Amon Amarth – Surtur Rising

O melhor lançamento dos “vikings” até o momento

Praticante do chamado “Death metal melódico”, os suecos do Amon Amarth tem ganhado bastante espaço na mídia especializada nos últimos anos, especialmente após o lançamento do bem aceito – tanto por crítica quanto público – “Twilight of the Thunder God”, de 2008, que rendeu a mais extensa turnê do grupo e uma vendagem expressiva para esse tipo de álbum (não tem como comparar as vendas de um álbum de death metal com uma Britney Spears da vida, façam-me o favor).

Além da qualidade intrínseca das músicas, outro fator que tem chamado cada vez mais a atenção para o som do Amon Amarth é o fato de que um boa parte de suas letras – diria que acima de 90% delas – é baseada em lendas e sagas vikings e mitologia nórdica em geral, o que fez que muitos digam que o Amon Amarth é mais uma banda de “viking metal” e menos de “death metal melódico”. Rótulos a parte, essa conexão da banda com a mitologia nórdica tem sido cada vez mais explorada, haja vista os títulos de seus quatro últimos álbuns de estúdio: “Fate Of Norns”, “With Oden On Our Side”, “Twilight Of The Thunder God” e esse “Surtur Rising”.

Mas o que diabos o Amon Amarth traz em “Surtur Rising”, que o tornou um dos álbuns mais esperados do ano? Quase nenhuma novidade. E isso, em uma banda tão consistente quanto o Amon Amarth é o melhor que poderia acontecer. Se, por um lado, a banda tem mostrado uma preocupação cada vez maior no que diz respeito à produção de seus álbums – e aqui ela se mostra bastante limpa – por outro, o foco se mantém em não se afastar de sua sonoridade característica, fato que pode ser reforçado devido à formação do Amon Amarth se encontrar estável há mais de uma década e contar com Johan Hegg (vocal), Olavi Mikkonen e Johan Söderberg (guitarras), Ted Lundström (baixo) e Fedrik Anderson (bateria). Para “Surtur Rising” a banda ainda contou com a participação do guitarrista Simon Salomon e da Dark Passanger Orchestra em algumas faixas.

“Surtur Rising” já começa com um candidato a se tornar clássico da banda: “War of the Gods” tem todos os elementos que tornam o Amon Amarth digno da atenção que vem recebendo: velocidade, peso, riffs de guitarra bem encaixados, letras envolvendo deuses nórdicos em guerra e a sempre característica e destruidora voz gutural/gritada/rasgada de Johan Hegg, um dos melhores – se não o melhor – vocalista do estilo na atualidade. A velocidade diminui um pouco e dá lugar a riffs meio grooveados (sim, a palavra não existe, mas não achei nenhuma melhor) em “”Töck’s Taunt – Loke’s Treachery Part II”, continuação direta de “Hermod’s Ride to Hell”, presente no “With Oden on Our Side”. A música traz guitarras bastante consistentes e bem colocadas, com o vocal de Hegg dando um fluxo bem legal pra mesma. Peso e velocidade absurdos voltam em “Destroyer of the Universe”, outra candidata a clássico e que aqui faz as vezes de faixa título, já que a letra trata justamente da luta entre o gigante Surtur e o deus Frey, que ocorrerá durante o Ragnarök, o crepúsculo dos deuses na mitologia nórdica.

O bom trabalho do Amon Amarth continua nas demais faixas, especialmente em “Wrath of the Norsemen” e “Doom Over Dead Man”, que fecha a versão regular do álbum. Não há necessidade de uma análise faixa a faixa, visto que “Surtur Rising” é um álbum bastante homogêneo, cuja a qualidade se mantém sempre, sempre, lá em cima, inclusive superando seu trabalho anterior, o ótimo “Twilight of the Thunder God”.

“Surtur Rising” ainda tem outros atrativos. Primeiro, o encarte, que traz fotos clichês dos membros da banda segurando machados de guerra, lanças e espadas ensanguentadas e duas ilustrações de cair o queixo – descontando a capa. Uma mostra Odin montado em Sleipnir, seu cavalo de oito patas, em luta contra o lobo Fenrir – filho de Loki, destinado a matar Odin no Ragnarök e morrer por sua lança. A outra, menos impactante, mostra a famosa Montanha da Perdição para onde Frodo precisou levar o Um Anel para ser destruído em “O Senhor dos Anéis”, de Tolkein. Essa ilustração poderia parecer deslocada aqui, não fosse o fato de “Amon Amarth” ser um dos nomes da Montanha da Perdição e inspirado a banda a adotar essa alcunha.

O álbum foi lançado lá fora – se encontra inédito em terras tupiniquins ainda – em pelo menos três versões: uma simples trazendo apenas as dez faixas principais de “Surtur Rising”; uma limitada, também simples, contendo três covers: “Aerials”, do System of a Down, “Balls to the Wall”, do Accept e “War Machine”, do Kiss. Finalmente, a versão que foi aquela adquirida por este que vos escreve é dupla, sendo que o segundo disco se consiste de um DVD com a mini-turnê “Bloodshed Over Bochum” na qual, por quatro noites seguidas, a banda tocou na íntegra todos os seus quatro primeiros álbuns de estúdio. Imperdível.

Nota: 10/10

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