tudo aquilo que se pode esperar do Symphony X: peso, passagens longas e intrincadas e um refrão poderoso. No geral a música lembra um pouco, em algumas passagens e trechos, a faixa “Odyssey”, do álbum homônimo, lançado pela banda em 2002.

“The End of Innocence” vem a seguir e é uma pedrada. Pesada, cheia de riffs interessantes e um refrão grudento e forte, é candidata a clássica instantânea; “Dehumanized” segue essa mesma tendência, assim como “Bastards of the Machine”. No geral, todas as supracitadas e ainda “Heretic” e “Children of a Faceless God” seguem essa tendência, tornando o álbum bastante homogêneo. Para quebrar esse padrão, temos “When All Is Lost”, uma tremenda de uma power ballad que tem tudo para entrar para as grandes músicas da banda e rivalizar com outras, como “The Accolade”, do álbum “The Divine Wings of Tragedy”, de 1997. “When All Is Lost” fecha o primeiro disco da versão “Special Edition”, de “Iconoclast”, objeto dessa resenha.

O ritmo acelerado continua em “Electric Messiah” e segue nessa toada ao longo de todas as cinco faixas do segundo disco. A fórmula das músicas, basicamente, é a mesma: riffs de guitarra pesados e virtuosos, um teclado que está lá para a criação de climas e textutas, bateria precisa e um baixo ora discreto, ora bastante audível. Tudo isso encimado pelo vocal ora agressivo, ora limpo, de Allen e refrões contagiantes. Repetitivo? Talvez. Mas isso não impede que “Iconoclast” já seja candidato forte a entrar na lista de melhores álbuns de metal do ano.

Nota: 10/10

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Edguy – Age of the Joker

Nono álbum do Edguy mostra a contínua evolução da banda

Edguy – Age of the Joker.

Eis que os fanfarrões do heavy metal – no melhor sentido da palavra – estão de volta. Depois de um período de 3 anos longe do estúdio, o Edguy nos presenteia com “Age of the Joker”, seu nono álbum de estúdio. Pode-se dizer que esse hiato de 3 anos fez bastante bem ao grupo, já que o álbum em questão é bastante superior ao seu antecessor, “Tinnitus Sanctus”. Melhor dizendo, esses três anos de “folga” fizeram muito bem para Tobias Sammet, o homem por trás do Edguy. Afinal, nesse período ele pôde se dedicar a seu projeto paralelo, o bem sucedido Avantasia, lançando 2 álbuns de estúdio, um DVD/CD ao vivo, excursionando pelo mundo e, finalmente, voltando suas energias para sua banda principal.

Apesar de ser uma banda de heavy metal, o fato é que o Edguy vem, a cada álbum, flertando com estilos mais “leves”, por falta de melhor palavra, como o pop e o hard rock. Como Tobias Sammet consegue fazer isso de maneira bastante competente, a banda consegue manter muito de seu peso, ainda que dando à sua música um ar mais “popular”, novamente entre aspas por falta de melhor descrição para isso.

“Age of the Joker” traz um pouco de tudo: músicas com pegadas hard rock, como aquela que abre o álbum, “Robin Hood” (cujo clipe pode ser visto aqui) e “Fire on the Downline”, passa por faixas mais pesadas, como “Rock of Cashel”, indo até aqueles bastante hard rock e com teclados e refrão quase pop, como “Two out of Seven” sem deixar, claro, o lado mais épico de lado, como prova a longa “Behind the Gates to Midnight World”. Isso sem esquecer das baladas, onipresentes em trabalhos do Edguy. Aqui, “Every Night Withouth You” é a que cumpre melhor esse papel.

A versão especial do álbum traz um segundo disco com seis faixas: duas inéditas (God Fallen Silent e Aleister Crowley Memorial Boogie) , duas versões editadas de músicas presentes no primeiro disco, uma releitura do próprio Edguy e uma versão de “Cum on Feel the Noize”, do Quiet Riot.

“Age of the Joker” não é, nem de longe, o melhor álbum do Edguy. Mas é um álbum interessante, bastante variado e até, em determinados momentos, ousados. Produto de uma banda que não se deixa estagnar e simplesmente regravar o mesmo álbum eternamente.

Nota: 8/10

Dream Theater – A Dramatic Turn of Events

Banda mostra que superou bem a perda de seu principal compositor.

Muitas vezes a frase “o lançamento mais esperado do ano” é descaradamente mentirosa e visa, única e exclusivamente, promover algum produto que, muitas vezes, é bastante meia-boca. Outras vezes, a frase é apenas o principal suporte de uma campanha de marketing que visa alavancar a divulgação – e, consequentemente, as vendas – do dito produto. Em algumas raras ocasiões, e dentro de nichos específicos, no entanto, a frase tem uma certa coerência. No mundinho do metal progressivo, o novo álbum de estúdio do Dream Theater, “A Dramatic Turn of Events” faria valer essa frase, caso ela fosse associada ao produto. E aqui, ela se justificaria simplesmente pelo fato de “A Dramatic Turn of Events” ser o primeiro álbum do Dream Theater em vinte cinco anos sem contar com a presença de Mike Portnoy, baterista, compositor, produtor, principal mente criativa, porta-voz, relações públicas, enfim, a força motriz por trás da banda.

Mike Portonoy criou o Dream Theater junto com o guitarrista John Petrucci e o baixista John Myung nos idos de 1980 com o nome Majestic. Pouco depois adotaram a alcunha de Dream Theater e, nas duas décadas seguintes, arregimentaram alguns dos fãs mais leais e radicais do rock. Devido à sua personalidade expansiva, em contraste com a mais introverdida de seus companheiros de banda, logo Portnoy tomou as rédeas do grupo de uma maneira que, parecia a todos os que estavam de fora, bastante natural. Eram suas as idéias que, principalmente, moldaram a sonoridade e a imagem do Dream Theater como a conhecemos hoje. Há até 2 anos atrás imaginar o Dream Theater sem Mike Portnoy seria o mesmo que, guardadas todas as devidas proporções, pensar nos Rolling Stones sem Mick Jagger ou Keith Richards.

A coisa começou a ficar estranha no Dream Theater quando, no segundo semestre do ano passado, o Avenged Sevenfold – que passou pelo Brasil para tocar no esquisito festival SWU – anunciou que Portnoy tinha topado excursionar com a banda, substituindo seu ex-baterista, morto meses antes. Empolgado, Portnoy ingressou na turnê com o Avenged e, na volta, fez uma proposta, no mínimo, polêmica e que quase nunca dá certo no mundo do rock, aos seus companheiros de DT (além dos supracitados Petrucci e Myung, completam o time o vocalista James LaBrie e o tecladista Jordan Rudess): Portnoy queria que o grupo “desse um tempo”, uma parada para “recarregar as energias” e lhe desse tempo para se dedicar aos seus inúmeros projetos – dentre eles, o sensacional Transatlantic. O mesmo valeria para os demais membros, já que tanto LaBrie quando Rudess vira e mexe lançam álbuns solos. (E aqui cabe um parêntese: “Static Impulse”, álbum solo de LaBrie lançado ano passado figura na lista de melhores do ano de qualquer fã de rock “pesado” ou metal que se preze).

Inicialmente, Portnoy queria que o Dream Theater parasse indefinidamente o que, muitas vezes, significa o fim de uma banda. Petrucci, Myung, LaBrie e Rudess recusaram a proposta, até porque a banda tinha planos de entrar em estúdio em janeiro de 2011 para produzir e gravar seu próximo álbum. “Indefinidamente” logo se tornou “dois anos”. Na teoria de Mike, dois anos era o que todos os membros do Dream Theater precisavam para voltar a se entrosar especialmente fora do palco. Novamente, a idéia não foi bem recebida e Portnoy anunciou na Internet que, a partir de 8 de setembro de 2010, ele estaria fora da banda.

O anúncio deu margem a diversas opiniões, como sempre acontece em casos de separação, mesmo que ela seja, teoricamente, amigável: alguns diziam que Portnoy estava certo em querer que o DT desse um tempo, boa parte criticou sua atitude de querer que os demais membros da banda ficassem esperando ele voltar a querer tocar com eles e uma porção menor acreditava que tudo não passava de um golpe de marketing. O Dream Theater logo começaria audições para um substituto e, no fim, anunciaria a volta do filho pródigo.Não foi bem isso que aconteceu e o destino de Mike Portnoy será tema de outra resenha aqui mesmo em Sounds of Asgard.

O fato é que, depois de uma extensa busca e de testar diversos bateristas – inclusive o “polvo” brasileiro Aquiles Priester (ex-Angra, atual Hangar) – o Dream Theater anunciou que o quase desconhecido Mike Mangini assumiria a difícil tarefa de conduzir as baquetas da banda. Já substituir as demais funções de Portnoy na máquina do Dream Theater não foi tão fácil, ainda que menos traumático. Petrucci, Rudess e LaBrie, em proporções diferentes, assumiram as funções de Portnoy no que dizia respeito à comunicação com o público. Rudess e Petrucci já eram colaboradores bastante ativos, fosse no que dizia respeito às letras, fosse às composições em si e o guitarrista acabou tomando a frente e assinando, pela primeira vez sozinho, a produção de um trabalho do Dream Theater. Geralmente a produção era dividida entre ele e Portnoy.

Por tudo isso dito nos parágrafos acima é que sinto-me seguro em dizer que, pelo menos dentre os apreciadores e fãs de metal progressivo, “o lançamento mais esperado do ano” é uma frase que se encaixa como uma luva em “A Dramatic Turn of Events”. E, para o bem ou para o mal, o álbum faz jus à expectativa.

Apesar da influência de Portnoy ter sido decisiva para moldar a sonoridade do Dream Theater, o fato é que sua falta não se faz sentida no novo álbum. Rudess e Petrucci assumiram a maior responsabilidade pela composição das nove faixas do álbum – quatro delas com duração acima de 10 minutos – de forma que seus desempenhos se sobressaem. Não que a bateria tenha sido relegada, muito pelo contrário, Mangini se prova um instrumentista bastante preciso, ora batendo pesado, ora sendo melodioso, ora esbanjando técnica. O que muda aqui é que, em “A Dramatic Turn of Events” ele fez o papel de um músico contratado, já que as partes que lhe cabem foram compostas e programadas por Petrucci. Coube a Mangini reproduzir – com perfeição – o que o guitarristas havia programado em um computador.

Uma característica que se percebe em “A Dramatic Turn Of Events” é que fazia tempo que a música do Dream Theater não soava tão melodiosa e tão progressiva. Experiências em querer ser “mais pesado do que o Pantera” presenciadas em músicas como “The Shattered Fortress” e “Dark Eternal Night” passam longe daqui. O que se priorizou aqui são as famosas passagens intricadas e virtuosas, com solos e riffs assombrosos de Petrucci e o teclado de Jordan quase que onipresente, trazendo até mesmo passagens épicas às músicas, coisas que, novamente, há tempos não se via em um trabalho do Dream Theater.

A faixa de abertura, “On the Backs of Angels”, a candidata a clássico “Breaking All Illusions” e as baladas “This is the Life” e “Beneath the Surface” são exemplos da versatilidade da banda, uma variação que culmina em “Lost Not Forgotten”, talvez a mais elaborada de todo o álbum. Além do trio Petrucci/Rudess/Mangini, é necessário destacar o trabalho fabuloso de James LaBrie que continua mostrando uma excelente evolução a cada álbum da banda. Quem escuta o “patinho feio” hoje não consegue associá-lo aos seus primeiros trabalhos na banda. O baixista John Myung, novamente, tem seu instrumento em segundo plano mas brilha quando seu trabalho fica em evidência.

Em resumo, “A Dramatic Turn Of Events” mostra que, mesmo sem sua principal força criativa, o Dream Theater continua em sintonia com seus fãs e prova mais uma vez o porquê de ser o “monstro” que é no mundo do metal progressivo.

Nota: 9/10

MaYan – Quarterpast

Projeto paralelo com cara de banda “de verdade”

As palavras “projeto paralelo” podem trazer significados diferentes no mundo do metal. Há, quase sempre, as seguintes variações: o líder do dito projeto é o responsável direto pelas composições e letras de sua banda principal e, sabe-se lá porque cargas d’água, acaba simplesmente contratando músicos diferentes para gravar um álbum que não seria muito diferente do que ele faria com a sua banda principal; o sujeito, ainda que seja o principal compositor/letrista da banda quer fazer algo relativamente diferente e o tal projeto paralelo se justifica por causa disso; ou o sujeito quer simplesmente tocar com pessoas diferentes por um tempo. Uma característica quase sempre presente em projetos paralelos, no entanto, é a presença de diversos membros da assim considerada “banda principal” envolvidos naquela iniciativa. O caso mais extremo nesse sentido, que eu tenha notícia, é o Liquid Tension Experiment, projeto paralelo que continha nada mais nada menos do que três membros do Dream Theater. Tivesse o baixista John Myung e o projeto poderia simplesmente se chamar “Dream Theater sem o vocalista James LaBrie”. Já o projeto paralelo mais bem sucedido do metal atual é o Avantasia, capitaneado pela mente responsável pelo Edguy, Tobias Sammet.

Depois de tudo o que foi dito acima, torna-se óbvio que essa resenha trata de um desses “projetos paralelos”. O MaYan é uma iniciativa do vocalista/guitarrista Mark Jansen, famoso no mundo do dito “metal sinfônico” por ser a mente criativa por trás do Epica, uma das mais bem sucedidas bandas do gênero. Antes de fundar o Epica, no entanto, Mark já era conhecido pelo seu trabalho com o After Forever, outra grande banda holandesa do mesmo nicho musical, que encerrou suas atividades em 2009.

A exemplo do LTE, o MaYan é composto quase que exclusivamente por membros ou ex-membros de ambas as bandas capitaneados por Mark. Sendo responsável apenas pelos vocais aqui, ele convocou os guitarristas Isaac Delahaye (Epica) e Frank Schiphorst (Symmetry), o baixista Rob van der Loo (Freak Neil Inc), o baterista Ariën Van Weesenbeek (Epica) e o tecladista Jack Driessen (ex-After Forever). Dentre as participações especiais, destacam-se o vocalista Hennin Basse (Sons of Seasons) e as cantoras Simone Simmons (Epica) e Floor Jansen (ReVamp, ex-After Forever).

Na capa de “Quarterpast”, álbum de estreia do projeto, as palavras “Symphonic Death Metal Opera” aparecem logo abaixo do título do trabalho e é mais ou menos isso que o ouvinte receberá. Quarterpast é um álbum tem uma primeira audição difícil, tamanha a variedade de sonoridade encontrada ao longo de suas 12 faixas. As músicas variam do death metal cru, passam por trechos sinfônicos, outros progressivos, uma mistura danada que, por incrível que pareça, soa bastante harmoniosa. O som do MaYan ora lembra algo do Epica, ora do After Forever, ora Dimmu Borgir, ora Amon Amarth, o que torna sua definição – e sua digestão inicial – bastante difícil.

Fato é que aqui Mark Jansen resolveu explorar mais seu lado agressivo e calcou boa parte das faixas no peso e na velocidade do death metal. Frank Schiphorst e Jack Driessen colaboraram com muitas das composições do álbum, o que tornou o som do MaYan bastante distinto – ainda que algumas poucas passagens haja semelhança – do que Mark faz no Epica. Se lá ele é quase que uma figura de apoio para que a bela Simone Simmons brilhe, aqui ele é a estrela principal e se mostra bastante confortável como tal. Há, em Quarterpast, até espaço para que o baterista Wessenbeek colabore com vocais guturais, dividindo a função com Jansen.

Devido à variedade do álbum, é difícil eleger destaques individuais. Faixas como a que abre o álbum, “Symphony of Aggression” e a derradeira “War on Terror”, no entanto, podem dar uma boa idéia da proposta geral do MaYan.

“Quarterpast” será lançado no Brasil nos próximos dias via Hellion Records.

Nota: 8/10

Slayer – Reign in Blood

Clássico do thrash metal completa um quarto de século

Por Marcelo Almeida.

Nem parece, mas faz 25 anos que um dos maiores clássicos da música extrema foi lançada.
O Slayer já tinha lançados dois álbuns de estúdio muito bons: “Show no Mercy” e “Hell Awaits”, além de um EP ao vivo, “Live Undead” pela Metal Blade Records.
Uma mudança para uma gravadora poderia sinalizar uma amenizada na sonoridade.

A banda não se fez de rogada e seguiu em frente. Escolha acertada.
Assinaram com a Def Jam. Grana no bolso.

Aqueles que esperavam por uma mudança sonora tiveram que constatar a mais pura realidade: o Slayer era o Slayer de sempre: agressivo, pesado e barulhento.

O terceiro petardo da banda, o ultra clássico, “Reign in Blood” é até hoje um dos álbuns mais respeitados pelos amantes do gênero e até mesmo por pessoas nem tão ligadas metal.

Para produção do álbum contaram com ninguém menos que o barbudão Rick Rubin.
E, na boa, isso fez toda a diferença.
No futuro, Rick Rubin ficaria famoso por extrair leite de pedra de vários artistas e se tornar um produtor renomado mundialmente.

Em Reign in Blood a produção é cristalina.
Pode até ser um paradoxo, mas Rubin deixou a barulheira desenfreada da banda ainda mais límpida. A qualidade de gravação e de produção é absurda.

Os instrumentos soam claros. Não se parece um balaio de gatos sonoro.
As guitarras nunca estiveram tão certeiras e cortantes. Os riffs são cavernosos.

“Angel of Death”, a faixa de abertura, é uma paulada na orelha. O grito que abre a música vem das profundezas do inferno mental da banda. Perfeito. Diabo em forma de grito.

O andamento da música é rápido, mas bem no meio existe um contratempo mais lento para despejar riffs e riffs sensacionais. Peso total. Os solos são barulho puro. Rápidos. Sujos.

Dave Lombardo prova porque é um baterista completo: pegada forte, técnica criativa e enorme versatilidade.

A letra versa sobre o monstro nazista Joseph Mengele, apelidado “carinhosamente” de
Anjo da Morte devido aos horrores praticados em experiências com os judeus.

A fúria da banda segue em “Piece by Piece” e “Necrophobic”.
“Altar of Sacrifice” é outro destaque do álbum. Bateria martelando rapidamente. Lembra um pouco o thrash germânico de Kreator, Sodom e Destruction.

“Jesus Saves” é um doce recado aos idiotas que buscam a salvação divina cegamente. O solo é um primor do barulho e tosqueira metálica.

“Criminally Insane” começa devagar. Riffs lentos que antecipariam uma tendência do Doom Metal. Peso puro. Depois o pau come e a velocidade vira novamente o cartão de visitas.

A faixa seguinte, “Reborn” tem em sua abertura um belo trabalho de riffs “para-continua”. Uma marcação tipicamente usada pelo metal com extrema competência nos anos 80.

Aí entram os riffs cavalgados de “Epidemic”. O massacre continua.
“Postmortem” tem um riff cavernoso. Épico. O andamento da música anteciparia algumas das idéias que o Slayer viria a usar em outros álbuns futuros. Excelente.

Pra fechar com chave de ouro, a climática “Raining Blood”. Antecedida com barulho de trovões e chuva. Um dos melhores riffs de metal de todos os tempos. Peso, maldade, crueza como convém a um álbum de metal. Um verdadeiro show de espancamento de peles por parte de Dave Lombardo.
Riffs grotescos de King e Hanneman. Berros dementes de Araya.

Caos.
O inferno se aproxima.

O trovão final dissipa o ódio numa chuva de sangue…
Em 29 minutos e 3 segundos o metal eternizava ali uma das suas maiores obras.
O primeiro disco de metal “extremo” que eu ouvi na vida (reparem nas aspas).
Bons tempos…

NOTA: 10/10