Belphegor – Blood Magik Necromance

Novo trabalho mostra porque da banda ser cada vez mais respeitada no cenário.

Depois de apenas dois anos desde o bom “Walpurgis Rites – Hexenwahn” eis que os austríacos do Belphegor retornam do estúdio com “Blood Magik Necromance”, seu nono álbum de estúdio. Atualmente, contando com Helmuth (vocais e guitarra – único membro que permanece na banda desde 1991, quando esta se formou sob a alcunha de “Betrayer”), Serpenth (baixo) e Martin “Marthyn” Jovanovic (bateria), o Belphegor vem, aos poucos, se consagrando como um dos mais respeitados e influentes nomes do black metal mundial

Blood Magik Necromance” traz uma evolução à sonoridade da banda, no sentido de que a produção do álbum parece ter tido toda uma atenção especial, no sentido de ser bastante limpa. Por incrível que possa parecer, apesar de toda a pancadaria sonora que caracteriza o som do Belphegor, em “Blood Magik Necromance” temos algumas passagens quase melodiosas, flertes como solos de guitarra aqui e ali, permeados, correndo o risco de parecer repetitivo, por uma produção onde todos os instrumentos são perfeitamente audíveis e não atropelam nem se misturam ao vocal de Helmuth. E isso – essa preocupação com a produção – parece ser uma preocupação quase universal de bandas de black/death metal atualmente, algo que contrasta, e muito, com o começo da cena há pouco mais de vinte anos. No final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, quando a cena black metal estourou – especialmente através de bandas vindas da Noruega – a produção era o fator que menos preocupava as bandas. Quanto mais tosco e confuso o som, melhor.

“Blood Magik Necromance” já começa a toda a velocidade com “In Blood – Devour This Sanctity”, sem introduçõezinhas climáticas nem nenhuma tentativa da ambientação que so tornou item quase obrigatório em álbuns de metal de praticamente todos os estilos. Esse power trio austríaco não parece dar atenção à essas coisas e já começa metendo o pé no acelerador. A banda produziu ainda um clipe para “Impaled Upon The Tongue Of Sathan”, que tem um climão todo “sexy-snuff-gore” que faz o delírio dos fãs e provoca certa repulsa do público em geral.

Apesar de momentos mais cadenciados, como em passagens da faixa título e de “Discipline Through Punishment”, o Belphegor investe mesmo é no peso e na velocidade, como dito acima. Os vocais de Helmut, ora guturais, ora urrados, encaixam perfeitamente na proposta da banda. Do início ao fim, “Blood Magik Necromance” se mostra um álbum bastante homogêneo, que vai agradar aos fãs tanto de Belphegor quanto de black metal em geral. O que torna esse álbum um item direcionado a um público deveras restrito.

Uma coisa legal a ser dita é que o Belphegor estará em turnê pelo Brasil no próximo mês. A banda acertou nada menos do que 10 datas no país, nas quais terá a companhia do Ragnarok e, nos dois últimos shows (em Belo Horizonte e São Paulo), da lenda do death metal Morbid Angel. A turnê conjunta faz parte do tradicional festival intinerante Setembro Negro que a cada ano ganha mais força no país.

Nota: 8/10

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