Mês: Julho 2011

Stratovarius – Elysium

Banda faz mais do mesmo, mantendo a qualidade de sempre

Depois da turbulenta saída de seu principal compositor, o guitarrista Timo Tolkki, o Stratovarius recrutou o guitarrista Matias Kupianen para assumir as seis cordas e lançaram “Polaris”, um álbum que, apesar da saída de Tolkki, mantinha basicamente as mesmas características consagradas por ele no Stratovarius. Isso se justifica pelo fato de “Polaris” ser um álbum de transição no qual Matias colaborou bastante pouco em sua composição.

Quando do anúncio de “Elysium”, que dessa vez foi produzido pelo novato, o sentimento geral era que, esse sim, seria o primeiro álbum do Stratovarius pós-Tolkki e que a banda – que conta com Timo Kotipelto nos vocais, Jens Johansson nos teclados, Lauri Porra no baixo e Jörg Michael na bateria – poderia partir por dois caminhos igualmente arriscados: se reinventar totalmente, livrando-se das influências do passado ou simplesmente se copiar, tentando emular o tipo de sonoridade à qual estavam todos acostumados, ainda que sem a mão de ferro de Tolkki. Acabaram ficando no meio termo.

No fim das contas, “Elysium” é um álbum característicamente Stratovarius, sem muitas variações no que diz respeito à sonoridade que a banda vem apresentando em praticamente toda a sua carreira – salvo o álbum autointitulado de 2005. A saída de Tolkki não despiu o Stratovarius dos elementos que os consagraram no cenário do dito metal melódico, ainda que aqui o guitarrista novato assine seis das nove composições do álbum, ao lado de Kotipelto. Johansson é responsável por duas músicas e Porra, por uma.

Elysium” é aberta com “Darkest Hours”, uma faixa típica da banda, que já mostra ao que o Stratovarius veio. Lá estão os riffs rápidos, os solos elaborados, as linhas vocais características de Kotipelto, o teclado bem colocado de Johansson e a bateria sempre competente de Michael. A interação guitarra/teclado, que sempre marcou o trabalho do Stratovarius, dando-lhes um que de progressivo, está presente ao longo de todo o álbum. Há faixas mais rápidas e pesadas, baladas – aqui, são duas: “Fairness Justified” e “Move the Mountain” – e a épica e elaborada “Elysium”, com mais de 18 minutos de duração e cheia daquelas quebradas de tempo e mudanças de andamento as quais os fãs estão mais do que acostumados.

Mesmo seguindo pelo caminho mais seguro, o “novo” Stratovarius continua se mostrando relevante no cenário atual. Ainda que não apresente nada novo, a competência de seus integrantes e o tino para escolher o substituto mais adequado para seu maior ídolo mostrou-se acertada no sentido de que a banda não deixou que isso a distanciasse de seus fãs e de suas raízes. “Elysium” é um álbum consistente, homogêneo e que vai agradar aos fãs, da mesma maneira que vai continuar desagradando aqueles que não veem nada de interessante no power/speed metal praticado pela banda.

Nota: 7/10

Anúncios

Amon Amarth – Surtur Rising

O melhor lançamento dos “vikings” até o momento

Praticante do chamado “Death metal melódico”, os suecos do Amon Amarth tem ganhado bastante espaço na mídia especializada nos últimos anos, especialmente após o lançamento do bem aceito – tanto por crítica quanto público – “Twilight of the Thunder God”, de 2008, que rendeu a mais extensa turnê do grupo e uma vendagem expressiva para esse tipo de álbum (não tem como comparar as vendas de um álbum de death metal com uma Britney Spears da vida, façam-me o favor).

Além da qualidade intrínseca das músicas, outro fator que tem chamado cada vez mais a atenção para o som do Amon Amarth é o fato de que um boa parte de suas letras – diria que acima de 90% delas – é baseada em lendas e sagas vikings e mitologia nórdica em geral, o que fez que muitos digam que o Amon Amarth é mais uma banda de “viking metal” e menos de “death metal melódico”. Rótulos a parte, essa conexão da banda com a mitologia nórdica tem sido cada vez mais explorada, haja vista os títulos de seus quatro últimos álbuns de estúdio: “Fate Of Norns”, “With Oden On Our Side”, “Twilight Of The Thunder God” e esse “Surtur Rising”.

Mas o que diabos o Amon Amarth traz em “Surtur Rising”, que o tornou um dos álbuns mais esperados do ano? Quase nenhuma novidade. E isso, em uma banda tão consistente quanto o Amon Amarth é o melhor que poderia acontecer. Se, por um lado, a banda tem mostrado uma preocupação cada vez maior no que diz respeito à produção de seus álbums – e aqui ela se mostra bastante limpa – por outro, o foco se mantém em não se afastar de sua sonoridade característica, fato que pode ser reforçado devido à formação do Amon Amarth se encontrar estável há mais de uma década e contar com Johan Hegg (vocal), Olavi Mikkonen e Johan Söderberg (guitarras), Ted Lundström (baixo) e Fedrik Anderson (bateria). Para “Surtur Rising” a banda ainda contou com a participação do guitarrista Simon Salomon e da Dark Passanger Orchestra em algumas faixas.

“Surtur Rising” já começa com um candidato a se tornar clássico da banda: “War of the Gods” tem todos os elementos que tornam o Amon Amarth digno da atenção que vem recebendo: velocidade, peso, riffs de guitarra bem encaixados, letras envolvendo deuses nórdicos em guerra e a sempre característica e destruidora voz gutural/gritada/rasgada de Johan Hegg, um dos melhores – se não o melhor – vocalista do estilo na atualidade. A velocidade diminui um pouco e dá lugar a riffs meio grooveados (sim, a palavra não existe, mas não achei nenhuma melhor) em “”Töck’s Taunt – Loke’s Treachery Part II”, continuação direta de “Hermod’s Ride to Hell”, presente no “With Oden on Our Side”. A música traz guitarras bastante consistentes e bem colocadas, com o vocal de Hegg dando um fluxo bem legal pra mesma. Peso e velocidade absurdos voltam em “Destroyer of the Universe”, outra candidata a clássico e que aqui faz as vezes de faixa título, já que a letra trata justamente da luta entre o gigante Surtur e o deus Frey, que ocorrerá durante o Ragnarök, o crepúsculo dos deuses na mitologia nórdica.

O bom trabalho do Amon Amarth continua nas demais faixas, especialmente em “Wrath of the Norsemen” e “Doom Over Dead Man”, que fecha a versão regular do álbum. Não há necessidade de uma análise faixa a faixa, visto que “Surtur Rising” é um álbum bastante homogêneo, cuja a qualidade se mantém sempre, sempre, lá em cima, inclusive superando seu trabalho anterior, o ótimo “Twilight of the Thunder God”.

“Surtur Rising” ainda tem outros atrativos. Primeiro, o encarte, que traz fotos clichês dos membros da banda segurando machados de guerra, lanças e espadas ensanguentadas e duas ilustrações de cair o queixo – descontando a capa. Uma mostra Odin montado em Sleipnir, seu cavalo de oito patas, em luta contra o lobo Fenrir – filho de Loki, destinado a matar Odin no Ragnarök e morrer por sua lança. A outra, menos impactante, mostra a famosa Montanha da Perdição para onde Frodo precisou levar o Um Anel para ser destruído em “O Senhor dos Anéis”, de Tolkein. Essa ilustração poderia parecer deslocada aqui, não fosse o fato de “Amon Amarth” ser um dos nomes da Montanha da Perdição e inspirado a banda a adotar essa alcunha.

O álbum foi lançado lá fora – se encontra inédito em terras tupiniquins ainda – em pelo menos três versões: uma simples trazendo apenas as dez faixas principais de “Surtur Rising”; uma limitada, também simples, contendo três covers: “Aerials”, do System of a Down, “Balls to the Wall”, do Accept e “War Machine”, do Kiss. Finalmente, a versão que foi aquela adquirida por este que vos escreve é dupla, sendo que o segundo disco se consiste de um DVD com a mini-turnê “Bloodshed Over Bochum” na qual, por quatro noites seguidas, a banda tocou na íntegra todos os seus quatro primeiros álbuns de estúdio. Imperdível.

Nota: 10/10

Pushking – The World As We Love It

A nata do rock reunida em álbum de banda russa

A globalização proporcionada pela internet nas duas últimas décadas tem aberto as fronteiras de praticamente todo o mundo no que diz respeito a produtos culturais. No que diz respeito à música, então, essas fronteiras praticamente desapareceram, com a popularização dos programas compartilhadores de arquivos.

Se, por um lado, esse fenômeno é visto com maus olhos por diversas gravadoras e bandas – vide o famoso caso da batalha do Metallica contra o Napster – e chega a trazer mesmo um certo prejuízo para ambos, por outro, é graças à internet que bandas de países dos mais distantes e/ou culturalmente fechados tem conseguido mostrar seu trabalho para o resto do mundo. Nos últimos anos, eu tenho percebido que as bandas da Rússia são algumas que tem se aproveitado bastante desse novo cenário da indústria musical. Bandas como Beer Bear, Tvangeste e Last Wail são alguns dos grupos que se aproveitaram dessa abertura recente. Junto com eles, o Pushking também aproveitou para exportar sua música para além de terras russas.

Formada em 1994 e contando com Konstantin “Koha” Shustarev (vocal, guitarras), Dmitriy “Mitya” Losev (guitarras), Peter Makienko (baixo), Bob Parolin (bateria) Oleg “Ivanich” Bondaletov, (teclados) e com o engenheiro de som Andrey Deykov, a banda lançou recentemente, em caráter mundial, “The World as We Love It”, um projeto ambicioso que desembarcou no Brasil via Hellion Records.

The World As We Love It” é um projeto ambicioso simplesmente pelo fato do Pushking ter conseguido reunir ao redor de si alguns dos maiores nomes do rock and roll mundial para agregar valor ao seu trabalho. E não estamos falando aqui apenas de pessoas que vivem se envolvendo nesse tipo de iniciativa em busca de uma renda extra, como Jeff Scott Soto e Jorn Lande – sim, ambos estão no álbum e fazem o trabalho competente de sempre – mas também de artistas que dificilmente saem de sua zona de conforto, como Paul Stanley (Kiss) e Billy Gibbons (ZZ Top).

Falando do álbum em si, “The World as We Love It” começa com uma indefectível introdução apropriadamente chamada de “Intro”, que tem apenas 14 segundos e prepara o ouvinte para o que vem a seguir. “Nightrider” abre os trabalhos propriamente ditos, trazendo um rock and roll pra cima, cheio de groove e embalado pela voz e guitarra de Billy Gibbons. A seguir, vem a melodiosa “It’ll Be OK”, que conta novamente com os vocais de Gibbons, mas as seis cordas ficam a cargo do competente Nuno Bettencourt (Extreme); “Trouble Love”, a terceira faixa – e uma das mais comerciais do álbum – tem a voz inconfundível de Alice Cooper fazendo dobradinha com a guitarra de Keri Kelli. A primeira de uma série de baladas vem com “Stranger Song”, que traz um refrão excelente, grudento na medida, cortesia de John Lawton (voz) e Steve Stevens (guitarras); a funkeada “Cut the Wire” vem na sequência, com Paul Stanley dando o tom e o guitarrista Stevie Salas fazendo as honras para o vocalista do Kiss. “Cut the Wire” mostra uma faceta de Stanley que, acredito, nunca tenha sido vista antes.

“My Reflections After Seeing The ‘Schindler’s List’ Movie” é a segunda balada do album. Com um refrão que, acredito, seja em ídiche, a música mostra um Steve Vai bastante contido. Sem abusar de seu virtuosismo e experimentalismos com as seis cordas, Vai leva a música com bastante calma, competência e classe, coroando sua atuação com um solo típico. “God Made Us Free” traz os vocais de Graham Bonnet. É a música com um dos melhores refrões e melodias vocais de todo o álbum, com um instrumental bastante contagiante. “Why Don’t You?”, a terceira balada do álbum, nos mostra um Glenn Hughes um tanto quanto exagerado, mais preocupado em alcançar notas altas do que propriamente interpretar as letras. É um dos (poucos) pontos baixos do álbum. Já “I Believe” puxa o álbum novamente pra cima, com os vocais sempre competentes do já citado Jeff Scott Soto e é seguida de “Tonight”, onde Glenn Hughes já se mostra mais preocupado em cantar e menos em gritar. Seu escudeiro de Black Country Communion, Joe Bonamassa ficou responsável pelas guitarras da balada (ah, é, esqueci de dizer, é mais uma balada).

Glenn Hughes continua com a mesma filosofia de “Tonight” em “Private Own”, que, novamente, procura dar mais gás ao álbum. Aqui tem-se ainda as participações do guitarrista Matt Filippini e do baixista Konstantin Kokorin. Já quem dá as caras na próxima música do álbum é Eric Martin, da recém-reunida Mr. Big. Outra balada, talvez a melhor de todo o álbum.

Para constratar com a voz suave de Eric Martin, a pesada “Nature’s Child” conta com Udo Dirkschneider, o eterno ex-vocalista do Accept que mostra toda a potência de sua voz, que parece não diminuir, apesar do passar dos anos. Outro destaque aqui são as guitarras, cortesia de Losev e Alex De Rosso. Outra faixa empolgante, com um refrão bastante grudento.

Pra manter o equilíbrio, dá-lhe mais uma balada, dessa vez contando com o gogó de Dan McCafferty. Uma boa música, com uma melodia bastante agradável, mas nada memorável; figura carimbada em quase todo projeto desse tipo, o onipresente Joe Lynn Turner dá o ar da graça em “Head shooter” que, a exemplo das faixas anteriores que seguiram baladas, traz uma sonoridade bastante funkeada, cheia de groove; outro arroz de festa que não poderia faltar em “The World As We Love It” é o supracitado Jorn Lande, que empresta sua voz para “Heroin”, a música mais densa e uma das mais pesadas dos russos.

“My Simple Song” é outra faixa nada memorável. Mais uma balada, ela é bem conduzida por Dan McCafferty, parece meio sobra de estúdio. Cumpre seu papel mas, se não tivesse no álbum, sua falta nunca seria notada. Finalmente, a divertida “Kukarracha” fecha com chave de ouro “The World As We Love It”. Joe Lynn Turner, Eric Martin, Glenn Hughes, Paul Stanley e Graham Bonnet dividem as vozes da música, com a guitarra de Steve Lukather amarrando tudo de uma maneira muito legal.

No fim das contas, apesar do excesso de baladas, “The World As We Love It” é um belo cartão de visitas do Pushking para aqueles que, como eu, não conheciam a banda. Um rock and roll cheio de influências do hard oitentista e elementos mais pop e metal aqui e ali que tem tudo para agradar aos fãs do estilo. Um trabalho que vale a pena ser conferido.

Nota: 8/10

Symfonia – In Paradisum

Nova iniciativa musical de Timo Tolkki acerta e erra em proporções iguais

Analisar o primeiro álbum do Symfonia pode ser uma tarefa relativamente difícil. Tecnicamente, esse é o álbum de estréia de uma banda nova e, em casos assim, temos sempre que levar em conta a falta de experiência e entrosamento dos músicos envolvidos, e a imaturidade sonora que advém disso.

Por outro lado, o Symfonia é uma banda nova, mas não novata. E isso faz com que a análise tome outras bases. Afinal, se estamos falando de músicos experientes, fatores como os citados no parágrafo acima, devem ser desconsiderados. Ainda mais se levarmos em conta que os integrantes do Symfonia não só são experientes, como também referências dentro de seu meio. Assim sendo, a expectativa em cima do trabalho sobe exponencialmente.

A exemplo do Chickenfoot, o Symfonia é praticamente uma “super-banda” no que diz respeito ao cenário do speed/power metal (ou “metal melódico”, como queiram). Ela é liderada pelo guitarrista Timo Tolkki, a mente bipolar que por mais de duas décadas foi principal responsável pelas composições do Stratovarius, uma referência no metal mundial; seu principal escudeiro é o vocalista André Matos, outra referência, especialmente para os brasileiros, por ter sido membro fundador de duas das mais importantes bandas de metal nacional, o Angra e o Shaman; as quatro cordas da banda couberam à Jari Kainulainen, baixista finlandês que integrou o Stratovarius de Tolkki entre 1994 e 2005; o baterista Uli Kusch é um dos mais experientes da banda, com passagens por grupos como Holy Moses, Gamma Ray, Helloween e Masterplan, só para citar os mais relevantes; finalmente, completa o Symfonia o tecladista Mikko Härkin que, apesar de ser o menos experiente do grupo, já integrou bandas como Sonata Arctica e Cain’s Offering (projeto de Timo Kotipelto, vocalista do Stratovarius).

A união desse time, claro, fez com que as expectativas com relação ao álbum de estréia do Symfonia fosse lá nas alturas. Quando isso acontece, na grande maioria dos casos, o resultado final nunca corresponde ao que as pessoas esperam. Afinal, por mais experientes que os integrantes de uma banda sejam há sempre um período de adaptação, para que todos conheçam suas forças e fraquezas e trabalhem juntos para enfatizar as primeiras e minimizar as segundas. Por isso, apesar do Symfonia não ser uma banda novata, sofre dos mesmos problemas de uma banda nova. Seu trabalho de estréia, então, acaba ficando acima da média de muito o que vem sendo produzido no cenário do metal melódico mundial ultimamente mas, ao mesmo tempo, abaixo das expectativas a maioria.

Quando colocamos “Fields of Avalon”, primeira faixa do álbum para tocar, vem de imediato uma sensação de déja vú, como se já tivéssemos escutado algo muito semelhante àquela música em algum lugar. E a verdade é que isso realmente já aconteceu. O encarte do álbum entrega que todas as músicas – repito: todas – foram compostas por Tolkki. Assim sendo, essa sensação de déja vú segue por todo o trabalho. Parece que, ao contrário de outras “super-bandas” onde todos os membros entram com suas experiências para colaborar, em “In Paradisum”, a exemplo do que aconteceu muitas vezes no Stratovarius, Tolkki escreveu o material todo sozinho e os demais membros apenas executaram suas partes devidamente e com a competência que lhes é peculiar.

Seria um exagero dizer que o Symfonia é o “Stratovarius com os vocais de André Matos”, como já li por aí. Mas essa afirmação não foge muito da realidade. A influência do power/speed metal praticado pela ex-banda de Timo Tolkki pode ser sentido ao longo das 10 músicas presentes no álbum. Isso é ruim? Sim, se você esperava que essa constelação de músicos resolvesse se arriscar e criar um produto bastante diverso do que já fazem – ou, no caso de Tolkki, faziam – comumente. Por outro lado, é sabido que a maioria dos fãs do metal melódico são um tanto avessos a mudanças radicais e é esse o público para o qual o Symfonia deve estar mirando suas armas inicialmente.

Se assim for, o trabalho de Tolkki e companhia acerta em cheio. No fim das contas, o que o Symfonia faz é exatamente isso, um metal melódico competente, ainda que preso a todos os clichês e maneirismos do gênero, muitos deles criados e/ou popularizados pelo próprio guitarrista. Um álbum homogêneo como um todo, “In Paradisum” tem alguns destaques indiviuais, como a supracitada “Fields of Avalon”, “Come By The Hills”, “I Walk In Neon” e a balada “Alayna”.

Um prato cheio para os fãs desse estilo, ainda que não vá agradar àqueles que esperavam a dita “revolução musical” mencionada acima. A versão nacional do álbum foi lançada pela Hellion Records e pode ser adquirido aqui.

Há de se dizer, ainda, que o Symfonia fará cinco shows no Brasil entre o fim de julho e o começo de agosto próximo. Para os fãs, vale a pena conferir.

NOTA: 7/10

Grave – Dominion VIII

Último post sobre a série dedicada ao metal extremo sueco

Se tem uma coisa que os suecos fazem bem é música extrema. Esse talvez seja um dos motivos do país – ao lado da Noruega – ser um dos maiores pólos exportadores desse estilo de música para o resto do mundo. Dito isso, o Grave, ainda que desconhecido do público mainstream em geral, é um dos maiores nomes do death metal produzido na Suécia. Adepta do death metal clássico (ou “old school”, como preferem muitos) típico da terra dos vikings, a banda foi formada em 1991 por Ola Lindgren (vocal/guitarra) inicialmente como um quarteto em 1991. Depois de quase vinte anos de estrada, hoje o Grave é um power trio, com Fredrik Isaksson (baixo) e Ronnie Bergerstahl (bateria) completando sua formação.

Dominion VIII”, como o próprio nome já dá a entender, é o oitavo álbum da banda e o que se vê aqui é um death metal que caracterizou bem o Grave em álbuns seminais como “Into the Grave”, de 1991 e “Back from the Grave” de 2002, que marcou o retorno da banda ao cenário depois de um período de hibernação.

Com “Dominion VIII” o Grave não tenta reiventar a roda. Muito pelo contrário, o que se vê aqui é um death metal puramente clássico, com guitarras extremamente pesadas, bateria marcante, riffs ora rápidos, ora cadenciados e o vocal gutural e gritado de Ola Lindgren. Como é também típico do death metal “old school”, as músicas são bastante semelhantes entre si, o que torna esse “Dominion VIII” bastante homogêneo, quase impossibilitando-nos de eleger um ou outro destaque individual. “Bloodpath” e “Dark Signs” no entanto, podem dar uma idéia ao desavisado curioso o que encontrar em “Dominion VIII”.

Devian – Ninewinged Serpents

A banda terminou, mas seu trabalho não deixa de ser relevante

null
O Devian foi formado na Suécia em 2007. Desde então, lançou dois álbuns, sendo que o primeiro, esse “Ninewinged Serpents” desembarcou por aqui apenas no começo de 2010, via Hellion Records. Apesar de novata no cenário, a banda é liderada por dois veteranos no mundo da música extrema, o vocalista Erik Hagstedt, mais conhecido como Legion, e o baterista Emil Dragutinovic, ambos egressos do Marduk, uma das mais cultuadas bandas de black metal da atualidade. Completam a formação do Devian os guitarristas Joinus e Thomas Nilsson (que aqui também foi o responsável pelo baixo).

Fãs do Marduk podem ter uma surpresa – agradável ou não – quando colocarem “Ninewinged Serpents” para tocar. Afinal, apesar dos vocais característicos de Legion e dos títulos e letras das canções remeterem totalmente ao black metal, o fato é que o Devian resolveu apostar em uma sonoridade mais… Maleável, por assim dizer. Não que a banda tenha optado por um som mais acessível, não é isso. Mas o Devian resolveu usar de referências não só do black, mas também do thrash e do death metal, com pequenos trechos de heavy metal tradicional aqui e ali, para construir sua sonoridade. Ao contrário da maioria das bandas de metal extremo da atualidade, no entanto, o Devian não incluiu elementos modernos à sua música. O que se tem ao longo das 12 faixas de “Ninewinged Serpents” é um death metal old school, com toda a brutalidade que o estilo exige, ainda que, aqui, a produção seja mais limpa do que tradicionalmente nesse tipo de música.

Ainda que seja um álbum bastante homogêneo, “Ninewinged Serpents” é um excelente cartão de visitas para o Devian. Seu segundo e último álbum, “God To The Illfated” foi lançado lá fora em 2008 e em 2011 a banda encerrou suas atividades.

Thyrfing – Hels Vite & Farsotstider

Viking metal sueco de grande qualidade

O viking metal é estilo de difícil definição. Inicialmente um derivado do death metal, o estilo hoje abrange uma varidade de ritmos dentro do heavy metal, indo do folk ao black metal em termos de musicalidade, desde que mantenha a temática viking em suas letras.

Egresso da Suécia, o Thyrfing – nome retirado de uma espada amaldiçoada presente em diversos contos da mitologia escandinava – foi formado em Estocolmo em 1995 por Joakim Kristensson (bateria), Patrik Lindgren (guitarra), Kimmy Sjolund (baixo) e Peter Lof ( teclados). No ano seguinte, Thomas Vããnãnen se juntou ao grupo como vocalista e dois anos depois a banda adicionou à formação um segundo guitarrista, Henrik Svegsjö.

Se nos primeiros álbuns da banda, o som do Thyrfing era bastate influenciado pelo folk metal, em “Farsotstider” essa influência praticamente desaparece. O álbum – o quinto da banda – aposta em andamentos ora cadenciados, ora mais rápidos e brutais, com destaque para o vocal gritado e rouco de Vããnãnen e as guitarras, ásperas e pesadas, ao mesmo tempo que com riffs bem construídos. Os teclados de Lof aqui estão servindo quase que exclusivamente para criar atmosférias ora tristes, ora sombrias, dependendo da direção da música.

“Farsotstider” tem apenas oito faixas, totalizando cerca de 42 minutos de um agradável viking/death metal. Uma curiosidade do álbum é que ele é todo cantado na língua mãe dos membros do Thyrfing, que resolveu nadar contra a maré da maioria das bandas que resolve cantar em inglês para alcançar um mercado mais internacional. Isso, no entanto, não tira o destaque de músicas como a faixa título, “Själavrak”, “Elddagjämning”, e “Tiden Läker Intet”.

Pouco depois da gravação e turnê de divulgação de “Farsotstider”, Henrik Svegsjö e Thomas Vããnãnen deixaram a banda. Para o lugar de Thomas foi contratado Jens Ryder, enquanto que o posto de Henrik não foi preenchido. Com apenas um guitarrista, o Thyrfing entrou em estúdio e saiu de lá com seu sexto álbum, “Hels Vite”.

Apesar da mudança de formação “Hels Vite” continua com a evolução musical que a banda vinha seguindo ao longo de cada lançamento, ou seja, um distanciamento cada vez maior do folk metal dos primórdios em prol de um mergulho em ritmos mais extremos, ainda que cadenciados. O álbum tem 7 longas faixas, com duração de 50 minutos e, diferentemente de “Farsotstider”, traz duas faixas em inglês, “Isolation” e “Becoming the Eye”.

“Farsotstider” e “Hels Vite”, ainda que distantes três anos entre si, chegaram ao Brasil ao mesmo tempo no começo do ano passado. Para pessoas que, como eu, não conheciam o Thyrfing, mas se interessam por bandas com essa temática, ambos os álbuns são uma boa pedida. Ainda que seja necessário saber sueco pra entender de que diabos as letras estão falando…