Pushking – The World As We Love It

A nata do rock reunida em álbum de banda russa

A globalização proporcionada pela internet nas duas últimas décadas tem aberto as fronteiras de praticamente todo o mundo no que diz respeito a produtos culturais. No que diz respeito à música, então, essas fronteiras praticamente desapareceram, com a popularização dos programas compartilhadores de arquivos.

Se, por um lado, esse fenômeno é visto com maus olhos por diversas gravadoras e bandas – vide o famoso caso da batalha do Metallica contra o Napster – e chega a trazer mesmo um certo prejuízo para ambos, por outro, é graças à internet que bandas de países dos mais distantes e/ou culturalmente fechados tem conseguido mostrar seu trabalho para o resto do mundo. Nos últimos anos, eu tenho percebido que as bandas da Rússia são algumas que tem se aproveitado bastante desse novo cenário da indústria musical. Bandas como Beer Bear, Tvangeste e Last Wail são alguns dos grupos que se aproveitaram dessa abertura recente. Junto com eles, o Pushking também aproveitou para exportar sua música para além de terras russas.

Formada em 1994 e contando com Konstantin “Koha” Shustarev (vocal, guitarras), Dmitriy “Mitya” Losev (guitarras), Peter Makienko (baixo), Bob Parolin (bateria) Oleg “Ivanich” Bondaletov, (teclados) e com o engenheiro de som Andrey Deykov, a banda lançou recentemente, em caráter mundial, “The World as We Love It”, um projeto ambicioso que desembarcou no Brasil via Hellion Records.

The World As We Love It” é um projeto ambicioso simplesmente pelo fato do Pushking ter conseguido reunir ao redor de si alguns dos maiores nomes do rock and roll mundial para agregar valor ao seu trabalho. E não estamos falando aqui apenas de pessoas que vivem se envolvendo nesse tipo de iniciativa em busca de uma renda extra, como Jeff Scott Soto e Jorn Lande – sim, ambos estão no álbum e fazem o trabalho competente de sempre – mas também de artistas que dificilmente saem de sua zona de conforto, como Paul Stanley (Kiss) e Billy Gibbons (ZZ Top).

Falando do álbum em si, “The World as We Love It” começa com uma indefectível introdução apropriadamente chamada de “Intro”, que tem apenas 14 segundos e prepara o ouvinte para o que vem a seguir. “Nightrider” abre os trabalhos propriamente ditos, trazendo um rock and roll pra cima, cheio de groove e embalado pela voz e guitarra de Billy Gibbons. A seguir, vem a melodiosa “It’ll Be OK”, que conta novamente com os vocais de Gibbons, mas as seis cordas ficam a cargo do competente Nuno Bettencourt (Extreme); “Trouble Love”, a terceira faixa – e uma das mais comerciais do álbum – tem a voz inconfundível de Alice Cooper fazendo dobradinha com a guitarra de Keri Kelli. A primeira de uma série de baladas vem com “Stranger Song”, que traz um refrão excelente, grudento na medida, cortesia de John Lawton (voz) e Steve Stevens (guitarras); a funkeada “Cut the Wire” vem na sequência, com Paul Stanley dando o tom e o guitarrista Stevie Salas fazendo as honras para o vocalista do Kiss. “Cut the Wire” mostra uma faceta de Stanley que, acredito, nunca tenha sido vista antes.

“My Reflections After Seeing The ‘Schindler’s List’ Movie” é a segunda balada do album. Com um refrão que, acredito, seja em ídiche, a música mostra um Steve Vai bastante contido. Sem abusar de seu virtuosismo e experimentalismos com as seis cordas, Vai leva a música com bastante calma, competência e classe, coroando sua atuação com um solo típico. “God Made Us Free” traz os vocais de Graham Bonnet. É a música com um dos melhores refrões e melodias vocais de todo o álbum, com um instrumental bastante contagiante. “Why Don’t You?”, a terceira balada do álbum, nos mostra um Glenn Hughes um tanto quanto exagerado, mais preocupado em alcançar notas altas do que propriamente interpretar as letras. É um dos (poucos) pontos baixos do álbum. Já “I Believe” puxa o álbum novamente pra cima, com os vocais sempre competentes do já citado Jeff Scott Soto e é seguida de “Tonight”, onde Glenn Hughes já se mostra mais preocupado em cantar e menos em gritar. Seu escudeiro de Black Country Communion, Joe Bonamassa ficou responsável pelas guitarras da balada (ah, é, esqueci de dizer, é mais uma balada).

Glenn Hughes continua com a mesma filosofia de “Tonight” em “Private Own”, que, novamente, procura dar mais gás ao álbum. Aqui tem-se ainda as participações do guitarrista Matt Filippini e do baixista Konstantin Kokorin. Já quem dá as caras na próxima música do álbum é Eric Martin, da recém-reunida Mr. Big. Outra balada, talvez a melhor de todo o álbum.

Para constratar com a voz suave de Eric Martin, a pesada “Nature’s Child” conta com Udo Dirkschneider, o eterno ex-vocalista do Accept que mostra toda a potência de sua voz, que parece não diminuir, apesar do passar dos anos. Outro destaque aqui são as guitarras, cortesia de Losev e Alex De Rosso. Outra faixa empolgante, com um refrão bastante grudento.

Pra manter o equilíbrio, dá-lhe mais uma balada, dessa vez contando com o gogó de Dan McCafferty. Uma boa música, com uma melodia bastante agradável, mas nada memorável; figura carimbada em quase todo projeto desse tipo, o onipresente Joe Lynn Turner dá o ar da graça em “Head shooter” que, a exemplo das faixas anteriores que seguiram baladas, traz uma sonoridade bastante funkeada, cheia de groove; outro arroz de festa que não poderia faltar em “The World As We Love It” é o supracitado Jorn Lande, que empresta sua voz para “Heroin”, a música mais densa e uma das mais pesadas dos russos.

“My Simple Song” é outra faixa nada memorável. Mais uma balada, ela é bem conduzida por Dan McCafferty, parece meio sobra de estúdio. Cumpre seu papel mas, se não tivesse no álbum, sua falta nunca seria notada. Finalmente, a divertida “Kukarracha” fecha com chave de ouro “The World As We Love It”. Joe Lynn Turner, Eric Martin, Glenn Hughes, Paul Stanley e Graham Bonnet dividem as vozes da música, com a guitarra de Steve Lukather amarrando tudo de uma maneira muito legal.

No fim das contas, apesar do excesso de baladas, “The World As We Love It” é um belo cartão de visitas do Pushking para aqueles que, como eu, não conheciam a banda. Um rock and roll cheio de influências do hard oitentista e elementos mais pop e metal aqui e ali que tem tudo para agradar aos fãs do estilo. Um trabalho que vale a pena ser conferido.

Nota: 8/10

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