Mês: Agosto 2011

Savatage – Still The Orchestra Plays

Savatage – Still The Orchestra Plays

Coletânea cumpre seu papel com louvor

O Savatage encerrou suas atividades em 2001, deixando uma legião de fãs orfãos daquela que foi uma das mais ousadas bandas de metal de seu tempo. No fim da década passada, mais precisamente em março de 2010, o único remanescente da dupla fundadora da banda, o vocalista Jon Oliva resolveu matar a saudade dos fãs por qualquer material novo do Savatage e lançou no mercado “Still The Orchestra Plays – Greatest Hits volume 1 & 2”, uma coletânea dupla abarcando toda a carreira do grupo. Pra não ser apenas mais uma coletânea genérica como muitas lançadas por aí – e cumprir a promessa de “material novo” – Jon fez questão de adicionar três músicas inéditas ao segundo disco. Pra completar o pacote, o lançamento, em formato digipack, vem ainda com um DVD contendo uma apresentação da banda no Japão em 1994, que havia saído apenas em VHS até então. Uma preciosidade, já que mostra um dos primeiros shows do Savatage sem a presença do guitarrista Criss Oliva, irmão caçula de Jon, morto em um acidente automobilístico meses antes.

Um dos grandes méritos de “Still The Orchestra Plays” é o cuidado com que Jon preparou a obra. Pra começar – e diferente da maioria de coletâneas que vemos no mercado – “Still The Orchestra Plays” traz o que seria o melhor do Savatage – na opinião de Jon, claro. Fãs podem discordar dele – em ordem cronológica, pinçando músicas desde o álbum de estreia, “Dungeons Are Calling” até o derradeiro “Poets and Madmen”, que decretou o fim da banda. Esse recurso se mostra bastante interessante, porque permite acompanhar a evolução e mudanças pelos quais a sonoridade da banda passou em uma ordem bastante linear. É quase como um raio x de como o Savatage era no começo e no final e ainda deixa uma promessa do que poderia ter sido. É difícil chegar à última música do segundo álbum – “Morphine Child” – sem imaginar o que poderia vir a seguir. “Anymore”, “Not What You See” e “Out On The Streets”, três canções acústicas, são as supracitadas músicas inéditas acrescidas como bônus no álbum.

Do DVD não há muito o que falar. Estamos falando de uma banda de heavy metal tocando no Japão após perder um de seus principais integrantes. Se bandas de heavy metal já são comumente bem aceitas no Japão, imagina aqui?

Lançado em terras brasilis em março desse ano pela Hellion Records, “Still The Orchestra Plays” cumpre, com louvor, o duplo papel que lhe fora atribuído. Agrada tanto aos fãs do Savatage quanto aqueles desavisados que gostariam de serem apresentados à banda.

Nota: 9/10

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Dream Theater – Systematic Chaos

Banda mostra sua força em álbum de 2007

O Dream Theater surgiu na segunda metade dos anos de 1980 quando o baterista Mike Portnoy, o guitarrista John Petrucci e o baixista John Myung, todos egressos da Berklee College of Music, em Boston, se conheceram e decidiram formar uma banda. Inicialmente intitulada Majesty, logo o trio se juntou ao tecladista Kevin Moore e, pouco mais tarde, ao vocalista Chris Collins. Ao saber que já havia uma banda com o mesmo nome, o quinteto mudou para Dream Theater e, pouco depois de gravarem algumas demos, Chris foi substituído por Charlie Dominici. Com essa formação, gravaram, em 1988, “When Day and Dream Unite”, um álbum que chamou a atenção da crítica e teve uma boa divulgação nas rádios estadunidenses, apesar da pequena tiragem.

Como é comum em bandas de heavy metal, logo diferenças musicais fizeram com que Dominici deixasse a banda. Por dois anos, o Dream Theater se apresentou sem um vocalista fixo, até recrutar James LaBrie pra posição. Em 1992, o lançamento de “Images & words” colocaria a banda de vez no cenário do prog metal. Fazendo uma música calcada não só no virtuosismo típico do progressivo, mas também na energia do heavy metal e recheado das influências mais diversas, hoje o Dream Theater é, reconhecidamente, o nome mais importante dentro do gênero musical que ajudou a criar. Não que seja uma unanimidade, nem de longe. Na verdade, o Dream Theater é daquelas poucas bandas que, ou se ama, ou se odeia. Não há muitos meio termos quando se fala deles.

De qualquer maneira, desde “When day and dream unite” já se foram mais de 20 anos, a formação da banda se estabilizou no fim dos anos 1990, com Portnoy, Petrucci, Myung, LaBrie e o tecladista Jordan Rudess e em 2007 o Dream Theater lançou “Systematic Chaos”, primeiro pela gravadora Roadrunner Records e décimo disco em estúdio da carreira (contando-se aí o EP “A change of seasons”). Um álbum que além, do virtuosismo, técnica e energia característicos do Dream Theater, traz, ainda, influências das mais diversas. Afinal, apesar do que os mais xiitas possam pensar, uma das principais regras do rock progressivo é justamente a falta de regras. Absorve-se tudo o que é interessante dos outros estilos e descarta-se o que não presta.

Assim sendo “Systematic chaos” começa com a primeira parte da suíte “In the presence of enemies”. Com seus nove minutos de duração, a música, que tem uma longa introdução instrumental e já apresenta todos aqueles elementos familiares ao som da banda, ou seja, bons riffs e solos de guitarra, o teclado sempre marcante de Rudess, a bateria precisa de Portnoy, o baixo discreto, mas sempre eficiente de Myung e LaBrie cantando como nunca. Se no começo de sua carreira o vocalista abusava dos agudos, hoje prefere muito mais interpretar as músicas, usando sua voz de uma maneira muito mais conveniente e eficiente.

“Forsaken” é aquela que poderia ser chamada a faixa comercial do álbum. Começando com um duo de piano e guitarra que lembra, de longe o que algumas bandas do famigerado “new” metal fazem – mas o Dream Theater o faz com muito mais maestria, obviamente. Ela traz um refrão de fácil assimilação, daqueles que logo grudam na cabeça. “Forsaken” é daquelas faixas que poderiam tocar em rádio e faria quem não conhece a banda parar pra ouvi-la.

“Constant Motion” é, de cara, um dos destaques individuais do álbum. Claramente influenciada pelo Metallica da fase “… And justice for all” traz um belo trabalho de Petrucci cujo riff de guitarra se encaixaria muito bem em um álbum de thrash metal. Destaque também para o trabalho vocal de LaBrie, cantando de maneira bem agressiva, dividindo os vocais com Portnoy. “Constant Motion” foi, inclusive, escolhida como a música de trabalho do álbum e seu vídeo pode ser conferido no site oficial da Roadrunner (http://www.roadrunnerrecords.com/artists/DreamTheater/video.aspx).

O peso continua em “The dark eternal night”, dessa vez com um riff de guitarra que também lembra bastante o “new” metal, a bateria rápida de Portnoy, mudanças de ritmo supreendentes e vocais cheios de efeitos, novamente divididos entre LaBrie e o baterista. No começo causa um pouco de estranheza, por ser a música mais pesada da carreira da banda, mas se torna logo um dos destaques do álbum.

Não é segredo para os fãs da banda que Mike Portnoy lutou por anos contra o alcoolismo. Depois de recuperado, ele decidiu contar sua história em uma série de músicas que muitos fãs apelidaram carinhosamente de “a saga da cachaça” ou “a saga do bebum”. A primeira parte, “The glass prison”, apareceu no álbum “Six degrees of inner turbulence”, seguida de “This dying soul” (“Train of thought”) e “The root of all evil” (“Octavarium”), cada uma delas baseada em alguns dos passos que o levaram a superar o problema. “Repeteance” cobre os passos 8 e 9 da recuperação e é a música mais calma e progressiva do disco, recheada de longas passagens instrumentais que, fora do contexto das demais, pode parecer um pouco chata à primeira audição. Termina com uma série de diálogos nas vozes de músicos como Daniel Gildenlow (Pain of Salvation, Transatlantic), Neal Morse (Transatlantic, ex-Spoke’s Beard), Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour), Steve Vai e Joe Satriani, dentre outros.

Lembra o que eu disse sobre não haver regras no rock progressivo? Pois é, “Prophets of war” é uma das provas disso. A música tem uma forte influência pop, indie e mesmo da discoteca dos anos 1970, o que faz com que sua introdução cause uma certa estranheza. Passado esse primeiro momento, ela se mostra uma música bem interessante, com um belo refrão e bastante energia.

A ela segue-se “The Ministry Of Souls”, que possui uma bela e longa abertura, com passagens instrumentais simplesmente fantásticas. Com quase quinze minutos de duração, é daquelas músicas que precisa ser escutada atenciosamente diversas vezes para que seja bem absorvida. De longe, lembra a faixa “Octavarium”, do álbum anterior.

Finalmente, “In the presence of enemies – part II”, a faixa mais longa do álbum, completa a primeira e possui diversas mudanças de andamento, com um trabalho brilhante de toda a banda. Segundo o vocalista LaBrie, a idéia inicial da banda era fazer “In the presence of enemies” como uma música só – na turnê de divulgação do álbum, ela é tocada assim – mas, no contexto do álbum, a divisão fazia mais sentido.

No fim das contas, mais um excelente álbum do Dream Theater, superando seu antecessor e provando porque a banda é referência dentro do estilo. Não só para seus admiradores quanto para seus detratores.

Manowar – Gods of War

O último álbum completo da banda causou polêmica entre os fãs quando lançado em 2007.

A simples menção do nome Manowar já traz um sorriso ao rosto de todo headbanger que se preza. Afinal, os trabalhos da banda americana que se auto-intitula “os reis do metal”, mesmo que demorem meia década para serem lançados, são sempre uma garantia de heavy metal bem tocado e – porque não dizer? – divertido.

Depois do bom “Warriors of the world united”, o Manowar passou cinco anos excursionando, lançando mais dvds de sua série “Hell On Earth” e seus membros se envolvendo em outras atividades. Um dos mais ocupados, o baixista/produtor Joe DeMaio, por exemplo, produziu dois álbuns do Rhapsody of Fire nesse período. O que muito fã xiita diz ter feito mal pro sujeito já que foi durante esse período que Joe teve a idéia de produzir uma trilogia de álbuns em homenagem aos deuses da guerra de diversas mitologias. O primeiro, como não poderia deixar de ser, presta uma homenagem a Odin, o maior deus da Mitologia nórdica. O álbum “Gods of War” é o resultado desse trabalho e pode-se dizer que guerreiros de Asgard ficariam bastante satisfeitos com a justa homenagem. Mesmo que seja um álbum que venha dividindo opiniões.

O problema de “Gods of war”, na visão dos críticos, é que ele tem menos metal do que o que se espera de um álbum do Manowar, já que na maioria de suas 15 faixas a banda investe mais em seu lado épico. Nas demais, no entanto, o Manowar de sempre, mais direto do que virtuoso, aparece em toda sua competência e mostra porque o quarteto formado pelo supracitado Joe DeMaio (que além do baixo é o responsável por parte das orquestrações e teclados do álbum), Eric Adams, (vocal), Karl Logan (guitarra/teclados) e Scott Columbus (bateria) ainda é relevante e tem um grande número de fiéis fãs.

Por outro lado, um álbum conceitual sobre um deus da guerra tem mesmo que ser épico – uma característica mais atribuída a bandas de metal melódico, como o Blind Guardian – e é por isso que esse lado do Manowar fica mais evidente neste trabalho, especialmente na longa introdução “Overture To The Hymn Of The Immortal Warriors”, seguida de “The ascension”. “King of kings”, a primeira música “verdadeira” do álbum, por assim dizer, traz o Manowar ao qual os fãs estão acostumados. “Sleipinir”, cujo foco é a ponte de arco-íris que liga Midgard (a Terra) a Asgard, com um refrão pra lá de pegajoso, é uma pancada direta, pra bater cabeça e abalar estádios. Um dos destaques do álbum.

“Loki, god of fire” mantém essa toada e daí em diante, as músicas meio que se revezam: ora uma balada (como “Blood brothers”), ora faixas instrumentais (“Overture to Odin”), climáticas (“The blood of Odin”) ora músicas típicas do Manowar (“Sons of Odin”), fórmula que mais ou menos se segue até o final do álbum, com a boa “Hymn Of The Immortal Warriors”. Um álbum épico e pesado na medida certa, dentro do que se propôs fazer. Ideal pros fãs de quadrinhos, especialmente da Marvel, já que é a trilha sonora ideal pra embalar leituras como “A saga de Surtur” e outras grandes histórias do Thor escritas por Walt Simonson, faça-me o favor.

Como não podia deixar de ser, aquele Manowar de sempre, os “reis do metal”, os caras que adoram salientar como é legal tocar metal, como são fiéis ao metal, como é energético o metal e como são sensacionais os fãs de metal aparece na faixa bônus “Die for metal”. Totalmente fora do contexto de “Gods of war”, “Die for metal” já é candidata mais do que garantida de se tornar um clássico da banda, ao lado de músicas como “The gods made heavy metal”, “Kings of metal”, “Manowar” e outras. Essa sim, a música que todo fã do Manowar – e, sejamos francos, todo fã que não leve o heavy metal à sério demais – vai cantar junto a plenos pulmões. Afinal, tem coisa mais legal do que um refrão como “They can’t stop us / Let ‘em try / For heavy metal / We would die!” (algo como “Eles não podem nos deter / Deixe-os tentar / Pelo heavy metal / Nós morreríamos!”)?

É por essas e outras que o Manowar é considerado por eles mesmos e pela maioria de seus fãs como “Os Reis do heavy metal”. O destaque final do álbum vai pro encarte, todo escrito em no creio ser um idioma nórdico antigo, já que está todo em runas. Ruim pra quem – como eu – gosta de escutar as músicas acompanhando as letras, mas bom no contexto do álbum.

Whitesnake – Forevermore

Banda faz um “mais do mesmo” bastante agradável

Conhecida pelo grande público devido a baladas melosas como “Is This Love” e músicas altamente comerciais como “Love Ain’t No Stranger”, o Whitesnake sofre, muitas vezes, do mesmo problema de bandas como o Scorpions, ou seja, são poucos os que conseguem passar dessa impressão inicial e conhecer verdadeiramente o trabalho da banda. Se assim fizessem, veriam que ambas oferecem muito mais do que baladas românticas e músicas feitas quase que sob encomenda para as rádios.

Não estou dizendo que as supracitadas não o façam. Mas a verdade é que, desde o fim dos anos 1970, o Whitesnake tem produzido álbuns de qualidade inegável em uma escala quase industrial, com uma sonoridade que, se não muda muito, mostra um hard rock muito bem feito e vigoroso que supera, em muitos, suas baladas, que, apesar disso, são uma marca indefectível da banda. É impressionante como o vocalista e principal letrista da banda, Dave Coverdale, consegue encaixar a palavra “love” em tantas músicas.

Forevermore” é o décimo quarto álbum em estúdio da banda e traz todos os ingredientes que marcaram sua história. Sim, há baladas melosas e “farofas”; há músicas comerciais; há, ainda, rockões de respeito e há, acima de tudo, a qualidade inerente à uma banda com 33 anos de estrada que poucas vezes mostrou-se abaixo da média. Tudo isso, é bom que se diga, graças à visão de Coverdale, único membro remanescente da formação original do Whitesnake que, atualmente, conta com os guitarristas Doug Aldrich e Reb Beach, o baixista Michael Devin e o baterista Briian Tichy. Aldrich, na banda desde 2003, tornou-se o braço direito de Coverdale e assina todas as composições ao lado do vocalista.

Coincidentemente ou não, “Forevermore” é um álbum bastante voltado para a dupla de guitarristas e isso já se percebe desde a faixa de abertura “Steal Your Heart Away”, uma música bastante comercial, com um refrão grudento e, ao mesmo tempo, um hard rock de respeito. A dupla Beach e Aldrich encaixam muito bem seus instrumentos aqui, seja nos riffs, seja nos solos. Uma faixa deveras empolgante e um excelente cartão de abertura.

Com o jogo ganho de cara, “Forevermore” segue sem maiores picos ou deslizes. Com três décadas de estrada, Coverdale & cia sabem muito bem o que seus fãs esperam deles e os satisfazem à altura. Variando de rockões vigorosos às obrigatórias baladas, o álbum é bastante harmonioso, com a ordem das faixas estando bem equilibrada. Individualmente, o destaque vai para Coverdale que, ainda que às vésperas de completar 60 anos, continua cantando como poucos, seja de sua geração, seja da posterior. Um senhor com um gogó bastante respeitável.

E o mais legal de tudo é que a turnê de “Forevermore” passa pelo Brasil agora em setembro, com a banda tendo o suporte dos britânicos do Judas Priest, em sua (assim chamada) turnê de despedida.

Nota: 8/10

Belphegor – Blood Magik Necromance

Novo trabalho mostra porque da banda ser cada vez mais respeitada no cenário.

Depois de apenas dois anos desde o bom “Walpurgis Rites – Hexenwahn” eis que os austríacos do Belphegor retornam do estúdio com “Blood Magik Necromance”, seu nono álbum de estúdio. Atualmente, contando com Helmuth (vocais e guitarra – único membro que permanece na banda desde 1991, quando esta se formou sob a alcunha de “Betrayer”), Serpenth (baixo) e Martin “Marthyn” Jovanovic (bateria), o Belphegor vem, aos poucos, se consagrando como um dos mais respeitados e influentes nomes do black metal mundial

Blood Magik Necromance” traz uma evolução à sonoridade da banda, no sentido de que a produção do álbum parece ter tido toda uma atenção especial, no sentido de ser bastante limpa. Por incrível que possa parecer, apesar de toda a pancadaria sonora que caracteriza o som do Belphegor, em “Blood Magik Necromance” temos algumas passagens quase melodiosas, flertes como solos de guitarra aqui e ali, permeados, correndo o risco de parecer repetitivo, por uma produção onde todos os instrumentos são perfeitamente audíveis e não atropelam nem se misturam ao vocal de Helmuth. E isso – essa preocupação com a produção – parece ser uma preocupação quase universal de bandas de black/death metal atualmente, algo que contrasta, e muito, com o começo da cena há pouco mais de vinte anos. No final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, quando a cena black metal estourou – especialmente através de bandas vindas da Noruega – a produção era o fator que menos preocupava as bandas. Quanto mais tosco e confuso o som, melhor.

“Blood Magik Necromance” já começa a toda a velocidade com “In Blood – Devour This Sanctity”, sem introduçõezinhas climáticas nem nenhuma tentativa da ambientação que so tornou item quase obrigatório em álbuns de metal de praticamente todos os estilos. Esse power trio austríaco não parece dar atenção à essas coisas e já começa metendo o pé no acelerador. A banda produziu ainda um clipe para “Impaled Upon The Tongue Of Sathan”, que tem um climão todo “sexy-snuff-gore” que faz o delírio dos fãs e provoca certa repulsa do público em geral.

Apesar de momentos mais cadenciados, como em passagens da faixa título e de “Discipline Through Punishment”, o Belphegor investe mesmo é no peso e na velocidade, como dito acima. Os vocais de Helmut, ora guturais, ora urrados, encaixam perfeitamente na proposta da banda. Do início ao fim, “Blood Magik Necromance” se mostra um álbum bastante homogêneo, que vai agradar aos fãs tanto de Belphegor quanto de black metal em geral. O que torna esse álbum um item direcionado a um público deveras restrito.

Uma coisa legal a ser dita é que o Belphegor estará em turnê pelo Brasil no próximo mês. A banda acertou nada menos do que 10 datas no país, nas quais terá a companhia do Ragnarok e, nos dois últimos shows (em Belo Horizonte e São Paulo), da lenda do death metal Morbid Angel. A turnê conjunta faz parte do tradicional festival intinerante Setembro Negro que a cada ano ganha mais força no país.

Nota: 8/10

Savatage – Edge of Thorns

O álbum definitivo de uma banda que acabou prematuramente

O Savatage foi uma das mais importantes e influentes bandas de heavy metal nas décadas de 1980 e 1990. O grupo começou suas atividades nos fins dos anos 1970, sob outro nome, tendo seu primeiro álbum, “Sirens” lançado em 1984. Fruto do trabalho dos irmãos Jon (teclados) e Cris Oliva (guitarra), o Savatage lançou álbum atrás de álbum, de maneira bastante consistente, até 1993, quando Cris morreu vítima de um atropelamento. Jon seguiu com o Savatage até o ano de 2007, quando, no 25º aniversário da banda, decidiu por encerrar as atividades e seguir com seus projetos solo, como o Jon Oliva’s Pain e a bem sucedida Trans-Siberian Orchestra.

Em 2010, Jon Oliva resolveu começar um projeto visando relançar todo o catálogo do Savatage em edições especiais. O relançamento de “Edge of Thorns” faz parte dessa iniciativa. Originalmente lançado em 1993, o álbum é considerado por muitos como um divisor de águas na carreira da banda. Não só pela qualidade inerente ao mesmo, mas também pelo fato de ter sido o último com Cris Oliva à frente das seis cordas. Foi pouco após a turnê de “Edge of Thorns” que Cris sofreu o acidente que viria a matá-lo. Na época, além de Jon e Cris, o Savatage contava com o vocalista Zachary Stevens, o baixista Johnny Lee Middleton e o baterista Steve “Doc” Wacholz.

De “Edge of Thorns”, que abre o álbum, até a emocionante “Sleep”, que fecha o álbum, o que vemos aqui é um trabalho extremamente maduro e convincente, que transita pelos mais diversos ritmos e características do heavy metal proposto pelo Savatage, que, aqui, assume uma posição bastante acessível mas nunca superficial. Músicas como “Edge of Thorns” e “Lights Out” têm refrões bastante empolgantes e grudentos; “Skraggy’s Tomb” e “Miles Away”, são metalzões de respeito; “Degrees of Sanity” traz um solo de guitarra primoroso; “Follow Me”, “All That I Bleed” e a supracitada “Sleep” são power baladas bem encaixadas, com letras bastante relevantes. Essa reedição do álbum traz, ainda, versões acústicas de “All That I Bleed” e “If I Go Away”, duas baladas deveras cativantes.

Dezoito anos após seu lançamento, “Edge of Thorns” é um álbum que ainda se mantém relevante e é prova inconteste de como o fim do Savatage foi, no mínimo, prematuro.

Nota: 9/10

Kappa Crucis – Jewel Box

Climão setentista em estréia de banda paulista

Formado no início dos anos 1990 no interior de São Paulo, o Kappa Crucis demorou mais de uma década para finalmente lançar seu álbum de estréia. Não que o quarteto formado por G. Fischer (vocal e guitarra), R. Tramontin (baixo), F.Dória (bateria) e A. Stefanovitch (teclados) tenha ficado sentado, vendo o tempo passar esperando uma chance. Muito antes pelo contrário, entre os anos de 1997 e 2004 a banda lançou cinco demos e tocou em diversos festivais, de forma a atrair a atenção de algum público e da mídia especializada para o seu som, que é totalmente calcado no rock and roll dos anos 1970, misturando com competência influências de progressivo, hard e stoner rock.

Jewel Box”, o tão adiado trabalho de estréia da banda, foi lançado de maneira independente em 2009, mas só agora começou a ser realmente divulgado. Fazendo um apanhado das demos e músicas inéditas, “Jewel Box” é quase que uma viagem no tempo. Afinal, como dito acima, a proposta da banda é trazer de volta uma sonoridade característica dos anos 1970, especialmente no que diz respeito às guitarras e seus solos, ora longos, ora viajados e os teclados bem encaixados, além da cozinha competente. Da capa à sonoridade, tudo em “Jewel Box” lembra aquela década.

Com um clima bastante sulista – sulista dos EUA, não do Brasil, claro – que lembra trabalhos clássicos de bandas como Uriah Heep e Lynyrd Skynyrd, o Kappa Crucis nos mostra um trabalho bastante maduro e com uma cara bem definida, talvez resultado do hiato de tempo que a banda levou entre as primeiras demos e o álbum de estréia. O álbum tem uma produção redondinha, dando espaço para todos os instrumentos e o vocal aparecerem com o destaque devido. “Jewel Box” é tão homogêneo que fica difícil escolher destaques individuais. Fãs daquele rockão sulista oriundo de quase 40 anos atrás encontrarão uma boa opção no som dos caras.

Nota: 7/10