Dream Theater – Systematic Chaos

Banda mostra sua força em álbum de 2007

O Dream Theater surgiu na segunda metade dos anos de 1980 quando o baterista Mike Portnoy, o guitarrista John Petrucci e o baixista John Myung, todos egressos da Berklee College of Music, em Boston, se conheceram e decidiram formar uma banda. Inicialmente intitulada Majesty, logo o trio se juntou ao tecladista Kevin Moore e, pouco mais tarde, ao vocalista Chris Collins. Ao saber que já havia uma banda com o mesmo nome, o quinteto mudou para Dream Theater e, pouco depois de gravarem algumas demos, Chris foi substituído por Charlie Dominici. Com essa formação, gravaram, em 1988, “When Day and Dream Unite”, um álbum que chamou a atenção da crítica e teve uma boa divulgação nas rádios estadunidenses, apesar da pequena tiragem.

Como é comum em bandas de heavy metal, logo diferenças musicais fizeram com que Dominici deixasse a banda. Por dois anos, o Dream Theater se apresentou sem um vocalista fixo, até recrutar James LaBrie pra posição. Em 1992, o lançamento de “Images & words” colocaria a banda de vez no cenário do prog metal. Fazendo uma música calcada não só no virtuosismo típico do progressivo, mas também na energia do heavy metal e recheado das influências mais diversas, hoje o Dream Theater é, reconhecidamente, o nome mais importante dentro do gênero musical que ajudou a criar. Não que seja uma unanimidade, nem de longe. Na verdade, o Dream Theater é daquelas poucas bandas que, ou se ama, ou se odeia. Não há muitos meio termos quando se fala deles.

De qualquer maneira, desde “When day and dream unite” já se foram mais de 20 anos, a formação da banda se estabilizou no fim dos anos 1990, com Portnoy, Petrucci, Myung, LaBrie e o tecladista Jordan Rudess e em 2007 o Dream Theater lançou “Systematic Chaos”, primeiro pela gravadora Roadrunner Records e décimo disco em estúdio da carreira (contando-se aí o EP “A change of seasons”). Um álbum que além, do virtuosismo, técnica e energia característicos do Dream Theater, traz, ainda, influências das mais diversas. Afinal, apesar do que os mais xiitas possam pensar, uma das principais regras do rock progressivo é justamente a falta de regras. Absorve-se tudo o que é interessante dos outros estilos e descarta-se o que não presta.

Assim sendo “Systematic chaos” começa com a primeira parte da suíte “In the presence of enemies”. Com seus nove minutos de duração, a música, que tem uma longa introdução instrumental e já apresenta todos aqueles elementos familiares ao som da banda, ou seja, bons riffs e solos de guitarra, o teclado sempre marcante de Rudess, a bateria precisa de Portnoy, o baixo discreto, mas sempre eficiente de Myung e LaBrie cantando como nunca. Se no começo de sua carreira o vocalista abusava dos agudos, hoje prefere muito mais interpretar as músicas, usando sua voz de uma maneira muito mais conveniente e eficiente.

“Forsaken” é aquela que poderia ser chamada a faixa comercial do álbum. Começando com um duo de piano e guitarra que lembra, de longe o que algumas bandas do famigerado “new” metal fazem – mas o Dream Theater o faz com muito mais maestria, obviamente. Ela traz um refrão de fácil assimilação, daqueles que logo grudam na cabeça. “Forsaken” é daquelas faixas que poderiam tocar em rádio e faria quem não conhece a banda parar pra ouvi-la.

“Constant Motion” é, de cara, um dos destaques individuais do álbum. Claramente influenciada pelo Metallica da fase “… And justice for all” traz um belo trabalho de Petrucci cujo riff de guitarra se encaixaria muito bem em um álbum de thrash metal. Destaque também para o trabalho vocal de LaBrie, cantando de maneira bem agressiva, dividindo os vocais com Portnoy. “Constant Motion” foi, inclusive, escolhida como a música de trabalho do álbum e seu vídeo pode ser conferido no site oficial da Roadrunner (http://www.roadrunnerrecords.com/artists/DreamTheater/video.aspx).

O peso continua em “The dark eternal night”, dessa vez com um riff de guitarra que também lembra bastante o “new” metal, a bateria rápida de Portnoy, mudanças de ritmo supreendentes e vocais cheios de efeitos, novamente divididos entre LaBrie e o baterista. No começo causa um pouco de estranheza, por ser a música mais pesada da carreira da banda, mas se torna logo um dos destaques do álbum.

Não é segredo para os fãs da banda que Mike Portnoy lutou por anos contra o alcoolismo. Depois de recuperado, ele decidiu contar sua história em uma série de músicas que muitos fãs apelidaram carinhosamente de “a saga da cachaça” ou “a saga do bebum”. A primeira parte, “The glass prison”, apareceu no álbum “Six degrees of inner turbulence”, seguida de “This dying soul” (“Train of thought”) e “The root of all evil” (“Octavarium”), cada uma delas baseada em alguns dos passos que o levaram a superar o problema. “Repeteance” cobre os passos 8 e 9 da recuperação e é a música mais calma e progressiva do disco, recheada de longas passagens instrumentais que, fora do contexto das demais, pode parecer um pouco chata à primeira audição. Termina com uma série de diálogos nas vozes de músicos como Daniel Gildenlow (Pain of Salvation, Transatlantic), Neal Morse (Transatlantic, ex-Spoke’s Beard), Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour), Steve Vai e Joe Satriani, dentre outros.

Lembra o que eu disse sobre não haver regras no rock progressivo? Pois é, “Prophets of war” é uma das provas disso. A música tem uma forte influência pop, indie e mesmo da discoteca dos anos 1970, o que faz com que sua introdução cause uma certa estranheza. Passado esse primeiro momento, ela se mostra uma música bem interessante, com um belo refrão e bastante energia.

A ela segue-se “The Ministry Of Souls”, que possui uma bela e longa abertura, com passagens instrumentais simplesmente fantásticas. Com quase quinze minutos de duração, é daquelas músicas que precisa ser escutada atenciosamente diversas vezes para que seja bem absorvida. De longe, lembra a faixa “Octavarium”, do álbum anterior.

Finalmente, “In the presence of enemies – part II”, a faixa mais longa do álbum, completa a primeira e possui diversas mudanças de andamento, com um trabalho brilhante de toda a banda. Segundo o vocalista LaBrie, a idéia inicial da banda era fazer “In the presence of enemies” como uma música só – na turnê de divulgação do álbum, ela é tocada assim – mas, no contexto do álbum, a divisão fazia mais sentido.

No fim das contas, mais um excelente álbum do Dream Theater, superando seu antecessor e provando porque a banda é referência dentro do estilo. Não só para seus admiradores quanto para seus detratores.

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