Symfonia – In Paradisum

Nova iniciativa musical de Timo Tolkki acerta e erra em proporções iguais

Analisar o primeiro álbum do Symfonia pode ser uma tarefa relativamente difícil. Tecnicamente, esse é o álbum de estréia de uma banda nova e, em casos assim, temos sempre que levar em conta a falta de experiência e entrosamento dos músicos envolvidos, e a imaturidade sonora que advém disso.

Por outro lado, o Symfonia é uma banda nova, mas não novata. E isso faz com que a análise tome outras bases. Afinal, se estamos falando de músicos experientes, fatores como os citados no parágrafo acima, devem ser desconsiderados. Ainda mais se levarmos em conta que os integrantes do Symfonia não só são experientes, como também referências dentro de seu meio. Assim sendo, a expectativa em cima do trabalho sobe exponencialmente.

A exemplo do Chickenfoot, o Symfonia é praticamente uma “super-banda” no que diz respeito ao cenário do speed/power metal (ou “metal melódico”, como queiram). Ela é liderada pelo guitarrista Timo Tolkki, a mente bipolar que por mais de duas décadas foi principal responsável pelas composições do Stratovarius, uma referência no metal mundial; seu principal escudeiro é o vocalista André Matos, outra referência, especialmente para os brasileiros, por ter sido membro fundador de duas das mais importantes bandas de metal nacional, o Angra e o Shaman; as quatro cordas da banda couberam à Jari Kainulainen, baixista finlandês que integrou o Stratovarius de Tolkki entre 1994 e 2005; o baterista Uli Kusch é um dos mais experientes da banda, com passagens por grupos como Holy Moses, Gamma Ray, Helloween e Masterplan, só para citar os mais relevantes; finalmente, completa o Symfonia o tecladista Mikko Härkin que, apesar de ser o menos experiente do grupo, já integrou bandas como Sonata Arctica e Cain’s Offering (projeto de Timo Kotipelto, vocalista do Stratovarius).

A união desse time, claro, fez com que as expectativas com relação ao álbum de estréia do Symfonia fosse lá nas alturas. Quando isso acontece, na grande maioria dos casos, o resultado final nunca corresponde ao que as pessoas esperam. Afinal, por mais experientes que os integrantes de uma banda sejam há sempre um período de adaptação, para que todos conheçam suas forças e fraquezas e trabalhem juntos para enfatizar as primeiras e minimizar as segundas. Por isso, apesar do Symfonia não ser uma banda novata, sofre dos mesmos problemas de uma banda nova. Seu trabalho de estréia, então, acaba ficando acima da média de muito o que vem sendo produzido no cenário do metal melódico mundial ultimamente mas, ao mesmo tempo, abaixo das expectativas a maioria.

Quando colocamos “Fields of Avalon”, primeira faixa do álbum para tocar, vem de imediato uma sensação de déja vú, como se já tivéssemos escutado algo muito semelhante àquela música em algum lugar. E a verdade é que isso realmente já aconteceu. O encarte do álbum entrega que todas as músicas – repito: todas – foram compostas por Tolkki. Assim sendo, essa sensação de déja vú segue por todo o trabalho. Parece que, ao contrário de outras “super-bandas” onde todos os membros entram com suas experiências para colaborar, em “In Paradisum”, a exemplo do que aconteceu muitas vezes no Stratovarius, Tolkki escreveu o material todo sozinho e os demais membros apenas executaram suas partes devidamente e com a competência que lhes é peculiar.

Seria um exagero dizer que o Symfonia é o “Stratovarius com os vocais de André Matos”, como já li por aí. Mas essa afirmação não foge muito da realidade. A influência do power/speed metal praticado pela ex-banda de Timo Tolkki pode ser sentido ao longo das 10 músicas presentes no álbum. Isso é ruim? Sim, se você esperava que essa constelação de músicos resolvesse se arriscar e criar um produto bastante diverso do que já fazem – ou, no caso de Tolkki, faziam – comumente. Por outro lado, é sabido que a maioria dos fãs do metal melódico são um tanto avessos a mudanças radicais e é esse o público para o qual o Symfonia deve estar mirando suas armas inicialmente.

Se assim for, o trabalho de Tolkki e companhia acerta em cheio. No fim das contas, o que o Symfonia faz é exatamente isso, um metal melódico competente, ainda que preso a todos os clichês e maneirismos do gênero, muitos deles criados e/ou popularizados pelo próprio guitarrista. Um álbum homogêneo como um todo, “In Paradisum” tem alguns destaques indiviuais, como a supracitada “Fields of Avalon”, “Come By The Hills”, “I Walk In Neon” e a balada “Alayna”.

Um prato cheio para os fãs desse estilo, ainda que não vá agradar àqueles que esperavam a dita “revolução musical” mencionada acima. A versão nacional do álbum foi lançada pela Hellion Records e pode ser adquirido aqui.

Há de se dizer, ainda, que o Symfonia fará cinco shows no Brasil entre o fim de julho e o começo de agosto próximo. Para os fãs, vale a pena conferir.

NOTA: 7/10

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